domingo, 6 de setembro de 2009

PERGUNTE AO PÓ


Se eu escrevesse para que os outros entendessem, eu não escreveria. Questionar que meus textos tenham fundamento é um direito do leitor. Esperar por isso é desperdício de tempo.

Não sei que idéia a maioria faz da literatura. Certamente não é a minha.

A mais bem sucedida literatura do século XX, a norte-americana, bebeu na fonte da literatura francesa e russa, desde Flaubert até Dostoievski.

Eu trago comigo o selo de Twain, Fante, Bukowski, Kerouac e Roth. Mas se eles me deram o mapa não me deram o caminho. Este eu tenho que desbravá-lo e só cabe a eu fazê-lo, porque escrever é uma saga de um herói solitário, você escreve sozinho. Um autor realiza sua obra na solitude. Só ele conhece o seu caminho, e onde este o levará; sabe como se sentar à mesa com seus demônios, e ouvir os seus anjos ao anoitecer.

O escritor pretensioso já é um derrotado. O vitorioso é aquele que trabalha. Zola, expoente do naturalismo francês dizia que escrever uma linha é sempre melhor do que escrever nenhuma.

A melhor inspiração de um escritor é o seu lápis, a segunda melhor é a sua mente, a terceira é o seu suor.

E eu derrubo suor, dessa vez, porque muitas outras já houve, desde os 17 anos. Não para ser o melhor dentre todos. Mas para ser o melhor que eu puder ser. Para fazer o melhor que eu puder fazer.

Certamente alguns leitores que se acham escritores estão pensando o que e por que perguntar ao pó. São os mesmos que se perguntam onde está o rato e porque esmagá-lo.

São os mesmos que preferem os pés no chão a voar, esperam encontrar razão pra tudo e por assim viverem não se permitem à felicidade. Vivem entre quatro paredes e a tapa nos olhos lhes é motivo de segurança porque nada vendo nada sentem e se não sentem vivem seguros a sua maneira.

E não se preocupem em pedir desculpas aqueles que atravessaram essas quinze linhas. Meus ouvidos se acostumaram a ser latrina da ignorância alheia. Mas eu não me esqueço de puxar a descarga.

Bom, pra quem ganha tão pouco acho que já escrevi demais.

Agora vou ver se encontro finalmente o cavalo branco debaixo da cama. Enquanto houver fígado... Porque sol, neste domingo, definitivamente não haverá.

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