quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM

A notícia dada sem grande destaque nas páginas internas do centenário Jornal Diário do Rio Claro, na edição de hoje, chama a atenção pelo inusitado. O reaparecimento, depois de 178 anos (Rio Claro conta 182) da Sociedade do Bem Comum. Essa como aquela surge de maneira misteriosa. Segundo informe do jornal seis cidadãos insatisfeitos com os rumos da administração pública reuniram-se em ato solene em 01 de dezembro de 2009 com tal finalidade. Em seu 1º. Álbum de Rio Claro, editado em 1922, conta-nos o Dr. José Romeu Ferraz, que fora o reorganizador do diretório político do Partido Social Progressista de Rio Claro, e chefe da Casa Civil do governador Lucas Nogueira Garcez (1931-1982),  que a Sociedade do Bem Comum original foi criada em 1832, por vinte e oito dos mais ilustres homens de Ribeirão Claro (a antiga denominação da cidade) na casa do Capitão Estevam Cardoso de Negreiros com o objetivo de defender os interesses e promover o progresso local. Após anos de atuação constante e realizadora desapareceu definitivamente em 03 de janeiro de 1839, após três anos de inatividade. Na derradeira sessão o acontecimento de maior destaque, conforme nos relata o Dr. Ferraz, foi da posse do Padre Manoel Rosa de Carvalho como vigário em substituição ao padre Delphino da Silva Barbosa, um dos fundadores de Rio Claro. Coube ao Padre Rosa levar adiante a construção da Igreja Matriz (a primeira). O Padre Delphino, que, doente, permanecera em Rio Claro, morreria no ano seguinte.
No período de sua existência, a Sociedade do Bem Comum, a original, supriu a ausência das ações em benefício de Rio Claro, por parte do governo estadual (à época província) e também do governo municipal que se via impossibilitado de fazê-lo por falta de recursos.  Por isso teve atuação decisiva nas melhorias da qualidade de vida reclamada pelos rio-clarenses naquele tempo. Desapareceu quando os poderes constituídos passaram a ver Rio Claro com outros olhos devido o aumento significativo da população.
Especula-se que, com outros nomes e sob outras “bandeiras” e ideologias, a Sociedade do Bem Comum jamais deixou de existir em Rio Claro, interferindo na vida cultural e política da cidade, em alguns momentos, de maneira decisiva.

Se a nova obterá êxito, se é uma reinvenção da original, só o tempo dirá. Desejamos, contudo, boa sorte. E que esta boa sorte signifique verdadeiramente o mesmo para toda Rio Claro, e não apenas para alguns.
Foto ilustrativa: Igreja Matriz de São João Batista de Rio Claro/SP, cuja construção foi aspiração da Sociedade do Bem Comum de Rio Claro.  Fonte: http://www.visiterioclaro.com.br/

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