quarta-feira, 5 de agosto de 2009

RIVOTRIL 2 MG


Escrever. Criar escrevendo. Brincar de ser Deus. Que fascínio esta milenar atividade exerce no ser humano! Besteira. A única finalidade da escrita é comunicar-se. Com a escrita de ficção não é diferente. Contar uma estória é uma forma de se comunicar. O escritor é aquele sujeito que concebe sua obra na solidão. E se for bom o suficiente saberá conviver com a eternidade ou a ausência desta. Ensinamento de Titio Hemingway. Não meu. Bem entendido. Por mim, acho tudo isso uma babaquice. Hoje, tô mais para Bukowski do que para Shakespeare. Escrevo pra desopilar o fígado. Deus me tirou a bebida, o fumo... Bem, fiquemos por aqui, e me deu a literatura. Aí, eu peguei a literatura e fiz dela gato e sapato. Esmurrei, amassei, pisei, rasguei, juntei tudo de novo e, não satisfeito, engoli e regurgitei. Feito Oswald, o Doido. Adiantou? Não.

É porque não compreendo e já desisti de tentar o que leva as pessoas acharem que existe um fato transcendental, místico, divino ou demoníaco, enfim, inspirador, no ato de escrever. Porque, veja bem leitor, não existe. Por mais Machado de Assis que o escritor se acredite, saiba que sempre escreverá sobre aquilo que viveu, viu, ouviu, e não me venha com essa estória de imaginação, porque, lúcido, você não imagina nada. Escritores são os primeiros bisbilhoteiros da vida alheia a terem nome, sobrenome e residência fixa.

Escrever é hábito. Só isso. É vício. Dos males, o menor.

Digo que se papel fosse vagina eu derrubaria Don Juan do seu trono. Melhor, eu ocuparia o lugar de Calígula, na História. Duvidam?

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