terça-feira, 15 de dezembro de 2009

NADA MAIS QUE PALAVRAS


Não são muitas, mas são perturbadoras. Inconvenientes. Tá bom, vai, são chatas mesmo. Chatérrimas. Ulálá!

Estou falando de: palavras. E não de vizinhos. Bem entendido.

Há palavras que para mim são detestáveis. Um exemplo: Delicioso. Ah, valha-me Deus! Não raro deparo-me com a seguinte e infeliz frase: O delicioso filme de Fulano. Claro, você não sabia que filmes agora se comem? E tem sabores. Taí, outra aberração: Saboroso. Oh adjetivo horroroso.

Mas nada supera o famigerado: favoritar. Eu favoritei. Chama o Hugo, vou vomitar. No site em que escrevo vira e mexe alguém deixa a mensagem: Favoritei o seu texto, querido. Ai que alegria! Vou morrer de êxtase.

Eu piamente acredito que o Português foi feito apenas para a Poesia e a Literatura. E só. Nada melhor que a Língua Portuguesa (os acadêmicos vão adorar isso!) para driblar a incapacidade de se expressar de mais de uma maneira e de fazer floreios e firulas para escrever o óbvio. Para tais engenhosos escribas a Poesia e a Literatura é decoração não é arquitetura. Acho que nunca leram Hemingway. Se é que sabem quem foi este pescador.

Eu, na verdade, não sei por que escrevo. Talvez seja por isso que eu escrevo. Pra tentar descobrir. Ou chegará o dia em que meu analista com cara de agente funerário prestes a fechar o caixão diante da família irá me dizer: Lamento informá-lo, mas, você é masoquista.

Dos meus 3 aos 11 anos tive um companheiro inseparável que atendia pelo nome de Comital. Todos os dias, ou melhor, todas as noites, nós tínhamos os nossos solilóquios. Antes de pensar besteira de mim leitor, vá ao dicionário pra saber o que é solilóquio. Viu?

Então, como eu ia dizendo, em certas circunstâncias as palavras em inglês disfarçam melhor o significado das coisas do que em português. Ódio, em inglês, Rage. Rage até poderia ser o diminutivo de algum nome próprio como Reginaldo. Mas, convenhamos ninguém se sentiria à vontade se chamado de Odinaldo. E se alguém, por infelicidade, possui esse nome horroroso, por favor, me desculpe. Odinaldo é realmente péssimo. O pai devia estar bêbado. Ou o Baracho devia ter brigado com a mulher. Baracho é o escrivão escritor, uma espécie de Balzac tupiniquim, membro do site do qual participo. Gente, leiam o Baracho! Tô pedindo! É um barato. Pode crer mano!

Mas eu ia dizendo mesmo... O que era mesmo que eu ia dizendo? Ah...! Claro, sobre as palavras que eu detesto.

Correção. Eis outra palavra detestável para mim. E me deparo com ela todos os dias quando escrevo.

Outra: Moralizante. Não fosse a falsidade do afeto que encerra esta palavra seria linda.

Bom eu convivo com as palavras diariamente, mas confesso que não presto muita atenção nelas. Eu prefiro as loiras de cabelo curto, dos 20 aos 40, 90 de busto, 60 de cintura e 90 de quadril.

Acho que vou tomar uns tapas da Adriana por isso.

E quer saber de uma coisa? A mais feia de todas as palavras é a própria palavra. Ou não?

Pensaram que havia terminado. O Não, filho da palavra, consegue ser mais feio que a própria.

Coitado do dicionário condenado a passar a vida toda acolhendo em seu seio tantas palavras: horríveis. Que também não deixa de ser uma palavra feia. E que eu detesto.

Foto ilustrativa: www.oglobo.com

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