sexta-feira, 20 de novembro de 2009

NOVAS LETRAS. ONDE? QUANDO?


A Literatura cheira mofo. E não é só no Brasil. É no mundo. Boa parte das editoras, nacionais e estrangeiras aposta desde recentemente na publicação sob demanda. E qual a primeira idéia que surge? Descobrir e publicar novos autores? Não. Desenterrar os antigos. Alguns até merecem o status de zumbi. Mas a maioria fica melhor nas Wikipédias da vida, nos dicionários ilustrados, nas estantes das bibliotecas e dos museus. Lá estão e lá devem ficar para efeito de pesquisa de possíveis interessados.
O sistema, em cujo seleto círculo só entra os escolhidos (nenhuma alusão, bem entendido, aos donos da mídia impressa), concedeu aos escritores marginalizados a esmola que se chama Blog. Um brinquedinho interessante, porém discriminado, e como quase tudo que advém da invenção e do propósito humano, mal aproveitado. Mas isso é só um efeito colateral da Internet.
No Brasil, ou se reza o terço das comadres literatas, acadêmicas e Best Sellers, ou se está ferrado. É simplesmente posto de lado. Ignorado. Como se não existisse. Porque todas as comadres e seu antro de parasitas bajuladores combinam, ou melhor, respeita um código, eu diria universal, que determina exatamente desprezar os inconvenientes. Dentre, os quais, alô platéia e, os meus queridos cinco ou seis leitores, eu me encontro. Com muito orgulho. Afinal, corro o risco de no futuro ser uma página à parte, única, na história da Literatura rio-clarense (oh, glória!). E talvez, brasileira, e, quem sabe, universal. Mas, com certeza, não estarei nos dicionários, não serei um verbete, misturado dentre tantos os atualmente ilustres e paparicados escribas. Admirados e lidos (Não me façam rir!). E solicitados. Para um autógrafo, claro, pois não.
Deparo-me nesse instante com um sugestivo anúncio de certa editora, cuja frase “isca” assim se descreve: O livro que consagrou Harlan Coben como um novo mestre do suspense. Quem? Ora, procurem na web. O livro custa R$29,00 pra quem quiser arriscar. E tem 256 páginas. Isso desanima um pouco. E uma capa maravilhosa, e um papel cuchê da melhor qualidade, provavelmente. Que lindo!
É mesmo comovente o esforço das editoras brasileiras para introduzir em nosso país uma Literatura que nada tem a ver com nosso país. E mais comovente ainda é imaginar que, esperam com isso formar leitores. E, lógico, consumidores de livros. Mas eles acham que somos todos idiotas. Não sabem, por exemplo, que pra que haja consumidor de livro é preciso que haja leitores. É matemática simples. Mas acontece que Exatas nunca foi mesmo o forte do pessoal das Letras. Exceto raras exceções como Malba Than e Blaise Pascal, este, filósofo, que, como todo bom filósofo recorreu à Literatura para expor suas idéias. Naquele tempo idéia tinha acento. Tinha? Sei lá.
Entretanto, pior que o deplorável diagnóstico, é saber que o doente, no caso, a Literatura, é tratada não por médicos das Letras, editores, escritores, mas por charlatães que se passam por esses e aqueles para fazer negócio e obter lucros.
Acho que depois dessa a editora vai rasgar o contrato que acabamos de assinar.
O que penso disso? Sabem a resposta, não?

Um comentário: