quinta-feira, 9 de julho de 2009

C O R P O S


Amontoados
Sem cabeça, mutilados
Corpos,
Onde seus espíritos?
Quais montanhas sobem?
Quais caminhos percorrem?
Quais florestas se refugiam?
Onde a sua dor se esconde?
E buscam beber o sangue
Que os fará viver

Abandonados
Molhados, por chuvas torrenciais
Alcançarão aqueles corpos, as nuvens?
D’onde a chuva?
Terão asas para tanto?
Em que pedras deitarão suas cabeças?
Em que folhas derramarão o barro que os cobre?
Já não andam aqueles corpos
Não respiram, não vêem
Estão mortos, esquecidos
Serão o pó

Mitificados
Fardados, de panos perfurados
Corpos doídos, feridos
Em que braços encontrarão amparo?
Em que olhares encontrarão piedade?
Aqueles corpos, eles fedem, eles clamam
Por um minuto de atenção
Um instante de carinho
Antes que sejam cobertos pela poeira do tempo
Sejam lembrados pelos vermes
Porque pelos homens, já foram esquecidos

Inspirado na obra “Guerra” de Lasar Segall. E dedicado aos paulistas que deram suas vidas por um sonho imorredouro.

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