quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O ESTRANGEIRO


Enterrou a mãe e sequer foi capaz de derramar uma lágrima. Matou o semelhante e jamais se arrependeu. Em poucas palavras esta é a história de Mersault, personagem do romance “O Estrangeiro” do filósofo e escritor argelino Albert Camus.
Mersault nada mais é que um pretexto, bem arranjado por Camus (leia-se Cami) para dissertar sobre o sentimento mais misterioso que o ser humano é capaz de produzir: a indiferença. A si próprio e ao mundo à sua volta. O que o torna de certa forma inacessível e, portanto, alheio aos acontecimentos, suas causas e efeitos e, isento de culpa ou mérito. Em outras palavras: Um estrangeiro, um estranho à realidade.
O livro tem poucas páginas o que facilita a leitura nos dias atuais. A narrativa é linear, a linguagem empregada pelo autor é coloquial e o enredo bastante simples. Exatamente por essas razões, o livro logo conquista a empatia do leitor e o leva a profundas reflexões sobre a possibilidade do absurdo da existência humana.
Sobre o autor:
O pai morreu durante a Primeira Guerra Mundial, na Batalha do Marne. Camus, nascido em 07 de novembro de 1913, em Mondovi, na Argélia, foi criado pela mãe. Durante a infância viveu com a mãe, a avó, um irmão mais velho e um tio, todos na mesma casa. Passou todo tipo de dificuldades. E por diversas vezes quase teve de largar os estudos. Mas foi ajudado por professores como M. Germain, na escola primária e Jean Grenier, durante seu período de graduação em Filosofia. Camus era apaixonado por futebol e há relatos que dizem ter sido ótimo goleiro. Quando de sua visita ao Brasil em 1949 a primeira coisa de que se ocupou antes mesmo de proferir suas palestras foi assistir a uma partida de futebol. Tuberculoso, a possibilidade da morte iminente o acompanhou desde muito cedo e talvez o tenha ajudado a refletir sobre o absurdo da existência humana, base de sua filosofia. Vivendo na França desde 1939, quando se deu a ocupação alemã, Camus cerrou fileiras na resistência francesa e ajudou a redigir e editar o jornal Combat. Além de “O Estrangeiro” outros livros seus bastantes conhecidos são “O Avesso e o Direito” (seu primeiro livro publicado) e ”O Mito de Sísifo”. Em 1957 recebeu da Academia Sueca o cobiçado Prêmio Nobel de Literatura. Camus faleceu às 13h55 do dia 04 de janeiro de 1960 em virtude de um acidente automobilístico, quando viajava com destino à Paris. Nos destroços do carro foram encontrados os originais do romance autobiográfico “O Primeiro Homem” que trazia uma sugestiva instrução de que o texto deveria terminar inacabado.

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