sábado, 20 de junho de 2009

EU NÃO.


Acabo de defecar. Que outra maneira mais nojenta de se iniciar uma discussão? Sim, é o que pretendo. Quero provocá-lo, tortura-lo, até convencê-lo de que você deve de vez por todas esquecer esse negócio de leitura e livros.
Por que a fonte 12 não executa as acentuações?
O quê?
Você sabe o que tem haver o botão de rosa e o desodorante?
Não. Não sabe. Depois eu lhe conto. Deixe-me por ora prosseguir com meu fluxo de pensamento contínuo em busca das famigeradas digressões.
Pare de falar difícil, seu energúmeno! Esse povo não entende dessas coisas. Eles querem saber sobre sua vida, o que você fez e como está, o que pretende fazer, como está vestido, que número você calça, em que é formado, onde se formou, qual foi o seu primeiro emprego, e se você tornar público o relato do seu primeiro beijo, certamente convencerá outros tantos imbecis a clicar sobre o seu nome pra ler, ou fingir que leu, um período, um parágrafo, uma frase, uma palavra, o título, tá, o título, isso, o título de um texto seu.
Deixe isso pra lá. Volte para o seu trono, volte a defecar. O presidente Lula espera pelo seu telegrama perfumado via cabo subterrâneo. Mas, cuidado, evite que a merda exploda na cara dele. Isso dá problema. E problema é algo que você já possui em boa conta.
Aprendi mais uma. O Word não adiciona merda ao dicionário. Inteligente esse sujeito. O Mr. Word.
Vou tentar de novo.
Merda.
Não adianta. Deixa. Recosta na cadeira, faz aquele olhar de intelectual com sofreguidão, junte as mãos sobre a testa e levante os cabelos de sobre os olhos até o alto da cabeça, e assim permaneça. Isso. Aproveita enquanto tem cabelo.
Você viu alguém passar ao seu lado, não viu? Ele vestia preto. E estava sentado no trono antes de você ocupa-lo para defecar.
São 21 e 57 da noite. Ontem passei as horas acordado. Todas elas. Agora bate o sono. Mas eu resisto. Tenho pouco tempo. Seis anos, segundo os médicos. Instantes, segundo minha vontade. Mas esta não prevalece. Que há de se fazer? Dessa vez vai ser assim. Tudo passa. A terra é redonda, o mundo gira, a gente escreve: Merda.
De novo? Não adianta. Não adiciona ao dicionário. O que será que Mr. Word tem contra a merda? Fosse ele inglês. Mas é americano. E americano não come todos os dias o delicioso X-Merda no MacMerda?
Escute aí ô do copidesque. É o autor desta merda de texto quem está dizendo todas essas merdas. Ouviu?
Acho que sim.
Engraçado. O sono foi embora. Eu abri 90 vezes o arquivo onde está “Verão se despede”. E nada feito. Não funciona. Não funciona mais.
Dessa vez, fiz o caminho inverso. Comecei pelos grandes desafios (romances, novelas, contos, poesias) e termino com os de menor importância: poeminhas de bar, artigos e crônicas que os vestutos jornais locais rejeitam. E merda.
Vou parar com isso. Farei como as formigas, elas se beijam umas às outras. E não fazem merda. Você viu merda de formiga alguma vez na vida? Eu não.

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