sexta-feira, 30 de abril de 2010

QUANDO DOIS GÊNIOS SE ENCONTRAM...

Em poucos minutos, muitos assuntos discutidos com brilhantismo por dois dos maiores intelectuais brasileiros. Pasmem. A entrevista foi ao ar pela TV Globo, em 1977. 

UM DEPUTADO FEDERAL PARA RIO CLARO

Por ora as partes não admitem, mas o cenário está propício. Nevoeiro Jr. abriria mão de sua candidatura para deputado federal e apoiaria a de Lincoln Magalhães. Ambos sairiam bonito na fotografia para o eleitorado rio-clarense, que, como todo bom brasileiro, adora historinhas comoventes desse tipo. Nevoeiro, porque, reconquistaria, em tese, a simpatia de parte significativa dos eleitores, os mais jovens, principalmente, perdida nas últimas eleições municipais, recompondo assim as forças para uma nova candidatura a prefeito daqui a três anos. Nevoeiro sabe e gosta é de ser prefeito. E Magalhães teria o caminho aberto pela frente para voltar ao cenário político de maneira triunfante.

Magalhães teria mais condições para enfrentar a batalha. É, aliás, sempre foi do PMDB, o que demonstra sua coerência política, virtudes das mais apreciáveis para o eleitor de perfil conservador como o rio-clarense. O PMDB está no poder em Rio Claro e em Brasília, onde, tudo levar crer continuará (aguardem e verão). Por essa razão, Magalhães teria o apoio necessário para realizar uma campanha à altura do que o desafio exige. Empresário bem sucedido, sobretudo no ramo da comunicação, tem o perfil agregador, próprio dos homens realmente democráticos que colocam o interesse da coletividade acima dos interesses pessoais. Além disto, teria o trânsito livre entre os caciques do seu partido, dos quais goza de respeito e credibilidade. O fato de ao longo dos últimos anos, mesmo estando fora das disputas eleitorais, ter mantido a postura ética e democrática, corrobora os ideais de seu partido.

Por essas e por outras razões os ventos soprariam a favor de uma eventual candidatura de Lincoln Magalhães a deputado federal por Rio Claro

E Claudio de Mauro, também ex-prefeito? Sua candidatura esbarraria no compromisso moral e ético assumido por seu próprio partido, o Partido Verde, que decidiu não apoiar candidatos com questões a resolver com a justiça.

O Professor prestaria um serviço muito melhor não apenas à cidade de Rio Claro, mas aos cidadãos do mundo continuasse com seu importante trabalho voltado para a luta da preservação do meio ambiente, esta sim, a questão fundamental neste século XXI para a humanidade. Se bem sucedido, competência não lhe falta, seria por essa razão lembrado daqui 200 anos.



quarta-feira, 28 de abril de 2010

AS COISAS, AS CORES E O TEMPO, E UM SUJEITO CHAMADO NÓS - Por Édi Miller

O passado agora é colorido. Antes era preto e branco, quando muito, sépia. Agora é tudo mais rápido, muito mais chic, e, ao mesmo tempo, mais volúvel. As coisas, opiniões e perspectivas mudam ao sabor do vento ou à menor oscilação de um dispositivo que mede e define os rumos do mundo chamado Bolsa de Valores. O futuro já não é mais aquela coisa que virá. Já chegou. Nova lei de mercado: o mais importante não é pensar melhor é agir mais rápido. Botaram a inspiração no armário. Quem fez isso? Os estrategistas. Houve tempo em que sua ocupação era exterminar vidas e bajular reis. Hoje, atuam na área econômica e tem a finalidade de criar e manter impérios de concretos e fortunas virtuais, que se obtém e se desfaz com um apertar de botão em qualquer parte do mundo.


Um pouco acima de nossas cabeças, Hublle, o telescópio, nos traz imagens de um mundo que sequer imaginamos, a uma distância que não ousamos mensurar. Mas, ainda assim, nos acreditamos únicos. Claro, somos humanos. Os passarinhos, as baratas e as formigas sabem disso. E dão ao fato uma importância tremenda.

Logo teremos por aqui eleições e novo presidente. Seja homem ou mulher, terá em suas mãos a grande e inédita oportunidade de pegar a direção de uma locomotiva a todo vapor. Tomara que o peso da esperança de milhares de pessoas que terá sob suas costas não atrapalhe o percurso.

Rio-clarenses, bem alto cantemos. Mas o momento é agir e não dividir. É de somar esforços para que a cidade seja, por nossas mãos, aquilo que sempre desejamos.

E se aproxima a Copa do Mundo, que poderá terminar em catarse ou tragédia. Onze elementos decidirão o nosso destino. Como se jogássemos com eles. Acha? Quando muito, torcemos. Mas, na maioria das vezes, xingamos. Geralmente o técnico. É mais gostoso.

Mas também existem àqueles que passam à margem dessa realidade. Estão a perambular pelas ruas, esquecidos nos manicômios, orfanatos e hospitais. E quem deles se lembra. Nós? Só agora. Um minuto de silêncio para dois de nossos mais assíduos companheiros: Sr. Egoísmo e Sr. Orgulho.

Há de se ter saudade do tempo em que se batia o cartão às 6 da tarde. Pegava-se o ônibus e se voltava para a casa. A mulher a esperar com os filhos. Todos arrumadinhos e perfumados. O jantar pronto sobre a mesa.

E quando foi que a nossa geração, os quarentões, viveu isso, se não na leitura do álbum de recordações de nossos pais. Geralmente em preto e branco.

Como será o nosso passado? Do que teremos saudade? E quem terá saudades de nós?

Teremos tempo de saber isso? Ou se quer nos lembraremos. Por que logo logo, ali, virando a esquina, estaremos correndo atrás de uma modernidade que insiste em nos deixar para trás.

Texto publicado sob o título "Apontamentos" na edição 16 do Jornal da TV Cidade Livre: http://www.tvcidadelivre.com/

terça-feira, 27 de abril de 2010

PORQUE ME UFANO

São imperdíveis e cada vez melhores os editoriais do Prof. Aldo Zotarelli Jr., no Jornal da Manhã da rádio Excelsior Jovem Pan Sat http://www.excelsioronline.com.br/

É uma das coisas que vale a pena na imprensa rio-clarense. No comentário de hoje, Zotarelli avalia a situação política de Rio Claro e destaca a importância do voto de eleitores rio-clarenses em candidatos locais, nas eleições para deputado estadual e federal deste ano.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

PEQUENOS DELITOS

O próprio Toquinho admite a história. Ele teria se apropriado da letra de Tarde em Itapuã que Vinicius de Moraes pretendia virasse música sob as bênçãos de Dorival Caimmy.

Isso, digamos, não é nada se comparado ao que fez Jean Genet, que, aos 21 anos e recém saído de uma prisão para deliquentes juvenis, tornou-se, pela ordem, prostituto, ladrão e escritor.

Em 2001, deu pano pra manga o plágio de que teria sido vítima o escritor brasileiro Moacyr Scliar. O autor do delito, o canadense Yan Martell com o livro A Vida de Pi, cuja idéia central ou algo além disso, ele teria surrupiado – pra usar um termo bem brasileiro – de Max e os Felinos escrito por Scliar, em 1981. Talvez, antevendo eventuais problemas, Martell até menciona na introdução do seu livro a obra do escritor gaúcho. Até onde se sabe parece que a disputa deu nada. Ou melhor, deu sim: Martell embolsou naquele ano 75 mil dólares de premiação do cobiçado Booker Prize.

Outra famosa pendenga no meio literário foi o livro O Vigarista do Ano que reconstitui a incrível aventura do escritor Cliford Irving que forjou a autobiografia de Howard Hughes. Aviso aos navegantes: Hughes foi um aviador, engenheiro, produtor e diretor de cinema que começou a fazer fortuna quando fabricou o avião de carga Hércules para o exército norte-americano durante a segunda guerra mundial. Pois bem o bilionário Hughes, movido também por excentricidades, ao final da vida tornou-se recluso para ocultar, segundo as más línguas, sinais evidentes de senilidade. Irving, escritor medíocre, mas que de bobo nada tinha, convenceu em 1971 a editora McGraw-Hill de que fora autorizado pelo próprio Hughes a escrever a autobiografia deste. E para tanto, teria apresentado cartas com este teor assinadas pelo bilionário. Soube-se depois que as cartas haviam sido forjadas por Irving e, a poderosa editora que trabalhava em parceria com a Time Life arrependeu-se até o último pelos 5 milhões de dólares adiantados ao escritor espertalhão.

Pra não dizer que só enxovalhamos a moçada boa da Literatura, eis um caso típico envolvendo as artes plásticas. O protagonista, um tal de Elmyr de Hory, foi capaz de cometer façanhas tão incríveis como falsificar Picassos, Matisses e Modiglianis. O sujeito era brilhante a ponto de convencer renomados pintores de que as telas destes senhores falsificadas por Hory eram autênticas. Algumas dessas telas foram parar em museus e arrematadas por colecionadores a custa de valiosas somas, depois de, evidentemente, autenticadas por especialistas. O cineasta Orson Wells viu-se tão fascinado pela repugnante história de Hory que a levou às telas do cinema sob o título de Verdades e Mentiras, documentário produzido em 1974.

E pra fechar com chave de ouro essa breve provocação, citemos Shakespeare, sobre o qual pairam dúvidas sobre a autenticidade de suas obras. Uma das teorias mirabolantes é que na verdade, fora Francis Bacon, o filósofo não o artista, que escrevera, por exemplo, a célebre frase evocada por poetas e coleguinhas dentro do armário: Rufem os tambores! Ser ou não ser, this is the question. Atualmente, a teoria, conspiratória, em nosso entendimento, dá conta de que um sujeitinho insignificante chamado Conde de Oxford seria o verdadeiro autor daquilo que todos, mesmos os mais humildes súditos da Rainha, reputam como o supra-sumo da Literatura e Dramaturgia do Ocidente. Contra si o Bardo de Stratford tem as suposições de que uma pessoa comum do século XVI, sem estudo elevado, não estaria à altura para produzir uma escrita tão fluente que revelam conhecimento de política, direito e línguas estrangeiras. Outro argumento contrário é o rico vocabulário empregado por Shakespeare contendo 29 mil palavras. E antes que Bárbara Heliodoro dê seus gritinhos, saiba leitor que William Shakespeare continua tendo a opinião favorável dos especialistas. Cá entre nós, os que sustentam a teoria de que Shakespeare era um impostor esquece-se de apenas um detalhe. Ele bem poderia não ser essa pessoa simples que ousam afirmar. E afinal, a História demonstra à exaustão que nada impede de haver um gênio entre tantos energúmenos.





domingo, 25 de abril de 2010

CULTURA FINA & MR. BUSINESS

Em entrevista ao Jornal Cidade deste domingo (25), o secretário de Cultura de Rio Claro Nei Pignataro Fina falou dos desafios e projetos que tem à frente da pasta. Segundo o Jornal, disse ele que “O Poder Público tem obrigação de dar oportunidade a quem tem talento”. Sábias palavras, e que revelam as boas intenções do secretário, pessoa culta e preparada para o cargo. Mas, como toda boa intenção resvala na realidade.

No Brasil, as pessoas tendem a considerar cultura e arte como sendo uma coisa só. Quando se fala em cultura logo vem à mente espetáculos teatrais, de dança, música, livros, filmes e, a modinha da vez, o stand up. Mas cultura é muito mais do que isso. É todo o organismo vivo da sociedade. É a linguagem, os hábitos e os costumes, a alimentação, a consciência ecológica e a preservação do meio ambiente, é o exercício da democracia, é o cumprimento dos deveres e a reivindicação deles por motivos que os justifiquem. E a cultura de um país é o resultado da educação que o cidadão recebe. E aí entra o papel fundamental do Poder Público.

Ou seja, não adianta termos talentos da estirpe de Machado de Assis, Cacilda Becker, Rui Barbosa e Villa-Lobos se o trabalho desses indivíduos não chega ao cidadão e quando chega é de maneira distorcida. Se dados do Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) revelam que alunos de escola pública do 3º. ano do ensino médio tem aproveitamento em nível de 8ª. série do ensino fundamental.

É ingênuo também pensar que um trabalho do gênero artístico adquire projeção e reconhecimento apenas por causa da sua qualidade. Até porque isso é muito subjetivo e está sujeito às tendências de mercado.

Um livro, de um único exemplar existirá como objeto artístico e será do conhecimento de seu autor e na melhor das hipóteses de seus familiares e amigos. Mas, independentemente de seu valor literário, para que ganhe projeção dependerá que seja produzido em larga escala, como um produto qualquer que se coloca no mercado à disposição do consumidor. E para que o consumidor saiba da existência desse livro, o mesmo precisará ser divulgado. E para que essa produção e essa divulgação ocorram é necessário investimento. Isso proporciona o que de melhor entendem os senhores de paletó e gravata geralmente sentados em confortáveis cadeiras giratórias e atrás de belas mesas, e que, acredite ou goste o escritor ou não, decidirão o destino de sua carreira literária e normalmente de sua vida. Estes senhores, embora não admitam, atendem pelo nome de Mr. Business.

E agora a notícia boa aos escritores, cantores, músicos, dançarinos, atores e atrizes, mímicos ou palhaços, mágicos, enfim, a mulambada toda. Cada um é apenas uma peça da engrenagem que Mr. Business opera. E nada mais que isso. Igual existem milhares que se sujeitam a essa humilhante corrida feito o espermatozóide em direção ao óvulo. E quem será o eleito? Quem interessar aos senhores do bussines que geralmente pra não dizer sempre, andam de mãos dadas com o Poder Público e com a imprensa. São eles que determinam o que será exposto e vendido à sociedade. Os jornais, as rádios, as tevês, os sites irão divulgar o que seus anunciantes determinarem. Primeiro, porque encontrar jornalista dono de jornal, rádio, tevê e site é como procurar agulha no palheiro. E, sobretudo, porque se para o artista arte significa suor, lágrimas, cãibras, noites mal dormidas e, em sua maioria, dinheiro nenhum no bolso, para os veículos de comunicação, o braço direito, mais cumprido e forte dos senhores Business, significam apenas um modo de ganhar ainda mais dinheiro utilizando-se das inúmeras estratégias que possui.

Se o artista não se importa de passar por esse mundo nas sombras da obscuridade por melhor que seja naquilo que faz, dê bananas ao Mr. Business. Se escritor, aprenda a diagramar e compre uma impressora, ainda que seja de segunda mão. Se artista cênico faça da rua o seu palco e do povão a sua platéia, se cineasta, serve uma velha VHS. Mas, se deseja ver seu livro publicado e na lista dos mais vendidos, seu filme concorrer ao Oscar e seu espetáculo em cartaz na Brodway, procure logo identificar de que modo Mr. Business está ganhando ou pretende ganhar dinheiro com estas coisas. E fique atento porque isso muda ao sabor do vento e das ações nas bolsas de valores. Para Mr. Business, o artista e sua obra devem representar o símbolo, uma referência do seu poder.

Por exemplo: O ator norte-americano John Wayne (1907-1979), famoso no período de ouro de Hollywood, era um artista limitado, mas representava através dos seus personagens exatamente a imagem que a América pretendia vender de si para o mundo através do cinema. Forte, decidido, durão, e, em certos momentos, meigo. O tipo do cara do qual todos podem discordar, mas ninguém é capaz de odiá-lo ou detê-lo. O típico herói.

Foto ilustrativa: cena do filme Cidadão Kane (1941) de Orson Welles.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

EU, MECÂNICO

Não havia um título mais interessante para isso? Não sou mecânico. Habilidade manual? Não tenho nenhuma. E se dela dependesse já teria morrido de fome, ou estaria em um hospício ou penitenciária. Oficina Literária? Eu, mecânico?

Mas, vá lá Verdugo. Rendo-me às evidências. Auê!

Se atravessar o Inferno é preciso, atiro-me contra a parede coberta de cinzas daqueles que neste canto covil, escuro, úmido, fétido, podre, já passaram antes. E saibam todos que desde este momento solene já não falo por mim.

Quer mesmo esta vida miserável para ti? Que seja.

Comece por rasgar todos os livros que estiverem ao alcance de suas mãos! (Tomara não tenha nenhum).

Faça uma montanha e ateie fogo.

Grite, pule e cante e cuspa, e xingue e declame em volta das chamas. Faça isso até esgotarem todas as suas forças.

Ao término, já terá perdido o mínimo de dignidade, o último resquício de lucidez que lhe restava. Portanto, já pode começar o rude, longo, penoso, incerto caminho percorrido pelos aspirantes a escritores.

Se não estiver cansado se sinta feliz, porque não serve para a coisa. Retorne para sua casa e bastante satisfeito por não ter sido picado pelo inseto da Literatura, que faz o sujeito delirar, suar frio, emagrecer a ponto de torná-lo um indigente moribundo, repugnante e desprezível.

Mas se permanecer, prepare-se para a viagem sem volta.

E saiba: Renegue tudo e todos. Ninguém serve e nada presta. Eles são todos idiotas. Você é gênio. E vai lhes mostrar. Por isso, apague de sua mente tudo o que já lera até então. E destrua tudo o que escrevera. Só encontra o caminho quem se perde dentro de si mesmo. Porque este não é guiado, este conduz.

Se for para escrever como os outros já escrevem abandone a idéia. E envergonhe-se de si mesmo. A Literatura é um modelo esgotado. Um remédio de validade vencida, uma folha caída ao chão, um cadáver insepulto, uma página arrancada do diário da vida, que, geralmente, não serve pra nada a não ser expelir o gozo dos infelizes.

Faça o diferente. Não tenha referência. A Literatura possível é aquela que não está nos livros já escritos e nas teorias já formuladas, mas no mundo em redor, onde as coisas acontecem e as pessoas vivem. E o que acontece, onde acontece, como acontece e quem são essas pessoas, e quem elas não são. E o que, onde, como e porque poderia aquelas mesmas coisas acontecer, mas, de outro modo, sob que perspectiva e profundidade? Procure a resposta. Mas para isso cegue os seus olhos. E abra as janelas de sua alma. E veja dentro de você mesmo. Se pergunte quem é você? Certamente não é o que demonstra, mas é o que deseja ser. Então seja. Com a escrita. Porque é para isso que ela te serve. Para suportar a sua indigência espiritual.

Faça. Faça você mesmo. Seja escritor. Seja o novo escritor. Sem medo, sem pudor, sem nenhuma pretensão.

Aproveite o tempo. É a sua oportunidade. Não espere a mão começar a tremer. Não espere pela noite que certamente cobrirá os seus olhos. Escreva. Agora. E quando você sentir vontade de quebrar o lápis, amassar as teclas ou esmagar o rato ao seu alcance terá a certeza de que o fenômeno está se produzindo. E você não falará mais por si mesmo.

Caminhe adiante e não olhe para trás. Construa o seu destino. E saiba que ele ignora o seu ontem. Esqueça a roda. Não tente reinventá-la. Faça com as palavras um novo veículo que faça a alma do leitor voar, enquanto você contempla a beleza do chão imundo onde pariu a sua criação.

E me conte depois a façanha... quando trouxer novamente o seu carro para eu consertar.



quarta-feira, 21 de abril de 2010

221 anos depois, TIRADENTES...

Joaquim José da Silva Xavier fora o único dos integrantes do movimento revolucionário conhecido como Inconfidência Mineira que, durante o inquérito judicial não negou sua participação, diferentemente dos outros integrantes que se acovardaram. Mais, ele assumiu a responsabilidade de chefia do movimento. Acabou enforcado e esquartejado. E entrou para a história como Tiradentes, o Mártir da Independência.

Entrou para a história: Talvez aí esteja a resposta para a pergunta que sempre inquietou historiadores, pesquisadores e pessoas de bom senso. O que fazia um simples alferes em meio a coronéis, padres, oficiais, mineradores, advogados e poetas. Qual era sua intenção? Ou melhor, qual a sua ambição? Os biógrafos revelam um Tiradentes brilhante orador, líder nato, e excelente organizador. Será? Essas virtudes já bastariam para justificar sua participação entre àqueles, e considerá-lo de maneira precipitada um tolo útil disposto a abdicar da vida em favor de um ideal? Curioso é que no dia seguinte à sentença condenatória todos tiveram suas penas comutadas, exceto o próprio Tiradentes, dentre todos, o que não possuía, até onde se saiba influência política e financeira.

Os movimentos políticos, sociais ou religiosos, precisam de um líder, onde se centralizam as idéias, projetos e ambições propostas a fim de torná-las visíveis e compreensíveis, portanto, plausíveis e capazes de convencer. Mas o líder é apenas a ponta do iceberg. Ele é o que aparece, mas não é o que decide. Geralmente, o líder é alguém de poucos recursos financeiros, pouca instrução, e nenhuma influência, mas que possui carisma, é aquele que possui a rara capacidade de convencer quando se pronuncia e quando age. Sabe-se que por trás dos Cesares romanos havia os senadores que os municiavam com conhecimentos e sabedoria. O jornalista e escritor britânico David Icke sugere em seu artigo Era Hitler um Rotschild? (www.umanovaera.com) que o Füher seria apenas um fantoche nas mãos da poderosa linhagem oculta alemã à qual pertenceria face um suposto envolvimento de sua avó materna com o Barão de Rotschild. Durante a Idade Média, sustenta o jornalista, essa linhagem chamava-se Bauer. E Hitler – como conta a história oficial – um artista plástico medíocre, reles soldadinho de infantaria durante a primeira grande guerra e, agraciado com honraria mais por seu espírito lunático que por sua bravura e coragem, anos depois, sairia da cadeia para liderar o poderoso e dominador nacional socialismo alemão. Como conseguiu? E por quê? E para quem? – a história oficial foi desmascarada com o tempo, em face às evidências e conclusões, embora não admitida.

A Inconfidência Mineira, por sua vez, também precisava de um líder. Ou não? Haja vista, esse líder, personificado na figura do Tiradentes, ter surgido apenas após o trágico, porém, previsível destino do movimento. O objetivo era livrar-se da dominação portuguesa em Minas Gerais, e não em todo o Brasil, uma vez que naquele tempo, a idéia de país que hoje predomina não existia. Pretendia-se também acabar com a Derrama que era uma taxa compulsória que a Coroa portuguesa cobrava da população mineira a cada vez que a cota de 100 arrobas anuais de extração de ouro, determinada por lei, não fosse atingida, o que obrigava a população, a completar essa cota.

O esgotamento das jazidas nas Minas Gerais era fato não aceito pela Coroa que sequer se dignava a comprovar isto. Convenceram-se depois. Mas para tanto foram precisos acontecimentos traumáticos, banhados de sangue e vergonhosos (para a própria Coroa) como a Inconfidência e o resultado desta.

Uma conspiração tem como objetivo principal tomar o poder. E depois, é necessário organizar outro. Que papel caberia ao Tiradentes nessa nova estrutura de poder que se pretendia criar em Minas Gerais? Se, de fato, caberia algum papel, a se considerá-lo apenas um alferes em meio a tantas pessoas influentes e insatisfeitas e mais bem preparadas. O que lhe prometeram? De que argumentos se utilizaram para convencê-lo a ter a participação que teve? E, finalmente, fosse ele um astuto, o que suas relatadas virtudes sugerem, mas não comprovam qual a sua estratégia para se aproximar daquelas pessoas, para conquistar a confiança delas e para convencê-las de suas idéias – se ele as possuía?

Que o movimento revolucionário mineiro abrigasse poetas era compreensível, graças à influência que as idéias européias exerciam sobre estes. Mas daí, acreditar que o povo descontente e a tropa sublevada apoiariam a revolução beira à ingenuidade, quando se trata de brasileiros, com todo o respeito que a nossa nacionalidade mereça.

Num período mais recente da história brasileira, os comunistas, liderados por Luiz Carlos Prestes, com a participação de Olga Benário, também acreditaram nisso. E cada um pagou o seu preço. Prestes, com a humilhação de percorrer durante anos e às escondidas um país que também era seu, levando uma mensagem de esperança, de igualdade e de liberdade jamais compreendida e aceita. Olga, com a vida.

Destino idêntico teve Tiradentes. Mas, voltemos às perguntas inquietantes que jamais se calam: Por que ele quis esse destino? Convencido por quem? Motivado pelo quê?

Até que surjam novos documentos ou evidências o que é pouco provável, essas perguntas ficarão sem respostas.

Duzentos e vinte e um anos depois, Tiradentes continua sendo um herói cercado de mistérios.

terça-feira, 20 de abril de 2010

REVISTA CINEMINHA

Vale a pena conferir e acompanhar o website: http://revistacineminha.wordpress.com/ do jornalista, pesquisador áudio visual e cineasta Lourenço Favari, que recentemente finalizou o curta metragem Moto Perpétuo.  Ótimos artigos sobre a sétima arte editados por quem conhece do assunto e traçando uma visão que foge aos padrões convencionais da mídia "oficial". Além de fotos e vídeos, a Revista Cineminha é atualizada semanalmente, e traz sempre novidades. 
As mais recentes atualizações são os artigos: Cinema of Trangression - Stray Dogs, sobre o cinema de Richard Kein, e Chico Xavier nos Moldes de Hollywood, ambos assinados por Lourenço Favari.
E nós também lá estamos com o artigo No Escurinho do Cinema, sobre o gênero pornochanchada do cinema brasileiro.
Já disponível na web o projeto Revista Cineminha deverá em breve chegar à versão impressa.

domingo, 18 de abril de 2010

GRUPO AUÊ DE CULTURA E ARTES APAGA A 1ª. VELINHA

Era por volta de 22h45 há exatamente um ano que o artista performático Thiago Buoro despiu-se de suas vestes para cobrir-se com folhas de alface. Nada demais se o local escolhido para a ousadia – ultraje na visão conservadora de alguns – não fosse um clube de pessoas da melhor Idade, durante evento cultural e artístico que reuniu representantes da Literatura, Artes Cênicas e Visuais, Teatro, Dança e Música de Rio Claro e região.

Esse evento denominado Olha o Auê aí ó! teve o apoio da Prefeitura Municipal, através das Secretarias de Cultura e Turismo, da Sociedade Veteranos de Rio Claro, da imprensa local, em especial o Jornal Cidade, o Jornal Regional e a TV Cidade Livre.

Participaram os cineastas João Paulo “Kino Olho” Miranda, Lourenço “Moto Perpétuo” Favari, Leticia “O Bilhete” Tonon. O músico Emilio Moreira e o Grupo Experimental Overdose Literária, os artistas performáticos, Roberto Sechi, Thiago Buoro e Sandra Bretas. As dançarinas Lara "Academia Napyév" Lazo e Sandra “Castanhola” Brás. Os escritores Jaime “Toque Rápido” Leitão, Sandra Baldessin, Fábio Riani "Binho" Perinotto, Favari “Ista” Filho, Anselmo L. C., J. Costa Jr., Ricardo Leão, Fábio Casemiro e Fernanda Tosin. A Cia. Incômodo de Teatro. E a atriz Michelle Dayane.
A artista Lilian Moreira e a Cia. Enyattos participariam do programa, mas, por motivos profissionais não puderam estar presentes.

Um público considerável e participativo acompanhou interessado três horas e meia de evento. E colaborou com um quilo de alimento não perecível cuja arrecadação foi entregue ao término do espetáculo aos representantes do Fundo Social de Solidariedade de Rio Claro.

Prestigiou também o evento a vice-prefeita de Rio Claro Sra. Olga Salomão, o diretor de cultura popular Sr. Luiz Carlos “Curinga” Rezende, o Secretário de Turismo Rene Neubauer e o Programa Liquidificador da TV Cidade Livre, além de jornalistas e autoridades.

O Grupo Auê prestou especial homenagem com outorga de honra ao mérito ao artista plástico Lacerda como forma de reconhecimento ao seu trabalho.

Pode-se afirmar que esta é a certidão de nascimento do Grupo Auê de Cultura e Artes. E seus genitores: Favari Filho, Ricardo Leão, Lourenço Favari, Anselmo Ceregatto, José Roberto Sechi e este J. Costa Jr. que vos escreve, finado leitor.

O Manifesto Auê, escrito por Ricardo Leão bem demonstra as duas principais características desse menino de nome indígena que hoje completa o seu primeiro aniversário: a ousadia e a ambição.

Em um ano, nenhum recurso, e muita vontade e improviso o Grupo já conseguiu por a mão na massa conforme descreve o relatório de atividades de sua diretoria:

1) Evento Overdose Literária, realizado na MicroGalery Sechisland e na I.U.N.A;

2) Produção do Curta-Metragem Moto Perpétuo de Lourenço Favari adaptação do texto teatral homônimo do dramaturgo Fausto Brunini;

3) Produção do Curta-Metragem ISTA;

4) Evento Sarau Literário Artístico “Olha o Auê aí ó” em abril na Sociedade Beneficente Cultural Dançante Veteranos de Rio Claro que teve apresentação de teatro, performance, literatura, música, dança, cinema e vídeo.

5) Publicações eventuais de artigos literários e de opinião na imprensa de Rio Claro;

6) Oficina teatral no Centro Cultural;

7) Publicação de Informativo em homenagem ao pesquisador Paulo Rodrigues, falecido;

8) Co-Produção do Festival Rock Feminino e organização das Mostras de Cinema, Teatro, Artes Plásticas que integram o calendário de comemorações da Semana da Mulher.

9) Lançamento do livro Poesia Eletrônica – Negociações com processos digitais de Jorge Luiz Antonio, pesquisador escritor, poeta e Doutor em Letras pela Unicamp.

Em próxima postagem estaremos informando sobre o Plano de Diretrizes estabelecido pela diretoria para 2010.

E como o Grupo Auê tem por princípio fazer primeiro para que os outros possam falar depois, isso é só o começo. Os que acreditam que a cultura e a educação podem ser caminhos para o aperfeiçoamento moral e intelectual do ser humano, juntem-se a nós.



MONTEIRO LOBATO: VOZ E OÁSIS NO DESERTO

Na vasta e rica biografia de Monteiro Lobato, das coisas que mais admiro é que por duas vezes ele foi derrotado a uma vaga na Academia Brasileira de Letras por candidatos inexpressivos (a Academia está cheia deles). E recusou uma terceira indicação. Golpe de mestre.

Nacionalista, escritor, tradutor e editor, em um país chamado Brasil, Lobato, com certeza, devia ter alguma desavença com o Homem Lá Em Cima.

Sua aparência sisuda, as sobrancelhas, grossas e unidas, não era um bom cartão de visitas. O que não o impediu de, com sagacidade e determinação ser empreendedor. Nascido em Taubaté, interior de São Paulo, foi um dos mais ferrenhos defensores da causa do petróleo neste país. Fundou a Companhia Petróleos do Brasil e muitas outras posteriormente. Essa sua determinação e empreendedorismo remetem à história de outro baluarte brasileiro João Conrado do Amaral Gurgel que desafiou os interesses do poder econômico nacional e internacional. Ambos perderam a batalha. Lobato tornou-se voz que clamou no deserto durante muito tempo até que em 1939, o ouro negro foi finalmente encontrado no subsolo brasileiro em uma cidade chamada Lobato.

Empreendedor, visionário, intelectual. Lobato tinha virtudes demais algo intolerável em um país povoado de medíocres que mandam, e que, já no século XXI ainda se vê às voltas com enchentes, dengue e analfabetismo.

Até recentemente, a família disputava o valioso espólio literário do escritor, cujos direitos pertencem à Editora Brasiliense, fundada em 1943 pelo historiador Caio Prado Jr., que merecerá uma resenha de nossa parte no momento oportuno.

Monteiro Lobato deveria ser referência para o povo brasileiro. Estudado e compreendido. Exemplo de um homem obstinado por suas ideias e que sabia como poucos que a fé sem obras é morta. Mas não é o que se vê. Lembram-se dele a cada 18 de abril, data em que veio ao mundo. Associam-no ao Sítio do Pica-Pau Amarelo. À Emília, Narizinho, Pedrinho e Dona Benta. Ótimo e compreensível. É uma de suas mais admiráveis obras. Mas Lobato foi muito além. Realizou obra de valor humanístico monumental. O fez em boa parte, sozinho. Contra a indiferença de muitos e a descrença de todos, em um ambiente hostil à leitura, ao conhecimento e à cultura. Foi um bandeirante a abrir picada na mata fechada chamada ignorância, levando quase a todo instante, doloridas picadas de um mosquito chamado Indiferença. Deve ter pagado todos os seus pecados.

A escrita era algo compulsivo em sua vida. Escreveu para crianças e adultos com a mesma qualidade em vários gêneros literários dentre os quais, romances, contos, artigos de opinião e folhetos. Valorizou a figura do caipira que, em sua escrita migrou da estupidez popular para a sabedoria angelical, através do personagem Jeca Tatu.

Acusado de subversivo pelo Estado Novo de Vargas, passou três meses na prisão. Não escapou da ira dos modernistas, que, em determinado momento, o acusaram de reacionário porque pisou no calo da pintora Anita Malfati em um dos seus muitos artigos publicados no jornal Estado de São Paulo. Foi traído pelo então presidente da república Artur Bernardes – certamente não seria fosse um banqueiro ao invés de um escritor. José Bento Renato Monteiro Lobato faleceu em São Paulo, em 4 de julho de 1948, aos 66 anos de idade, vítima de espasmo cerebral. Encerro esse comentário fazendo minhas as palavras de outro admirável brasileiro, que a exemplo de Lobato foi mais uma voz a pregar no deserto de ideias e ideais chamado Brasil. Em 14 de dezembro de 1914, em seu pronunciamento no Senado Federal disse o senador Rui Barbosa: “Sinto vergonha de mim...”.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

PASSARINHOS BEBEM ÁGUA

É por isso que eu amo a natureza. Os passarinhos, até para morrer são educados. Alguém viu um passarinho gemer de dor? Alguém alguma vez sentiu o fedor das vísceras de um passarinho? Eles são realmente a obra mais bem acabada da divindade. Passarinhos não gritam, não conspiram, não fazem revolução. São livres. Fazem a única coisa que o ser humano é incapaz de fazer: voar.

Quando vejo um deles preso em uma gaiola encontro o que de mais estúpido pode conceber a inteligência humana.

Deve haver um mundo onde só haja passarinhos. Mundos intermediários como ensina a doutrina espírita, onde muitos passam e ninguém permanece. Um mundo onde o céu é vermelho da cor do sol. Onde é sempre seis da manhã, e , quando não, seis da tarde. As horas do dia em que tudo acontece é que estraga o mundo. Belo como concebido, o mundo dispensa a espécie humana.

Os passarinhos precisam do homem? Os peixes? Os flamingos, os gatos, precisam? Os cães precisam do homem? Jamais precisaram.

Eu não entendo Deus. Como pode criar um mundo tão belo, vivo e perfeito e entregá-lo ao ser humano?

Tem mais uma que eu admiro nos passarinhos. Eles não falam e não escrevem. Eles cantam. Por isso são incapazes de produzir besteiras.

Passarinhos bebem água. Que mais de bom eles fazem? São tantas coisas. Prefiro admirá-los. Volto a fazê-lo nesse instante. São 6 da tarde.

ARTES E ESPETÁCULOS

O artista multimídia José Roberto Sechi, mantenedor do espaço cultural Microgalery Sechisland, membro atuante do Grupo Auê de Cultura e Artes convida a comunidade cultural e público em geral para prestigiarem o evento:

I MICRO FESTIVAL NAPYÉV DE PERFORMANCE E DANÇA

Sábado, 17.04.2010, às 20 horas na ACADEMIA DE BALLET CENTRO INTERCULTURAL NAPYÉV Av. 8, n° 190, entre ruas 2 e 3 – centro – Rio claro/SP (Interfone 3).

Apresentações programadas (não necessariamente nesta ordem):


Dança:

LARA JATKOSKE LAZO

“Apresentação coreográfica”


SANDRA BRÁS

“Missa flamenca”



Dança teatro:

ALYNE ARINS

JOÃO DE LIMA NETO

“Amor”
Coordenação: Jeferson primo
(Baseado no conto homônimo de Clarice Lispector)


Performance:

AUGUSTO MENEGHIN

“O grande irmão entre nós”

IEDA GENIZELLI

“Nascimentos”

JAIME LEITÃO

“”

LETÍCIA TONON
“Intervenção”

LÍDIA CHRISTOFOLETTI

SECHI

“DesArMAR”



SECHI

“Ação signalista”

THIAGO BUORO

“Ego eimi”

Projeto e coordenação do evento:
LARA JATKOSKE LAZO
SECHI



PS: (Um vinho ou umas cervejas serão bem-vindos)

quarta-feira, 14 de abril de 2010

VIÚVAS DO GLAUCO

Até 30 de abril abertas as inscrições para o 4o. Concurso de Ilustrações da Folha de S. Paulo. Participam chargistas, cartunistas e ilustradores.
Premiação para 3 trabalhos por categoria.
Entre todos sairá um vencedor que será o novo colaborador da Folha, com contrato por período de 3 meses.
Informações e regulamento: http://www.folha.uol.com.br/
Oa trabalhos devem ser enviados para Alameda Barão de Limeira, 425, 4o. andar, a/c Secretaria da Redação. Cep: 01.202-900 - São Paulo/SP.

Ilustração: www.camiloriani.blogspot.com
Camilo Riani é artista plástico, professor de Artes da Unimep/SP, cartunista, chargista, premiado internacionalmente. E rio-clarense. Ah, tem mais... Em determinado momento lúdico de minha vida entrevistei o sujeito para edição de No. 7 da revista JC Magazine.

sábado, 10 de abril de 2010

A REVOLTA DOS PÉS VERMELHOS


A anunciada manifestação popular “Revolta dos Pés Vermelhos” de fato aconteceu neste sábado pela manhã na área central de Rio Claro. Teve início na Praça da Liberdade e circulou no entorno do Jardim Público, descendo a Avenida Um onde se desfez. Mas não deve ter atingido aos objetivos de seus organizadores devido a pouca presença de pessoas que a ela se reuniram.

Na verdade, manifestações dessa natureza têm respaldo na democracia que garante ao cidadão expressar de modo ordeiro sua insatisfação e reivindicações. Todavia, não adquire força e representatividade se não tiver apoio dos sindicatos, entidades de classe e partidos políticos. Não havendo isto, não há organização nem mobilização e o resultado é pífio.

A imprensa divulgou o movimento. Mas o povo não aderiu ao mesmo da maneira como se imagina pretendia os organizadores.

O local escolhido, a área central da cidade, apesar de sua importância histórica também não é o mais indicado porque as pessoas que ali vivem possuem seu imóvel e todas as benfeitorias necessárias que são segundo consta, as reivindicações dos chamados “Pé Vermelhos” moradores dos bairros periféricos onde, em nosso modesto entendimento deveria ocorrer a manifestação e de lá se alastraria para outras regiões da cidade que, certamente se simpatizariam com as justas solicitações.

Essas pessoas merecem sim toda a atenção e o carinho das autoridades. São pessoas sofridas que, talvez movidas por desespero ou descrença na classe política, encontrou nessa manifestação uma maneira de se fazer ouvida.

Se 10, 100 ou mil presentes à passeata isso não importa. Fosse uma pessoa esta é merecedora da atenção e o empenho das autoridades. Leia-se: Prefeito, secretários municipais e vereadores.

Melhor seria não houvesse necessidade de o povo sair às ruas para protestar e reivindicar. Melhor seria não houvesse entre esses, crianças empunhando faixas com palavras de ordem cujo significado e conseqüências talvez elas não saibam mensurar.

Fica o alerta para a administração municipal e para o poder legislativo. Na história deste país, um presidente da república foi deposto do cargo quando teve seu nome envolvido numa disputa de família. Faz tempo e esse não foi o motivo, mas o estopim para a revolta que culminaria na sua renúncia.

Revoluções começam com meia dúzia de insatisfeitos que comungam a mesma idéia. Rio Claro não precisa disso. Rio Claro não merece isso. O momento é de somar esforços. E não dividir. Há um rio-clarense, de tradicional e respeitada família sentado na mais importante cadeira do segundo do Palácio de Mármore da Rua Três. E ele sabe o que isso representa.

Foto ilustrativa: reprodução de: www.lizchristine.net (Aspecto da periferia de Roma/ITA, anos 60).

10 de Abril - BEATLES, GIBRAN, the end... Forever

10 de abril. A data é emblemática, e todo mundo sabe porque. Há 40 anos desfazia-se o mais amado e festejado grupo de rock: Os Beatles. Foi o dia em que John Lennon avisou a galera que o sonho havia terminado. Pior do que isso ele disse alguns anos antes ao afirmar que os Beatles era mais conhecido do que Jesus Cristo. Pior que tinha razão. E ao que parece, continua tendo. Mas, questões filosóficas à parte, o legado musical dos Beatles é daquelas coisas que a humanidade se orgulha. Dos 60 para cá todas as gerações se curvam aos súditos da rainha.
De certa forma, os Beatles anteciparam tudo o que viria a ser revelado e explorado pelo mundo do rockn roll: os diversos estilos musicais, as estratégias de marketing, o poder do vídeo-clipe, entre outras.

Mas o mundo não é feito só de melodia também de versos e pensamentos. Por falar nisso, nesta mesma data há 79 anos despedia-se o poeta libanês Gibran Khalil Gibran. Autor de "O Profeta", onde, em determinado momento escreve aos pais: "Vossos filhos não são vossos filhos, são os filhos da ânsia da vida por si mesma". Além de poeta, Gibran era pintor. Seus desenhos ilustram uma das edições brasileiras mais conhecidas de "O Profeta" que tem tradução de Mansour Chalita. Homem sensível seus escritos revelam uma quase que permanente ligação com as coisas do Mais Alto, que ele tão bem sabia compreender e transmitir em forma de palavras.
Deparei-me com sua Literatura quando eu tinha 20 anos e trabalhava como auxiliar administrativo no Círculo Operário Rio-clarense. Certo dia, fui solicitado à dar expediente na biblioteca da instituição. Observando os títulos expostos na prateleira, ao atender um associado, deparei-me ao acaso com O Profeta. Bastaram algumas páginas, durante o meu horário de almoço, para eu perceber que não havia sido exatamente por acaso que o livro chegara às minhas mãos.

Tanto os Beatles, como Khalil Gibran deixaram de existir para este mundo. Mas deixaram muito mais. Um legado de valores artísticos que resistem ao tempo.

*Esta postagem dedicada ao meu amigo Charles. "All those eyars ago"





quinta-feira, 8 de abril de 2010

ABAIXO OS IDIOTAS

Se você curte The Clash, Joy Division, The Smiths e Echo and the Bunymen, fuck off! Você é um sujeito de atitude, apesar da olheira incorrigível, da escoliose, dos cabelos brancos e, é claro, do pneuzinho na cintura. E dos seus 40 anos e algumas coisas. Mas se ainda não sabe, prepare-se para o melhor: tudo o que você mais curte na vida começou numa loja de roupa.

Isto mesmo. No início dos anos 1970, um sujeito chamado Malcolm McLaren inaugurou em Londres a Let it Rock uma loja especializada em agradar ao mau gosto dos garotos revoltados que buscavam por qualquer coisa que lhes permitisse reviver a rebeldia dos anos 50.

Pode parecer incrível, mas nesse ambiente, anos depois, surgiria a mirabolante idéia de se formar uma banda que mais do que som demonstrasse atitude. Anos depois, seria criado o Sex Pistols. O vovozão do movimento punk e de toda a plebe rude que seguiu o rastro desse caminho bastante interessante para quem está fora, mas muito estranho e, por vezes, destruidor para quem está dentro.

Pois a introdução é necessária para tentar explicar a importância desse sujeito que morreu na quinta-feira, 08, em Nova York/EUA, aos 64 anos.

A grande sacada do punk rock na música foi contrariar o padrão estabelecido pela constelação dos roqueiros em cujo céu havia desde o psicodélico Pink Floyd até o muito louco Deep Purple. Mesmice por mesmice, haveria de prevalecer o novo. E o movimento punk, também presente na Literatura, nas Artes Visuais, na Moda e até no Cinema, ganhou a parada, não sem abrir mão das geniais sacadas de marketing como o leitor verá mais adiante.

Na esteira do sucesso do Sex Pistols vieram The Clash, Siouxsie & the Banshees, The Stranglers entre outros. Também viria o Joy Division de breve e marcante existência, nascido do entusiasmo de um jovem esquisitão presente a uma das apresentações dos Pistols em Manchester no ano de 1976.

O espaço das bandas punks era reduzido aos guetos londrinos, até que em 01 de dezembro daquele mesmo ano, o vocalista Johnny Rotten, mandou um antológico “Vá se foder” para as câmeras em rede nacional pela tevê britânica, em um dos programas de maior audiência. A atitude, grosseira, mas original, foi um divisor de águas na história do punk rock e permitiu ao movimento finalmente tornar-se conhecido do grande público. O homem por trás disso: Malcolm McLaren, agora ex-proprietário daquela loja de roupas e criador da ideia que ganharia uma página nem tão perfumada no acervo cultural da humanidade e que atendia pelo nome de Sex Pistols.

Os números nem impressionam tanto. O legado sim. Quatro discos lançados, durante a meteórica carreira, entre eles Never Mind the Bollocks... de 1977, (cuja livre tradução dá título a este artigo), além de outros 7 póstumos. Os Pistols também renderam polêmica no cinema, com 4 filmes produzidos no período de existência do grupo, e outros 6 posteriormente.

Foi em 19 de janeiro de 1978, quando os Pistols excursionavam pelos EUA que Malcolm McLaren, cansado com as estripulias do vocalista Johnny Rotten e os excessos do baixista Sid Vicious resolveu acabar com a brincadeira. Já era tarde. O punk continuaria sua trajetória sem rumo e os Pistols entravam para a história. Quinta-feira, 08 de abril de 2010 foi a vez de Malcolm McLaren concluir a sua.

Confira um pouco dos Pistols:

JORNALISMO CULTURAL

Acontece de 3 a 6 de maio no Teatro da PUC em São Paulo, o II Congresso de Jornalismo Cultural. Em pauta, vários temas como jornalismo literário, artes visuais, jornalismo pós-mídias digitais, dinâmica dentro da redação.
Presenças confirmadas dos escritores Carlos Heitor Cony e Milton Hatoum, do crítico literário Manuel da Costa Pinto, do colunista Daniel Pizza e de Luciana Vilas-Boas diretora comercial do Grupo Record, entre outros.
Inscrições para participar do evento podem ser feitas através do site: www.revistacult.com.br/congresso.
Maiores informações pelo e-mail: congresso2010@revistacult.com.br ou pelo fone: (11) 3385-3385.
Neste ano a homenageada será a escritora Clarice Lispector (1920-1977).

FORÇA AZULÃO!

Aconteceu o indesejável, porém previsível rebaixamento do Rio Claro F.C à série A-2 do Campeonato Paulista. A goleada sofrida para o Corinthians na noite chuvosa de quarta-feira, no Pacaembu, em São Paulo, apenas foi a confirmação da sentença de morte anunciada por duas ocasiões. A primeira, logo no início da competição, pelo dirigente César Sampaio que afirmou à imprensa que, entre investir na equipe e pagar dívidas assumidas daria prioridade à derradeira opção. E a segunda, pelo secretário municipal de esportes Reginaldo Breda ao informar o que todos já sabiam: não há verba no orçamento do município para este ano que possibilite as obras necessárias para ampliação do estádio Augusto Schmidt Filho. Resolução da Federação Paulista de Futebol dá conta que para 2011 não serão permitidas as instalações de arquibancadas tubulares para atender às exigências de capacidade de público dos estádios das equipes filiadas. Assim, Rio Claro e Velo Clube (este, se obter neste ano o acesso á série A-3), necessariamente terão de mandar seus jogos em outros estádios fora de Rio Claro, uma vez que os estádios de ambos não atendem às tais exigências.


A equipe montada pela C2B, empresa que administra o futebol do Azulão, era fraca, muito aquém do nível desejável para disputar tão difícil competição. Mas, em todos os momentos, percebeu-se que faltou à ela uma identificação, um comprometimento com a agremiação Rio Claro F.C. Justamente, virtude que sobrou às equipes responsáveis pelas recentes conquistas do Azulão, os seus memoráveis acessos, até chegar pela primeira vez à Série A-1.

Não é difícil compreender isso porque são profissionais pagos por uma empresa que visa lucros e não por um clube que visa a satisfação de seus torcedores, a preservação de suas melhores tradições. Um clube que leva o nome de uma cidade. Isso não é pouco. Mas para esse elenco de atletas do Rio Claro F.C parece ser nada.

A maneira como caíram de quatro, ou melhor, de cinco, diante do Corinthians é o retrato do que foi a equipe ao longo da competição. Comportando-se como se derrota, empate ou vitória fosse apenas dados estatísticos.

Mais uma vez, o clube e o time se viram abandonados por seus torcedores. Salvo os valores dos ingressos nada convidativos, que outro motivo justificaria a ausência do torcedor ao estádio durante jogos decisivos como, por exemplo, contra Bragantino e Santo André?

A verdade é que os clubes profissionais de Rio Claro, e as pesquisas isto comprovam, despertam cada vez menos interesse nos esportistas locais, mais afeitos às coisas dos times da capital expostos minuto a minuto na mídia televisiva, nos sinais aberto e fechado.

De tudo o que de pior aconteceu ao Rio Claro F.C neste primeiro semestre de 2010, há algo a ser enaltecido. O comportamento da imprensa local: jornais, rádios e tevês, que, cumprindo seu papel de informar e opinar com imparcialidade foi o único segmento da sociedade rio-clarense a abraçar o clube e contribuir para a sua caminhada. A indústria e o comércio, novamente ficaram devendo, porque não consta que o Rio Claro teve apoio desses setores.

Resta juntar os cacos, e começar tudo de novo. Fácil para os profissionais do futebol. Agora mesmo já devem estar ao celular fazendo os seus contatos, projeções, bussines. Difícil para o torcedor, que vê seu time do coração sofrer mais uma humilhante derrota.

Fica a esperança, de que tudo é possível, para quem como Fênix, um dia ressurgiu das cinzas. Força Azulão! Você é grande. Apesar dos pequenos que te rodeiam.

* Publicado no Jornal Diário do Rio Claro em 09/04/2010 à pág.14. Alô Claudete! Abraço ao jornalista Klaus Lautenschleger que fez comentário sobre esse texto e menção ao Blog no programa esportivo da Claretianas FM, das 18h00, em 08/04/2010.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

BECAUSE I AM

Escrever é um ato solitário. E certamente eu já teria levado um zero bem redondo da Professora Maria Augusta Ribeiro por cometer horrendo pecado do lugar-comum logo no início do texto. Por isso, por essas e por todas, causou-me calafrios a idéia proposta pelo Grupo Auê de Cultura e Artes, para criar e conduzir uma oficina literária.


Eu? Pois é. Não tenho nenhuma noção sequer de como praticar o desatino. Mas não é exatamente essa a única certeza que tenho a cada vez que inicio um parágrafo? Muitas pessoas num mesmo ambiente e com um mesmo objetivo: escrever. Não estou retratando a recepção de um sanatório, bem entendido. Apenas imaginando como seria o local de uma oficina literária. Nessas condições realmente não pode dar boa coisa.

Início. Eis o martírio de todo escritor que ainda carrega no seu íntimo um resquício de dignidade. Digo sanidade.

Tem de fazer sentido. Não para Beckett, o Inominável. Ok. O inferno está cheio de Beckett’s. Os tem em boa conta. Não precisa, portanto de mais um.

Nesse caso, voltemos ao jardim da infância. Basta encontrar respostas para o que, quem, quando, onde, como e por que. Faça isso. É o que fazem a pior cria dos escritores, os jornalistas, para traduzir em palavras os acontecimentos.

É possível transmitir informações e conhecimentos. Capacidade, nunca. Portanto, Machadinho, esqueça. Se estiveres aqui acreditando que eu, alguém, ou qualquer outro irá ensiná-lo a escrever, desculpe, mas receio que melhor seria uma boa gelada no bar da esquina. Alô Bolinha! Tá chegando a Irmandade.

Saibam: A menos que seja o Dr. Dick Diver em Tender is the night, intelectual não vai à praia intelectual bebe – máxima, aliás, corroborada pelo filósofo contemporâneo Paulo Francis (mil novecentos e qualquer coisa depois de Cristo).

Ah, não se esqueça de me convidar para a festa, Thomas. Porque é provável que em dado momento solene da vida nos encontremos em alguma fila de seguro desemprego por aí para cheios de ânimos e sorrisos maliciosos lembrarmo-nos dessas desgraças.

Por que escrever? Eis a questão, senhoras e senhores.

No meu caso, uma terrível, insuportavelmente dolorosa inquietação mental. Passado tanto tempo, receio mesmo que a mente perturba o espírito e não o contrário. Dez anos de Gardenal, receio, não foram o suficiente.

Devo confessar-lhe, finado leitor. Não esquentei a bunda em banco de faculdade. Confesso sem nenhum remorso e admito sem nenhum constrangimento que Dostoievski ou qualquer outro infeliz jamais arrancou lágrimas de mim. Folheei muitos livros, bons e ruins, e li bem poucos. O último, nem mais nem menos, do maldito, solenemente maldito e invejado J. Archer. O que não me impediu, ao contrário, facilitou e muito minha vida, porque, tirante a dor nas costas e a vista quase perdida, possibilitou-me conhecer muito e de tudo um pouco. Sou esperto. E disso me orgulho.

Se nunca aprendi, como posso ter a pretensão de ensinar? Não tenho. Meu único objetivo é apresentar-lhes uma proposta. Escrevam. Muito. E errem muito. E se traiam muito. E se submetam muito à crítica alheia, geralmente munida de ignorância fecunda e um terrível, abominável e pretensioso senso de adivinhação, capaz de dissecar o mais insuspeito desejo, a mais secreta intenção de você, escritor. Decepcionem-se, pois, e muito com a Literatura. Ela gosta disso. E talvez essa seja a prova cabal para a sua admissão no seleto mundo dos loucos garbosos.

Acreditem que a vida é bela. Mas no papel, coloquem que odeiam a vida. E de que forma odeiam. Por isso mintam. Faz bem. A você. E ao leitor. Que geralmente, adora a brincadeira. Fale de menos. Sugira demais. Engane. Trapaceie. Usurpe da boa vontade, subestime a paciência do leitor. Ele é um masoquista, saiba disso. Adora sofrer.

E lembre-se do que já lhe disse: Um personagem só é verdadeiro quando é um espelho partido em mil pedaços voando em sua direção, rasgando sua carne e vertendo-te sangue. Sangue e mais sangue. Até fazê-lo cair, desfalecido, com a cara no chão.

Basta uma coisa para tornar a coisa possível: observar a vida com os olhos da verdade. A sua. E transformar em palavras o que você vê. Esse é o primeiro passo. Eu acho. O segundo, e derradeiro, é quando você consegue transformar o que sente em palavras.

Mas aí você já deixou de ser um escritor. Tornou-se bruxo.

Mais? Tem certeza de que deseja ouvir? Lá vai. É penoso, assustador e muito cruel. Mas você merece:

Um autor realiza sua obra na solitude. Só ele conhece o seu caminho, e onde o levará. Sabe como se sentar à mesa com seus demônios, e ouvir os seus anjos ao anoitecer. Sabe que se sentirá um grande idiota após o último ponto final. E pior, gostará disso. E quando aprender a ganhar dinheiro com isso perceberá que de repente deixou de ser idiota. Eles, os idiotas, tal como o Inferno, agora são os outros. Os leitores. Os seus.

A IMAGEM e os FATOS

A foto que ilustra o título deste Blog é do Bar A TOCA, que marcou época em Rio Claro, sendo durante muitos anos o ponto de encontro preferido da juventude e da intelectualidade, dos políticos e dos artistas, enfim, de gente interessada em aparecer, paquerar (é claro) e se divertir, degustando excelentes quitutes e saboreando ótimos drinques. Essa foto, acredito, foi tirada nos anos 1970, durante desfile das escolas de samba, que àquele tempo, acontecia no entorno do Jardim Público, na região central da cidade. Na parte superior do estabelecimento funcionava a Boate Stonage que, igualmente marcou época em face a efervescência noturna impulsionada pela febre das discotecas.
O Bar A Toca, a exemplo da Danceteria Panquecas ganharam fama e fãs além Rio Claro, sendo ambas, visitadas por muitas pessoas de outras localidades, inclusive da capital.
O espaço, localizado na Avenida 3 esquina com rua 4, Centro, foi adquirido nos anos 1980 pelo Banco Bradesco. E hoje dá lugar a um estacionamento. Na ocasião, lembro que meu pai escreveu um poema sobre o fato e que foi publicado na imprensa escrita local.
Sobre o descaso para com o patrimônio histórico de Rio Claro, uma das vozes que mais se levantou contra essa estúpida tendência de nossa cidade foi a do pesquisador e agitador político o incompreendido Paulo Rodrigues (Grupo Banzo). No Youtube, é possível encontrar vários vídeos que tratam sobre o assunto.

domingo, 4 de abril de 2010

VARANASI, ÍNDIA.

Varanasi. A cidade considerada sagrada pelos hindus. Aos 23 anos, sonhei que estava exatamente neste lugar, acompanhado de minha mãe (já desencarnada à época). Sinto que ´tenho com este lugar uma relação muito forte e estreita. Talvez resquícios de uma existência pregressa. Pesquisei algo sobre a cidade, seus habitantes, costumes e tradições, além do rio Ganges, que banha a cidade, para escrever "O Intermediário" que levei cerca de 20 anos para concluir. Achei oportuno compartilhar essas informações com os amigos leitores. Agradeço a atenção.

sábado, 3 de abril de 2010

JUDAS RESGATADO

Dia de malhar o Judas. Pobre Judas. Ainda hoje paga o preço da ignorância humana por seu momento de fraqueza. Seria bom que todos soubessem e entendessem que depois daquele triste epísódio lembrado no dia de hoje, Judas voltou por diversas vezes ao plano terreno e expiou seus pecados. Humberto de Campos, o cronista, em texto intitulado Judas Iscariotes e psicografado por Chico Xavier, no livro Palavras ao Infinito, páginas 26 a 29, relata a palestra que teve na espiritualidade com o contestado e incomprendido personagem da história cristã. E traz luz sobre os mistérios que, mesmo dois mil anos depois, ainda o envolvem. "Infinita é a misericórdia de Cristo, afirma o espírito Judas, não só para comigo, ele relata, porque se recebi trinta moedas, vendendo-o aos seus algozes, há muitos séculos, Ele está sendo criminosamente vendido no mundo a grosso e a retalho, por todos os preços, em todos os padrões do ouro amoedado..."
Sabe-se hoje que, em sua derradeira (até onde se sabe) encarnação no plano terreno, Judas teria sido Joana D'arc (1412-1431). Isso, entretanto, é preciso ressaltar, não está afirmado no citado texto de Humberto de Campos. Contudo, à página 28, o espírito de Judas esclarece: "Sofri horrores nas perseguições infligidas em Roma aos adeptos da doutrina de Jesus e as minhas provas culminaram em uma fogueira inquisitorial, onde, imitando Jesus, fui traído, vendido e usurpado. Vítima de felonia e da traição deixei na Terra os derradeiros resquícios do meu crime, na Europa do século XV. Desde esse dia, em que me entreguei por amor do Cristo a todos os tormentos e infâmias que me aviltavam, com resignação e piedade pelos verdugos, fechei o ciclo das minhas dolorosas reencarnações na Terra, sentindo na fronte o ósculo de perdão da minha própria consciência...".
A história de Judas faz lembrar o importante ensinamento cristão: Não julgar para não ser julgado. É uma história em princípio triste, mas, traz consigo a certeza de que se não é possível refazer é possível recomeçar. Foi o que fez Judas. Com esperança e coragem. Conseguiu.

Ilustração: Capa do livro Judas Iscariotes e sua reencarnação como Joana D’arc do escritor José Fuzeira, editora Conhecimento.