terça-feira, 10 de novembro de 2009

O SENTIDO DAS COISAS


Na ânsia de obter lucros, de corresponder às expectativas de seus patrocinadores, a mídia acostumou-se a criar ídolos todos os dias, a reverenciar o banal, a tornar valioso o insignificante. Enfim, convenceu a sociedade que não é preciso pensar basta sentir. Põe-se de lado a razão para elevar o instinto e torná-lo hábito.

Quem perde com isso é a própria sociedade que ao enaltecer medíocres se desvaloriza. A partir de meados dos anos 90 intensificou-se a penetração e propagação de uma subcultura, desprovida de qualquer conteúdo. Ela está presente na música, através do pagode e do sertanejo romântico, na televisão através de idiotices como o Big Brother Brasil. E só não atingiu ainda a literatura, porque este não é um país de leitores, e o cinema, porque a produção de um filme é muito mais dispendiosa do que um Cd. E sob esse aspecto, a elite continua sendo a guardiã dos valores artísticos e culturais, cumprindo assim um de seus mais importantes papéis.

Somos resultado de uma miscigenação racial que nos impede de termos identidade própria. Impede-nos de termos um projeto de nação. Um rumo. Somos uma nau à deriva que, quando navega em águas calmas se deixa levar ao sabor do evento. Quando temos algo de valor, buscamos a sombra para o descanso. Não olhamos adiante. Não pensamos em como multiplicar o que temos. Acomodamos-nos.

Minha geração não aprendeu a pensar. E os poucos que aprenderam não foram no banco escolar que obtiveram este aprendizado. Foi por iniciativa própria.

Esta geração de adolescentes, em sua maioria, exceto aqueles que podem freqüentar uma escola particular, sequer é alfabetizada. E como poderá então aprender a pensar?

Pessoas que não pensam não interferem na sociedade. E quando o fazem é de maneira negativa.

Uma forma de estimular as pessoas a pensarem é proporcionar-lhes o contato diário com a cultura, através de suas inúmeras formas de expressão como a música, a literatura, o cinema, o teatro.

O Brasil, essencialmente um país musical, está doente sob esse aspecto. Há talentos que se perdem diariamente por falta de oportunidade. Não encontram espaço para exercitar e desenvolver o seu trabalho. E se essas oportunidades não encontram desestimulam-se.

A maneira mais eficiente de se criar necessidades é desacreditar as opções, é destruí-las. Isto se deu no Brasil com a música. Não há mais diversidade à disposição do grande público. Qual espaço ocupa atualmente o rock, o samba, a MPB, o choro? Nenhum.

Os escritores, ficcionistas ou não, os pensadores, enfim, poderiam despertar o cidadão. Poderiam. Se o cidadão tivesse o hábito da leitura. Assim, vozes dissonantes do discurso predominante se perdem aqui e acolá. Nada mais são que ilhas paradisíacas num oceano de merda.

Por isso muitos se surpreendem a pensar: Para que produzir cultura e arte? E para quem? Se ao entrarmos neste jogo as cartas já estão marcadas e os vencedores definidos.

O Brasil é um gigante tomado pelo câncer da ignorância gerado pelo desinteresse.

Quê finalidade nós temos em um país como esse? Por que continuarmos atirando pérolas aos porcos? E, até quando?

Um comentário:

  1. Mama Mia!!!
    Cara, você disse tudo o que eu queria dizer em um texto para o meu blog só que como eu não tenho muito talento nisso não consegui. Concordo em tudo o que você falou, culturalmente caminhamos para um buraco sem fundo mesmo, eu não tenho esperança de nada, não sei o que a geração do ano de 2030 estarão pensando, curtindo, ouvindo ou fazendo. Pelo andara da carruagem imagino que não será nada de bom. Saimos da ditadura militar a quase 30 anos e tinhamos a esperança de que tudo mudaria culturalmente para melhor porque não haveria mais a censura, foi tudo um engano terrivel, a unica coisa boa é que não existe mais a tortura (visivel), mas culturalmente estamos indo morro a baixo.

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