sábado, 10 de abril de 2010

A REVOLTA DOS PÉS VERMELHOS


A anunciada manifestação popular “Revolta dos Pés Vermelhos” de fato aconteceu neste sábado pela manhã na área central de Rio Claro. Teve início na Praça da Liberdade e circulou no entorno do Jardim Público, descendo a Avenida Um onde se desfez. Mas não deve ter atingido aos objetivos de seus organizadores devido a pouca presença de pessoas que a ela se reuniram.

Na verdade, manifestações dessa natureza têm respaldo na democracia que garante ao cidadão expressar de modo ordeiro sua insatisfação e reivindicações. Todavia, não adquire força e representatividade se não tiver apoio dos sindicatos, entidades de classe e partidos políticos. Não havendo isto, não há organização nem mobilização e o resultado é pífio.

A imprensa divulgou o movimento. Mas o povo não aderiu ao mesmo da maneira como se imagina pretendia os organizadores.

O local escolhido, a área central da cidade, apesar de sua importância histórica também não é o mais indicado porque as pessoas que ali vivem possuem seu imóvel e todas as benfeitorias necessárias que são segundo consta, as reivindicações dos chamados “Pé Vermelhos” moradores dos bairros periféricos onde, em nosso modesto entendimento deveria ocorrer a manifestação e de lá se alastraria para outras regiões da cidade que, certamente se simpatizariam com as justas solicitações.

Essas pessoas merecem sim toda a atenção e o carinho das autoridades. São pessoas sofridas que, talvez movidas por desespero ou descrença na classe política, encontrou nessa manifestação uma maneira de se fazer ouvida.

Se 10, 100 ou mil presentes à passeata isso não importa. Fosse uma pessoa esta é merecedora da atenção e o empenho das autoridades. Leia-se: Prefeito, secretários municipais e vereadores.

Melhor seria não houvesse necessidade de o povo sair às ruas para protestar e reivindicar. Melhor seria não houvesse entre esses, crianças empunhando faixas com palavras de ordem cujo significado e conseqüências talvez elas não saibam mensurar.

Fica o alerta para a administração municipal e para o poder legislativo. Na história deste país, um presidente da república foi deposto do cargo quando teve seu nome envolvido numa disputa de família. Faz tempo e esse não foi o motivo, mas o estopim para a revolta que culminaria na sua renúncia.

Revoluções começam com meia dúzia de insatisfeitos que comungam a mesma idéia. Rio Claro não precisa disso. Rio Claro não merece isso. O momento é de somar esforços. E não dividir. Há um rio-clarense, de tradicional e respeitada família sentado na mais importante cadeira do segundo do Palácio de Mármore da Rua Três. E ele sabe o que isso representa.

Foto ilustrativa: reprodução de: www.lizchristine.net (Aspecto da periferia de Roma/ITA, anos 60).

Um comentário:

  1. Olá Jota, muito bom e importante esse texto, vejo como você as manifestações populares, que se não tiverem o apoio que falou realmente naufragam, é uma pena, pois essas manifestações mostram geralmente o descontentamento e a necessidade da população em mudanças que visam sempre melhorias, o bem estar, tanto na educação, na saúde, empregos, moradia e tudo mais que for necessário para o cidadão ter uma vida digna.Arnoldo Pimentel

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