sábado, 27 de março de 2010

LOVE IN THE AFTERNOON

Há duas maneiras de se conviver com a revolta: destruir a si e aos outros, ou fazer poesia e rockn’roll. Cedo se descobre isso. Eu, incapaz de aprender a tocar algum instrumento, resolvi escrever, acreditando fazer poesia. Saiu uma prosa meio mal acabada, que, quando muito, entretém o leitor. Foi o que se pode arrumar. A revolta ainda existe. Está aqui dentro desse espírito jovem que se recusa envelhecer. Está adormecida. Submetida a um sonho hipnótico através do qual tento, às vezes, confesso, em desespero, tentar convencê-la que a força depende apenas de direção pra fazer diferença entre lágrima e riso. Afinal, tudo é energia. E a revolta, nada mais é que a energia conduzida cegamente. Ironia. Vou perdendo lentamente uma das vistas, a esquerda, enquanto meu espírito se esclarece, começa a enxergar mais e melhor. Raro é o dia em que não me surpreendo um pouco mais leve, um pouco mais limpo. Compreendo agora o que é ser bom e fazer o bem. E a importância do esforço e a persistência, a tenacidade que isso exige para espíritos como eu, cheio de vícios, erros, contradições... Revolta.

Sim, você mesma, indefectível dama, permaneça aí. Não se assanhe a cada vez que ouço Índios ou coisa que o valha. A cada vez que Perfeição aparece nos meus sonhos debaixo do chuveiro e me faz lembrar o que somos e que somos tão jovens. Apesar do espelho.

Seria mesmo ridículo ver Renato e sua Legião em um palco de alguma festa do peão por esse mundo à fora. Graças a Deus isso não aconteceu. Porque Renato não se repetia, reinventava, relia, refazia tudo em três acordes. Ele sim era um Mago. Porque além de escrever, lia as almas. E porque as lia, escrevia.

Fez história. Sobreviveu a um aborto elétrico, saiu da cadeira de rodas para o mundo chamado Brasil. Que como poucos soube entender. 
O sonho acabou? Claro que sim. Sonhos são para sempre. E o que é para sempre, sempre acaba. Não é mesmo Dado?

Engraçado que eu também tive um amigo chamado Marcelo. Ou melhor, dois. Só que eu não me chamo Renato. Embora, na minha adolescência, muitas vezes, desejei que sim.

Hoje não. Hoje o que menos importa para mim são os nomes. Até porque, ainda não compreendi muito bem, quando sou eu e quando são eles que escrevem. Dumas sabia. Eu não sou Dumas. Nem o pai, nem o filho.

Eu sou apenas o cara tão jovem que ainda acredita ter todo o tempo do mundo.

3 comentários:

  1. Renato Russo, nossa, andei lendo muitas coisas hoje, devido ao tributo de seu 50 anos.
    Fico cada vez mais emocionada, com certeza foi a perda de um tesouro.
    Faz grande falta essa figura que será eterna, e eu espero que esse pra sempre nunca acabe!

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  2. Parabéns pelo texto Jota, é sempre muito bom ler o que escreve.Arnoldo Pimentel

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  3. Parabéns pelo seu blog. Está a cada dia mais bonito.
    Ingressa no Facebook. No mesmo você pode colocar seu blog e suas postagens percorrerem o mundo.
    Uma FELIZ PÁSCOA
    Da amiga Alessandra

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