quinta-feira, 8 de abril de 2010

ABAIXO OS IDIOTAS

Se você curte The Clash, Joy Division, The Smiths e Echo and the Bunymen, fuck off! Você é um sujeito de atitude, apesar da olheira incorrigível, da escoliose, dos cabelos brancos e, é claro, do pneuzinho na cintura. E dos seus 40 anos e algumas coisas. Mas se ainda não sabe, prepare-se para o melhor: tudo o que você mais curte na vida começou numa loja de roupa.

Isto mesmo. No início dos anos 1970, um sujeito chamado Malcolm McLaren inaugurou em Londres a Let it Rock uma loja especializada em agradar ao mau gosto dos garotos revoltados que buscavam por qualquer coisa que lhes permitisse reviver a rebeldia dos anos 50.

Pode parecer incrível, mas nesse ambiente, anos depois, surgiria a mirabolante idéia de se formar uma banda que mais do que som demonstrasse atitude. Anos depois, seria criado o Sex Pistols. O vovozão do movimento punk e de toda a plebe rude que seguiu o rastro desse caminho bastante interessante para quem está fora, mas muito estranho e, por vezes, destruidor para quem está dentro.

Pois a introdução é necessária para tentar explicar a importância desse sujeito que morreu na quinta-feira, 08, em Nova York/EUA, aos 64 anos.

A grande sacada do punk rock na música foi contrariar o padrão estabelecido pela constelação dos roqueiros em cujo céu havia desde o psicodélico Pink Floyd até o muito louco Deep Purple. Mesmice por mesmice, haveria de prevalecer o novo. E o movimento punk, também presente na Literatura, nas Artes Visuais, na Moda e até no Cinema, ganhou a parada, não sem abrir mão das geniais sacadas de marketing como o leitor verá mais adiante.

Na esteira do sucesso do Sex Pistols vieram The Clash, Siouxsie & the Banshees, The Stranglers entre outros. Também viria o Joy Division de breve e marcante existência, nascido do entusiasmo de um jovem esquisitão presente a uma das apresentações dos Pistols em Manchester no ano de 1976.

O espaço das bandas punks era reduzido aos guetos londrinos, até que em 01 de dezembro daquele mesmo ano, o vocalista Johnny Rotten, mandou um antológico “Vá se foder” para as câmeras em rede nacional pela tevê britânica, em um dos programas de maior audiência. A atitude, grosseira, mas original, foi um divisor de águas na história do punk rock e permitiu ao movimento finalmente tornar-se conhecido do grande público. O homem por trás disso: Malcolm McLaren, agora ex-proprietário daquela loja de roupas e criador da ideia que ganharia uma página nem tão perfumada no acervo cultural da humanidade e que atendia pelo nome de Sex Pistols.

Os números nem impressionam tanto. O legado sim. Quatro discos lançados, durante a meteórica carreira, entre eles Never Mind the Bollocks... de 1977, (cuja livre tradução dá título a este artigo), além de outros 7 póstumos. Os Pistols também renderam polêmica no cinema, com 4 filmes produzidos no período de existência do grupo, e outros 6 posteriormente.

Foi em 19 de janeiro de 1978, quando os Pistols excursionavam pelos EUA que Malcolm McLaren, cansado com as estripulias do vocalista Johnny Rotten e os excessos do baixista Sid Vicious resolveu acabar com a brincadeira. Já era tarde. O punk continuaria sua trajetória sem rumo e os Pistols entravam para a história. Quinta-feira, 08 de abril de 2010 foi a vez de Malcolm McLaren concluir a sua.

Confira um pouco dos Pistols:

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