quinta-feira, 3 de setembro de 2009

AUTORES


O tempo todo, os meus textos estavam ao alcance das minhas mãos, a um toque no teclado. Mas por alguma razão eu ainda me via preso à necessidade de abandonar e destruir tudo a minha volta como a chuva e o vento faz com a plantação à época da colheita. Ou como o cachorro, feliz e arteiro rola no chão, quando, perfumado e limpo, acaba de tomar banho.

Os gatos limpam e consomem a sujeira dos seus filhotes recém-nascidos. Mas para eu ser gato, ainda falta muito. Por enquanto, sou apenas cachorro. Finalmente admito. E devo confessar, sai um peso enorme e descomunal de minhas costas.

Haverá retorno? Jamais. Também daqui estou de partida. Eu preciso da dor pra poder viver.

Um comentário:

  1. DA destruição, surge um novo ponto a ser destruído... Da dor surge o sorriso que se tornará choro um dia... Tudo é um jogo de claro e escuro, que não termina...
    Parabéns pelo texto!

    (Lara)

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