quinta-feira, 30 de julho de 2009

PREFIRO AS MULHERES DE BATOM


Ontem tentei escrever e saiu um conto que se chama “Faz de Conta”. Consegui. Saiu o maldito conto. Faz de conta.
Meu amigo Ricardo Leão começa suas histórias pelo título. Favari Filho por suas Marias, mulheres. Outros escritores começam por um tema. Um que lhe desperte interesse. E eu, and me, começo... Não sei.
Sério. Tô dizendo. É algo sem forma, conteúdo, cheiro, cor... Não é nada! E ao mesmo tempo, continua não sendo nada, e, de repente... Explode! Explode o nada. E faz sujeira. Transcende. Deve ser o Gardenal que tomei durante 10 anos, ainda fazendo efeito.
Uma tela de cinema se abre diante de meus olhos e, ao escrever, relato o que vejo.
Ou então, uma lembrança me ocorre e desencadeia especulações quanto a como poderia ter sido o que jamais fora – Depois dizem que Borges que é difícil.
Entenderam? Não. Eu sei que não. Pouco me importa. Tão me entendendo? Não é pra vocês que escrevo. É para aqueles outros. Aqueles lá. Estão vendo? Se não estiverem, bem feito pra vocês. Não sabem o que estão perdendo.
Outra circunstância que me leva desperdiçar meu tempo com isso são as sensações que experimento. Saudades que não são minhas. Dores que não me pertencem. Medos que desconheço. Surgem todos. Entusiastas, sem pedir licença. Algozes tiranos, masoquistas dominadores. Como hacker’s, invadem meus neurônios e os comandam a seu bel prazer e elegância. E confesso, algumas vezes com a minha conivência.
Os estúpidos românticos chamam a isso de inspiração. Eu chamo de desgraça. Ou, instante de ócio do Criador, o Dono do Pedaço, o Sujeito Lá em Cima que tudo vê.
Mas a mente de um escritor é como um lápis de que ele se utiliza para escrever. A cada investida, aponta-se o lápis. Chegará o momento em que não mais haverá lápis, e, portanto, não mais haverá escritor – Maria Augusta Ribeiro iria adorar essa construção.
Durmam agora felizes e satisfeitos aqueles que puderem reivindicar tal status.
Não serão muitos. E fiquem tranqüilos fiéis detratores, não estou entre eles. E não pretendo.
Ah, claro, sim, como ia me esquecendo! O porque do título? Simples. É que enquanto escrevia essas bobagens, para lhe entreter leitor, exigente que és, assistia na tevê a uma reportagem sobre o crescente consumo de cosméticos entre as brasileiras. E muito daquilo que escrevo, admito Senhor Juiz, vem daquilo que vejo, o que, de certo modo, corrobora a opinião perturbadora de tão cínica, daqueles que dizem que o escritor é o maior plagiador da realidade. Será? O dia que eu for um deles saberei a resposta. Espero. Mas sem muita esperança.
Texto publicado na edição No. 55 de O Jornal (www.jornalrioclaro.com.br)
Ilustração: www.1bp.blogspot.com

quarta-feira, 29 de julho de 2009

terça-feira, 28 de julho de 2009

O SEGREDO, AI QUE MEDO!

O filme fez tanto sucesso quanto o livro. E os vídeos relacionados ao assunto estão acessíveis na Internet à exaustão. Trata-se de “O Segredo” de Rhonda Byrne, na verdade uma teoria baseada naquilo que de mais chulo e banal tem os livros de auto-ajuda. Algo capaz de fazer Franz Anton Mesmer, médico alemão (1734-1815) que estudou a fundo e com seriedade o fenômeno do Magnetismo, revirar-se na tumba.

Há, sempre houve, e até que o ser humano realmente se esclareça, haverá espertalhões que, no intuito de justificar suas teses mirabolantes e com elas ganhar muito dinheiro à custa da ignorância alheia, extraem dos textos bíblicos trechos de dúbia interpretação. E a Bíblia é repleta deles.

Em resumo, a tese defendida pelo “O Segredo” é aquela que diz que você tudo pode se acreditar.

Ora, isso coloca por terra o que há de mais verdadeiro e bonito e que consagra a justiça e imparcialidade do Deus único: o Mérito.

Para os fracos basta ter fé. Porque é mais cômodo do que estudar e trabalhar. Mas, sob a ótica da razão ter fé é desvalorizar o merecimento. E, se em última instância, ter fé, como querem alguns é suportar o sofrimento, ainda isto é merecimento, porque demonstra a força do indivíduo. Sua força interior que nada tem a ver com fé e sim coragem. Não para agredir ao semelhante e a si mesmo, mas, estudar e trabalhar.

O mérito exige esforço, estudo e trabalho, por isso, na preferência humana perde para a fé em todas as instâncias.

Divado Franco, escritor e orador espírita kardecista nos transmite a informação que Jesus encarnou uma única vez na Terra. Mas é um espírito que, como nós, fora criado simples, ignorante e sujeito à perfeição. E que vivenciou todo o seu processo evolutivo noutra galáxia pertencente a outro sistema solar. Tendo atingido alto grau de evolução espiritual recebeu a missão de ser o autor e o governador do Planeta Terra. Daí ter dito que antes que Moisés fosse Ele já o era.

Tenhamos por Deus amor e respeito. E gratidão. Mas paremos de importuná-lo. Lutemos conosco mesmo. Vivamos. Trabalhemos. Estudemos. Porque esta a razão e o destino da existência humana.

Victor Hugo, mestre da Literatura Universal, pedia aos seus criados que escondessem suas roupas para que ele não pudesse sair de casa e assim ficasse escrevendo.

Escrever era o objetivo de Hugo. E ele trabalhou para isso. Não acendeu velas, não fez promessas, nem se ajoelhou para tanto. Apenas, trabalhou. E conseguiu. Porque trabalhou. Se descansasse a sua mente e suas mãos e tentasse por meio da fé transferir para Deus, algum santo, médium ou pastor evangélico a responsabilidade que lhe pertencia não teria conseguido.

Jesus se propôs a despertar a mente e o coração humano e a lhes revelar o verdadeiro sentido do amor. Estabeleceu uma meta e se pôs a trabalhar por este objetivo. Enfrentou obstáculos e, se quisesse, poderia ter evitado a cruz, e com uma palavra dizimaria seus inimigos em razão de sua ascendência moral sobre eles. Mas, ao contrário, Jesus trabalhou. Seu sofrimento era parte de seu trabalho. E Ele não esmoreceu. E conseguiu. E nós? Que faremos? Continuaremos a alimentar idiotices em nossas mentes e esperar que outros façam por nós aquilo que só compete a nós fazer?

Foto ilustrativa: Pet Shop Boys - "It's a sin"

sábado, 25 de julho de 2009

METÁFORA


"Livros são objetos na vitrine da vida. Apenas isso" - J. Costa Jr.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

DO LADO DE LÁ


"No plano espiritual, a diferença entre José e João não está na acentuação do nome, mas o que cada um traz na mente e no coração. Portanto, que me importa o nome que tive ontem e que tenho hoje? Que diferença faz? Pois, um dia eu também fui pedra, folha, pena e água. E quem sabe, amanhã, eu seja Luz". - J. Costa Jr.

sábado, 18 de julho de 2009

DESTINO

"Quando se tem um objetivo não há dificuldades, e sim, etapas de uma conquista" - J. Costa Jr.

AQUI JAZ UM LIVRO


Mais importante do que a maneira como se disponibiliza um texto, se eletronicamente ou impresso, é formar leitores. Em boa parte, esse fascínio que o objeto livro (impresso) desperta nas pessoas é em relação ao seu aspecto visual, em detrimento do conteúdo. Enquanto os franceses, os alemães e os americanos lêem, até quando sentados no trono, nós, brasileiros, temos repulsa a leitura. E é exatamente isso o que precisa mudar. Mas formar leitores é pedir muito para um país como o nosso que sequer possui uma educação pública decente. O que é lamentável sob todos os aspectos e torna o nosso trabalho de escritores, dispensável. Porque aquele que só encontra tempo para consumir jamais terá tempo para pensar. E se não pensam, não interferem nas estruturas sociais, políticas, religiosas e econômicas. Há quem lucre com isso. E eles estão no poder. Sempre estiveram. Ainda que, com discursos, bandeiras e uniformes diferentes. Um povo que lê é um povo esclarecido, crítico, e este não é o nosso caso. No Brasil existe a crença de que os governos existem para resolver tudo. E não é assim que a coisa funciona. À sociedade cabem as tarefas inerentes à cidadania. Mas a prática à cidadania depende do respeito às leis. E leis não faltam. Aliás, existem além da conta. E são costumeiramente burladas. A tendência do brasileiro em contestar as leis, a motivação para burlá-la é um sintoma da falta de civilidade de nossa nação. É deprimente ver pessoas abastadas financeiramente sonegarem impostos enquanto outros os pagam com tanto sacrifício. A lei favorece os primeiros que, muitas vezes são condenados no papel, porém, na prática são absolvidos porque permanecem livres até que se esgotem as possibilidades de recursos para contestação que a lei permite. Fácil entender. Quem faz as leis? E para quem as faz? Eles estão todos os dias nos noticiários políticos e policiais, seja na televisão, nos jornais e revistas e na Internet.
O caminho da transformação e, porque não dizer, da regeneração da sociedade brasileira passa pela política por meio da via democrática. A política deveria ser o palanque do povo. Mas não é.
Hoje, o povo não se vê representado por seus políticos. E se lançar os olhos ao passado verá que poucas vezes o fora.
Então, se o povo não se vê representado por seus políticos, é chegado o momento da revolução. Não com fuzis e baionetas, como há 220 anos ocorreu na França, mas com idéias e ações objetivas. Mas sabem os políticos da atualidade que, sob esse aspecto são inatingíveis porque revolução só é feita por pessoas esclarecidas. E um povo que não tem o hábito da leitura não se esclarece. E aqueles poucos que o fazem se omitem em nome de seus interesses próprios, dos seus e da classe que representam.
Assim, fica a nação brasileira como gigantesca embarcação à deriva. E tristemente nenhuma pouco preocupada porque para os seus modestos anseios sabe que há peixinhos ao redor para pescar quando tiver fome, há o horizonte infinito para se inebriar, há a melodia dos pássaros, a brisa da manhã. Em outras palavras, há pão e circo. Justamente aquilo do qual aprendeu a viver e se contentar.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

DEEP SILENCE

No texto "Cházinho da vovò", mais abaixo, citei "Gabriel's Oboe" do grandíssimo maestro e compositor italiano Ennio Morricone. A música faz parte da trilha sonora do filme "A Missão" de Roland Jafé, e estrelado por Robert de Niro, Jeremy Irons e Liam Nesson, entre outros. Eis a música:

06/12


"Eu plantei, eu trabalhei, eu vou colher. Porque Deus já sabia da minha vida, antes que eu me decidisse por ela" - J. Costa Jr.

terça-feira, 14 de julho de 2009

UM IDEAL


14 de Julho. Mais do que uma data cívica tão importante para o povo francês, um divisor de águas na história da humanidade. O momento em que o homem finalmente admite a realidade. Admite que só a razão pode conduzi-lo ao progresso. A razão que aponta um caminho: LIBERDADE, IGUALDADE, FRATERNIDADE. O caminho preconizado pelos homens de pensamento livre que fazem da vida uma busca incessante por conhecimento, por viver honestamente, por aperfeiçoar-se moralmente.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

E JESUS FALAVA ASSIM

MÃE




"Se eu vivesse mil vezes, mil vezes eu desejaria que você fosse minha mãe. Não sou o filho que você deseja, o homem que você sonhou ver. Porque você antes de todos, sabia que eu tinha asas para voar. Que não fincaria os pés no chão do mundo. Sabia e mesmo assim me quis como seu filho. Hoje, faz 18 anos que você se mudou. Deixou o passado para trás, trocou de vestes, seguiu adiante. Você vive. Vive no meu pensamento e no meu coração a cada instante da minha vida. Você é minha mãe. E se têm alguma coisa neste mundo que me faz feliz é justamente isso".

O CHÁZINHO DA VOVÓ

Aviso que escrevo estas linhas, sentado na cadeira giratória que ganhei da minha irmã. Estou com os pés na parede já bastante suja, porque ali eu meto os pés todos os dias para escrever. E não devo por ora, enquanto escrevo me preocupar com as vírgulas, as pontuações e possíveis redundâncias. Porque agora eu escrevo. E se mais alguém sabe o significado disso, então há de compreender-me.
Escrevo ouvindo “Gabriel’s Oboe”. Deveriam ouvir. Seria melhor, eu lhes garanto do que perder o precioso tempo que não possuem lendo estas linhas.
Minha filha, dia desses, perguntou-me porque ainda não tenho nenhum livro publicado. E eu lhe respondi que é porque não tenho dinheiro. Porque se tivesse então a humanidade teria algo mais do que reclamar. Por exemplo: “Sob o Manto da Noite; As reconstruções de Tomaz”, “Além daquelas árvores”, “Cerimônia”, “As Páginas Primeiras”, “Sessão da Tarde”, “Bloco de Notas”, “Cinzas ao Vento”, “Conteúdo Zero”, “Caixa de Ferramentas”. Os meus livros. São meus. Por enquanto. Porque são todos inéditos. Ninguém os conhece. E que diferença isso faz? Nenhuma. É sempre preferível ouvir “Gabriel’s Oboe” a ler qualquer livro. Qualquer um mesmo. Inclusive, os meus. Deixem os meus livros quietos. Talvez o silêncio lhe seja o destino. E daí se for? Não irá fazer nenhuma diferença. Que algo mais inútil do que um texto? Quem o escreve, certamente.
Todas as vezes que acordo, todos os dias e há 40 anos, me olho no espelho e percebo que o olhar é o mesmo. Então, olho em meu redor, e sinto a mesma sensação de vazio, abandono e solidão. Abro a janela e encontro o sol. O bem-te-vi na fiação do poste me avisa que já chegou. A brisa da manhã perpassa o meu rosto. O frio do assoalho penetra nos meus pés descalços, sobe pelo meu corpo, e quando se depara com aquele frio intenso que existe no meu coração, sente-se diminuído, desaparece. Prevalece o frio que vem do coração. Do meu.
Já disseram muitas coisas a meu respeito. E continuam a dizê-lo. Que digam. Nada me representa. Não faz diferença. Só porque eu escrevo, e bem? Que diferença faz? Como somos inúteis, nós, os escritores! Vendemos a alma ao Diabo, apenas pra sermos lidos. E daí? Uma página lida é uma página fechada e uma página esquecida no instante seguinte. E o que é que modifica? Na minha vida. E na vida de quem a lê.
Mas afinal, porque é que a vida, a minha e a dos outros, precisa ser modificada? Apenas por que pensamos? Daí é que surge a insatisfação? Como disse Schopenhauer: “Toda necessidade traz consigo a dor”. A minha dor é escrever. É o meu câncer. Que pouco a pouco consome a minha carne e lixa os meus ossos, devasta a minha mente e dilui em fel a minha dignidade. Porque a minha fé – se a tive algum dia – já levou embora, faz tempo.
Agora entendem finalmente porque muitos de nós rodam o tambor e metem uma bala na cabeça, e se atiram no rio gelado sem saber nadar, põem um laço apertado em volta do pescoço. Ou se entopem de remédios e líquidos e substâncias preciosas. É por que... Anotem nos seus caderninhos: Nada faz sentido.
Somos todos doentes da alma. É o que somos. E imaginamos que as palavras sejam o nosso remédio. Mas não é. É apenas o cházinho de camomila da vovó cujo único indicativo é curar a dor de barriguinha do nenê.
Pronto. Agora podem me xingar. Terminei.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

C O R P O S


Amontoados
Sem cabeça, mutilados
Corpos,
Onde seus espíritos?
Quais montanhas sobem?
Quais caminhos percorrem?
Quais florestas se refugiam?
Onde a sua dor se esconde?
E buscam beber o sangue
Que os fará viver

Abandonados
Molhados, por chuvas torrenciais
Alcançarão aqueles corpos, as nuvens?
D’onde a chuva?
Terão asas para tanto?
Em que pedras deitarão suas cabeças?
Em que folhas derramarão o barro que os cobre?
Já não andam aqueles corpos
Não respiram, não vêem
Estão mortos, esquecidos
Serão o pó

Mitificados
Fardados, de panos perfurados
Corpos doídos, feridos
Em que braços encontrarão amparo?
Em que olhares encontrarão piedade?
Aqueles corpos, eles fedem, eles clamam
Por um minuto de atenção
Um instante de carinho
Antes que sejam cobertos pela poeira do tempo
Sejam lembrados pelos vermes
Porque pelos homens, já foram esquecidos

Inspirado na obra “Guerra” de Lasar Segall. E dedicado aos paulistas que deram suas vidas por um sonho imorredouro.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

GÊNESE

"Quando se olha para o mar, as montanhas, as vastas planícies, o céu, os rios, as florestas, os animais em seu habitat natural, percebe-se facilmente que, neste mundo, o homem é apenas um detalhe. E, muitas vezes, insignificante" - J. Costa Jr.