terça-feira, 28 de julho de 2009

O SEGREDO, AI QUE MEDO!

O filme fez tanto sucesso quanto o livro. E os vídeos relacionados ao assunto estão acessíveis na Internet à exaustão. Trata-se de “O Segredo” de Rhonda Byrne, na verdade uma teoria baseada naquilo que de mais chulo e banal tem os livros de auto-ajuda. Algo capaz de fazer Franz Anton Mesmer, médico alemão (1734-1815) que estudou a fundo e com seriedade o fenômeno do Magnetismo, revirar-se na tumba.

Há, sempre houve, e até que o ser humano realmente se esclareça, haverá espertalhões que, no intuito de justificar suas teses mirabolantes e com elas ganhar muito dinheiro à custa da ignorância alheia, extraem dos textos bíblicos trechos de dúbia interpretação. E a Bíblia é repleta deles.

Em resumo, a tese defendida pelo “O Segredo” é aquela que diz que você tudo pode se acreditar.

Ora, isso coloca por terra o que há de mais verdadeiro e bonito e que consagra a justiça e imparcialidade do Deus único: o Mérito.

Para os fracos basta ter fé. Porque é mais cômodo do que estudar e trabalhar. Mas, sob a ótica da razão ter fé é desvalorizar o merecimento. E, se em última instância, ter fé, como querem alguns é suportar o sofrimento, ainda isto é merecimento, porque demonstra a força do indivíduo. Sua força interior que nada tem a ver com fé e sim coragem. Não para agredir ao semelhante e a si mesmo, mas, estudar e trabalhar.

O mérito exige esforço, estudo e trabalho, por isso, na preferência humana perde para a fé em todas as instâncias.

Divado Franco, escritor e orador espírita kardecista nos transmite a informação que Jesus encarnou uma única vez na Terra. Mas é um espírito que, como nós, fora criado simples, ignorante e sujeito à perfeição. E que vivenciou todo o seu processo evolutivo noutra galáxia pertencente a outro sistema solar. Tendo atingido alto grau de evolução espiritual recebeu a missão de ser o autor e o governador do Planeta Terra. Daí ter dito que antes que Moisés fosse Ele já o era.

Tenhamos por Deus amor e respeito. E gratidão. Mas paremos de importuná-lo. Lutemos conosco mesmo. Vivamos. Trabalhemos. Estudemos. Porque esta a razão e o destino da existência humana.

Victor Hugo, mestre da Literatura Universal, pedia aos seus criados que escondessem suas roupas para que ele não pudesse sair de casa e assim ficasse escrevendo.

Escrever era o objetivo de Hugo. E ele trabalhou para isso. Não acendeu velas, não fez promessas, nem se ajoelhou para tanto. Apenas, trabalhou. E conseguiu. Porque trabalhou. Se descansasse a sua mente e suas mãos e tentasse por meio da fé transferir para Deus, algum santo, médium ou pastor evangélico a responsabilidade que lhe pertencia não teria conseguido.

Jesus se propôs a despertar a mente e o coração humano e a lhes revelar o verdadeiro sentido do amor. Estabeleceu uma meta e se pôs a trabalhar por este objetivo. Enfrentou obstáculos e, se quisesse, poderia ter evitado a cruz, e com uma palavra dizimaria seus inimigos em razão de sua ascendência moral sobre eles. Mas, ao contrário, Jesus trabalhou. Seu sofrimento era parte de seu trabalho. E Ele não esmoreceu. E conseguiu. E nós? Que faremos? Continuaremos a alimentar idiotices em nossas mentes e esperar que outros façam por nós aquilo que só compete a nós fazer?

Foto ilustrativa: Pet Shop Boys - "It's a sin"

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