quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

FAÇAMOS MELHOR EM 2018

Porque não temos fé em nós o suficiente, por vezes, vemos o pior e o perigo onde eles não existem. E quando temos, vemos oportunidade na dificuldade.
Ao início de um novo ano, é certo que seremos as mesmas pessoas, as coisas estarão do mesmo jeito e no mesmo lugar. Decepção? Nenhuma. Isso não deve ser motivo para descrença nem desânimo de nossa parte.
Reprodução
Se o desejo é de mudança, a mudança interior, aquela que realmente importa, não há calendário que determine o tempo certo para iniciá-la. Todo dia é dia, toda hora é hora, como diz a canção.
Nós somos seres inteligentes e sensíveis, em evolução, material e espiritual. E para que essa evolução seja rápida, que ela atinge os seus melhores objetivos, depende de nossa iniciativa e esforço.
Recomeçar não é admitir o fracasso obtido, mas demonstrar a fé na vida, nas possibilidades, inúmeras, que ela nos apresenta, a cada instante.
O passado serve apenas como experiência. Quem vive com os olhos no passado, não encontra o caminho a seguir, desperdiça as oportunidades do presente e não constrói o futuro.
Não são roupas, amuletos, mandingas, promessas que mudarão nossas vidas, que trarão soluções para os nossos problemas, somos nós mesmos, quando nos dispusermos a isso e começarmos a lutar.
A disposição para o trabalho de renovação interior para melhor é o primeiro passo para a mudança. E ninguém pode fazer isso por nós senão nós mesmos. Buscando nos conhecermos mais intimamente, identificaremos as deficiências que precisam ser eliminadas, porque são elas que atrasam nosso progresso nas duas frentes em que eles se dão a moral e a intelectual. Possibilita também identificarmos as nossas qualidades que podem e devem ser aprimoradas, sempre.
Mudar para melhor está ao alcance de todos. A frustração advém de quando não aceitamos os limites que a natureza nos impõe. Pode ser que esses limites sejam o modo prudente de a vida nos resguardar de dificuldades maiores e acima de nossas forças. Superar limites, entretanto, é possível e é bom quando não traz prejuízo nem a nós e nem a nosso semelhante. É ruim, quando provoca exatamente o contrário. “Tudo posso, mas nem tudo me convém”, disse um dos homens que mais se esforçou, segundo se tem notícia, para superar as suas más inclinações.
A renovação íntima de cada um de nós, obtida com prudência, sabedoria, na exata medida das nossas forças e com trabalho edificante, contribui para o nosso progresso moral e intelectual como pessoa humana e evita a desarmonia, o conflito de interesses entre nós, o inconformismo, a não aceitação das condições em que a vida se nos apresenta, e, por conseguinte, a revolta, que é o estopim de toda a violência presente na humanidade.
Não esperemos 2018 para fazermos melhor do que temos feito até aqui. Comecemos agora, sem olhar para trás, seguindo em frente, olhando adiante. O destino não conhece o ontem, e cada momento da vida representa uma oportunidade para nós.

domingo, 24 de dezembro de 2017

AS MANHÃS



Gosto das manhãs
As manhãs são como a vida
Inevitáveis, irreversíveis
Nas manhãs rompe o grito de dor, prenúncio da chegada
Trazem as manhãs o sorriso que sucede a lágrima
O abraço e o rosto molhado de suor em contato primeiro com a vida
As manhãs renovam a esperança
São diferentes das tardes que antecedem a noite e a morte à espreita
As manhãs convidam ao trabalho
Despertam as almas confusas, obtusas
As almas indecisas que tentam se encontrar
Encontrar o caminho de volta ao lar
As manhãs despertam a natureza
Aquecem as águas
Dissipam o orvalho
Fazem sorrir as flores
E inspiram os pássaros a cantar
Doces melodias
As manhãs tem o cheiro do café, da água fervendo, derramada
As manhãs desvendam os mistérios escondidos
Na noite perigosa, incerta
Oculta, noite bruta
Gosto das manhãs
Das primeiras luzes do dia que despontam na vermelhidão do céu infinito
As manhãs trazem os homens ao recomeço
E riscam o chão batido de dor e de súplica com os raios de sol da esperança
As manhãs falam mais aos poetas, do que falariam aos corruptos, dementes, e assassinos
As manhãs alimentam os sonhos concebidos nas doze horas noturnas
E os arranca do pesadelo da realidade que pesa sobre os ombros
Dos valentes que insistem caminhar em frente
As manhãs levantam os olhos do chão e os fazem encontrar o destino
Manhãs nubladas, ensolaradas
Manhãs de março, dezembro, outono
Gosto das manhãs e as espero, contente
Porque, ao contrário da felicidade, sei, jamais faltarão.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

DEPOIS DO SOL



Quando eles surgirem finalmente
Não se fará dia nem noite
O tempo desaparecerá
As coisas todas farão sentido
Cairão mais que torres, reinos e governos, potestades
As algemas arrebentarão, os caminhos surgirão
Enfim se fará luz
Quando eles surgirem finalmente
Em meio às nuvens
Surgindo dos ares, das entranhas da terra
Secarão as lágrimas, não haverá mais dores,
Nem gemidos, nem gritos que não seja
De alegria...
Quando eles surgirem finalmente
Não haverá mais diferença entre esses e aqueles
Cada um terá o que é seu, o que fez por merecer
As estrelas desaparecerão do céu, descerão à terra
Nunca as cores serão tão bonitas como naquele momento
E a música celeste, penetrará os corações
Limpará as mentes, de toda impureza e maldade
Quando eles surgirem finalmente
Tudo será revelado, papéis e consciências,
Postos na mesa, desnudados
Correrão uns e outros contra o vento, em direção ao mar
Subirão ao planalto, desesperados, à espera
Feito mulas enlouquecidas
Feito loucas virgens, agoniadas
Diante do tempo esgotado, saberão
Olhares se perderão incrédulos
Quando eles finalmente surgirem
Nada fará sentido
Nem o tempo
Nem a vida
Nem as coisas
Nem os lugares, quais? Onde estarão?
Tudo irá se mover
E se confundir
E perderá importância e significado
Nada jamais será como tem sido
Onde o sol se deitava surgirá
Um novo horizonte, mais lindo, mais limpo
Quando eles finalmente surgirem
Por um instante, a vida irá adormecer
E despertará no instante seguinte
E então, entenderá cada qual
Que rumo tomar



quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

O NATAL DESPERTA O AMOR EM NÓS

No livro Maria de Nazaré (editora Fonte Viva, 488 págs.), o Espírito Miramez, relata através da psicografia do médium João Nunes Maia, que nos dias que antecederam o nascimento de Cristo, havia uma sensação de paz e alegria que pairava sobre o mundo. O prenúncio da chegada do Messias contagiava as pessoas, estimulando-as a se voltar para o bem.
De lá para cá é assim todos os anos. Chega o mês de Dezembro e, aos poucos, as pessoas, tendem a se tornar mais amáveis e generosas. Os olhos daqueles que muito possuem se voltam para aqueles que nada tem. A disposição em compartilhar desperta nos corações humanos e prevalece temporariamente sobre o egoísmo.
Reprodução web
Mas não poderia ser sempre assim? O que nos falta para que seja? Não muita coisa. Apenas boa vontade. A nossa vida pode ser a pior possível, mas exigir que nosso semelhante pague a conta por isso é sinônimo de egoísmo e estupidez e nossa parte. Nossa felicidade ou nossa tristeza, são o resultado de nossas escolhas.
Ao longo de nossas muitas encarnações, vamos semeando livremente e colhendo obrigatoriamente. Somos responsáveis, os únicos, por nossos atos praticados. Tudo o que fazemos repercute diretamente em nós e, indiretamente, até certa medida, em nosso semelhante. Daí a tremenda responsabilidade que temos com aquilo que pensamos, falamos e fazemos.
Vivemos em um mundo onde a matéria é densa. Nossa visão e nossa percepção limitada. É através da vontade, do trabalho para nosso aperfeiçoamento moral que superamos nossos limites. Quem se acredita incapaz de evoluir moralmente, corrigir seus defeitos e aprimorar suas qualidades, descrê de si mesmo, de suas potencialidades naturais.
Nascemos todos da mesma fonte que é Deus, a perfeição. Portanto, somos destinados à perfeição. É possível amenizar o sofrimento que nos acomete, fruto de nossas escolhas equivocadas, mas, também, amenizar o sofrimento que acomete o nosso semelhante. Somos assim, todos irmãos, do melhor ao pior de nós, tivemos todos a mesma origem.
Se nos ajudássemos uns aos outros, em vez de competirmos entre nós, o mundo, da qual tanto reclamamos, já teria se tornado bem melhor. Haveria menos sofrimento. A energia da qual todos somos feitos, e aquela que geramos através dos nossos pensamentos, sentimentos e ações, seria menos densa, mais agradável. Haveria menos doença e haveria menos problemas. Viveríamos naturalmente num ambiente de paz, amando-nos e respeitando-nos uns aos outros.
Alguém, bastante conhecido entre nós, Jesus de Nazaré, filho de Maria, disse exatamente isso há 2017 anos. Tanto tempo já passou, nós, seres humanos, trocando em miúdos, espíritos encarnados, fomos capazes de grandes conquistas no campo intelectual, mas ainda não conseguimos realmente compreender a importância do maior ensinamento que já recebemos: que amássemos uns aos outros. Ou seja, que fôssemos bons, pacientes, tolerantes, humildes, solidários, fraternos, generosos, irmãos de verdade, uns para com os outros.

Quando nos deparamos com atos de bondade, e eles são muitos, renovamos nossa esperança no ser humano. Aproveitemos o mês de dezembro, o Natal, para ligarmos o motor dos nossos melhores sentimentos, da nossa disposição natural para o bem, para o amor, e comecemos a transformar nossas vidas, para melhor. E logo, teremos um mundo melhor, tão desejado por todos nós.

domingo, 26 de novembro de 2017

POEMA DO ESQUECIDO



Ninguém me segue, e isso é bom;
Ainda que eu olhe para trás e veja vultos;
A espreitar-me, atentos, acompanhando meus passos, à distância;
Ninguém me escuta, e prefiro que seja assim;
Nessa longa trajetória, vou deixando à eternidade o eco de minha voz sufocada;
Para que um dia, alguém se dê conta do meu grito por socorro;
Ninguém me vê; ótimo, passo despercebido, deixando marcas que, um dia, talvez, alguém as encontre; e se não encontrá-las, nada terás perdido, nem tu, nem eu;
Talvez encontre ainda um rastro de sangue na madeira, uma gota de suor, em suspenso, como o orvalho da noite que hesita em se derramar, da folha que o sustenta;
Ninguém me entende, mas que bom! Não desejo entregar respostas a mentes desocupadas, desejo provocá-las, instigá-las a pensar, a repudiar-me. Não é a mim que lhes ofereço, são as palavras;
Não vêm as palavras numa bandeja de prata, nem acompanhada de pratos, louças e talhares;
Vêm despidas de sensatez, de lucidez, vem confusas, pois é como as recebo;
Desde pequeno treinado a obedecer, a responder e agir, e reagir conforme padrões estabelecidos;
Autômato, programado, treinado a aceitar o que outros dizem;
A sorrir, abraçar e ouvir; e calar diante dos fatos, e não ver o que vê; esquecer sem nada sentir; melhor;
Quando percebi que podia ser diferente, eu pulei do trem, sabendo que jamais tornaria a alcançá-lo. Sabendo que, bem possível, não chegaria ao destino;
E se chegasse, estaria cansado, exausto, ferido, com as roupas rasgadas, puídas, sujas; o corpo, prestes a deixá-lo, fedendo;
Sozinho. Calado. Acompanhado da minha sombra, quando muito. Faminto. Sedento. Sem trégua, porque ninguém me vê; ninguém me ouve; assim escolhi, quando pulei do trem; tinha 13 anos.
E as palavras, vinham como os vultos. E desapareciam como a luz do sol entre as copas das árvores;
Não me saciavam as palavras. Mas me arrancavam à tristeza. Era quando eu conhecia por um instante o que era a liberdade;
Quantas horas são, pergunta-me o homem, sentado na calçada, todos os dias, ao final de tarde;
Nem paro para responder-lhe;
Sempre com pressa, sempre desatento;
Não procuro ver as pessoas, nem ouvi-las, e nisso nos entendemos;
Nossa distância impercorrível, nosso silêncio mórbido;
Tão denso e profundo este silêncio, que até posso vê-lo como os olhos cansados do velho que me pergunta as horas, e ouvi-lo como a fúria do vento invisível;
Buscando longe de mim um lugarzinho onde possa apoiar papel e lápis, e escrever;
Escrever...
O que significa subtrair-me da realidade imposta, não sei por quem, nem o motivo, não me interessa;
Com o destino, acerto as contas depois;
Aprendi a caminhar fora do trem, tropeçando nos cascalhos, esbarrando nas encostas, caindo, e levantando, indo...