quinta-feira, 29 de setembro de 2016

REFLETINDO



Percebam que atualmente e mais do que nunca, tudo é feito com o cuidado de nos distrair, tirar nossa atenção e interesse para as coisas que realmente nos importam, ou seja, aquelas que dizem respeito ao espírito imortal que somos, passando momentaneamente por este mundo, com objetivo de aprendizado intelectual e aperfeiçoamento moral, nos ajudando uns aos outros, de modo a tornar nossa tarefa menos difícil, ao menos deveria reinar esse espírito fraterno e solidário entre nós, e essa é uma das razões, talvez a principal, de vivermos em famílias, grupos, em sociedade. Mas nós ainda continuamos competindo entre uns e outros. Voltemos, porém ao assunto principal.

As pessoas poderosas, que só encontram a felicidade e a razão de ser para a vida nas coisas boas que este mundo lhes oferece, aquelas pessoas que satisfazem os seus instintos e as suas necessidades mais primárias com coisas passageiras e vitórias aparentes, elas querem porque querem, e imaginam que poderão mesmo permanecer neste mundo, em que pese as transformações pelas quais ele passará (aliás, já está passando). Transformações de ordem material e espiritual, por sinal, os dois elementos constitutivos da vida em todas as suas formas e em todo o Universo.
Ingênuas ou pretensiosas, talvez não tenham lido por aí, que nada e ninguém ficarão encoberto, por mais profundo seja o buraco aonde se escondam.
Quem permanecerá? Os bons, e, aliás, alguém já disse isso faz dois milênios.
Os realmente bons. Bons de coração, de intenção, de iniciativa. Aqueles que pensam o mundo sabendo-se parte integrante dele. Aqueles que veem no seu semelhante um irmão e não um rival, que se reconhecem e se admitem ser um elo da corrente, chamada sociedade. Aqueles que não têm a preocupação de possuir e nem acumular, mas compartilhar. Aqueles que sabem que o acúmulo insano é a causa da miséria que pode ser solucionada, bastando para isso, desapego e boa vontade. Aqueles que sabem que todo espaço é ocupado transitoriamente. E toda situação, seja qual for, é oportunidade de aprendizado, de aperfeiçoamento.
Há de ser assim, porque a vida, por mais pareça o contrário em certos momentos, é justa. Ela reescreve as páginas da história, das pessoas e do mundo, quantas vezes for preciso.


segunda-feira, 26 de setembro de 2016

QUANDO EU ERA CRIANÇA



Foi muito antes de eu tentar entender porque o Ian McCollouch, vestido de preto, da cabeça aos pés, cabelos grandes, desgrenhados, calçando alpargatas, percorria sorrateiramente aquele corredor, num final de tarde, ou início de manhã... não sei, nunca soube ao certo interpretar todas as cores.
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Foi um pouco antes de eu curtir o passeio de bicicleta do Morrissey, em meio à molecada – que muito se parecia àquela a qual eu fazia parte; só não tínhamos, é claro, um Morrissey, ao vivo e em cores. Embora morássemos em Blue City, bem mais propicia às bicicletas que Manchester City.
Foi logo antes, ou muito antes, nem me lembro, porque certas coisas, certos acontecimentos, confundem a nossa mente, de eu ter levado o fora, o maior de minha vida, o decisivo para formação do meu caráter, da Srta. de A. (sem maiores detalhes,as circunstâncias obrigam), enquanto dançávamos, dois pra lá, dois pra cá, no Grupo Ginástico, em meio à tanta gente e tantos olhares – é o que se imagina nessas situações, que todos os olhares se voltam para nós – ouvindo, rosto colado, ainda rosto colado, ouvindo... pra ser honesto ainda ouço, aquela do Tears For Fears.
É, mas o padeiro da rua lá de casa, eu não lembro o nome, mas o leiteiro chamava-se Aléssio. Tinha um barrigão indecente que insistia saltar pra fora da calça. E vivia brigando cargas d’água não sei o motivo, com minha mãe.
E naqueles dias, a tortura da minha vida, ainda não era atravessar os corredores do Chanceler Raul Fernandes, até o Laboratório de Química, mas tirar ao menos o tão desejado 5 (com louvor, em se tratando de minha pessoa) na prova de matemática do Prof. Moacir Rossini. Imagine que estamos novamente em 1977, caro leitor. Sim, faça um esforço de memória, pode valer a pena.
E à parte a péssima notícia (eu nem tinha a dimensão exata do fato) a respeito da morte do Elvis Presley, naquela tarde de Agosto, voltando da escola, notícia que meu amigo Zequinha me dera com ares de dramaticidade, sem que eu entendesse o motivo, havia outras circunstâncias mais favoráveis, digamos assim, para celebrar a vida. E aqui vão algumas delas.
Já lhes falei sobre o leiteiro, seu Aléssio. Esqueci, entretanto, de mencionar, que fora ele quem nos dera de presente o Bandite, nosso cãozinho 7 vidas, que, muito atrevidinho adorava desafiar a vassoura da minha irmã, toda vez que ela cismava varrer a cozinha. Muito valente o cãozinho, só não pode com o motorista do ônibus.
Mas tinha também o Seu Moura, que era a cara, colada e borrada do comediante Bill Cosby, com seu Fordão azul com carroceria, e que vendia-nos aos sábados à tarde os refrigerantes do almoço de domingo. Aquelas garrafas de vidro, grandes, fortes e bonitas. Coca, Fanta, Taí, que eu ficava depois, namorando na geladeira, sob os olhares atentos de Dona Alzira Pignatti, minha mãe. Ah, os almoços de domingo lá de casa!
Um dia apareceu lá no bairro, um senhor mulato, que vendia sorvetes de carrinho da Yopa. O André, um dos nossos, colocou-lhe o apelido de Seu Honesto, porque, desatento na hora de fazer o troco, às vezes, nos voltava umas moedas a mais, o que nos valia uns sorvetes a mais, na sua próxima visita.
O simpático chinês, de cabelo espetado, que uma vez por semana, todo início de noite, batia no portão, oferecendo-se para lavar e passar nossas roupas. Mas mamãe tinha a sua Brastemp automática, já naquele tempo, e a Raquel pra cuidar disso.
Havia os irmãos gêmeos, filhos da senhora gordona que morava na Rua 3, próximo à Avenida Visconde, que todos os sábados, logo após o almoço, vinham para vender os deliciosos e fresquinhos pães caseiros. Um deles, meu xará, depois se tornou carteiro. E do outro, eu nunca mais soube.
Nas manhãs de quinta, passava na rua lá de casa, que na verdade, era avenida, os irmãos japoneses com seu abarrotado caminhão de frutas, hortaliças, verduras e legumes da melhor qualidade. Mamãe era freguesa.
Tinha o senhor com ares de boliviano, que uma vez por mês levava para o meu pai os lançamentos do Círculo do Livro, que somente anos depois, fui entender o valor e a importância que teriam na minha vida.
Não faltava também o menino vendedor de chupetinhas, vermelhas e doces, ótimas para os dentes, digo, para os dentistas.
Ah, não posso esquecer o vendedor de biju, de algodão doce, de pamonha, de queijo, do consertador de guarda-chuvas, panelas, do vendedor de enxoval, que por lá apareciam, vez em quando.
São retratos da minha infância, em meio a vendedores, prestadores de serviços, com os quais, eu me deparava no portão lá de casa, com olhos curiosos, e sem poder dizer nem sim e nem não. Tarefa que cabia ao papai e a mamãe.
Nas férias, brincávamos de bola, quase todos os dias, cedo e à tarde, e se a mãe deixasse também à noite. Quando a pelada não se dava no quintal lá de casa, era na rua de asfalto mesmo. Ou no terreno do Seu Jacó, o qual, nunca vi, e pra dizer a verdade, nem sei se de fato existia. Bem, o terreno existia. E era o nosso Maracanã. Com direito a traves de caibro, roubadas durante a noite, das residências que aos poucos iam sendo construídas no bairro. Era um terreno que ficava na esquina da Rua 2 com avenida 38, e o qual nós roçávamos com os nossos congas, kichutes e bolas de capotão, pra satisfação, quero crer, do Seu Jacó.
Um dia, prometo, conto-lhe sobre os recreios da Escola Monsenhor Martins, onde estudei da 1ª. a 8ª. série, entre 1976 a 1983. E sobre a Praça da Igreja de São Judas e suas quermesses.  Sim, um dia, talvez escreva.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

JOÃO E O PÃO



João ia sair ao encontro da namorada, quando a mãe lhe pediu que fosse à padaria comprar o pão.
“Justo agora, pensou João”.
Mas foi mesmo assim.
No caminho até a padaria, entretanto, começou a refletir:
“Calma, lá, João! Agradeça à vida, generosa que tem sido com você, pelo fato de haver pão na padaria pra você comprar, e haver dinheiro em seu bolso, pra poder pagar pelo pão. Agradeça pela saúde que você possui pra poder caminhar até a padaria pra comprar o pão e poder comê-lo ao retornar pra casa, ou até mesmo durante o caminho, como você costuma fazer”.
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Já de volta, aquelas ideias ainda permaneciam na sua mente, quando virou a esquina da rua onde morava e deparou-se com uma senhora que lhe suplicou um segundo de atenção. Disse-lhe que estava passando necessidades, que ainda não havia comido naquele dia. A senhora de fato, tinha uma aparência nada boa. Havia tristeza no seu olhar. João, que também já havia passado dias difíceis com sua família, lembrou-se que ao menos um pão poderia oferecer àquela senhora. E foi o que fez.
Naquela noite, enquanto conversava com Estela, a sua namorada, pensou: por que reclamar dos pequenos inconvenientes da vida, se temos tanto a agradecer?

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

DIAS DE LUTA - 3 -

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Para o bem de todos e do mundo, no qual estamos atualmente, necessário se faz que desarmemos o espírito, renunciemos à guerra, ao confronto, e façamos opção pela paz, pelo entendimento, pelo respeito às diferenças. Tivemos todos a mesma origem, Deus, seja lá o que venha a ser isso, e teremos todos o mesmo destino, a perfeição e a felicidade. Lembremos do Maior Mandamento, façamos dele, uma norma, uma conduta de vida. Os que se consideram do Bem e os que buscam sê-lo, devem se esforçar para se manter no caminho do Amor, mesmo que, por vezes, tenham de se levantar do chão e reparar possíveis erros, desculpar e desculpar-se. Sigamos em frente. O destino não conhece o ontem.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

EU AINDA SOU O FILHO



Se a situação lhe ocorre é porque você está preparado para ela. Encare como mais uma oportunidade de aprendizado para o espírito, que é o que você é, porque ser humano, aquele algo de começo, meio e fim, você está. Nossa vida, espíritos ainda imperfeitos e aprendizes, neste mundo, ainda de reparações e desafios, é mesmo de lutas. Mas alguém vai à frente, nos mostrando o caminho, nos oferecendo a água na hora da sede, o descanso na hora do limite das forças, o estímulo na hora da incerteza, a coragem na hora do medo, e o abraço, o ombro amigo, na hora da dor. Este é Jesus. E só depois de muito tempo, entendi aquele Homem.