domingo, 3 de janeiro de 2010

DALVA DE OLIVEIRA: RAINHA SEM REINO


A Rede Globo traz a partir de segunda-feira, 04, a minissérie “DALVA E HERIVELTO” assinada por Maria Adelaide Amaral. No elenco, a sempre competente Adriana Esteves, no papel da cantora Dalva de Oliveira e Fábio “Ex-Muito Louco” Assunção de talento igualmente inquestionável, senão o melhor ator de sua geração, interpretando o compositor Herivelto Martins.
A idéia é mostrar o tórrido e tumultuado romance entre a rio-clarense (opa, perdão Dalva) e Herivelto.
É possível que o telespectador logo perceba de que já na década de 40 tudo valia a pena no mundo artístico para chamar a atenção do público e assim vender mais alguns disquinhos.
Dalva de Oliveira, como todos sabem (o quê?!) nasceu em Rio Claro/SP. Embora não gostasse muito de lembrar-se disso, exceto da sua infância, mas isso não conta, porque, da infância, geralmente (claro, há exceções) todo mundo gosta de lembrar.
Ela torcia o nariz para Rio Claro e com toda a razão, porque, em verdade, e Dalva tinha consciência disso, os formadores de opinião da época (leia-se: os desocupados do Jardim Público – ah, eles continuam existindo!), os homens mui-cultos da imprensa radiofônica e escrita, e, claro, eles, os padres, e as comadres das janelas dos casarões da região central da cidade, enfim, todo mundo, vai, diga logo de uma vez, tinha inveja dela e achavam na pureza dos seus corações e mentes que ela, Dalva de Oliveira, por ser artista, era um mau exemplo made in Rio Claro produzido para o mundo.
Mas, o tempo, é o senhor da razão. Passados décadas, ninguém se lembra daquelas pessoas, a maioria de nós, graças a Deus, sequer sabe que existiram. Dalva, por sua vez, merece uma minissérie da TV Globo. O que convenhamos se não é o bastante para homenageá-la, também não é pouca coisa.
Rio Claro, desse modo, carrega consigo, o remorso incurável de ter renegado aquela que pode ter sido a sua filha mais ilustre. Diferentemente de Ulisses Guimarães, ela realmente nasceu neste chão abençoado de São João Batista do Ribeirão Claro.
Aliás, pensando bem, é próprio de Rio Claro renegar os seus. Por alguma razão idiota, em determinada época de sua história, a Câmara Rio-clarense retirou o São João Batista do nome da cidade reduzindo-o simplesmente a Rio Claro. Não me consta que São Carlos, São José do Rio Preto, São José dos Campos, São Paulo, pra citar algumas cidades, tenham feito o mesmo. E, por ironia do destino, são cidades que alcançaram um progresso jamais visto nem de perto por Rio Claro.
Mas, falemos de Dalva de Oliveira, a maior cantora brasileira da Época de Ouro do Rádio.
A melhor definição para a relação de amor e ódio entre Dalva e os rio-clarenses, foi dada recentemente pelo ilustre advogado Dr. Jouber Turolla, que, além de fã assumido, possui vasto material de pesquisa sobre a cantora. Ele assim se expressa: “Rio Claro sempre teve o perfil de cidade conservadora. Na década de 40, o artista era visto com discriminação. Era o caso de Dalva de Oliveira, de origem humilde e mulata. Esse conservadorismo, na verdade, escondia certa inveja”.
Pois se Dalva desfraldou a Bandeira Branca para o seu grande amor, Rio Claro, condoída e cheia de remorso e arrependimento tenta fazer o mesmo há muito tempo sem jamais conseguir. E certamente jamais conseguirá. Porque já é tarde. Perdeu-se a oportunidade. A cidade precisa deixar o seu orgulho de lado, característica que lhe é peculiar, e homenagear e respeitar os seus filhos enquanto são vivos.
Em meados dessa década que chega ao seu final, o prefeito Claudio de Mauro, que durante sua administração, procurou incentivar bastante a produção cultural da Cidade Azul, urbanizou um espaço ocioso existente ao lado de um dos cruzamentos mais movimentados da cidade tornando-o uma praça moderna, bonita e agradável de freqüentar, a qual deu o nome de Dalva de Oliveira.
Era hábito – não sei se atualmente acontece – as pessoas reunirem-se ali aos domingos, aos finais de tarde, para fazer serestas e relembrarem antigos sucessos da era de ouro do rádio brasileiro, período que Dalva de Oliveira, por seu talento excepcional, fora soberana.
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DALVA DE OLIVEIRA: RAINHA SEM REINO
Dom, 03 de Janeiro de 2010
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