sexta-feira, 14 de abril de 2017

NESTES DIAS, COMO NENHUM OUTRO



Nestes dias nos quais o mundo se torna tão pequeno, quando as pessoas se veem e se ouvem ainda que distantes. Dias em que o conhecimento está nos livros ao alcance de todos, na boca dos oradores empolados e senhores de si em seus púlpitos, nas páginas dos jornais, nos tablets, enfim, por toda parte, pergunta-se: Por que ainda caminhamos a passos de tartaruga? Por que tanto desinteresse, incapacidade para transformar todo esse conhecimento em sabedoria, que nos arranque do egoísmo, do orgulho tolo, inútil que nos cega. E a resposta é que o conhecimento, não se transforma em sabedoria, nenhum benefício nos traz, se o encarceramos na teoria, com a qual, ingenuamente imaginamos que podemos avançar na nossa difícil jornada de evolução espiritual. Todas as luzes possíveis ao nosso entendimento já se fizeram. Todos os caminhos já foram desbravados. Mas se não nos dispusermos à luta conosco mesmo, que só a vivencia dos fatos e das circunstâncias, e dos inevitáveis efeitos de todas as causas que gerarmos com nossos atos, nos proporcionam, não iremos absorver o conhecimento que já nos foi legado, portanto, não iremos transformá-lo em sabedoria, porque teorias não vividas, não experimentadas, por mais perfeitas se pareçam, são como livros que adquirimos ao longo da vida, e que se acumulam em nossas prateleiras, e que uma vez, fechados, estão mortos. – g.j.c.jr. – 14/4/2017

sexta-feira, 17 de março de 2017

O MELHOR ESTÁ POR VIR



Não existe o fim. Porque se há alguma coisa, que não sabemos definir, mas sabemos existir, que é a causa de tudo, e se é verdade que esse algo é eterno, então o que se dá é a transformação (por vezes por meio da destruição aparente), é o aperfeiçoamento constante de tudo, inclusive de nós, os seres que pensam, sentem e agem, e também deste mundo, ao qual estamos abrigados atualmente, e, por fim, de tudo mais, tudo o que conhecemos e o que desconhecemos, ainda.
As mentes invigilantes, os olhos distraídos, se deixam levar facilmente por hipóteses aventadas, sobre seres outros, astros, palavras ditas e escritas há séculos, milênios, como se daqueles tempos para o tempo atual, a vida de todos nós, as nossas crenças, as nossas potencialidades, as nossas virtudes permaneceram estacionadas, o que não se parece razoável, considerando que tudo se transforma e evolui.
Melhor seria se deixássemos de olhar demais para o céu e passássemos a ver mais, sentir mais, o que acontece à nossa volta, diante de nossos olhos, ao alcance de nossas mãos. Talvez, por nossa conta, conseguíssemos plantar e colher a nossa felicidade e a nossa paz interior – g.j.c.jr. – 18/3/2017

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sexta-feira, 10 de março de 2017

DEPOIS DA QUEDA



Quantas vezes há de se lutar e perder
Deparar-se com o muro
O abismo e enfrentá-lo
Tão difícil quanto encontrar palavras
É admitir a culpa, suportar o castigo
Passar pelo tempo com indiferença
Como se ele não existisse
Reconciliar-se consigo
Pensar as feridas
Imolar-se à consciência
Render-se à necessidade
Do perdão
Então,
Vislumbrar um novo caminho
Longa subida
Tudo de novo
Depois da queda
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DATAS QUE NADA SIGNIFICAM



A modinha agora é determinar o ano de 2057 para a transformação do planeta. Sim, caro leitor, isto mesmo, transformação, porque destruição tornou-se politicamente incorreto. Imagine! Destruir a beleza desse mundo! Quem teria coragem?
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Fazendo as contas estaríamos a apenas 40 anos distantes do infausto acontecimento. Nada mal, a distância já foi bem menor. Alguém disse (será que disse mesmo?) que de dois mil não passaria. Passou, e muito. Depois vieram com 2012, 2019, e alguns falam em 2036 para o fim do mundo. Leia-se: transformação do mundo para melhor.
Quer saber? Tudo baboseira. É a história de sempre. Misticismo vende. Há sempre alguém disposto a falar sobre coisas que outros teriam dito ou escrito. E há sempre alguém disposto a ouvir e ler essas mesmas coisas.
As pessoas, em geral, transferem para o mundo do maravilhoso e do fantástico suas mais inconfessáveis aspirações, porque se reconhecem incapazes de torná-las realidade. Então, apela-se para Deus. Agora, cuidado, nada de subalternos ou de imediatos. É Deus, mesmo. Porque se Ele manda em tudo, só ele resolve.
Espere um pouco... Outra coisa resolve, quando Deus tira férias ou se esconde no armário. É o pensamento positivo. Ah, meu velho, este pode tudo. Vai nessa, bonitão! Não estude e não trabalhe pra ver o que lhe acontece.
Mas o fato é que a vida nem é tão assim misteriosa ou difícil. Para todos sem distinção, ela estabelece um roteiro inescapável, e para aqueles que ousam transgredi-lo ou modificá-lo a vida cobra muito caro. Eis o roteiro: estude, se forme, trabalhe, constitua uma família, cuide dela até o fim dos seus dias, que pode vir através da velhice (pouco provável), da doença (muito provável) ou da tragédia. Mas, convenhamos, quem de nós teria esse privilégio de entrar para a história vítima de uma tragédia. Bem poucos, não é?
Se todos se ocupassem de seguir o roteiro natural da vida, o mundo seria menos tormentoso, menos pesado, a humanidade deixaria de procurar pelo em ovo, através das religiões e trataria de cuidar cada qual da própria vida que, aliás, ainda que muitos ousem não enxergar o fato, é feita de começo, meio e fim. E pra isso não há remédio.
* Publicado na edição de 14/4/2017 do Jornal Tribuna 2000, de Rio Claro, à pág.7.

quinta-feira, 9 de março de 2017

LEGADO NENHUM



Maracanã abandonado, Arena Pantanal abandonada, Parque Olímpico, no Rio, abandonado. Qual o legado da Copa do Mundo 2014 e da Olimpíada 2016 para o Brasil? Nenhum. Ou melhor, equipamentos esportivos que custaram bilhões de reais aos cofres públicos, agora sucateados. Dinheiro do contribuinte, ou seja, nosso, que foi para o ralo ou para o bolso de alguns espertalhões, e que jamais, em que pese os esforços das autoridades, será recuperado.
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É assustadora a capacidade que o brasileiro tem para acreditar em promessas que se sabe jamais serão cumpridas. Vê-se isso a cada 4 anos, durante as campanhas eleitorais. Os episódios esportivos aqui mencionados não fogem à regra.
Quando houve a escolha do Brasil para sediar a Copa do Mundo de 2014 e depois, para a Olimpíada 2016, no Rio de Janeiro, o ufanismo próprio de nossa natureza, fomentou o sentimento de uma possível afirmação perante a comunidade internacional. Sim, o Brasil havia prosperado. Tanto que poderia até se dar ao luxo de organizar eventos esportivos que outros países em condições econômicas muito melhores desistiram de realizá-los.
E o resultado é o que se vê. E quem paga por isso? Evidentemente que nós, os contribuintes, porque os governos não assumem responsabilidade nenhuma perante seus nefandos atos.
O Brasil vive sua pior crise econômica, o Rio de Janeiro, idem. É fato que o ex-governador carioca Sergio Cabral mofa na cadeia, de onde logo sairá, não tenham dúvida. Lula e Dilma, ex-presidentes, à época da pitoresca aventura futebolística, fazem planos para se candidatarem novamente a cargos públicos. Ele, para presidente da república. E pasmem, pesquisas apontam um possível favoritismo seu, que, talvez não se confirme, se a Polícia Federal bater às suas portas por esses dias, que parecem nunca chegar, testando a paciência e a crença na justiça dos brasileiros de bem.
Nosso futebol continua medíocre. Nossos esportes olímpicos já se acham esquecidos por autoridades e patrocinadores que, até ontem mesmo, lhes prometiam mundos e fundos. Vê-se o caso do ginasta Artur Zanetti, medalhista olímpico por duas vezes (Ouro, Londres, 2012 e Prata, Rio, 2016), que é tratado com descaso pela prefeitura de São Caetano do Sul como revelou matéria veiculada pela tevê recentemente.
Isso tudo é resultado de querer construir um palacete sem alicerce. Ou seja, querer que o país prospere, sem o devido investimento em educação pública, agricultura e indústria, pra falar o de menos.
Ilude-se o povo, que adora mesmo uma ilusão. Alguns tomam o poder, enriquecem e dane-se o resto. Uma passada de olhos pela história do Brasil e você, leitor, verá que é mesmo assim, que a história não tem fim, como diria Betânia.
*Publicado na edição de 11/3/2017, à pág. 7, do Jornal Tribuna 2000;
*Publicado na edição de 11/3/2017, à pág. 2, do Jornal Diário do Rio Claro.