sábado, 23 de maio de 2009

RIO CLARO, LÁGRIMAS SOB O CÉU AZUL


Apesar do fato recente muito já se disse na mídia rioclarense e nacional sobre o lamentável episódio com a menina rioclarense Gabriela Nunes de Araújo, de apenas 8 anos. É papel da imprensa repercutir os acontecimentos dessa natureza para que as pessoas se sensibilizem e sejam levadas à reflexão. Apontar culpados para o cenário de violência que se vive atualmente é inútil, porque, de algum modo, somos todos culpados. O que interessa agora é saber como banir a violência de nossa sociedade. Atualmente os bandidos roubam porque estão insatisfeitos com a vida, não porque tem fome; seqüestram, não por razões políticas, mas para obter recursos para aumentar ainda mais seu arsenal de armas e seu armazém de drogas; matam, porque lhes falta o princípio cristão que deveria, já passados mais de dois mil anos nortear a conduta do ser humano.
A legislação penal de 1940 está completamente defasada em relação à infeliz realidade brasileira onde a violência se faz presente na família, na escola e no trabalho e até, em segmentos religiosos. E isto ocorre, porque em nenhum desses ambientes se forma valores morais. A sociedade de consumo impede isso.
Em nível nacional passam os governos e as reformas política e judiciária não acontecem. E por que não acontecem? Por nossa culpa ao elegermos homens e não projetos.
Enquanto nação temos o triste defeito de esperarmos que os outros resolvam tudo por nós ao invés de arregaçarmos as mangas e lutarmos por nossas necessidades, dentre elas, a segurança. Gostamos de nos reunirmos e falarmos, falarmos e falarmos, mas dessas reuniões, resulta pouco ou nada de objetivo.
Esperamos do governo as ações. Mas que ações podemos esperar dos governos que elegemos?
A maior deficiência do brasileiro não é social, não é política, nem religiosa, é moral. E é curioso observar isso, quando o país é considerado muito religioso por abrigar, sem distinção, todos os credos. Procura-se Deus pela dor, dificilmente pela razão. Bate-se à porta de um templo religioso não para buscar a necessária reforma íntima que, dentre outros benefícios, tornaria as pessoas mais bondosas e, portanto, menos violentas, mas em busca do emprego, do namorado, do dinheiro para adquirir um bem ou pagar as dívidas.
Vê-se, por essas e outras, que estamos ainda muito longe do que preconiza o filósofo e escritor Leon Dennis (1846-1927), ao afirmar que a finalidade da existência humana não é adquirir bens efêmeros, mas, esclarecer a inteligência, purificar a alma, elevar-se a Deus. Tolos e desinteressados, passamos toda a vida, breve vida, achando que jamais iremos nos deparar com Ele. E se Ele de fato tivéssemos dentro de nós, talvez, não seríamos tão estúpidos a ponto de dispararmos uma arma de fogo contra uma menina de 8 anos. Porque, quando fatos como esse acontecem, nos sentimos todos um pouco culpados, pela nossa omissão para com a responsabilidade que temos enquanto seres inteligentes que vivem em sociedade. Não há mais desculpas. Não há mais como tolerar. Ou mudamos o rumo de nossas vidas ou a Vida desistirá de nós.

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