quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

SINOS


A prosa é homeopática, a poesia invasiva. - J. Costa Jr.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

A PÁGINA FINAL DE TÔMAZ ADLER

Eu vivia no quarto escuro, imenso, úmido, desarrumado e sujo. E me habituei a viver assim. E achei, durante muito tempo que a vida e o mundo eram só isso. Um dia, cansado do jugo do ócio, do medo e da maldade, resolvi tentar abrir a janela do quarto que eu sabia existir, mas a julgava trancada do lado de fora. Bastou para que a Luz entrasse na minha vida. Assim, eu lembrei que havia vida e um mundo lá fora. Então, eu encontrei a porta, através da qual, pude sair de encontro à liberdade, de encontro àquela vida, àquele mundo.

Se eu voltar ao quarto escuro será para abrir a janela para os que lá permanecem e ainda não conseguem caminhar até ela e alcançá-la. Pois o mesmo fizeram por mim quando eu resolvi levantar do chão. Lebt wohl.

SEIS DA TARDE


O espírito atinge a perfeição quando deixa de ser a roseira que precisa de poda e passa a ser o jardineiro.

A VIDA: ANTES, DURANTE E DEPOIS...

Vídeo muito interessante. Para refletir

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

E POR FALAR EM FUTEBOL...

México 1970. Brasil e Uruguai fazem uma das semi-finais da Copa do Mundo. O jogo é considerado por muitos o mais disputado da história do futebol, não só pelo poderio e a rivalidade dos selecionados mas pelas cincunstâncias que o envolveram. Era uma reedição da final da Copa do Mundo de 1950 disputada no Brasil, quando os uruguaios de Schiaffino e Gighia, liderados por Obdulio Varella calaram mais de 200 mil espectadores presentes ao Maracanã. Em 1970 eram dois bi-campeões mundiais frente a frente. Venceu o Brasil, que com o resultado rumou para a conquista do tri-campeonato mundial. A maior de todas as conquistas, na melhor de todas as Copas disputadas até hoje. E vencida pelo melhor time de futebol que o mundo já conheceu. O vídeo a seguir é produção da televisão uruguaia com a participação dos atletas brasileiros Carlos Alberto Torres e Jairzinho

MITOS

Depois dizem que brasileiro é apaixonado por futebol. Em 1987, Penarol do Uruguai e América de Cali da Colombia faziam a decisiva partida da mais cobiçada taça sul-americana a Libertadores da América. Faltando 15 segundos para terminar o jogo, a partida empatada em 1 x 1 quando Aguirre do Penarol invade a área e arremata para o gol decretando a vitória do time uruguaio. Penarol campeão. A primeira narração é do colombiano. A segunda, é na voz do ilustre narrador celeste Javier Maria Goñi.

DELIRIUS


"Mesmo o nada é alguma coisa: quatro letras". - J. Costa Jr.

SOLILÓQUIOS LITERÁRIOS


Se alguém tiver uma foto mais interessante do sujeito me avise, por favor. Eu, por incapacidade ou preguiça mesmo não a encontrei. Transcrevo a seguir, trecho da carta que enviei ao meu tio Zé que, como poucos, sabe apreciar a boa Literatura: “Gregório de Matos é daquelas jóias raras. Passou maus bocados. Quase foi parar no tribunal da Inquisição em 1685 por não ter o hábito de retirar o barrete quando diante de uma procissão. Seus poemas satíricos incomodavam muita gente e, em 1694 foi deportado para Angola onde contraiu febre vindo a falecer em Recife/PE em decorrência disto. Conta-se que para receber a extrema unção solicitou a presença de dois padres e fazendo-se de Cristo, disse em seus estertores que estava morrendo entre dois ladrões. O Boca do Inferno, realmente não era figurinha fácil. Mas foi talvez o mais importante poeta do período barroco, que, sem sombra de dúvidas é um dos mais significativos e apreciáveis momentos da Literatura Brasileira”.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

TODAS QUEREM SER LOUISE BROOKS


Ou simplesmente Lulu. Calma gente. Estamos em 1920 e qualquer coisa. O cenário é Hollywood. Cinema mudo. E a musa dessa época é Lulu. Ou simplesmente, Louise Brooks.

Nascida em Kansas, nos Estados Unidos em 14 de novembro de 1906, Louise estreou no palco aos 4 anos de idade. Ainda jovem, saiu de casa e foi ganhar a vida como dançarina integrando a Company Danishaw Dance, a mais renomada companhia de dança moderna norte-americana. Depois, foi destaque do Ziegfeld Follies. Sua estréia no cinema se deu em The Street of Forgotten Men em 1925.

De personalidade forte e determinada a atingir seus objetivos Louise Brooks não era dada a bajular ninguém e não aceitava as condições desfavoráveis impostas pelos estúdios aos atores e atrizes da época. Por esse motivo deixou a Paramount Pictures e foi para a Alemanha onde filmou A Caixa de Pandora, talvez seu maior sucesso, sob a direção de G. W. Pabst.

Diziam que sua voz era horrível o que não era verdade. Com o advento da sonoridade nos filmes foi sendo posta de lado aos poucos até ser esquecida por completo pelos estúdios e pelo grande público.

Mas a sua imagem de mulher ao mesmo tempo ingênua e fatal, e sempre com o cabelo curto e liso, corte copiado até hoje, já havia conquistado a eternidade na memória dos fãs.

Na década de 1940 chegou a trabalhar em New York na rádio CBS.

Não tinha muitos amigos. E teve de trabalhar como vendedora numa loja de departamentos para sobreviver.

Nos últimos anos de vida dedicou-se exclusivamente à Literatura. Seu livro Lulu em Hollywood tornou-se Best Seller.

Sofria há vários anos de artrite deformante quando veio a falecer em 08 de agosto de 1985 aos 87 anos de idade.

Foi-se a artista. Permaneceu o Mito. Seus filmes hoje se acham facilmente disponíveis em DVD para o deleite dos fãs que só aumentaram com o decorrer do tempo devido ao fascínio que exerce a figura ímpar e encantadora da atriz.

Talvez a maior homenagem que Louise Brooks recebeu em vida foi em 1955 na exposição alusiva ao cinema realizada no Museu de Arte Moderna de Paris. Um grande retrato seu foi colocado na entrada da exposição. Perguntado qual o motivo de homenagear uma atriz da qual poucos se lembravam o coordenador do evento Henry Langlois respondeu: “Não existe Greta Garbo nem Marlene Dietrich. Existe Louise Brooks”.

Fonte de pesquisa: http://lb.viagensimagens.com/inicio.htm

Foto ilustrativa: http://blog.beliefnet.com/moviemom/Lulu2.jpg

domingo, 27 de dezembro de 2009

LER VALE A PENA


PAULO E ESTEVÃO

Fenômeno editorial da Literatura Espírita, o romance de autoria de Emmanuel é apontado por Chico Xavier como o mais belo e emocionante livro por ele psicografado. Recorda as lutas e testemunhos por que passou Paulo de Tarso na tarefa de divulgação do cristianismo.

Editora FEB (Federação Espírita Brasileira) 668 pág. 13x18cm

Este livro e muitos outros estão disponíveis a preços acessíveis na FEIRA DO LIVRO ESPÍRITA que acontece até o dia 31 no Jardim Público de Rio Claro, na região central da cidade.

Ou ainda...

Na Livraria Espírita da USE, à Rua 14 No. 240 – Centro – Rio Claro/SP – Fone: 3523-2136 –

Para associarem-se ao CLUBE DO LIVRO SEMENTES DE LUZ maiores informações através do Email: livrariause@hotmail.com

sábado, 26 de dezembro de 2009

E FECHA A CONTA


Escritor é aquele que escreve. E editor é aquele que publica. Quando a preocupação do escritor, o seu objetivo principal passa a ser publicar ele deixa de ser escritor para ser apenas um construtor de livros.

O TEMPO NÃO PÁRA


O rio-clarense ama a cultura, mas não tem o hábito de cultivá-la. Se ninguém disse antes, a frase é minha. Anotem em seus caderninhos, por favor. Patrulheiros ideológicos não se descuidem. Apontem o lápis e registrem o acontecimento. Porque daqui alguns anos esta máxima será motivo de debate.

O Jornal Regional, por sinal, cada vez melhor (um abraço Alba!), publicou no Caderno Acontece, à página 15, na edição especial de quinta-feira, 24, véspera de Natal, matéria intitulada “Publicação Movimentou os meios Culturais”.

Trata-se do Jornal O BETA, publicação voltada para a cultura e o entretenimento que circulou em Rio Claro e região entre 2006 a 2008, do qual, este aprendiz de escritor formou na equipe de redatores ao lado de feras como Ricardo Leão, Sechi, Lourenço Favari, Anselmo L.C, Michelle Dayane, Bruno Nicoletti, Juliana Vieira, Renan Prado, Kathy Rebustini entre outros.

O mentor de O BETA, que saibam todos, foi Favari Filho. Ele idealizou, organizou e fez a coisa acontecer. Sou suspeito pra falar do Lord, pois todos sabem da nossa amizade. Mas, à parte a relação afetiva é preciso dizer da capacidade desse amigo escritor e jornalista. Ele possui uma virtude rara entre aqueles que se metem a produzir cultura e arte. Sabe enxergar a coisa, projetá-la, organizá-la, mobilizar as pessoas à sua volta e enfim, fazer acontecer. O Jornal O BETA é prova disso, assim como o Grupo Auê de Cultura e Artes, recém criado e outras iniciativas suas.

Favari foi o meu primeiro editor. Depois, José Roberto Sant’Ana, do Jornal Cidade e André Luiz Miranda de O Jornal. E se alguém souber o nome do editor do Jornal Diário, no período de 2004 a 2007, por favor, me informem porque ele ou ela, também publicava meus textos, nos tempos em que a imprensa escrita de Rio Claro ainda não havia colocado meu nome no seu caderninho preto. E se alguém souber o motivo disso, por favor, me conte. Prometo guardar segredo.

Espero um dia ver o Favari Filho secretário de cultura de Rio Claro. Não sei quando irá acontecer. Mas acredito muito nessa idéia. Jovem, ousado, dinâmico, bem quisto pelo pessoal que produz arte e cultura nas terras indaiás. E mobilizador. Além de formado em Letras. Por que não? Quando competência e meritocracia pautarem as ações de governo seja qual for o grupo que detenha o poder local, isso poderá acontecer. Afinal, a auspiciosa Secretaria já teve como titular da pasta, entre outros, indivíduos paparicados pela intelectualidade e pela imprensa rioclarense, que pouco ou nada produziram no exercício do cargo e que se gabam de ter no currículo, por exemplo, um cargo diplomático em alguma grandiosa e próspera republiqueta latino-americana, onde as pessoas se matam por um prato de comida e certamente possuem tempo e disposição bastante para adquirir e consumir cultura. Ah, mas é um educador por cujas mãos passaram personalidades da cena rioclarense. Trabalhando em escola particular, onde todos os recursos estão disponíveis e onde ganha-se bem, até eu Jurema. Aviso aos navegantes: Favari coordenou um projeto junto às crianças carentes de uma escola pública da periferia levando-lhes o encanto e a importância da Literatura, da música (sim, o cara também é músico) e do teatro. Quanto ganhou por isso? Algo que ninguém pode pagar: a gratidão e o reconhecimento daquelas crianças.

Agora digam-me que estou puxando o saco do sujeito porque é meu amigo. Não. Estou expondo fatos. E contra fatos não há argumentos. Acham pouco? Pois saibam que o cara é dono de um acervo literário de dar inveja a muita biblioteca pública por sua variedade, importância e organização. E onde se encontram cópias de alguns dos meus originais inéditos que ele gentilmente se propôs a preservar.

Falei do pai da criança, falarei agora um pouco da criança. O BETA foi um menino prodígio que chegou à maturidade talvez antes do tempo. Nós nos reuníamos em princípio nas dependências da Sociedade Veteranos de Rio Claro, gentilmente cedida por sua diretoria para essa finalidade. E depois, passamos a nos reunir na casa dos Favaris. E atravessávamos a noite discutindo idéias, tomando café, preparado pela Dona Maria, e quando o clima pesava saíamos lá fora pra fumar um cigarro e espairecer a mente. Essa foi a primeira fase. A fase lúdica da coisa. Depois, já na segunda fase, O BETA chegou ao formato que eu, pessoalmente, considerava o ideal. E aí, pum, acabou. Por que acabou? Até hoje me perguntam isso. Há algumas versões, todas elas lendas, podem apostar. A única verdadeira: Acabou porque a grana acabou. E não tínhamos os Médici, os Matarazzo, nem o Freitas Valle para nos apoiar.

Não ganhamos, é lógico, dinheiro com isso. O BETA era distribuído gratuitamente. Não tinhamos patrocinadores. Primeiro, por opção. Isso nos proporcionava independência. Depois, por falta de capacidade em consegui-los uma vez que éramos aspirantes a escritores fazendo jornal. Não sabíamos vender. Como podia dar certo? Mas aprendemos muito. E fizemos, acredito, um trabalho de qualidade. Dava tesão fazer aquilo. Era bom demais fazer entre amigos o que se gosta. O BETA tinha um jeito peculiar de fazer entrevistas. Os redatores elaboravam suas próprias perguntas de acordo com suas vontades e seus interesses. Não havia pauta. E assim as entrevistas tornavam-se dinâmicas e interessantes. Desse modo, tivemos contato com rio-clarenses, nascidos ou radicados, que realmente merecem admiração e respeito. Jaime Leitão nos revelou suas crenças e seu horror aos acadêmicos servindo-nos o inigualável Ballantinne’s 12. Paulo Rodrigues nos legou seu testamento ideológico. Sandroni contou-nos sua carreira brilhante que merece destaque. Curinga, o Luiz Carlos Rezende, atual diretor de cultura popular de Rio Claro falou-nos da história e das perspectivas do mal compreendido movimento Hip-Hop. João Paulo Miranda nos deu uma aula de cinema e nos proporcionou uma recepção memorável. E Aldo Zotarelli Jr., por duas vezes, gentilmente nos atendeu para uma ótima entrevista editada na versão derradeira de O BETA que não chegou a ir ao prelo mas que está preservada. Foi quando em primeira mão comentou sobre o seu romance "Névoas" recém publicado e que, naquela oportunidade, estava escrevendo.

Verdade seja dita, ainda que isso incomode certas pessoas. O BETA sugeriu uma revisão na cobertura jornalística da cultura rio-clarense que passou a ter mais espaço e maior atenção por parte dos jornais comerciais.

Mas, já dizia o Renato: "Os bons morrem cedo". Morto e sepultado, talvez O BETA ressucite ao terceiro dia. De que ano, sabe-se lá.

Então fomos abrigados pelo André Miranda que nos abriu espaço em O JORNAL. E aí surgiu a página intitulada BIBOCA. Mas isso é uma outra história...

Acham que agora me derreto em lágrimas? Não. Todos nós que fizemos O BETA continuamos firmes e fortes trabalhando em nossos projetos pessoais. E se voltaremos a nos reunir um dia? Pra fazer um jornal de novo, acho pouco provável. Pra fazer qualquer outra coisa tão boa quanto aquilo? Provavelmente. Porque somos bons mesmos naquilo que fazemos. E somos amigos.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

APAGANDO VELINHAS


Bom, já que ninguém se lembra Dele resolvi fazê-lo. O aspecto festivo da data perdeu por completo o sentido para mim desde que minha mãe desencarnou há 18 anos.

Todos procuram reunir-se nestas horas eu procuro isolar-me. E refletir sobre o quanto sou ingrato e indiferente àquele que deu a sua vida por mim. Tenho me esforçado mais nos últimos tempos para melhorar um pouco. Afinal o caminho se estreita, o destino está próximo. O trem está por chegar. E eu gostaria muito, muito mesmo de voltar para casa um pouco melhor do que aqui cheguei.

Creiam-me. Não me iludo com as promessas e os sonhos que movem a maioria das pessoas. Conheço a todos eles. Sei da sua beleza exterior e do seu conteúdo vazio. O plebeu aqui já foi rei. E sabe de uma coisa? Grande merda ser rei. Você nasce chorando e morre fedendo como todo mundo.

Você já viu alguém que tenha 200 anos? Pois é. Tudo passa. E nós passamos pelo tempo (Emmanuel) e não ele por nós.

Por falar em anos. Há 2009 anos fez-se a luz. Não aquela da Gênese que ilumina a Terra, mas a luz que ilumina espírito que somos. E ainda caminhamos na escuridão. Porque queremos. Porque não entendemos. Porque não temos forças.

Agora nesse instante alguém que estiver lendo isso dirá: Louco. Mas saibam que já me incomodaram muito mais aqueles que me desprezam e me ignoram. Tenho pena deles. Porque logo pisarão o chão lamacento que piso. Não vejo a hora de passar-lhes o bastão.

Mas é Natal. E estou contaminado do espírito de Scrooge. Encontrei esse cara quando eu tinha 17 anos. Justamente quando comecei a escrever. Foi numa noite como esta de 24 de dezembro. Todos já haviam ido dormir. E eu fiquei na sala assistindo televisão. Era um filme baseado na obra de Charles Dickens. Desse autor eu tinha lido Hard Times (Tempos Difíceis,1854) da coleção do Clube do Livro do qual meu pai era assinante. Eram livros de capas simples formato pequeno para os padrões atuais. Mas eram livros. Para se ler. Traduzidos por gente que sabia do assunto. Não eram objetos de decoração. Eram livros.

Eu queria muito sentir o que todos sentem nesse dia. Mas eu só consigo pensar sobre o que representa a data simbólica uma vez que a data verdadeira não se tem conhecimento.

Aristóteles afirmava que quem deseja saber a verdade deve questionar tudo.

Mais importante, entretanto, do que saber se Jesus viveu entre os essênios, se foi resgatado com vida da cruz, se caminhou sobre as águas e se desencarnou na Índia beirando os 100 anos; e se é o sexto dos sete raios da Grande Fraternidade Branca, também conhecido como Sananda; e se tinha olhos claros, tinha irmãos. Nada disso importa diante do mistério maior: Ele é o que é, e fez o que fez, e esteve entre nós. Em carne e osso. Prova de que se Ele pode, nós também podemos. Porque também somos filhos de Deus.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

LER VALE A PENA


Um dos melhores livros do "pai" de Nathan Zuckerman. Poucos autores escreveram tanto, por um período tão longo e com tanta qualidade como Philip Roth. Um escritor que chegou ao século XXI atual e em boa forma. Patrimônio narra os últimos dias de vida do pai do escritor. Um relato comovente que convida o leitor a repensar os valores da vida.

AFFAIR


Esta vida é só uma fotografia no álbum da nossa eternidade

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

FELIZ ANIVERSÁRIO


Eu tinha 17 anos quando, pela primeira vez, escrevi algo que, eu imaginava, prestasse. E o li para você. Porque você sempre lia as coisas para mim. Você me contava estórias desde quando eu me conheço por gente. E me ensinou a orar o Pai Nosso, quando eu ainda dormia no berço. E, paciente, me dizia que aquele sujeito que eu via no canto da cortina no alto da parede do quarto era apenas a imaginvação que os remédios me provocavam. Você foi e fez para mim tudo o que eu precisava. Hoje eu sei que a nossa história vem de muito longe. E se eu tiver que nascer mil vezes ainda neste mundo, e puder escolher, mil vezes eu escolherei você como minha mãe. Porque se tem uma coisa que me faz feliz nesta vida é saber que você é minha mãe. Feliz aniversário!

GÊNESE


Por que Deus, tão sábio que é, colocou o homem e seu concreto neste mundo tão bonito, tão verdadeiro e tão cheio de vida? Não bastariam os animais, as florestas, os rios, os oceanos, as montanhas, enfim, a natureza? Por que teve de surgir o homem para estragar e destruir tudo isso? Surgisse noutro mundo. Por que justamente neste?

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

QUEBRE O LÁPIS


Não escrevam. Começavam assim suas aulas. Um livro - dizia - tem que ser um machado para o mar congelado dentro de nós. A literatura só é digna desse nome quando descongela o sangue de quem lê". Não fui eu quem disse, explicava sem constrangimento. Foi o Kafka. Então está dito. Tenho pensado muito ultimamente se ainda vale a pena, senhores. Da maneira como tudo caminha ainda haverá Faculdade para Escritores. Se já não existe.

Merda! - esbravejava, batendo com o punho fechado no balcão do bar, onde, com seus amigos intelectuais costumava se reunir toda sexta-feira, até altas horas da noite.

Escrever para ele sempre fora um ato instintivo, irracional. Não pensava sobre o que escrevia. Dizia ver e ouvir. E escrevia. Não sabia fazer de outra maneira. Não sabia elaborar as coisas, não tinha paciência para isso. Soava-lhe como perda de tempo, esforço desnecessário. Era como repetir uma lição já aprendida. Refazer um caminho já conhecido. Para quê? Achava que escrevia porque os demônios, de alguma forma, precisavam se alimentar. Assim como a noite precisa das estrelas para ser conhecida. E admirada. O que seria do Grande Arquiteto do Universo não fosse o barro de que somos feitos? - filosofava com a latinha de Coca-Cola na mão - Onde Ele iria montar o seu teatro? Como?

Blasfêmia. À fogueira com ele! - diriam os mais exaltados

Vivesse na Idade Média não teria chegado até ali. Já teria sido cozinhado no caldeirão da Santa Madre. Se não fora. Sabe-se lá. Quando ouvia dobrarem aqueles sinos... E escutava aqueles passos... E aqueles cânticos.

Não me culpem - se desesperava - Não me sigam! Eu sou um louco a procura de si mesmo. O mundo para mim é um sanatório. A vida um estado de letargia. Lobotomia.

Não tenho vícios. Desculpem, é verdade. Não fumo. Não bebo. Não me drogo. Não preciso disso. Escrevo. Já é muito.

E os amigos tinham para com ele olhos de piedade. Os demais, de gozação.

Todas essas pessoas que dizem: Façam isso ou aquilo. - Nesse instante, era como se a ameaça atingisse a todos - Se eu as conhecesse, se estivessem ao alcance de minhas mãos, eu...

Era o ápice de sua aula. Digo, de seu desabafo.

Para quê? - perguntava-se para cada um de seus amigos com olhar ensandecido.

Vamos, façam a pergunta que me atormenta!

Mas ninguém ousava respondê-lo. Enquanto ele, rumo ao banheiro, ia tropeçando nas cadeiras com a latinha de Coca-Cola na mão.


terça-feira, 15 de dezembro de 2009

NADA MAIS QUE PALAVRAS


Não são muitas, mas são perturbadoras. Inconvenientes. Tá bom, vai, são chatas mesmo. Chatérrimas. Ulálá!

Estou falando de: palavras. E não de vizinhos. Bem entendido.

Há palavras que para mim são detestáveis. Um exemplo: Delicioso. Ah, valha-me Deus! Não raro deparo-me com a seguinte e infeliz frase: O delicioso filme de Fulano. Claro, você não sabia que filmes agora se comem? E tem sabores. Taí, outra aberração: Saboroso. Oh adjetivo horroroso.

Mas nada supera o famigerado: favoritar. Eu favoritei. Chama o Hugo, vou vomitar. No site em que escrevo vira e mexe alguém deixa a mensagem: Favoritei o seu texto, querido. Ai que alegria! Vou morrer de êxtase.

Eu piamente acredito que o Português foi feito apenas para a Poesia e a Literatura. E só. Nada melhor que a Língua Portuguesa (os acadêmicos vão adorar isso!) para driblar a incapacidade de se expressar de mais de uma maneira e de fazer floreios e firulas para escrever o óbvio. Para tais engenhosos escribas a Poesia e a Literatura é decoração não é arquitetura. Acho que nunca leram Hemingway. Se é que sabem quem foi este pescador.

Eu, na verdade, não sei por que escrevo. Talvez seja por isso que eu escrevo. Pra tentar descobrir. Ou chegará o dia em que meu analista com cara de agente funerário prestes a fechar o caixão diante da família irá me dizer: Lamento informá-lo, mas, você é masoquista.

Dos meus 3 aos 11 anos tive um companheiro inseparável que atendia pelo nome de Comital. Todos os dias, ou melhor, todas as noites, nós tínhamos os nossos solilóquios. Antes de pensar besteira de mim leitor, vá ao dicionário pra saber o que é solilóquio. Viu?

Então, como eu ia dizendo, em certas circunstâncias as palavras em inglês disfarçam melhor o significado das coisas do que em português. Ódio, em inglês, Rage. Rage até poderia ser o diminutivo de algum nome próprio como Reginaldo. Mas, convenhamos ninguém se sentiria à vontade se chamado de Odinaldo. E se alguém, por infelicidade, possui esse nome horroroso, por favor, me desculpe. Odinaldo é realmente péssimo. O pai devia estar bêbado. Ou o Baracho devia ter brigado com a mulher. Baracho é o escrivão escritor, uma espécie de Balzac tupiniquim, membro do site do qual participo. Gente, leiam o Baracho! Tô pedindo! É um barato. Pode crer mano!

Mas eu ia dizendo mesmo... O que era mesmo que eu ia dizendo? Ah...! Claro, sobre as palavras que eu detesto.

Correção. Eis outra palavra detestável para mim. E me deparo com ela todos os dias quando escrevo.

Outra: Moralizante. Não fosse a falsidade do afeto que encerra esta palavra seria linda.

Bom eu convivo com as palavras diariamente, mas confesso que não presto muita atenção nelas. Eu prefiro as loiras de cabelo curto, dos 20 aos 40, 90 de busto, 60 de cintura e 90 de quadril.

Acho que vou tomar uns tapas da Adriana por isso.

E quer saber de uma coisa? A mais feia de todas as palavras é a própria palavra. Ou não?

Pensaram que havia terminado. O Não, filho da palavra, consegue ser mais feio que a própria.

Coitado do dicionário condenado a passar a vida toda acolhendo em seu seio tantas palavras: horríveis. Que também não deixa de ser uma palavra feia. E que eu detesto.

Foto ilustrativa: www.oglobo.com

sábado, 12 de dezembro de 2009

ENVELHEÇO NA CIDADE


Lembro-me como se fosse hoje.

Não encontro maneira menos original de se começar uma narrativa. Portanto, vai essa mesmo.

Lembro-me como se fosse hoje... Havia esperança. Um motivo. Ou melhor, todos, para acreditar que as coisas pudessem ser diferentes. Já naquele tempo não eram nada boas. Mas aos 15 anos olha-se adiante e encontra-se um caminho. Aos 40 encontra-se um muro. E não se sabe como, e não se tem como ultrapassá-lo.

Normalmente, aos 15 anos, olha-se para os lados e encontra-se o pai e a mãe e isto dá segurança e, de alguma forma, certeza, de que se conseguirá com o tempo realizar tudo o que se deseja. Encontram-se os amigos, e eles costumam ser o melhor refúgio. Encontram-se também os irmãos mais velhos e, apesar da companhia inconveniente que eles geralmente representam também servem de estímulo para que sejam superados. São pequenos demais para serem muros. Porque aquele que é grande e bom sabe que é, ainda que seja mais novo.

Mas o monstro a dominar e vencer não está dentro de casa, está lá fora. Além das quatro paredes do aconchego do lar. E esse monstro se chama vida. Ali não basta apenas ser bom. É preciso ser fera. Insaciável. É preciso derrubar oponentes, conquistar o respeito de possíveis adversários. Nem que para isso seja preciso usar a força e o medo.

Mas, o bom que não gosta de briga, não gosta de pedir favores, e bajular ninguém é um derrotado. Por melhor que seja moralmente e naquilo que faça. Um derrotado. Porque neste mundo, quem não desembainhar a sua espada e não transpassar o inimigo será sempre um derrotado.

Normalmente se descobre isso com 20 anos. Mas até aceitar essa desprezível realidade leva mais vinte. Mas aí se depara com o muro a frente. E nada se encontra seja qual for a direção para que se olhe. E já não se tem força, motivo, um sequer para acreditar que as coisas possam ser diferentes. Para imaginar por mais idiota que seja que é possível ultrapassar o muro.

Então o derrotado torna-se aquele, o único talvez, capaz de compreender e aceitar o mistério da vida humana. É a sua recompensa.

Para ler ouvindo "Heaven and Hell" - Vangelis (1975)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

JÁ TE SENTISTE ASSIM?


Já te sentiste assim? Parece que todos sorriem, e você não tem motivo nenhum para fazê-lo. Acontece muito nessa época do ano. É normal. É passageiro. Não é normal quando acontece sempre. Aí pode ser depressão. E que, se confirmada, significa que você precisa de ajuda. Mas onde buscá-la? Na família? No amigo mais próximo? Em Deus? Não importa onde você busque ajuda ela nada poderá fazer por você se você não fizer sua parte. E a sua parte é a mais simples e a mais difícil ao mesmo tempo porque requer uma atitude que exige coragem: tomar a iniciativa movida pela vontade. A vontade de mudar. E mudar para ser feliz. Tudo o que um ser humano deseja é ser feliz. Nada mais, nada menos. Ocorre que, vivendo num mundo imediatista, competitivo e tão contraditório onde a natureza, apesar de tão bela encerra tanto sofrimento lhe se torna difícil a sua jornada. Tornou-se o homem bitolado feito máquina, trabalha, produz, consome. Necessidades são a todo instante criadas por apelos veiculados através dos meios de comunicação. O homem não tem tempo de pensar, desaprende a pensar. Precisa seguir o caminho estabelecido e se dele se desviar azar do homem. Fica para trás, se perde, é excluído, acaba inexistindo, ainda que exista.

Alguns vêem nesse caminho a marcha do progresso humano. Factível, se não se perguntar: para que serve o homem? Qual seu destino? E esta idéia predomina porque é baseada numa outra idéia completamente equivocada e distante da realidade: espírito é o que tem o homem e não o que ele é.

Mas é uma idéia estúpida de tão infantil, porque aí estão os cemitérios para demonstrar que espírito é o que somos e não o que temos. O que temos é aquilo que é depositado no cemitério: o homem.

Por que em pleno século XXI já avançando para segundo decênio é tão difícil de compreender isso é a pergunta que se faz.

A esperança está naqueles que chegam. Trazem consigo o cabedal de sua evolução conquistada à base de muito esforço, quedas, repetições. Aços forjados no fogo. Últimos que se tornam primeiros.

Haverão de ser o chicote de que fala Lázaro no capítulo 9 de O Evangelho Segundo o Espiritismo, tópico 8, segundo parágrafo: “... Ai do espírito preguiçoso, daquele que fecha seu entendimento! Infeliz! Porque nós que somos os guias da Humanidade em marcha, o atingiremos com o chicote, e forçaremos sua vontade rebelde no duplo esforço do freio e da espora; toda resistência orgulhosa deverá ceder, cedo ou tarde, mas bem-aventurados os que são brandos, porque prestarão dócil ouvidos aos ensinos”.

Portanto, desperdiçar a vida e a oportunidade que ela representa entregando-se ao desespero, ao desânimo, à escuridão onde habitam os piores sentimentos é perda de tempo. A vida nos dá tudo o que precisamos e o que merecemos. Fica fácil aceitar isso quando se tem a fé do tamanho de um grão de mostarda. Fé que nos permite a consciência e a certeza de que a vida é além deste mundo. E espírito é o que somos. E que homem é apenas uma condição temporária. Uma roupa a qual vestimos para esta viagem aqui na Terra, que tem hora e dia pra terminar. Enquanto que nós haveremos de continuar. Sempre. Adiante.

Foto ilustrativa: www.botecoliterario.wordpress.com

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

PÉ NO BODE


"Não saio, não saio, não saio!" - Que nada! Manda quem pode e obedece quem tem juízo. Bastou o Grão Mestre do Grande Oriente de São Paulo Benedito Marques Ballouk Filho emitir comunicado sobre as denúncias de corrupção envolvendo o governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (DEM), membro da Maçonaria para que este se antecipasse à decisão dos Democratas e oficializasse a sua desfiliação. Nas palavras do Venerável Ballouk "as fortes e repugnantes imagens, transcrição de diálogos entre os envolvidos e a inconsistente e até acintosa defesa do governador Arruda e seus hierárquicos denotam total falta de respeito pela sociedade e insultam a inteligência de quem as assiste e evidenciam deformação do caráter e gravíssimos desvios de conduta de todos os envolvidos".
Vale lembrar que Arruda, quando senador, anos atrás, viu-se obrigado a renunciar ao seu mandato em face às evidências de corrupção por ele praticadas. Ou seja, o povo cria o monstro e acaba devorado por ele. E pior, não aprende a lição.
Fonte: www.lidebrasil.com.br

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

BELOS E MALDITOS


A era da mediocridade. Este é o nosso tempo. Disfarçada de bela, ornamentada pelos louros de vitórias efêmeras, a mediocridade grassa por toda parte. É assim na política, no esporte e nas artes. Faltam gênios, sobram os medianos.

A fórmula está pronta. Para quê outra? Basta repeti-la. É o argumento com o qual se pretende justificar o fracasso de uma geração medíocre que tolera e convive em harmonia com seus ídolos medíocres.

Então é assim, está feito e nada mais resta a fazer, baixemos as armas, batamos a tropa em retirada, nos conformemos com essa triste e imutável realidade? Não. Não deve ser assim. Porque nunca foi assim.

Os movimentos que revolucionam a cultura, por exemplo, começam nos quintais, nas mesas dos bares noturnos, nas garagens e nos becos, na ousadia de meia-dúzia de insatisfeitos e ávidos por coisas novas.

Fenômenos dessa natureza ocorreram nos EUA, com o advento do jazz no início do século XX, e depois, na literatura, com a geração beatnik, em meados dos anos 50. Por aqui, a Semana de 22, foi um divisor de águas no modo de entender, ver e fazer arte. E o mesmo se deu com o movimento pós-punk, na Inglaterra na segunda metade dos anos 70, que alguns historiadores definem como “A cena de Manchester”, quando jovens utilizaram a música para expressar sua revolta e insatisfação, dando origem às bandas como o Joy Division, The Smith’s e Echo and the Bunymen, cultuadas até hoje, embora extintas.

Conta-se que nos áureos tempos de Hollywood, os executivos dos grandes estúdios entendiam pouco ou quase nada de cinema como conceito de arte e espetáculo. Mas eles delegavam a produção dos filmes àqueles que entendiam o que permitiu ao cinema, emocionar platéias do mundo todo e se tornar, durante décadas, o mais aceito e bem sucedido negócio do ramo de entretenimento.

O sistema econômico dominante permite aberrações como essa crença de que basta ter muito dinheiro para sentar-se atrás de uma mesa, assinar documentos e dar ordens. Falta, porém, sensibilidade e interesse por parte das pessoas que poderiam mudar essa situação.

O resultado é o estágio atual de mesmice e de mediocridade observado nos diversos segmentos das artes e da cultura. Irá mudar? Pouco provável. Se alguém souber, diga onde estão os visionários, os transgressores, dispostos a fazer do seu sonho da sua saga o bem da maioria? Afinal, onde estão os loucos, Raul? Se ainda existem.

OS ANJOS TAMBÉM CHORAM


"Ir e vir é realidade não é promessa. Colher o que se planta também. O suicídio não resolve o problema, apenas o agrava, porque a vida continua a existir do lado de lá. Penso que quando se toma essa extrema decisão é porque não se consegue mais conviver com determinada situação de dificuldade. Suicidar-se, a meu ver, é um ato de coragem que, entretanto, ao invés de proporcionar uma conquista, proporciona uma destruição. Quando se vê pessoas que nascem com deformidades de toda sorte, incapazes mesmos de executarem as mais simples tarefas, por causa de limitações natas, é bem provável, que estamos diante de alguém que, no passado, se suicidou. Por eles devemos ter compaixão. Porque bendito é o esquecimento que nos impede de sermos indevidamente os juízes nossos e dos nossos semelhantes. Oremos aos nossos irmãos que abreviaram suas vidas. Coloquemo-nos no lugar deles. Poderia ter sido nós. Eles não precisam de quem os acuse porque a maior condenação para eles é a sua própria consciência. Eles precisam de quem lhes estenda a mão".

Este é um comentário ao poema DIÁRIO DE UMA SUICIDA de Lady Vanilla, membro do sitehttp://www.autores.com.br/ O texto pode ser conferido através do link:http://www.autores.com.br/2009120327015/Literatura/Poesias/diario-de-uma-suicida.html?comment_id=50206#josc50207.

domingo, 6 de dezembro de 2009

ACREDITE SE QUISER

Bem antes do Chatogode e do Breganejo havia o ROCK NACIONAL:
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

DESIDERATO


Houve uma tarde em que, ao me lembrar de todas as laudas amassadas, as frases rabiscadas e substituídas por outras; as versões desprezadas que não me satisfizeram; um dia, ao me dar conta de que desde os 17 anos eu tento aprender a escrever, embora desde os 5 anos de idade eu já “escrevinhava”, sentado na escrivaninha, colocada na cozinha lá de casa, enquanto minha mãe cuidava de seus afazeres. Quando me lembro que As Aventuras de Nick Adam’s foi o primeiro livro ao qual me detive para prestar atenção. E vi na capa aquele homem de barba e cabelos brancos, olhar cansado e sofrido; e me perguntei sem entender como era possível que uma pessoa pudesse escrever tanta coisa e tanto assim. Porque uma ocasião, quando eu tinha 9 anos, eu folheei rapidamente aquele livro e não pude compreender isso.

Quando me lembro que sempre fui um aluno nota 5 em Língua Portuguesa; que minhas redações jamais chamaram atenção das professoras e dos colegas de classe, exceto uma vez quando riram daquilo que eu achava fosse um conto de terror.

Às vezes, paro pra pensar por que motivos eu enveredei por esse caminho?

Eu passei os melhores anos e os mais importantes de minha vida tentando aprender a escrever. Por quê?

Alguns arriscam a dizer: Puxou para o pai. Sim. E não. Meu pai se preocupou em virar gente. E virou. Teve uma profissão, foi marido, pai, filho, avô. E professor, quando ensinou crianças cheias de sonho e esperança a jogar futebol. Enfim, fez bem feito, tudo o que eu não fiz. E embora as pessoas conheçam mais a minha escrita do que a dele, essa injustiça talvez o tempo haja de consertar.

Não pense que sou feliz por escrever e publicar e receber elogios ou críticas. É tão pouco. Falta-me vida. Sou um personagem de mim mesmo. Foi o máximo que obtive.

Eu queria muito que não fosse assim, mas, eu olho adiante e não vejo horizonte, não vejo nada. Porque o que não posso ver caminha ao meu lado. Está à minha espera.

Nesses anos todos tive algumas certezas que não resistiram ao tempo e às circunstâncias. Nunca cheguei a ser um escritor, nunca tive um livro publicado. Não conquistei o espaço que sempre desejei. Porque fui buscá-lo sem armas, nu, sem poder lutar do único modo como sei: derrotando inimigos, avançando divisões, rompendo fronteiras.

O Kardecismo foi um freio em minha vida. Impediu-me de fazer inúmeras bobagens, impediu-me de matar e morrer. Convenceu-me de minha eternidade. E ensinou-me que no palco da vida há espetáculo todos os dias e representamos vários senão todos os personagens. Haveremos de ser nobre e plebeu, e quando não, estaremos na coxia, envolvidos em penumbras, abrindo e fechando a cortina para que outros brilhem, porque é o momento deles de brilhar e não o nosso.

Refletindo sobre esta minha vida, pergunto-me como encontrar respostas que não seja nas causas concebidas numa outra existência ou muitas outras antes desta.

Houve uma tarde que, pensei porque motivos eu não plantei a semente lá em cima para cá embaixo somente colher os frutos. E a resposta que obtive é que o criminoso sempre volta à cena do crime.

Hoje, mais do que nunca acredito que eu terei paz e serei feliz, enfim, encontrarei um caminho que me leve a ser apenas mais um, uma gota d’ água no oceano, quando eu deixar de escrever.

Mas seria como despedir-se de um amor. Um amor eterno. E ainda não estou preparado para isso. E se eu escutar o meu coração e olhar nos olhos da minha mente a resposta será de que jamais estarei.

Então o que faço? O que me resta fazer senão seguir adiante? Feliz por ter encontrado no final da minha tarde o brilho de uma luz que se chama Adriana, a melhor e a mais importante coisa que a Literatura me deu. Feliz e satisfeito por ter conquistado leitores. Meia dúzia. Moram todos no meu coração. E é por eles que hoje ainda escrevo.

Sigo adiante. Sigo. Sempre fiz isso. Vi a neve, a chuva, e o sol, e cheguei até aqui. E a Literatura veio comigo, a crença no ser humano muito mais do que em Deus, também. E o amor à natureza. E a certeza de que a vida é um barco em alto-mar, sujeito à calmaria e à tempestade, à abundância e à miséria, e que sabe que o destino não conhece o ontem.

SUA MAJESTADE, O SAMBA


É a identidade do Brasil. Não há quem consiga ficar indiferente diante do ritmo de um batuque. Oficialmente hoje é o dia do Samba. Nascido nas classes sociais mais pobres o Samba conquistou a empatia de todos aqueles que apreciam a boa música, independentemente de sua posição social ou seu nível intelectual. E fez até o sisudo Príncipe Charles rebolar literalmente quando de sua visita ao Brasil. Nas arquibancadas dos estádios de futebol o Samba dita o ritmo da galera. Na Passarela do Samba, faz pulsar os corações das pessoas que, às vezes, atravessam madrugadas para assistirem aos desfiles das agremiações. É possível o Carnaval sem fantasia. Mas sem o Samba o Carnaval é inimaginável.

Fosse este um país sério, preocupado com a educação de seus filhos e certamente o Samba seria matéria do currículo escolar.

Talvez um dia isso aconteça. Por ora, vamos sambar.

Saiba mais: http://pt.wikipedia.org/wiki/Samba

Vale a pena ver:

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

MENSALÃO DO ARRUDÃO



Novamente a odiosa prática da corrupção ocupa o noticiário nacional. O governador José Roberto Arruda (DEM) e parlamentares do Distrito Federal são flagrados pelas câmeras "dando" e "recebendo" dinheiro ilícito. Quando escrevo que a corrupção é uma deficiência moral do brasileiro muita gente acha que exagero. Mas é. Basta uma passada de olhos na história deste país para se constatar essa triste realidade. Prova de que mudam as moscas e a "M" é sempre a mesma porque o sistema assim permite. Frouxidão nas leis, não punição dos culpados, além dos múltiplos maus exemplos dados pelos políticos, justamente aqueles que teriam a obrigação de dar o bom exemplo, afinal, foram escolhidos pelo povo para representarem o povo. Não possuem um poder que conquistaram mas que lhes fora outorgado. Tudo isso colabora para que a praga da corrupção campeie e permaneça entre nós. E ela não acontece apenas na política. Não. Infelizmente, a corrupção é prática comum em todos os segmentos da sociedade. É assim no esporte, na cultura, na educação, na religião, no meio artístico e na imprensa. Óh, pecado venial! Falei mal da imprensa. Ela não tolera isso. Mas é verdade. Nas gravações feitas em Brasília é mostrado o dono de um jornal recebendo "grana". Com que finalidade? Para você, leitor menos atento pode parecer um fato estranho, inimaginável. Não é. Pergunte-se como atualmente sobrevivem boa parte dos jornais de menor expressão que, geralmente, não são propriedade de jornalistas mas de empresários. Alguns, você até conhece ou já ouvir falar. Não sobrevivem da venda nas bancas, dos assinantes ou dos anúncios (embora estes últimos representem considerável fatia das receitas). Entendeu? Sim. Mesmo o "4o. Poder" não está imune ao vírus da corrupção. Mas esse não é um privilégio apenas da imprensa brasileira. No mundo todo é assim. Aí encontramos o que nos diferencia do resto do mundo em termos de corrupção. Lá, eles ao menos se esforçam para combatê-la. Aqui, nos acostumamos à ela, de modo a torná-la prática do cotidiano, mesmo nas pequenas atitudes. Ah, um lembrete interessante, que, de certa forma, corrobora tudo o que aqui dissemos: O governador José Roberto Arruda, anos atrás, teve de renunciar ao Senado, acusado de corrupção, não comprovada, mas que ele, pressionado pelas evidências admitiu. E não é que algum tempo depois foi eleito pelo povo do Distrito Federal para ser governador daquele estado? Cada povo tem o governo que merece? Sim. Ainda mais quando esse povo é o brasileiro.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

WILDE: 109 ANOS DEPOIS

Há exatos 109 anos o mundo perdia um dos maiores escritores que já conheceu: OSCAR WILDE. Polêmico, ousado, sensível, genial. Autor do célebre romance O Retrato de Dorian Gray e de peças teatrais até hoje encenadas como A Importância de Ser Prudente, O Marido Ideal e Salomé. Contudo, foi com duas obras nascidas do seu drama pessoal que Oscar Wilde tornou-se um dos cânones da literatura mundial: De Profundis e Balada do Cárcere de Reading.

domingo, 29 de novembro de 2009

LOUCOS ADORÁVEIS ANOS

Depois da 1a. Guerra Mundial era preciso encontrar diversão em alguma coisa.

VIAGEM


Há duas maneiras de se passar por este mundo. Atravessando a ponte. Ou passando sob ela.

sábado, 28 de novembro de 2009

PROCURA-SE ALUNOS


O MEC (Ministério da Educação) informa que 1.479.318 vagas não foram preenchidas nos cursos de nível superior no Brasil nos dois últimos anos. A justificativa apresentada é que durante o processo para autorização de um novo curso as instituições educacionais solicitam mais vaga do que desejam oferecer.

Entretanto, basta verificar a situação do ensino público nos níveis fundamental e médio nos últimos 20 anos para constatar a necessidade de uma orientação vocacional que não existe. Porque se existisse, o aluno poderia escolher as matérias que deseja estudar e assim, aprofundaria seus conhecimentos nessas matérias, ganharia tempo para se dedicar a outras tarefas e custaria menos ao Estado e aos seus pais.

Detectar a vocação do aluno deveria ser a primeira preocupação das instituições educacionais.

Para tanto, se faz necessário uma profunda revisão na grade curricular tanto no ensino fundamental como no médio.

Agora, esperar por parte do MEC essas modificações que significam avanços é perda de tempo. O MEC faz o que o governo manda. E governo nenhum, ainda mais se for brasileiro, pretende um povo culto, esclarecido, senhor de si, que seja capaz pensar, agir e decidir com a razão. Um povo assim representaria ameaça ao Poder porque tomaria e seria um novo Poder.

Portanto, essa sonhada revolução educacional deve partir das instituições públicas e privadas. Algo que nos parece no momento impossível. Porque a primeira está sucateada, desmotivada, quase inexiste de fato embora exista de direito. E a segunda, em sua maioria, encara a educação apenas como um comércio.

A educação tem que ter os pés na realidade e o olhar para o futuro. E esquecer um pouco o passado. Que, se necessário, pode ser consultado nos inúmeros meios de informação de que hoje se dispõe.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

IRÃ, EU CONTRA.


Ônus que se paga por viver em um mundo globalizado? Talvez. Independentemente de qualquer interesse político e econômico, é questionável a visita ao Brasil do presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad . A recusa do Brasil em votar a censura ao Irã pela Junta de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) ao contrário do que fizeram Grã-Bretanha, França, Alemanha, Rússia, China e Estados Unidos também gera preocupação, conforme o professor José Goldemberg, ex-secretário brasileiro de Ciência e Tecnologia. O Irã, contrariando a tendência mundial desenvolve um condenável Programa Nuclear cuja finalidade pairam dúvidas e coloca em alerta a comunidade internacional. Triste é ver o Ministro das Relações Exteriores Celso Amorim tentar justificar a ilustre e inconveniente visita de Ahmadinejad ao Brasil alegando a importância e o papel fundamental do Irã no Oriente Médio. Curioso é que para tomar decisões com interesses obscuros não se pede a opinião do povo. Os governos passam. A nação permanece. E é sempre a nação quem paga pelos pecados de seus governantes. O tempo dirá.

PRIMAVERA VIRÁ.

Eu vejo, ouço, respiro, caminho. Sinto a natureza, compartilho dela. Tenho aqueles que me amam. E os que me odeiam. Estes, não me fazem falta. Minha vida é um livro aberto; sem fim. E como o Renato, eu tenho todo o tempo do mundo. A vida tem quatro estações. Estou no inverno. Primavera virá.