segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

BELOS E MALDITOS


A era da mediocridade. Este é o nosso tempo. Disfarçada de bela, ornamentada pelos louros de vitórias efêmeras, a mediocridade grassa por toda parte. É assim na política, no esporte e nas artes. Faltam gênios, sobram os medianos.

A fórmula está pronta. Para quê outra? Basta repeti-la. É o argumento com o qual se pretende justificar o fracasso de uma geração medíocre que tolera e convive em harmonia com seus ídolos medíocres.

Então é assim, está feito e nada mais resta a fazer, baixemos as armas, batamos a tropa em retirada, nos conformemos com essa triste e imutável realidade? Não. Não deve ser assim. Porque nunca foi assim.

Os movimentos que revolucionam a cultura, por exemplo, começam nos quintais, nas mesas dos bares noturnos, nas garagens e nos becos, na ousadia de meia-dúzia de insatisfeitos e ávidos por coisas novas.

Fenômenos dessa natureza ocorreram nos EUA, com o advento do jazz no início do século XX, e depois, na literatura, com a geração beatnik, em meados dos anos 50. Por aqui, a Semana de 22, foi um divisor de águas no modo de entender, ver e fazer arte. E o mesmo se deu com o movimento pós-punk, na Inglaterra na segunda metade dos anos 70, que alguns historiadores definem como “A cena de Manchester”, quando jovens utilizaram a música para expressar sua revolta e insatisfação, dando origem às bandas como o Joy Division, The Smith’s e Echo and the Bunymen, cultuadas até hoje, embora extintas.

Conta-se que nos áureos tempos de Hollywood, os executivos dos grandes estúdios entendiam pouco ou quase nada de cinema como conceito de arte e espetáculo. Mas eles delegavam a produção dos filmes àqueles que entendiam o que permitiu ao cinema, emocionar platéias do mundo todo e se tornar, durante décadas, o mais aceito e bem sucedido negócio do ramo de entretenimento.

O sistema econômico dominante permite aberrações como essa crença de que basta ter muito dinheiro para sentar-se atrás de uma mesa, assinar documentos e dar ordens. Falta, porém, sensibilidade e interesse por parte das pessoas que poderiam mudar essa situação.

O resultado é o estágio atual de mesmice e de mediocridade observado nos diversos segmentos das artes e da cultura. Irá mudar? Pouco provável. Se alguém souber, diga onde estão os visionários, os transgressores, dispostos a fazer do seu sonho da sua saga o bem da maioria? Afinal, onde estão os loucos, Raul? Se ainda existem.

3 comentários:

  1. Onde estão?
    Onde estarão?
    Essa também é a pergunta que vivo a me fazer.
    De vez enquando, porém encontro algum por aí.
    Como agora.
    Excelente texto

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  2. Eu acho que tudo isso em parte acabou, o própria chacrinha ja dizia que nada mais se cria, tudo se copia. As vezes é dificil alguem esboçar algo criativo e querer passar para o grande publico, ninguem aceita todos querem algo que ja tenha, mas que seja feito por outra pessoa (de preferencia de cara e bunda "bunitinha") Na verdade existem grandes coisas e grandes idéias, mas estão todas engavetadas e só Deus sabe quando irão sair das gavetas.

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  3. Concordo...Ainda bem que existe os bons blogs para que possamos discutir sobre isso, pena que apesar de ser uma boa ferramenta é preciso ser "famosinho" para que os assuntos tenha repercussão, e nos blogs dos "famosinhos" eles não discutem esses assuntos, afinal vivemos na disneylandia.

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