segunda-feira, 20 de novembro de 2017

O MUNDO E EU, E AS PALAVRAS



Ouça...
Está morrendo o mundo
O mundo tal como o conhecemos
O mundo de ouvir música, de ler poesia,
O mundo de conversar, perto, olhando nos olhos,
O mundo de amar, tocando as mãos, deixando que as mãos toquem cada parte estremecida e molhada do corpo;
Está morrendo o mundo que nos pariu, e nos acolheu;
O mundo de valores absolutos e não relativos;
O mundo seguro, palpável, uniforme, separando certo e errado, dividindo uns e outros;
Está morrendo o mundo que aprendamos a amar e odiar;
O mundo onde podíamos andar, à noite, de dia, sem temer a sombra, a própria sombra;
O mundo onde havia casas, carros, pessoas, trabalho, estudo e cada coisa ocupando o seu espaço;
Está morrendo o mundo que procuro entender. Agora, porque antes, entender o mundo, nenhuma importância tinha;
O mundo onde havia rios, árvores; o mundo onde o mar beijava a praia ao invés de destruí-la;
O mundo onde havia crianças que eram crianças, que não sabiam que eram crianças, porque como crianças viviam, e, portanto, não importava saber que eram crianças;
Está morrendo o mundo do qual procuro fugir, mas, tenho uma pergunta...
A cada manhã, o mundo onde acordo, eu o vejo morrendo. Não sangra, nem agoniza; não reclama, não pede, obedece e espera;
Vejo a morte que se aproxima do mundo, faz balançar os galhos das árvores, balançar portas e janelas, faz abalar corações desprotegidos; faz as almas que não amaram o mundo voltarem-se para dentro de si, como se pudessem fugir do mundo e da morte que dele se aproxima;
Como se a proximidade da morte, do mundo, deixasse o mundo calado, inerte e escuro; talvez, cinza;
Qual é a cor da morte, afinal? Eu não procurava saber, até entender que está morrendo o mundo;
E não me lembro de quando isso se deu, pois, eu também não amava mais o mundo;
Deixava que tudo acontecesse e levasse consigo em pesadas mochilas a essência e o resto das coisas que o mundo julgava que lhe pertencia;
E me abandonasse a mim mesmo, as coisas. E abandonasse o mundo. Mas o mundo eu sequer conhecia, não me causava espanto nem interesse saber da sua existência, cuja dimensão não ia além do que eu sentia, pensava e via, e podia, eu, tocar com as minhas mãos, e modificar com a minha vontade, o mundo;
Mas agora que soube e vejo que o mundo está morrendo, agora tudo faz sentido;
Cada palavra, cada suor, cada lágrima, cada esforço, cada riso, cada loucura, cada vez que abri os olhos pela manhã, e fui incapaz de entender que lá fora havia um mundo, à minha espera, além das cortinas e das janelas, além da porta, da escadaria que me levava ao chão do mundo que eu pisava, todos os dias, indiferente se os minutos passavam e se perdiam, se a vida escoava por minhas mãos, a vida, tão suja e tão marcada, quanto o chão que eu pisava;
O mundo e eu nos entendemos, ao menos penso que sim;
Ele arranca tudo de mim, e me põe a nu, me olha com cinismo e fome, e sede;
E me aponta, todos os dias pela manhã, o que sou e o que me falta para pagar minha dívida com o mundo;
E vai além o mundo, me faz lembrar o que desejo e não posso.
O mundo me insulta, me surra, até colocar-me desacordado, caído, de joelhos, num canto da parede, ou de cara no chão.
Afinal, o chão lhe pertence. E me abandona às palavras, o mundo. As palavras que não ouço dizer e então as escrevo. E nelas aprisiono a dor e a revolta.
Olho para os lados, tudo se repete;
Ouça...
Está morrendo o mundo e isso já não importa, porque tenho as palavras que escapam ao mundo. E as palavras agora são minhas e é tudo o que tenho;
As palavras me guiam e me justificam perante a existência;
Vão para longe as palavras e me levam consigo. As palavras me dominam, me envolvem e me submetem. Ora são boas, as palavras, ora são más. Límpidas como a luz do sol, no seu melhor instante. Até que surja uma nuvem que as encubra e as separem de mim;
Levam as palavras que são minhas, essas densas nuvens. Passo os dias a postos e as noites acordado, à espera das palavras que são minhas e demoram a voltar;
O que será das palavras da próxima vez? Morrerão comigo ou chegarão ao papel?
As palavras sabem que o mundo está a morrer?
Se ficarem comigo terão uma chance, desde que eu não me canse delas;
Ponho-as de volta no mundo e as palavras morrerão junto;
Está morrendo o mundo, o mundo como o conheci;
E vendo-o morrer, calmo e lentamente, já não me importam as palavras;
Mas, enquanto as palavras estiverem dentro de mim, a respirar, terei uma dúvida:
Qual de nós, o mundo que morre, acolheu primeiro?



domingo, 12 de novembro de 2017

BATE-ME À PORTA



Preciso me agarrar às coisas que me são caras
E não são pessoas, nem coisas, nem lugares
É algo que vai aqui dentro, de mim,
Em algum canto da minha mente
Ocupando algum espaço no meu coração
Que eu mantenho trancado
Desconfiado da vida, das pessoas e das coisas, que sou
Diz-me que Deus não erra
Qual o motivo o teria levado
A trazer-me para cá
E permanecer, num estado de imanência
Entre pessoas, coisas e lugares
Respirando o ar que nada me diz
Vivendo, como um vegetal aprisionado no vaso
Com as raízes que não tem para onde sair
Preciso me agarrar às coisas que me são caras
Elas permanecem dentro de mim
Trago-as de longe, muito longe
Tenho a roupa suja, a alma cansada
Resignado, à espera, da dama libertadora
Que por certo virá
Ela chega, bate-me à porta, sorri.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

AS PALAVRAS

O que se aprende com os livros? Afinal, por que dedicar um tempo precioso da vida para, em silêncio, e olhos grudados num papel, vários deles, em sequência, saber o que pensa, sente, acredita, e não acredita, deseja e repudia, um sujeito por nós desconhecido senão pelo nome e pela foto, com o qual não temos nenhum vínculo, e, por vezes, nenhuma identificação; nada nos move em direção àquele sujeito e sua obra, senão a curiosidade. Por que tomar conhecimento do mundo paralelo, criado por aquele que escreve?
Reprodução
Dentre as várias formas de arte, a música emociona e a literatura provoca. Uma satisfaz os instintos primitivos mais contundentes no ser humano. A outra, insulta o leitor, e o instiga a sair do seu comodismo, exigi-lhe um esforço a mais para o entendimento do que se pretende transmitir por meio das palavras.
As palavras são soberanas. As imagens gravadas numa tela ou esculpidas no barro são sugestivas, subalternas, se dispõem a servir, e se eternizam no olhar daqueles que a admiram. Mas, os que desejam entender, definir as imagens em algo concreto, descritível, terão que, necessariamente, recorrerem às palavras.
A música desperta o surgimento das palavras que melhor as expressem. Bem sabem disso os poetas, em busca da musicalidade dos versos concebidos. Outras substâncias menos dignas provocam o mesmo efeito que a música. Mas não proporcionam a viagem libertadora para a outra dimensão da realidade, como fazem as palavras.
Conheci um homem que colecionava máquinas de escrever. Livros não. Ele os lia, os livros, e os esquecia n’algum canto do quarto pequeno e imundo onde morava.
As máquinas de escrever foram se acumulando no corredor, em frente ao seu quarto. Até que os vizinhos o denunciaram. Então, o Serviço Municipal de Retirada de Bugigangas Imprestáveis e Inúteis Incompatíveis para a Condição Humana e Sem Nenhum Proveito para a Espécie, veio retirar as máquinas de escrever. Foram colocadas todas elas na caçamba do Cata Bagulho. Foi uma noite triste aquela. O homem pensou que, talvez, começaria a colecionar livros. Mas não estava certo disso. O certo é que jornais teriam melhor utilidade. Bastava dobrá-los e virariam facilmente um encosto pra cabeça, um papel higiênico, em momento de maior necessidade, enfim, uma toalha de mesa.
O canarinho que mantinha preso na gaiola, provavelmente não gostaria nenhum pouco da ideia. Nem o gato xereta, da vizinha boazuda do quarto ao lado.
Afinal, para que servem as palavras? – disse o homem – senão limitar o ser humano em suas aspirações, trancafiá-lo em seus sonhos, submetê-lo à estagnação diante de sua revolta? Pô-lo de joelhos e mudo?
A música tinha efeito imediato. A pintura distraía a mente. A literatura atormentava a alma. E o fazia pensar, e lembrar de seus medos e frustrações.
O escritor é um cínico. Ele transfere ao leitor tudo aquilo que o incomoda.
Isto pensou o homem, quando, naquela noite, viu colocarem na caçamba do Cata Bagulho, a última máquina de escrever de sua coleção, enquanto um menino, à distância, a tudo observava com interesse.
Pela manhã, o homem virava-se na cama, tentando aproveitar os últimos momentos de conforto, antes que o fiscal da loja viesse retomar a cama por falta de pagamento.
Amanhecia lentamente.  Virou-se na cama, uma vez mais, para o lado da parede, como de costume.
Talvez o piedoso fiscal, concordasse em deixar ao menos o colchão, ao menos dá-lo por esquecido, para apanhá-lo no dia seguinte. Uma noite a mais de dignidade não faria mal nenhum – pensou o homem.
A chuva começava a cair naquela manhã. Chegava devagar; bem devagar...
E com a chuva, que agora batia mais forte à porta, o homem escutou o barulho inconfundível das teclas da máquina de escrever. Levantou-se para ver. Amanhecia. Era o menino, tentando encontrar as suas primeiras palavras.


quarta-feira, 8 de novembro de 2017

SAI OU FICA?

Podem fazer beicinho os adeptos do livro impresso. Mas este objeto, de aquisição de conhecimento e de encantamento para uns e de ornamentação para outros (Up!) tende a desaparecer da forma como fora concebido. Isto porque é inevitável que as novas gerações introduzam aos poucos novos hábitos, costumes e padrões de comportamento.

Os livros agora estão no celular. O mundo cabe dentro de um celular. Verdade. Com este instrumentinho eficiente de comunicação, pode-se tudo. Ou quase. Trabalha-se, estuda-se, escreve-se e publica-se. Pede-se coisas. Vende-se coisas. Dissemina-se ideias, para o bem e para o mal.
O Itaú Cultural lançou recentemente a campanha “Leia para uma Criança, também no celular”, onde livros infantis publicados são acessados a qualquer momento e em qualquer lugar.
Os livros já foram parar nos tablets, também. É uma comodidade. Ou uma chatice. Depende do ponto de vista. Livros mal cuidados causam espirros em pessoas alérgicas a poeira. Ah, mas aquela sensação de folhear as páginas, admirar a capa, nada a substitui. Certamente não pensam assim a molecada que nunca soube o trabalho que dá pesquisar em enciclopédias, porque, quando se deram por gente, já estavam inseridas na comodidade do doutor, professor, analista, conselheiro Sr. Google.
É o progresso, meu velho! As coisas mudam. E não adianta espernear. Tudo o que se comprova útil tende a ser produzido em larga escala. Tudo o que é produzido em larga escala é copiado. Tudo o que é copiado gera disputa. A disputa exige o aperfeiçoamento para manter o interesse e a opção do público a que se destina. E o público, cada vez maior, mais exigente, mais antenado com as modernidades, portanto, cada vez mais dependente delas. Disseminar ideias e cultura através dos livros é lindo e poético, mas está ficando ultrapassado.
O que para no tempo, vira peça de museu. Cai no esquecimento, no desuso. Verifica-se isto nas instituições, e também nas pessoas, que apesar de sua importância e reconhecida eficiência para desempenhar determinada tarefa, são botadas pra escanteio, quando se acomodam na zona de conforto da estabilidade.
O nosso amigo livro impresso tem pelo menos uns 500 anos de existência. É um senhor idoso. Tornou-se vulnerável e lento.
E o mundo está muito rápido, tudo se modifica na velocidade de um relâmpago. Diariamente, a partir de pesquisas de opinião pública, cria-se necessidades para se vender facilidades. Sempre foi assim. Mas de uns anos para cá essa estratégia que mantém vivo o interesse pelo consumo por parte das pessoas, ganhou uma velocidade jamais vista.
O livro impresso, às duras penas resiste ao tempo. Vem se adaptando às transformações e o faz com relativo sucesso.  Belas edições, papéis de excelente qualidade, leveza, visual atrativo. Mas daqui a 50 anos é provável que sofra até uma campanha de minorias voltadas à preservação das florestas. Afinal, para que livros numa estante, se eles podem permanecer esquecidos do mesmo modo, num aparelho de telefone celular?

Não estarei aqui quando esse dia chegar. Mas não me admiraria se isso viesse a acontecer.

domingo, 5 de novembro de 2017

OUTRO NOME

Deseja-se muito, trabalha-se muito, sonha-se muito, espera-se muito de pessoas e de coisas que jamais corresponderão às nossas expectativas (a maioria não sabe, e quando sabe, não entende, e quando sabe e entende, pode ser que não concorde, com o que habita na nossa mente e no nosso coração);

Caminha-se muito em direção a um destino a que todos imaginamos ter direito, também conhecido como felicidade.
Imos e vimos muito. E vimos outros tantos como nós e tantas coisas mais, com olhos de horror ou de contemplação, submissão àquilo que, para o bem ou para o mal, extrapola a realidade.
Ouvimos de muitos, promessas jamais cumpridas; palavras de conforto, incentivo, duras críticas, injustas críticas. Injustas?
Qual o espaço ocupamos na engrenagem de aço e ideias que movimenta o mundo? Por vezes, é um espaço tão insignificante, que pode ser comparado a nenhum.
Isso nos faz desistir? Ou nos faz seguir em frente, sabendo que lá na frente, a dama libertadora, mal amada e incompreendida iguala a todos, quando nos reduz ao pó de onde viemos.
Diante do muro intransponível da impossibilidade, qual a resposta diante da pergunta inevitável: Viver a ilusão? Ou dar-lhe as costas.
Qualquer que seja a resposta, não irá mover e nem derrubar o muro; ele permanecerá onde está, intocável e intransponível. À espera de quem virá depois de nós.


quarta-feira, 1 de novembro de 2017

E NÃO É?

Ser mais ou menos é melhor do que ser o melhor. Vai por mim. Quando a gente faz algo muito bem feito, fora da curva, como se diz, algo que extrapola o padrão, a gente acaba se colocando voluntariamente numa sinuca de bico. Porque a partir de então, todo mundo esperará feito semelhante de nossa parte.
Agora, quando a gente se limita por modéstia ou incapacidade mesmo, a cumprir com o dever, corresponder à expectativa mais banal, de quem, por exemplo, nos remunera ou divide a cama conosco, a gente acaba sendo menos exigido, ou exigido nada além do habitual, nada além do que justifique nosso salário ou a aliança no dedo.
Subir demais na vida, qualquer que seja a área de atuação profissional ou a extensão e conteúdo do currículo sentimental, implica numa queda mais violenta e mais dolorosa. E a queda, admitamos, é inevitável.

Há escritores, por exemplo, que escrevem um único best seller e pelo feito serão lembrados eternamente. E por causa do bendito calhamaço, poderão tomar vinho de boa qualidade para o resto da vida. Povo e imprensa, acadêmicos e curiosos sempre se lembrarão do sujeito como: Fulano de tal, autor do livro tal tal.
No esporte acontece algo parecido. Vejam o caso insólito do italiano Vittorio Brambilla, vencedor de um único grande prêmio em toda sua extensa e nada brilhante carreira na Fórmula 1, mais exatamente, o GP da Áustria de 1975, corrida interrompida, logo após a metade, por causa da chuva torrencial. Brambilla nunca passou de um esforçado pé de breque, guiou para a escuderia March Beta, durante anos, ganhou fama e algum dinheirinho. Ninguém esperava muita coisa dele. Mas só que Brambilla sempre arrumava um jeito de alinhar o seu bólido alaranjado e com vistoso número 9 no grid de largada.
Fato semelhante ocorre amiúde nas empresas. Seu Beltrano, Dona Mariazinha, são admitidos ainda jovens e aposentados na mesma empresa. Nunca são promovidos de cargo. Nunca recebem aumento de salário além daquele garantido por lei. Mas nunca também figuram na temida lista de dispensa do quadro de pessoal, porque são considerados como que patrimônios da empresa. Diferentemente daqueles funcionários altamente qualificados, que ocupam cargos importantes, pelos quais recebem vultosos salários com a honrosa incumbência de conduzir projetos condenados ao fracasso devido aos devaneios de uma economia instável. E por esse motivo, perdem seus cobiçados empregos. Vão vender doces, salgados, pamonhas e cosméticos. Ou trabalham como free lancers (se tá pensando fazer isso leitor, desista!), enquanto o Sr. Beltrano e a Dona Mariazinha, também conhecidos como o tiozinho da portaria e a tia do café, vão receber um bonito relógio e um buquê de flores, cada qual, quando se aposentarem.

Eh, minha vida! – como diria o poeta português Herberto Helder, em As Musas Cegas (VII). Mas, é assim. Não havendo ambição desmedida, melhor desaparecer na multidão do que subir aos montes da glória, pois corre-se o risco de acabar pendurado numa cruz.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

O SORRISO DE UMA CRIANÇA

Se tem alguma coisa capaz de emocionar a gente é o sorriso de uma criança. Ele revela toda a inocência do ser humano, enquanto ainda desconhece a realidade da vida. A criança não sabe e não se preocupa em classificar as pessoas, conforme crenças, costumes e opções. Para a criança há os bons e os maus. Os primeiros a tratam com amor e respeito. Os demais, com violência e desprezo.
Maltratar uma criança é um ato de covardia, acima de tudo. Saber entendê-la demanda tempo, paciência e algum esforço. E tempo e paciência são coisas que pais e responsáveis parecem ter cada vez menos. É comum atualmente, pais transferirem para professores, treinadores esportivos, psicólogos e até religiosos a educação de seus filhos. Ledo engano.

A criança aprende por assimilação e desenvolve seu comportamento, seu caráter, ao reproduzir aquilo que observa. E nesse sentido, aquilo que os pais falam e fazem causa-lhes maior impacto, porque até prova em contrário, os pais, são para a criança, sinônimo de confiança, de companheirismo e de respeito. Elas tendem a repetir o que os pais falam e fazem e o modo como falam e fazem, porque essa é a realidade que lhes é apresentada mais de perto e com exclusividade diferentemente do que acontece nas escolas e nas equipes esportivas, por exemplo, onde tudo é compartilhado.
O amor e a atenção que se dá a uma criança é um tesouro de valor incalculável. Impossível mensurar a importância que isso terá na formação do caráter desse indivíduo que apenas inicia os seus passos neste mundo.
O efeito do sorriso de uma criança, no ambiente em que ela se encontra, é contagiante. A criança feliz desperta a atenção de todos e encanta. Transmite um sentimento de esperança que, nos dias atuais, se vê constantemente ameaçado.
Portanto, educá-las, dar-lhes oportunidades para adquirir conhecimentos, transmitir-lhes o valor profundo da vida, é missão de todos, porque todos um dia já fomos crianças, mas é sobretudo, missão dos pais.
Há exceções, evidentemente, mas, via de regra, um indivíduo considerado mau elemento na sociedade, foi uma criança infeliz, desprezada e maltratada. Pouco ou nada sorriu, porque não lhe deram nenhum motivo para fazê-lo. Cresceu sem conhecer o lado bom das pessoas. Tomou a maldade e a indiferença como único valor vigente no meio em que vive.

Daí, a importância fundamental de cuidar bem das crianças. De mostrar-lhes, com exemplos, ações e palavras, que sim, o amor existe, que há pessoas de bem neste mundo, que existem oportunidades para todos, que dependerá apenas de sua vontade e esforço, permanecer no caminho do bem e vencer na vida de maneira digna, para que possa aprender a sorrir ou continuar sorrindo.

* Publicado na edição de 12/11/2017, à página 2, do Jornal Diário do Rio Claro.