sábado, 27 de junho de 2009

UM DEDINHO DE PROSA


Ando muito pensativo ultimamente. Madrugadas a fio passo refletindo sobre meu futuro incerto. Imaginei muitas coisas e fiz quase nenhuma. Ando com pressa de me reformar moralmente, e sabe, quando isso acontece, mêu, pode mandar abrir e limpar o gavetão. Mas enquanto o glorioso momento não chega, escrevo. Essa noite, por exemplo, para efeito de consolo fugaz lembrei-me que São Paulo perseguia os cristãos, e Santo Agostinho adorava as tavernas, os alambiques e a vida mundana. Sêneca disse que via o que era o melhor e aprovava, mas seguia sempre o que era o pior. E J. Costa Jr. (este vocês conhecem) disse certa ocasião, no convívio salutar dos amigos etílicos que, entre Deus e o Diabo preferia a si mesmo.
Daqui a algum tempo vão dizer que o Mago Jackson comia criancinhas, na mais chula acepção da palavra. Vixi!
São coisas que me fazem refletir e ter um décimo de segundo de esperança. Até que eu me lembre da minha crença que, ter esperança é desvalorizar o merecimento. Não farei como o ex-craque e comentarista esportivo Neto da TV. Bandeirantes que esta semana durante uma transmissão soltou a seguinte pérola: “É preciso acreditar na fé”. Anotem aí: Neto, filosófo corinthiano, 2009 d.C.
Por isso é que eu gosto do Cortazar e do Bukowski, acho Camus um fresco e Dostoievski um babaca, um masoquista enrustido. E Flaubert, tá, vamos completar o Jardim Zoológico: uma bicha comportada. Bichona, mesmo!
Segura peão! Começou a caça às bruxas. De novo? De novo, não? Deixem o Torquemada dormir em paz.
Bem, isso quer dizer que Deus não esqueceu da humanidade. Afinal, temos Obama, Lula, Sarney... Opa! É. Temos Silvio Santos! Pelé. Roberto Carlos. Caetano... E o rei Momo, não... Bolonaldo. É.
Por ora, ainda estamos ganhando de goleada dos gringos. Eles já perderam do seu manjado baralho as preciosas cartas: Sinatra, Marilyn, Elvis, Wayne, Dean, e agora o Jacko.
Quem disse que brasileiro não ganha uma de norte-americano. Ah, ganhamos, sim, dia desses, 3 x 0. Por isso que as enchentes terminaram, a fome desapareceu, brotaram gênios da terra enlameada que o homem há de comer, e, em cada esquina, encontrou-se uma nota de 500 euros. E ninguém precisou orar pra que isso acontecesse. Nem o Sarney. Pronto, eu disse. E não digo mais, até o próximo sábado.

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