quarta-feira, 2 de setembro de 2009

DOZE BADALOS


Eu não me chamo John. Nem Pedro, nem Paulo e nem Simão. Eu me chamo Lucas, Rafael, Tômaz, Axel, Édi e, atualmente, Caio também me chamo. Mais? Não se preocupem não haverá. A ponto do lapis quebrou. E a garrafa do líquido precioso está sob a cama e eu não consigo me abaixar. E já passa da meia-noite. E o gato está no telhado, a cueca pendurada. No cabide do banheiro. Que fica longe! Por que será? Que depois dessa hora tudo fica longe?

E eu me esqueci o início desta frase. Que devo percorrer até a margem direita da folha. E sem direito a ilustrações. Porque estas, sabe, geralmente, nada tem a ver com o que se pretende dizer. E antes que se diga... Eu preciso me abaixar. Mas a garrafa está encostada na parede. E, por alguma razão, esta se movimenta, senão para as testemunhas, ao menos para os meus olhos. Porque afinal, depois da meia-noite, tudo gira em redor, derredor, dentro da pia, do banheiro, de dentro da casa, porque o de fora, maldito, fica longe. E mesmo que eu caminhe, cambaleante, apoiando-me na parede que gira, gira, gira, a parede, a parede gira. Porque depois da meia-noite e de uma garrafa, perdida sob a cama, tudo é assim, gira, a vida, as idéias, a crença, a vontade que vai e vem. E o uivo do lobo do Fausto chega aos meus ouvidos, porque faz um ano, que o lobo perdeu o pelo, mas o encanto não.

E depois da meia-noite, agora já passam das três, acho que vou parar de escrever. Para que, talvez, quem sabe, por que não, não é mesmo? A parede pare de girar, a garrafa saia debaixo da cama, o Fausto pare de uivar aos meus ouvidos. E o banheiro venha ao meu encontro, uma vez que não consigo mesmo ir até ele, mas que venha, por favor, perfumado.

E eu vou parar de escrever, porque senão amanhece, e esse papo lúcido, instigante e atraente de tão indecente continue, se perpetue, dia adentro, e depois da meia-noite... Depois... Depois...

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