domingo, 28 de fevereiro de 2010

"JE NE FAIT RIEN SANS GAYETÉ"

Faleceu neste domingo, 28, em São Paulo, o bibliófilo José Mindlin, aos 95 anos.
No jornalismo, ele iniciou-se ainda adolescente trabalhando como redator no jornal O Estado de São Paulo.
Foi secretário estadual da cultura paulista, durante a gestão do governador Paulo Egydio Martins e membro das Academias Paulista e Brasileira de Letras.
Em sua vasta biblioteca que contém a coleção Brasiliana Guita e José Mindlin, parcialmente doada à USP, estão raridades como a primeira edição de Os Lusíadas (1572) e um original do Padre Vieira, além dos manuscritos de Sagarana de Guimarães Rosa. A coleção composta de Literatura e de manuscritos históricos com cerca de 17000 títulos (40 mil volumes) ganhará prédio próprio projeto acadêmico da Universidade de São Paulo.
Mindlin era também empresário, ex-dono da Metal Leve, fábrica de autopeças. Filho de um dentista judeu de origem russa herdou do pai o interesse pela cultura. Estudou Direito na USP e fundou a Livraria Pathernon, em São Paulo.
Seu lema de vida era a máxima do filósofo francês Montaigne: "Je ne fait rien sans gayeté" (Não faça nada sem alegria). Se pelo menos a maioria de nós pensasse assim...

sábado, 27 de fevereiro de 2010

SEM MAIS PALAVRAS

Assista ao vídeo e perceba como é atual muito do que dizia Gláuber décadas atrás.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

GRATIDÃO

Nos teus momentos de desânimo e incerteza, lembre-se de que você nunca esteve só. Lembre-se daqueles que, de alguma forma, se dedicaram a você. Sua mãe, seu pai, seus irmãos, seus avós e parentes e amigos, com os quais você sempre pode contar. E se não os teve, certamente não lhe faltou em algum momento de sua vida um cãozinho ou um gatinho pra dividir a solidão com você. Ou um passarinho que se sujeitou à gaiola apenas para que você tivesse com quem conversar pela manhã.


Lembre-se dos seus professores, do seu primeiro patrão que lhe pagou o primeiro salário do qual você nunca se esquece, embora tenha durado tão pouco no teu bolso.

Alguma vez na vida um amigo lhe deu uma carona, dividiu o lanche com você enquanto ouvia o seu desabafo.

Porque Deus não desampara ninguém. Ele, pai de infinita bondade que é, sabe a medida certa de nossas forças e do nosso merecimento.

Olhe para trás. Encontrará ao menos uma pessoa que tenha se dedicado à você em algum momento de sua vida e que desejou a sua felicidade, o seu êxito sem esperar nada em troca. Porque é nos momentos bons da vida dos quais todos nós temos alguma lembrança que podemos buscar forças para suportar e superar as vicissitudes necessárias ao nosso aprendizado.

Apenas este como se não houvesse tantos outros é motivo o bastante para que você dê o melhor de si a si mesmo e ao seu semelhante. É o mínimo com o qual você pode agradecer.

E não se estranhe que tudo melhore em sua vida, quando tomar essa decisão. Porque além destes que fazem parte da história de sua vida, você estará agradecendo aquele que mais fez por você até hoje: Deus.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

VIDA e ENCANTO

Tudo seria mais fácil ao ser humano, aceitar suas dores e fracassos pudesse ele observar melhor a natureza e compreender os seus ciclos de existência, transformação e evolução que em nada diferem do homem. Mas vivemos em selvas de pedras, sufocados por anseios imediatos e de duração efêmera, vivemos em busca de prazeres inúteis, portão que leva ao caminho de nossas desgraças. Feito pirilampos buscamos a luz para morrer. E, como Sêneca, sabemos o que é certo, mas sempre escolhemos e fazemos o que é errado. Então, diante de uma lápide olhamos para o que restou de nós e lamentamos o nosso infortúnio até que alguém se compadeça e nos estenda a mão. Feito pássaros feridos somos socorridos, e quando prontos, de novo alçamos vôo. Muitas vezes, apenas para compreendermos que embora tenhamos asas o céu ainda não nos pertence porque ainda não aprendemos a voar.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

MENINOS E MENINAS, EU VI

Tentaram ridicularizar os anos 80. A tarefa coube aos moderninhos do século XXI. A moçada da Web, dos Ipod’s e Ipad’s. Não adiantou. A música, a literatura e o cinema daquela época não perderam admiradores e conquistaram outros.

Costuma-se dizer que as revoluções culturais ocorrem a cada 40 anos. A mais significativa da história recente da humanidade foi a contracultura dos anos 60. Portanto, deveríamos estar vivendo agora uma nova revolução. Mas não é o que se verifica. Porque a esperada revolução já aconteceu. E foi nos anos 80, quando surgiram os protótipos de tudo aquilo que hoje se constitui a multimídia e introduzidos comportamentos mantidos até hoje. Alguns, nada apreciáveis, como por exemplo: tornar-se alcoólatra e iniciar a vida sexual cada vez mais cedo Nada a estranhar. A geração jovem dos 80, ou seja, os tiozinhos quarentões de agora, é mesmo apressada. Tudo aconteceu cedo demais para ela: os prazeres inúteis, os casamentos (em geral destruídos), as carreiras promissoras que acabaram frustradas. Pra tudo terminar boa parte das vezes em “Eu moro com meus pais” como costumava cantar Renato, discípulo de Rousseau.

Pertenço a esta geração. Rompi a barreira dos quarenta faz alguns dias. E, confesso, não esperava por isso. Eu fui à contramão da história. Evidente. Como bom paulista e admirador de Mário de Andrade: “Non ducor, duco”. Quebrei a minha cara? Sim. Mas não fui só eu. E a desgraça alheia de certa forma me consola. Quando se está na guerra, que importa perder um braço quando há cadáveres insepultos por toda parte que se olhe?

Penso que cada geração é o retrato de um determinado momento da sociedade. São os adultos que definem o jogo e suas regras. Mas os jogadores são os jovens. Não por acaso, só se sabe de fato o que é vencer quando se tem 20 anos. Quando se tem 40 não se vence. Apenas cumpre-se a obrigação.

Jovens trapaceiam a vida sem remorso e sem pudor. Jovens põem o pescoço ao machado. J. D. Salinger, morto recentemente, compreendia bem isso. Aos 20 anos, o escritor conheceu a guerra e viu o quanto se torna insignificante a boa fé humana frente à estupidez de meia dúzia de idiotas. Seu alter-ego Houlden Caulfield de O Apanhador no Campo de Centeio preste a ingressar na juventude percebe a falta de significado da vida e aliena-se em sua ironia vingativa.

Não se muda o mundo porque se é jovem, lamento informar. Porque o ser humano passa pelo tempo. E aos poucos percebe que é apenas dentro de si, que tudo pode e deve mudar. Por fora, jamais. Pois é a sua marca. É ela que fica mesmo depois que se deixa de existir.

Foto ilustrativa: Capa do CD Siberia de Echo and the Bunymen

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

CLAQUETE

Nos idos de 1960 e qualquer coisinha, as tele-novelas surgiram nos lares brasileiros, através daquele aparelhinho recém introduzido no cotidiano das pessoas chamado televisor. Sim, isto mesmo, nada de televisão. Televisor. Sem cores, cheio de chiados, imagens distorcidas. Mas era novidade. Como nada jamais visto antes. Então, foi bem aceito.

As primeiras tele-novelas beberam da fonte inspiradora dos clássicos da Literatura universal. E pasmem os desavisados. Eram ao vivo. Nada de vídeo-teipe. Assim foi nas extintas tevês Excelsior e Tupi. Até o surgimento da... Maestro, que rufem os tambores: Rede Globo. Que surgiu de fininho, como quem não quer nada, mas, em pouco tempo, tomou conta do pedaço. Muito graças à sua parceria com o grupo norte-americano Time Life e sua proximidade com o regime militar. Surgia o padrão Globo de qualidade, cujo selo trazia a marca inconfundível das tele-novelas. A partir do final dos anos 60, e durante toda a década dos 70 e 80, as tele-novelas globais eram escritas pelos melhores autores e traziam no elenco os atores e atrizes mais bem preparados geralmente oriundos do teatro. Além de uma produção digna de Hollywood, com recursos tecnológicos que as concorrentes, naquele período, jamais puderam alcançar.

Mas importante é lembrar que, naqueles tempos, em se tratando de televisão tudo era novidade no Brasil. E bicho mais curioso que o ser humano ainda está pra surgir. A Globo nadou de braçada e soberana durante décadas. Em 1973, Dias Gomes retratou o que é a política no Brasil em O Bem Amado. Dois anos mais tarde, Janete Clair, então sua esposa, discutiu questões sociais em Pecado Capital. Anos depois, Gilberto Braga tratou da readaptação difícil de ex-presidiários em Dancin’ Days (1978), que, também iniciou a tradição das tele-novelas ditarem modas, como a meia soquete colorida, a sandália de salto agulha e, é claro, a febre das danceterias. Já na década de 80, Roque Santeiro (1985) também escrita por Dias Gomes tomou conta do imaginário popular e atingiu índices de audiência jamais repetidos com persoangens e tramas que pareciam saídos das melhores fábulas. Se algo pode mensurar a penetração desse folhetim nas famílias brasileiras, basta dizer que uma criança de 5 anos chorou ao término da trama. Correção: Uma de que tive notícia. Mas, na verdade, milhares, dezenas, centenas de milhares. De crianças, jovens, adultos e idosos. Sem exagero. A tele-novela é uma das poucas expressões artísticas que conquistou público e admiradores em todas as faixas etárias, atingindo todos os níveis sociais e intelectuais.

Na verdade, as tele-novelas tornaram-se o espelho dos telespectadores, cuja realidade, nelas via representada. No Brasil, ela significa de certo modo, o mesmo que a Literatura nos países europeus.

Mas toda a fórmula se esgota. Todo modelo é superado. E como disse certa vez o guitarrista Dado Villa-Lobos da Legião Urbana “O pra sempre sempre acaba” . Hoje, a impressão que se tem é que as tele-novelas são todas iguais. As mesmas estórias, e suas tramas, enredos e desfechos exatamente iguais. Na atualidade, é, infelizmente, um curso superior à distância de como praticar maldades ou se sujeitar a elas. Acompanhar tele-novelas tornou-se um hábito para a maioria dos brasileiros que a ele já não importa tanto a qualidade e, menos ainda, a ausência de novidade. Por sinal, em um mundo onde tudo se propaga e muda a cada instante, o que é e o que pode ser novo? As tele-novelas não têm essa resposta. Até porque essa busca não lhe é permitida. As pesquisas de opinião pública é que determinam sobre o que deve escrever o autor e que destino deve dar à trama e aos personagens que ele já não cria, mas, reconfigura. Precisa mesmo ganhar muito bem pra se sujeitar a essa rotina e esse tédio.

Assim como na Literatura, a grande sacada da tele-novela é começar o romance com uma tragédia, um fato inusitado, sobre o qual se estabelecerá o fio condutor da trama. O mesmo acontece com o desenvolvimento de tramas paralelas que, grosso cômodo, servirão de calçada para a rua que se pretende pavimentar. Mas atrás dessas calçadas haverá casas, e estas terão portas e janelas que levam a diversos cômodos habitados por pessoas das mais diversas classes sociais, crenças, opiniões, hábitos e costumes. Presto! – diria o italiano. Restará saber então quem morre quem nasce quem fica rico, quem fica pobre e quem casa com quem. E isto será definido não pela imaginação do autor mas pela preferência popular apontada nas pesquisas de opinião pública das quais se encarregam as emissoras. Eis a estória, eis a tele-novelas, que, nos seus primórdios, arrisco dizer, era apenas Teatro e Literatura filmada.

Nota do Redator: O Bem-Amado (1973) foi a primeira tele-novela a cores exibida no Brasil. Na foto ilustrativa, Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo) com as Irmãs Cajazeiras: Dorotéia (Ida Gomes), Dulcinéia (Dorinha Duval) e Judicéia (Dirce Migliaccio).

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

RETRATO

"Por dentro, tudo pode e deve mudar; por fora, jamais. É a sua marca. É ela que fica, mesmo depois que você se vá". - J. Costa Jr.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

DEUS NA FILA DO SEGURO DESEMPREGO

A vovó – a minha, a sua, finado leitor, enfim, a de todos – dizia que papel aceita tudo. Não sem razão. Disto já sabiam Irineu, Jerônimo, Agostinho, os mui doutos da Igreja Católica, e mais adiante, os monges copistas, e antes disso, os imperadores romanos. E, mais recentemente, os filósofos do século XIX, como Nietzsche, o sujeito bigodudo, sisudo, retraído e meio esquisitão como todo bom alemão, que meu amigo Lourenço Favari (pelo menos até o final do ano passado, definia como o frasista mais cara de pau da história da humanidade, no que data vênia, eu devo concordar com o Lora ipis is literis).


Também os filósofos do século passado dentre os quais, Witt... (lá vem outro daqueles difíceis!) Espera aí finado leitor deixe-me recorrer ao pai dos burros moderno. Sim Mr. Google, help me. Ok. Começa com W. Bom, mas isto eu sabia. E depois temos um... Deixe-me ver, só um instantinho... Ah, sim! Aí está: Ludovico. Na verdade, Ludwig. Mais conhecido pelos botecos austríacos como Wittgenstein. Enfim, esse sujeito de nome difícil, cara de aloprado e dono de idéias mirabolantes como, por exemplo: a lógica tem um significado ético e religioso.

Influenciado em princípio por Schopenhauer, tomou conhecimento das idéias de Tolstoi durante a primeira guerra mundial e, acreditem seu objetivo menos ambicioso era solucionar de vez o problema da filosofia. Por falar nisso, finado leitor, qual o problema da filosofia?

Bem, a coisa vai por aí, eu mesmo, relés aprendiz de escriba, consumi laudas e mais laudas para dar vazão às minhas idéias que certamente fariam – se não fez – meu avô Atílio revirar na tumba.

Há gente demais no mundo, eis a verdade; gente demais escrevendo, gente demais desejando as mesmas coisas. E isso, de certa forma, atrasa o progresso da humanidade porque aquilo que realmente vale a pena (não é o caso deste texto, evidentemente) se perde no todo do nada que se tornou a mente humana do século XX e que paulatinamente atingirá o seu ápice neste século XXI. Ou seja, todos nós seremos sarados e esbeltos estúpidos. Uma situação desesperadora, deprimente senão humilhante, em que o ser humano se tornou simplesmente um ser que produz e consome e que se acredita detentor de todos os direitos, e dono de verdades absolutas, que o fará certamente daqui algum tempo mandar Deus para a fila do seguro desemprego. Enfim, aqueles dentre estes que realmente escrevem e pensam são obrigados como que a pisar em ovos ou atravessar pântanos ou se desvencilhar de teias de aranha porque a democratização ao acesso aos meios de comunicação faz com que idéias que realmente interessam e signifiquem alguma coisa que mereça a atenção se percam ou, se sobrevivem, não ganham a repercussão devida e, dessa forma deixem de ser assimiladas seja pelos formadores de opinião pública ou pela própria. Afinal uma maneira eficiente de esconder alguém ou alguma coisa é misturá-la entre muitas outras de modo a dificultar sua identificação.

Finado leitor, eles não querem que pensemos. Por isso nos entorpecem com tantas formas de estímulo aos prazeres inúteis cada vez mais acessíveis a todos. Porque sabem que se não pensamos não agimos. E nossa inércia é o que eles precisam para se manter no poder e decidir sobre nossas vidas sem que nos apercebamos disto porque estamos entorpecidos pelos prazeres inúteis que eles nos oferecem todos os dias, a cada instante.

Fenômeno escabroso que também se verifica é o da mania em se listar pessoas com objetivo de estabelecer padrões outra praga da ambição humana.

A cada dia nos deparamos com listas de melhores do mundo. Seja lista de cães, livros, atletas, atrizes, cantores, músicas, filmes e jogadores de futebol. Toda semana sai uma. Até parece pesquisa eleitoral. Nem Nick Hornby que valorizou essa mania ridícula com o seu romance Alta Fidelidade talvez aprove a iniciativa.

Quem organiza alguma coisa visa algum interesse senão vários. O primeiro, sem dúvida é estabelecer o seu poder sobre um determinado espaço, uma determinada célula da sociedade. O segundo é enriquecer-se à custa da boa fé e ignorância alheia. E as religiões são os melhores exemplos disso; os governos, outros.

Uma sociedade livre só será possível quando a maioria das pessoas respeitarem-se umas às outras. E isso significa essencialmente não exceder aos seus direitos, compartilhar o seu conhecimento e as suas conquistas de ordem humana e espiritual.

Não basta ter leis escritas e em vigência se estas não são respeitadas. A verdadeira lei é saber discernir o certo do errado. Não fazer ao outro o que não gostaríamos que nos fizessem. E o único tribunal infalível e que não pode ser enganado é o da consciência.

É triste, muito triste mesmo, chegar ao final do primeiro decênio do século XXI com incomoda certeza de que este cenário ainda é apenas uma utopia.

Entretanto, independentemente da má vontade e do egoísmo daqueles que estão tendo e desperdiçando a sua oportunidade o progresso é inevitável e alcançará a todos nós por mais que, movidos por nosso orgulho e egoísmo, resistamos a ele.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

MANDELA DAY

Hoje pode parecer absurdo de tão estúpido. Mas Nelson Mandela permaneceu na prisão de 1964 a 1990 por lutar pela igualdade racial num país de maioria negra dominada por brancos. Foi libertado em 02 de fevereiro. Frederik de Klerk´que à época governava a África do Sul foi o último presidente durante o período do Apartheid. Em 1988 a banda escocesa Simple Minds escreveu a canção Mandela Day apresentada durante uma série de concertos (Freedomfest) que tinham por objetivo chamar a atenção para os graves problemas verificados na África do Sul em decorrência do regime segregacionista.