sábado, 15 de agosto de 2009

WOODSTOCK, EU NÃO ESTAVA LÁ

Nós, escritores, temos que ser honestos. Jamais faremos com as palavras, o que os músicos fazem com sua voz e os seus instrumentos. O Festival de Woodstock completa 40 anos de sua realização. Três dias de paz, amor e música numa fazenda a 3 horas de New York, sob chuva, enfiando o pé na lama, defecando e fazendo amor ao ar livre e sem nenhum constrangimento. Falta de comida. Drogas à vontade, policiamento insuficiente. E o saldo de duas mortes. Apenas. Segundo dados oficiais. Não vale contar o congestionamento monstro e jamais visto nas rodovias ao norte do estado de New York. Tinha tudo pra dar errado e acabou dando certo. Acontece nas melhores famílias que se metem a fazer festas grandiosas. Com Woodstock não foi diferente, para o alívio de Michael Lang, seu organizador que até poucas horas antes do início programado, não sabia onde realizar o evento. Situando os fatos no tempo. Em Agosto de 1969, eu já havia nascido há 6 meses (bom, essa parte pouco importa, não é mesmo?) o homem já havia chegado à Lua, mas não era o bastante. Era preciso, de alguma forma, resgatar o orgulho norte-americano terrivelmente abalado e ferido pelo inferno que havia se tornado a Guerra do Vietnã. Pra fazer o serviço, nada melhor que a juventude, com seu vigor e sua capacidade de sonhar, ainda intacta e imune à realidade. Jovens, já fui um deles, gostam de se sentir importantes. Alguns, acreditam até hoje que depuseram um presidente, numa certa republiqueta tropical dos confins da América. Pode? Pode. Porque jovem é assim mesmo. É o sujeito que enche a cara sábado à noite e domingo de manhã reclama da mãe que o almoço demora a sair. E não me desmintam. Eu já fui jovem. Na verdade, ainda sou, em espírito.

E por falar nesse sujeito desconhecido de todos, o espírito que dominava aquela moçada de Woodstock era o espírito da tolerância e da liberdade, com as benção da contracultura.

Parecia até, e agora, escribas, vou puxar a sardinha um pouco pro nosso lado, que o espírito, sim, ei-lo, o espírito, sempre ele, não? O espírito de Ginsberg, Bukowski, Fante, Kerouac e até Salinger estavam presentes na poesia das músicas de Dillan, dos Stones, do Who, dos acordes de Hendrix, do tormento de Joplin. E antes que a insatisfação transformassse o desejo de liberdade e tolerância em uma Longa Noite Jornada Adentro ao melhor estilo de O’Neill... Pois bem, Woodstock neles!

A milhares de quilômetros de distância dali helicópteros sobrevoavam as florestas vietnamitas à procura de sobreviventes de guerra. À bordo dos helicópteros de Woodstock, havia repórteres fotográficos munidos de câmeras e não soldados com metralhadoras. Grande diferença! E nada que importunasse o público estimado em 500 mil pessoas. Nem mesmo a demorada espera por vezes verificada entre um show e outro. Sobrava assim, tempo para o amor e para o fuminho.

Agora, você leitor, abelhudo que é, deve estar se perguntando, como é que esse sujeito se mete a escrever sobre aquilo que não viveu, não viu e ouviu bem pouco. Fácil. Faço o mesmo que você acaba de fazer. Eu leio.

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