quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

MANUSCRITOS DA CONSCIÊNCIA MORTA



O inconveniente é aquele que com palavras ou atitudes causa o constrangimento alheio. Concedo-me o direito de sê-lo agora.

Há momentos únicos na história da humanidade. O advento do cristianismo, as idéias iluministas, a revelação dos espíritos através das experiências, estudos e pesquisas do pedagogo e cientista francês Allan Kardec, a teoria Darwiniana, a Reforma Protestante, pra citarmos alguns.
Quando disse Jesus a Simão Pedro que este era uma pedra sobre a qual construiria sua igreja, certamente não se referia aos templos grandiosos, aos ritos e às hierarquias que, ao invés de unir desagregam. Porque Jesus, ao invés de construir um templo e sentar-se em confortável cadeira aveludada e reunir seleto número de bajuladores e outros tantos parasitas em torno de si, foi à luta, caminhou pelos desertos, subiu as montanhas, bateu às portas, foi desprezado, xingado, incompreendido e mesmo assim só fez coisas boas, só falou sobre amor, perdão, renúncia, e já naquele tempo, estas virtudes não interessavam à maioria das pessoas.
Na história da humanidade é sempre assim: iluminados apontam caminhos, descortinam verdades para que espertos se apropriem destas e as utilizem em favor próprio e daqueles que representam. Ocorreu com o cristianismo, que, nas suas origens não vestiu os paramentos de nenhuma religião, porque o cristianismo é na sua essência a própria religião. Ele veio para o homem, mas não veio do homem.
A redenção humana é individual, porque somos individualidades. Mas podemos caminhar juntos. O mérito ou demérito pertence a cada um. O que não impede, ao contrário, incita, a nos ajudarmos. As estrelas são únicas, mas elas se acham no mesmo firmamento.
No tempo em que os católicos derramavam sangue inocente sob o pretexto de preservar orgulho e tradição veio ao mundo Francisco de Assis para resgatar o cristianismo primitivo, leia-se: amor incondicional, perdão e renúncia. E onde se manifestou a luz de Francisco, que, dizem alguns, anteriormente atendera pelo nome de João, O Evangelista? No meio católico, para também demonstrar, com seu bom exemplo, o equívoco cometido por este.
Caminhamos para o caos e o fazemos entorpecidos pelas ilusões. A natureza ameaçada por nossa ignorância e nosso egoísmo. Que adiantará todo o progresso intelectual? Toda a riqueza que possa ser produzida? Os ritos religiosos para que servem? Deus precisa sair do papel e da boca dos homens e ganhar a mente e o coração destes.
Precisamos de religião? De quem nos conduza? Por que? Se a mais de 2000 mil anos um homem chamado Jesus acendeu uma luz dentro de cada um de nós. Então por que ainda insistimos em caminhar no escuro? Estudemos, trabalhemos, e que cada um de nós respeite e ame a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

*Publicado na imprensa escrita de Rio Claro em 16/05/2007.

Um comentário:

  1. Muito bom seu texto, como sempre, aliás.Parabéns.Arnoldo Pimentel

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