segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

ARTE EM DESENCANTO


Não me lembro ao certo se foi o poeta concretista Ferreira Gullar quem disse: “Quando tudo é arte nada é arte”.
A arte do grafite, quando praticada por pessoas inteligentes é admirável. Não é, entretanto, o que se tem observado em Rio Claro.
Depois de longo tempo, o bairro da Santa Cruz volta a sofrer ataque dos pichadores.
Desta feita, as vítimas foram o Grêmio Recreativo, a Sociedade Veteranos e uma casa localizada na rua 10 com avenida 08 que está para alugar, portanto inabitada.
Lamentável a atitude dessas pessoas que, imaginando expressarem sua arte nada mais fazem do que emporcalhar a cidade e faltar com o respeito com o patrimônio alheio.
Nada contra os adeptos do grafite, mas duvido que pratiquem sua pseudo-arte nas paredes e fachadas de suas casas.
Deve haver um lugar e uma maneira mais adequada para isso. Se não, que os praticantes do grafite se organizem e reivindiquem.
Talvez a instalação de um grande mural em via pública de grande movimento fosse solução. A viabilidade desta alternativa ou outra merece estudo.
Se a intenção é transgredir, chamar a atenção para determinada causa, façam-no apresentando idéias de maneira clara e objetiva, e em lugares adequados, não se utilizando de um espaço que não lhes pertence.
Quando praticada assim, a arte deixa de ser um estímulo, uma forma de expressão dos valores humanos e passa a ser tão somente uma ofensa gratuita.
A tentar entender o nada que o grafite em mãos inábeis expressa é preferível ler a Tabacaria de Álvaro de Campos.
Foto ilustrativa 

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