terça-feira, 8 de setembro de 2009

INDAIÁS NA CIDADE DAS MARAVILHAS


Quem pariu Mateus que crie – dizia minha saudosa mãe. O provérbio não se aplica, entretanto, à política de Rio Claro. Todos nós sofremos com a incompetência, a incoerência e a falta de sabedoria de nossos e de nossas edis.

Quem se salva nesta Câmara de Vereadores da Sky Blue? Pergunta de difícil resposta, se existe.

Agora, ninguém mais votou nessas preciosidades como Faísca, Campeão, Pereirinha e Cia. Bela.

Culpa deles? Não. Culpa nossa.

Nada mais verdadeiro do que a máxima: Cada povo tem o governo que merece.

São vereadores eleitos por esse ou aquele segmento da sociedade. Um porque proporcionava churrasco e guloseimas para os moradores de determinado bairro, outro porque é ligado a essa ou aquela igreja. Enfim...

Mas a estes vereadores é dado o poder que emana do povo de decidir em nome não daquele ou desse segmento da sociedade, mas de toda a sociedade.

Em relação ao Executivo, caiu cedo por demais a máscara.

Mais uma vez como já ocorreu em outras ocasiões da história recente de Rio Claro, o povo rio-clarense (como dói escrever isso!) se deixou levar pelo discurso que mais o seduz: o da moralidade, o da justiça. E para isto basta que a oposição critique, denuncie e especule. Maledicência é com o rio-clarense. Ele gosta disso. Basta que se toquem as trombetas e que seja anunciado: “Haverá execução!” – e a catarse se faz com as bênçãos das galerias, sedentas por sangue.

Em 1982, na onda peemedebista que varreu o Brasil de ponta a ponta, Rio Claro também embarcou nessa. E assistiu pasmo, o seu prefeito logo afastar-se para assumir uma secretaria estadual, cargo nem tão importante e representativo assim, mas talvez vantajoso. Os milhares de votos que recebeu e a confiança que o povo esperançoso lhe depositou? Danaram-se.

Em 1988, o promotor justiceiro foi eleito prefeito dizendo em seus discursos que faria devassa na prefeitura e poria atrás das grades o anterior. Um ano depois, Collor diria isso de Sarney, num comício na Lagoa Seca do Cervezão, em Rio Claro. Lembram-se?

Mais 4 anos e tivemos a honra única de eleger alcaide alguém foragido da justiça. Fidelidade? Amor a toda prova? Ou estupidez?

Depois, oh glória, vieram 4 anos de muito verde, discursos vazios, pompas, Doralices, Zona Azul e realizações nenhuma. Quatro anos? Vê lá! Não foram bastante para o masoquista rio-clarense. Foram preciso mais 4. E ao final de 8, candidatura ao governo do estado, cinco contas rejeitadas, dezenas de processos e os direitos políticos cassados. Talvez saia como candidato a deputado por Rio Claro. E se conseguir, já ganhou! Claro. Este mesmo cidadão deixou a cadeira aveludada do palácio de mármore da Rua 3 com estratosféricos índices de aprovação. Estranho seria fosse o contrário. Algo a ver com as origens da cidade, formada por bandoleiros, marginais e mercenários que por aqui passavam à procura do ouro em terras longínquas?

Tem mais. Aí, retorna ao poder local o infante terrível, nos braços do povo, o melhor e maior de todos, consagrado nas urnas para a qual não conhecia derrota. Faz um governo realizador, uma campanha limpa à reeleição e perde para o sósia do Taz que agora faz tudo o que antes recriminava e apóia tudo o que antes repudiava explicando com suas atitudes, ipis is literis e a quem interessar possa que, todo político bom traz no bolso do paletó dois discursos: um para conquistar o poder, e outro para governar.

E nós, articulistas, homens de pensamento livre, propagadores de idéias e formadores de opiniões, e que não temos não o rabo preso com ninguém, devemos, isto posto, procurar outra coisa pra fazer. Porque há mais de 2000 anos já alertara Jesus, o Cristo sobre a inutilidade de se atirar pérolas aos porcos.

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