segunda-feira, 9 de julho de 2018

VAI, BRASIL!


Caro leitor, bom dia! Enquanto tomo meu delicioso café de cafeteira italiana, aproveito para convidá-lo a uma reflexão. Às 6 da manhã? Sim, por que não? Deixe a timidez de lado, bote o seu amarelo mais colorido e torça. Grite, esperneie, xingue, chore e sorria ao final, queira Deus. Não é carnaval, é Copa do Mundo. Entre no clima. Participe. Seja feliz enquanto dure!
Reprodução
Não dê ouvidos aos do contra, aos que vê coisa errada, defeito e maldade em tudo e em todos. Talvez um dia, eles aprendam a sorrir, também. Faço votos.
Eu torço pela seleção brasileira porque gosto de futebol e amo meu país. Se em vez de Neymar e Cia. Bela fossem senhores aposentados ou um bando de barrigudos pernetas a vestir a camisa canarinho eu torceria por eles do mesmo modo, mesmo sabendo de antemão o resultado.
Se forem brasileiros em disputa esportiva tem meu apoio. Se os meninos do Seu Adenor, hoje são estrelas do futebol mundial e são muito bem remunerados é porque fizeram por merecer. Nada lhes caiu do céu ou veio de graça. Pesquisem-se as origens de cada um deles e a maioria batalhou, desde pequenos, por um sonho que é o mesmo da maioria das crianças que hoje os assistem pela tevê.
Eles conseguiram. São profissionais bem sucedidos e respeitados. Palmas pra eles. Deveriam servir de inspiração e incentivo aos que também desejam vencer em suas profissões. Mas não é assim. A maioria de nós, brasileiros, acostumou-se a projetar no futebol as suas maiores aspirações e a cobrar do futebol as suas piores frustrações.
E o futebol, para nós, que dele não dependemos para viver, porque somos apenas torcedores, é apenas um divertimento, uma distração, um jogo que se assiste. E cujo resultado se comemora ou não. E tudo deveria terminar aí. Voltamos ao trabalho, segue a vida. Mas não termina. Porque no Brasil, futebol é mais que um jogo é também cultura. Embora não seja encarado dessa forma.
Para uma minoria, infelizmente, futebol é também oportunidade para a prática de crimes, delitos e desforra contra o outro, em face às contrariedades da vida ou por safadeza mesmo.
A seleção brasileira, na disputa de uma Copa do Mundo, poderia ser o pretexto para a união de todos nós, em torno de um objetivo comum, torcer por nossas cores, nossos símbolos, nosso país, representado por 11 jogadores em busca da glória máxima que o evento proporciona. Poderia.  E talvez fosse possível, não estivesse o país tão dividido, não fosse tão injusto, não estivesse em sua maioria tão indignado com o estado de coisas que a todos prejudica e envergonha: a corrupção.
Quem sabe, logo mais, às 15 horas, com uma vitória do Brasil sobre a Bélgica, pelas quartas-de-final da Copa do Mundo 2018, talvez tenhamos mais uma vez do que nos orgulhar e motivo, ainda que seja apenas um, para comemorar.
O esporte, em especial o futebol, tem sido ao longo do tempo, a confirmação de nossas melhores aspirações, o motivo para acreditarmos, de fato, nas nossas possibilidades. O momento que o gigante não se acha deitado e adormecido em berço esplendido.
Ignorar ou rejeitar essa realidade é direito de cada um. Mas se podemos sorrir e nos sentirmos felizes por que não fazê-lo? Ainda que seja por um motivo banal, fugaz, um prazer efêmero que uma vitória no futebol proporciona a nós torcedores.
Os problemas já existiam e continuarão existindo após 90 minutos de futebol. Talvez, entretanto, eles se tornem menos pesados ao menos um pouco, se pudermos sorrir após o apito final de sua excelência o árbitro. Tomara que sim! Vai, Brasil!
Publicado no Jornal Diário do Rio Claro, à pág. 2, edição de 06/07/2018

RIO CLARO, QUERIDA!


Caro leitor, bom dia!
É provável que o Brasil já esteja ganhando por 2x0, quando você se deparar com essas linhas, agora pela manhã. Tomara. Caso contrário, não me culpe pela decepção. Alô, Sr. Tite, você macaco velho do mundo da bola sabe que no futebol só existe uma verdade: ganhou é bom, empatou é mais ou menos, perdeu é ruim. O empate contra a Suíça, na estreia, foram apenas ferimentos leves. Agora vamos à forra.
Reprodução
Quanto entusiasmo! – você deve estar pensando, não é leitor? Pois bem, de fato, estou feliz, e você também deve estar. Afinal, fazemos parte do seleto número de pouco mais de 200 mil indivíduos que tem o prazer de morar na querida Cidade Azul, que, daqui a 2 dias, comemora 191 anos de existência.
Rio Claro, terra de João, o Batista, padroeiro, cuja imagem para cá trazida por um de seus fundadores, Francisco da Costa Alves, existe até hoje. Visionário, o oficial da coroa, a serviço de sua majestade, o Rei, foi além, trouxe consigo não apenas a imagem do João, também o padre, de nome Delfino, que, com sua bravura e destemor, viria por ordem na casa, fazendo valer entre os habitantes do povoado, a lei de Deus e a lei dos homens.
Cada vez que passo diante do Espaço Livre da Avenida Rio Claro, o antigo Largo do Riachuelo, tento imaginar como eram as pessoas que ali viviam no início do povoado de São João Batista do Ribeirão Claro, como chegavam aquelas pessoas, de onde vinham e o que traziam além do cansaço e da esperança? Quais eram suas ocupações, dificuldades? Quais expectativas animavam seus corações, se é que as tinham? Qual terá sido o exato lugar em que fora parido o primeiro rioclarense? Terá sido menina ou menino a derramar as lágrimas de boas vindas nessas terras?
Os mais antigos tendem a dizer convencidos de que Rio Claro ontem era melhor que hoje. Eu os compreendo. Saudade é uma dor para a qual não há remédio. Através da ferrovia, Rio Claro conheceu o progresso inevitável ao qual estava destinada. O povoado tornou-se cidade. Abriu seu coração e suas portas para brasileiros vindos de todas as partes do país e eles deram a sua contribuição e enriqueceram de cultura, inteligência e capacidade produtiva a querida Cidade Azul.
Em minha juventude, muitas vezes tive vontade de deixá-la, Rio Claro. Mas nunca tive oportunidade. E quando tive, faltou-me coragem. Menos mal. O tempo viria a demonstrar que a vida, mais uma vez, escrevia certo por linhas tortas. Aqui estou e não me arrependo. Aqui encontrei aqueles que me amam, ganho o meu sustento, compartilho conhecimentos e experiências de vida. Aqui pretendo abandonar-me à eternidade, quando a megera dama vier me chamar. Que demore a fazê-lo.
Tudo isso, Rio Claro, todas essas linhas, só pra dizer que te amo, e que não vivo sem você.
Caro leitor, perdoe-me a pieguice dessa crônica. O amor permite esses excessos. Daqui a 2 dias, comemore, se a seleção do Tite impedi-lo de fazê-lo hoje. Você terá todos os motivos pra comemorar. Você mora numa cidade que tem lá os seus problemas como qualquer outra, mas também muita coisa boa pra ser apreciada e vivida. Salve, salve, Rio Claro querida!
Publicado no Jornal Diário do Rio Claro, pág.2, edição de 22/06/2018

O MOMENTO PRECISO DA VIDA


Deve ser uma delícia. Olhar o pedaço de céu que a janela aberta permite, a parede vai desaparecendo, o céu aumentando, ficando perto, surgem algumas nuvens, ouve-se ao longe um som que se parece com melodia, mas que de fato não se sabe o que seja.
Sente-se o corpo leve, como se pouco a pouco, a fé, a vontade, o pensamento, o sentimento que nos move, fosse desprendendo, diluindo-se e recompondo-se, ao lado.
Alguém se aproxima, se faz sentir perto, presente, confiável.
Reprodução
Não sei se é assim. E numa visão bastante otimista, devo dizer que provavelmente seja.
Alguns chamam esse momento único e inevitável da vida, de morte. Outros, o chamam de Passagem, Transição, Retorno.
Essas pessoas poderiam ser poetas. Não as chamarei de insensíveis. Não sou cruel para tanto.
Mas o modo como conheci a morte, difere de tudo isso. Bem entendido: Não a vivi, apenas a conheci, da maneira mais superficial possível, menos próxima da verdade, a mais especulativa e, portanto, adorável: eu conheci a morte, vendo-a diante de mim; observando-a, e foi assim, desde muito criança.
Família grande, sempre havia um velório e um sepultamento para marcar presença, o que significava abraçar parentes, alguns desconhecidos, rezar diante do caixão, assinar a lista de presenças e percorrer aquela distância que compreende o cortejo até a sepultura.
Aquela avenida central do João Batista, aquelas árvores, aqueles ares de antiguidade, de saudade de coisas que eu ainda não vi, aqueles pássaros, bem-te-vis; o sol percorrendo, atingindo, transpondo as copas das árvores, o chão de pedra portuguesa, os túmulos, alguns muito antigos, exalando morte e saudade, algum perfume
Amigos, eu também me despedi deles. Trapacearam-me aqueles miseráveis. Mas eu os perdoo, por terem me deixado aqui.
Filhos? Filhos, não. Minha filha. E vai ter nome francês, bem me lembro que pensei quando soube. Aliás, as duas tiveram. Uma se foi. Saudade é o que resta, saudade que tenho de uma imagem concebida da minha vontade de abraça-la, vê-la, tê-la ao meu lado. Menina linda, loira, de olhos azuis iguais aos meus, hoje teria 19 anos. Aline. 120 dias neste mundo. Apenas 1 em meus braços.
A vida é um trem. Passa. Tudo é deixado para trás. Coisas, lugares, pessoas, mas a gente fica. Vai ficando... Até onde, não sei.
Voltemos ao olhar que se perde em direção a um pedaço de céu. Há um momento em que a gente se depara com a soma de todas as coisas, o momento final, supremo, aquele que nos revela o que de fato somos, e se valeu a pena ou não.
Deve ser uma delícia viver esse momento, com a certeza de que fizemos sim o melhor que podíamos, de que nossa vitória foi o que de bom realizamos e não o que acumulamos entre quatro paredes, na carteira ou no cofre. Quando fizemos alguém sorrir, e quando alguém sorriu para nós, feliz, apenas pelo fato de existirmos.
Sim, deve ser uma delícia! Não voltarei pra contar se de fato é. Mas tenho certeza que cada um poderá viver esse momento único e inevitável da vida. E que seja um momento feliz, precioso para todos, apesar do que ele representa.
*Publicado no Jornal Diário do Rio Claro, pág. 2, edição de 08/06/2018

terça-feira, 5 de junho de 2018

OUTONO, AMANHÃ

Há um momento inevitável por vir
Algo que se evita, se esconde 
Mas permanece à espreita
À espera que se pergunte
Com alguma honestidade
Por que insistir
Um momento inevitável, tirano, em que
O peso sobre os ombros
Se tornará insuportável
O momento do vacilo
Da queda, do espanto
Como dois acordes interrompidos
O olhar parado,
Qualquer coisa em suspenso
Como a palavras que morreram
Sufocadas no seu desejo de se expressar
Como o sentimento abafado, louco, destemido
Sujeito à realidade, insano, algoz de si
O momento em que o sangue escorrerá pela neve
E se fará breve, percebido, então...
Nesse momento, único, todos virarão as costas
E o darão por vencido
O momento inevitável
Não se sabe qual, onde, quando
Mas, inevitável, vem
Para mostrar, sem reserva, sem pudor
Sem nenhuma decência
O que há debaixo dos pés
Quando os olhos arregalados,
Saltando pra fora, encontram o céu,
Um pedaço de céu
Ou então, pode ser, quem sabe, talvez, encontre
O chão batido, manchado
À espera do rosto, cansado, machucado, dos que deitam
E alcançam, aos poucos, indefesos
O abismo, inútil, denso, sem fim
A dor em suspenso
Que não cessa
Vento sul que vem, chega, arrasa, envolve
E tudo vai escurecendo
E desaparecendo
Mas a dor em suspenso, contínua, célere, indecente
E você sentindo-se só, permanece
Emudece, aos poucos
Permanece, solto, leve, calado, num canto qualquer
A espera do que jamais será
Por mais que deseje
Permanece
Enquanto o sol se põe e revela
À penumbra, a silhueta distante, mal formada, do que um dia foi 
O teu reduto de esperança.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

PAPAI, O JORNAL E EU


O Sr. Finnegans Wake tinha por hábito ler os jornais enquanto apreciava o saboroso chá da tarde na varanda de sua bela mansão.
Também leio jornais. Mas esse hábito saudável adquiri de meu pai, ele sim, um inveterado leitor daquilo que um dia alguém ousar chamar de hebdomadário. Quem terá sido o infeliz?
Nos idos de 1970, duas coisas jamais faltaram na área lá de casa: um Wolkswagen e os jornais: o Diário do Rio Claro (o jornal que tem nome e sobrenome) e o Estadão.
Com o Diário, papai acompanhava o noticiário local, que se completava ouvindo, todos nós, juntos à mesa, à hora do almoço, ao programa Show do Meio Dia, do seu colega, também contabilista, Sergio Carnavele.
Reprodução
E é bom que se diga, ouvíamos, entre os bifes e as saladas de alface e tomate que a Dona Alzira, apresento-lhes a mamãe, caro leitor, preparava com amor e carinho.
E antes que você me pergunte, caro leitor, sobre o outro jornal, o Estadão, eu lhe respondo que através dele, papai tinha acesso a duas outras coisas que ele considerava indispensável, o suplemento literário, que saía aos domingos e os índices econômicos, porque papai naqueles dias, além das atividades contábeis, do time de futebol de garotos do bairro, e da sagrada tarefa de educar os filhos e ser um bom marido, também andava metido em criar frangos.
Tinha uma granja, para onde íamos aos finais de semana. Íamos, leia-se: mamãe e eu. E ficávamos pouco. Mamãe não era muito chegada aos aromas nada agradáveis, o leitor há de convir, que os frangos e as galinhas exalavam de seus orifícios.
Mas eu ia dizendo que adquiri de meu pai o hábito de ler jornais. E costumo fazê-lo logo pela manhã, bem cedo, tomando aquele delicioso café com adoçante, conforme recomenda a Dona Diabetes, não há de fato felicidade plena neste mundo.
Então, lá pelos meus 26 anos de idade, recém casado, resolvi arriscar uma promoção intelectual, passar de leitor a escritor. E para minha surpresa fiz minha estreia grandiosa neste mesmo jornal Diário na finada (Deus a tenha em bom lugar!) coluna “Escreve o Leitor”. Comentava, salvo engano, sobre a penosa situação do meu querido Rubro-Verde, também conhecido por Velo Clube.
Meu nome no jornal. Sabe, caro leitor, a gente, às vezes, se sente meio besta, um tanto orgulhoso quando vê o nosso nome no jornal, que não seja na sessão de protestos do cartório de notas.
Mas é algo passageiro, depois a gente se acostuma. Mas a primeira vez é impactante, é como um soco no fígado. Ainda, quando neste mesmo jornal, o papai, também nos idos dos anos 1970, se aventurava sob o pseudônimo de Medeiros da Costa, ou coisa que o valha, submeter suas poesias ao crivo da competente e rigorosa Dona Mara Jodate, que, habitualmente, recebia as colaborações com generosidade e as publicava, algumas.
O mesmo jornal Diário, proporcionou-me outra forte emoção, quando, fazendo pesquisas para um trabalho free lancer, no Arquivo Público e Histórico do Município, deparei-me com o anúncio de uma peça teatral da Cia. de Teatro Amador do Bairro da Saúde, e lá estava papai, integrando o elenco, no papel do Promotor de Justiça. Imaginei papai, com terno preto, cabelo e olhar à lá seu ídolo Humprey Bogart, atuando nos tribunais. Papai não era fácil. Onde se metia, saía-se bem. Dele herdei o nome, nada mal, e o hábito de ler jornais. De fato, não se pode ter tudo na vida.
Mas algo que nos dê prazer e algum ganho a vida sempre nos proporciona, porque sabe bem o leitor, Deus é pai de todos. Por exemplo, escrever artigos e crônicas como esta, para este jornal Diário, que, com grande satisfação, vê-se revigorado, forte e atuante, continuando sua gigantesca e tão importante missão de bem informar e ser o arquivo histórico da família rioclarense.
*Publicado no Jornal Diário do Rio Claro, à pág. 2, edição de 25/5/2018.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

SUBINDO AS ENCOSTAS

Reprodução

Quando me faltam as palavras
Sinto-me como o barro,
Sem o sopro divino da criação
Moldado, formado, inerte, mudo, sem vida
Meus olhos parados permanecem
Como se petrificados estivessem
E minhas mãos à procura ficam
Embora endurecidas, impedidas,
Na sua vontade de mover-se
E fazer deslizar o lápis, uma valsa, um verso
Sobre o papel, à espera
Quando as palavras me faltam
Desfaz-se a razão, o nome, o desejo, o tudo
Fica o vazio por inteiro, imanente, o nada
O escuro, a cor oculta, sem brilho
E a dor pungente, contínua, não se revela
As palavras ausentes, aos poucos, me subtraem do viver
Roubam-me, sensatas, a razão de querer
Seguir subindo as encostas

quarta-feira, 16 de maio de 2018

O MILAGRE DO AMOR


O milagre do amor levará embora a sua dor. Duvido que haja alguém neste mundo que ao menos por um instante não tenha acreditado nisto.
Reprodução
Mas quando se chega a certa fase da vida, aquela em que se pesam prós e contras antes de se tomar alguma decisão, por mais insignificante que seja, chega-se também a duvidar se de fato o amor levará embora a nossa dor.
Se você tem a resposta, caro leitor, saiba que és um sortudo, porque eu não a tenho.
Não vou lhe dizer que um dia, lá pelos idos dos meus distantes 19 anos, o amor não tenha vindo em minha direção, como canta Annie Lennox, naquela que talvez seja a mais conhecida e cultuada canção de sua banda Eurythmics. Acontece com todo mundo ao menos uma vez na vida. Mas geralmente, queira Deus eu esteja errado, geralmente o amor vem e vai, e deixa uma dor.
É algo que incomoda, machuca, mas com o tempo a gente aprende a conviver. O tempo não cura feridas. Não as da alma. Mas torna as feridas menores e menos doloridas.
Mas o milagre do amor existe. Que outro poder sobrenatural faria o mundo viajar no espaço infinito a uma velocidade de 107 mil quilômetros por hora, sem que fossemos cuspidos para longe?
Que outra força descomunal faria um ser carregar outro dentro de si durante 9 meses e ser capaz de recebe-lo com afeto, ternura, carinho depois de fazê-lo a custa de muito esforço, sangue e sacrifício, conhecer o que é o mundo e a vida do lado de cá?
Não houvesse o milagre do amor, o que nos convenceria se sujeitar a uma rotina onde dedicamos o melhor de nós para coisas transitórias, superficiais e na maioria das vezes inúteis, mas que chamamos com orgulho de trabalho, compromisso, objetivos.
Se nossa meta neste mundo é aprendermos a amar, haja milagre, porque estamos bem longe do ideal.
Mas quando a gente se depara com o sorriso de uma criança, quando a gente acorda e encontra aquele olhar de satisfação da parte da pessoa com a qual dividimos a cama e nossas vidas, como se ela nos dissesse, que bom que você está aqui! Então, a gente se convence que o milagre do amor existe sim!
*Publicado no Jornal Diário do Rio Claro, pág. 2, edição de 18/05/2018