quarta-feira, 28 de abril de 2010

AS COISAS, AS CORES E O TEMPO, E UM SUJEITO CHAMADO NÓS - Por Édi Miller

O passado agora é colorido. Antes era preto e branco, quando muito, sépia. Agora é tudo mais rápido, muito mais chic, e, ao mesmo tempo, mais volúvel. As coisas, opiniões e perspectivas mudam ao sabor do vento ou à menor oscilação de um dispositivo que mede e define os rumos do mundo chamado Bolsa de Valores. O futuro já não é mais aquela coisa que virá. Já chegou. Nova lei de mercado: o mais importante não é pensar melhor é agir mais rápido. Botaram a inspiração no armário. Quem fez isso? Os estrategistas. Houve tempo em que sua ocupação era exterminar vidas e bajular reis. Hoje, atuam na área econômica e tem a finalidade de criar e manter impérios de concretos e fortunas virtuais, que se obtém e se desfaz com um apertar de botão em qualquer parte do mundo.


Um pouco acima de nossas cabeças, Hublle, o telescópio, nos traz imagens de um mundo que sequer imaginamos, a uma distância que não ousamos mensurar. Mas, ainda assim, nos acreditamos únicos. Claro, somos humanos. Os passarinhos, as baratas e as formigas sabem disso. E dão ao fato uma importância tremenda.

Logo teremos por aqui eleições e novo presidente. Seja homem ou mulher, terá em suas mãos a grande e inédita oportunidade de pegar a direção de uma locomotiva a todo vapor. Tomara que o peso da esperança de milhares de pessoas que terá sob suas costas não atrapalhe o percurso.

Rio-clarenses, bem alto cantemos. Mas o momento é agir e não dividir. É de somar esforços para que a cidade seja, por nossas mãos, aquilo que sempre desejamos.

E se aproxima a Copa do Mundo, que poderá terminar em catarse ou tragédia. Onze elementos decidirão o nosso destino. Como se jogássemos com eles. Acha? Quando muito, torcemos. Mas, na maioria das vezes, xingamos. Geralmente o técnico. É mais gostoso.

Mas também existem àqueles que passam à margem dessa realidade. Estão a perambular pelas ruas, esquecidos nos manicômios, orfanatos e hospitais. E quem deles se lembra. Nós? Só agora. Um minuto de silêncio para dois de nossos mais assíduos companheiros: Sr. Egoísmo e Sr. Orgulho.

Há de se ter saudade do tempo em que se batia o cartão às 6 da tarde. Pegava-se o ônibus e se voltava para a casa. A mulher a esperar com os filhos. Todos arrumadinhos e perfumados. O jantar pronto sobre a mesa.

E quando foi que a nossa geração, os quarentões, viveu isso, se não na leitura do álbum de recordações de nossos pais. Geralmente em preto e branco.

Como será o nosso passado? Do que teremos saudade? E quem terá saudades de nós?

Teremos tempo de saber isso? Ou se quer nos lembraremos. Por que logo logo, ali, virando a esquina, estaremos correndo atrás de uma modernidade que insiste em nos deixar para trás.

Texto publicado sob o título "Apontamentos" na edição 16 do Jornal da TV Cidade Livre: http://www.tvcidadelivre.com/

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