terça-feira, 12 de janeiro de 2010

À MODA DA CASA – PIZZA EM BRASÍLIA


*Artigo publicado no site do JORNAL RIO CLAROhttp://www.jornalrioclaro.com.br/categoria/j-costa-jr/
O que se salva na política brasileira? Pouca coisa. Ou quase nada. Através da imprensa, acompanhamos estarrecidos, porém, conformados, mais um escândalo se transformar em pizza pelas mãos hábeis do governador José Roberto Arruda, do Distrito Federal.
Hoje, sem partido político, o governador pertencia ao DEM (Democratas) quando a notícia de um suposto “Mensalinho” em seu governo veio à tona.
Mas, Arruda, que em termos de habilidades ilusionistas é capaz de deixar Houdini, Copperfield e até Mister M no chinelo, quis convencer que as imagens gravadas por câmera secreta que o mostram recebendo dinheiro ilícito, na verdade, não passam de um mal entendido. Por sinal, terrível mal entendido. Que o obrigou a proferir discursos comoventes de teor Mea Culpa e até a se desfiliar do partido que o abrigava. Partido que, por sinal, prega a moralidade e a lisura com a coisa pública pelos quatro cantos do país, mas que não se constrangeu em receber em suas fileiras, o ex-senador Arruda, assumido exímio violador de painéis de votação do Senado.
Agora, lança mão das armas que possui e, através de sua influência, por incrível que pareça ainda significativa, define e manipula comissões que tratarão de desfenetrar todos os pedidos de impeachment dirigidos contra ele.
No vácuo do governador, o presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Leonardo Prudente, que, apesar de todas as manifestações públicas contrárias, reassume sua posição de destaque e a primeira medida que toma é fechar ao povo a casa do povo, ele que é – será que ele sabe disso? – representante do povo, eleito pelo povo. Não, acho que ele não sabe. Ou, assim como a maioria dos políticos deste país, é desprovido da virtude que diferencia as pessoas de boas e más intenções: a vergonha.
Em um primeiro momento, percebe-se que Renan Calheiros e José Sarney fizeram escola; que Collor, apesar de toda sua pseudo-inteligência, prepotência e esperteza, foi na verdade, um idiota, que, agora tenta recuperar o tempo perdido; que Maluf, por sua arrogância e auto-suficiência natural e origem estrangeira, foi boi-de-piranha, e que nós todos, eleitores e cidadãos somos um bando de otários incultos que nos preocupamos em saber quem morrerá no capítulo final da novela das 9, quem vai pra roça na Fazenda, e quem são os participantes do novo Babacas e Bobocas, digo, Big Brother, ou ainda, sobre o escabroso Plano Nacional de Direitos Humanos, defendido com unhas e dentes pelo Secretário Paulo Vannuchi, que promete fazer beiçinho se o mesmo não for aprovado na íntegra pelo presidente Lula, em cujas mãos a batata assa. Mas não nos interessamos e não nos preocupamos nenhum pouco em selecionar, através do voto, aqueles que farão as leis que interferem diretamente em nossas vidas e decidirão os destinos do nosso dinheiro ganho honestamente, diferentemente de alguns, com o suor do nosso trabalho.
Todavia, a triste história da corrupção em nosso país, que, a continuar nosso descaso enquanto cidadãos, ela renderá ainda muitos capítulos, começa bem antes. No momento em que o espermatozóide encontra o óvulo e dá origem a esse ser chamado Brasil. Basta ler a 1808, livro do jornalista e escritor Laurentino Gomes. Ali se encontra o código genético dessa classe que faz os brasileiros ter vergonha de si mesmos: a classe política. 

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