sexta-feira, 11 de setembro de 2009

DOZES FORA


Doze não é o bastante. Não é um número cabalístico. Talvez 21 seja. E se esta não for a resposta, o que justifica que Rio Claro tenha mais 9 vereadores?

A mágica proposta é aumentar o número de vereadores e diminuir o gasto das Câmaras. O contribuinte, financiador compulsório da gastança parlamentar da Opereta tragicômica “Brasilis Corazon Del Mundo... Ulálá Lula... Uiuiui!” Assim, com tantas reticências? É. – Até agradeceria. Fosse verdade. Mas não. Não é verdade.

Breve, voltará o maldito CPMF, claro, com outro nome, mais, digamos... Chamativo. Pomposo. Simpático... É aguardar o momento oportuno. Só isso.

O dogma agora é que o pré-sal irá resolver todos os nossos problemas. Há vinte anos era o Collor que os resolveria. Hoje é o Pré-Sal. Pior pra nós, que não teremos em quem atirar tomate e ovo podre. Nem a mãe de ninguém pra xingar. É xingar mesmo! Ô maldito corretor ortográfico. Merda! Até o Windows se tornou politicamente correto. Xingar não pode, acusa erro, tem que escrever: falar mal.

Já disse que vou fazer um curso de torneiro mecânico pra virar presidente de qualquer coisa. Sindicato. Associação de Moradores. Clube de terceira idade. Sei lá, qualquer coisa E vou botar durepox na ponta da língua. Não. Boto superbond mesmo. É mais barato.

Sobre os edis, pra que mais 9? Afinal, precisamos de política pra quê? Foi o que perguntaram os franceses ao final do século XVIII. Precisamos de reis e nobres pra quê? E nós, precisamos de políticos pra quê? Passar vergonha em tempo real perante o mundo globalizado? Vermos a riqueza que produzimos saqueada pela esperteza desses senhores engravatados e seus apaniguados?

Teremos os cinco anos seguintes de idiotice à base de pão e circo, o ópio do povo, o futebol com as Copas do Mundo, na Mama África e aqui. Com direito, quem sabe, a sessão extra, sob o título Olimpíadas Rio 2016. Ah, enquanto todos nós estaremos envolvidos cheios de orgulho, felizes sob o manto do nacionalismo, eles, os espertos, os donos da caneta, enriquecerão. E nós? Ah, somos brasileiros! Somos sim! Com muito orgulho e muito amor. Não é?

Um esforço tremendo se faz para construir e remodelar estádios e ginásios, enquanto os bandidos estão soltos na rua e nós, presos em nossas próprias casas. Os alunos estão todos na escola. Ah, que bonitinho! Mas aprendendo o quê? E comendo o quê? Papa de berinjela com gergelim?

Enquanto isso se multiplica as igrejas, sempre de portas abertas, para receber fiéis e doações. Vão os fiéis ficam as doações. Que se multiplicam à custa da ignorância que muitos confundem com esperança e fé.

Mas a esperança e a fé que fazem milagres não é aquela dos púlpitos dos templos. Nunca foi. Mas do trabalho e do estudo. Da fraternidade e do aperfeiçoamento moral.

Claro que estes caminhos são proibidos. Porque fossem livres e acessíveis a todos não existiriam as bolsas famílias e o assistencialismo que mais do que saciar a fome legitima os atos repulsivos de quem se acha no poder. E por que não, a sua continuidade.

Rio Claro é apenas uma cidade perdida no mapa do país que se considera o coração do mundo. Mas bem poderia ser um retrato 3x4 do próprio.

Pena. Ou castigo mesmo. Bem feito. Para quem ousou tirar de si o nome daquele que perdeu sua cabeça numa bandeja por ousar ser verdadeiro e amar demais: João.

Os tempos até que são outros. A humanidade não.

Publicado no Site www.jornalrioclaro.com.br

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