sábado, 18 de julho de 2009

AQUI JAZ UM LIVRO


Mais importante do que a maneira como se disponibiliza um texto, se eletronicamente ou impresso, é formar leitores. Em boa parte, esse fascínio que o objeto livro (impresso) desperta nas pessoas é em relação ao seu aspecto visual, em detrimento do conteúdo. Enquanto os franceses, os alemães e os americanos lêem, até quando sentados no trono, nós, brasileiros, temos repulsa a leitura. E é exatamente isso o que precisa mudar. Mas formar leitores é pedir muito para um país como o nosso que sequer possui uma educação pública decente. O que é lamentável sob todos os aspectos e torna o nosso trabalho de escritores, dispensável. Porque aquele que só encontra tempo para consumir jamais terá tempo para pensar. E se não pensam, não interferem nas estruturas sociais, políticas, religiosas e econômicas. Há quem lucre com isso. E eles estão no poder. Sempre estiveram. Ainda que, com discursos, bandeiras e uniformes diferentes. Um povo que lê é um povo esclarecido, crítico, e este não é o nosso caso. No Brasil existe a crença de que os governos existem para resolver tudo. E não é assim que a coisa funciona. À sociedade cabem as tarefas inerentes à cidadania. Mas a prática à cidadania depende do respeito às leis. E leis não faltam. Aliás, existem além da conta. E são costumeiramente burladas. A tendência do brasileiro em contestar as leis, a motivação para burlá-la é um sintoma da falta de civilidade de nossa nação. É deprimente ver pessoas abastadas financeiramente sonegarem impostos enquanto outros os pagam com tanto sacrifício. A lei favorece os primeiros que, muitas vezes são condenados no papel, porém, na prática são absolvidos porque permanecem livres até que se esgotem as possibilidades de recursos para contestação que a lei permite. Fácil entender. Quem faz as leis? E para quem as faz? Eles estão todos os dias nos noticiários políticos e policiais, seja na televisão, nos jornais e revistas e na Internet.
O caminho da transformação e, porque não dizer, da regeneração da sociedade brasileira passa pela política por meio da via democrática. A política deveria ser o palanque do povo. Mas não é.
Hoje, o povo não se vê representado por seus políticos. E se lançar os olhos ao passado verá que poucas vezes o fora.
Então, se o povo não se vê representado por seus políticos, é chegado o momento da revolução. Não com fuzis e baionetas, como há 220 anos ocorreu na França, mas com idéias e ações objetivas. Mas sabem os políticos da atualidade que, sob esse aspecto são inatingíveis porque revolução só é feita por pessoas esclarecidas. E um povo que não tem o hábito da leitura não se esclarece. E aqueles poucos que o fazem se omitem em nome de seus interesses próprios, dos seus e da classe que representam.
Assim, fica a nação brasileira como gigantesca embarcação à deriva. E tristemente nenhuma pouco preocupada porque para os seus modestos anseios sabe que há peixinhos ao redor para pescar quando tiver fome, há o horizonte infinito para se inebriar, há a melodia dos pássaros, a brisa da manhã. Em outras palavras, há pão e circo. Justamente aquilo do qual aprendeu a viver e se contentar.

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