domingo, 30 de maio de 2010

PELÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉ...

Em tempos de Dunga, nunca é demais lembrar que um dia já jogamos futebol:

sexta-feira, 28 de maio de 2010

RETICÊNCIAS, ETC. E TAL...

O fato chama a atenção por sua peculiaridade. No início do século passado, na distante e bucólica Redenção dos Prazeres, o cronista Marsupião Ursulino de Freitas Dantas, mais conhecidos nas hostes literárias locais como “O Demolidor”, despediu-se de seus mui aprazados leitores do matutino “Notícias Prazerosas” de maneira inusitada, que ora reproduzimos. “Ficcionistas costumam criar personagens mais bem acabados do que o Sujeito Lá em Cima. São criaturas com começo, meio e fim. Algumas, sem nome; outras, sem rosto; todas, verdadeiras. Até a página 2, é claro, por que senão, onde estaria a graça?



No Brasil, a crônica é o espaço que resta nos jornais aos ficcionistas de verdade. E, portanto, loucos. Presos a uma camisa de força, cujo tamanho, geralmente, são 3500 caracteres com espaço, e, mais algunzinhos, com muito boa-vontade do editor. É preciso ser amigo do homem para ser publicado. E quem duvida disso, corre o risco de passar suas noites com a barriga encostada no balcão de um bar, se acreditando o Bruxo do Cosme Velho, enquanto coleciona doses e mais doses de conhaques e vermutes. E dívidas. As únicas possíveis de se renegociar com juros abaixo dos 4,5%.com direito ao calote.


São 23 e 30 da noite e enquanto escrevo essa crônica, ainda reluto, em passar para o papel o parágrafo derradeiro que já escrito em minha mente faz alguns dias.


Há uma terrível dificuldade jamais assumida da parte deste escritor em intitular os seus textos. Geralmente não sai coisa boa. Mas o editor ganha muito bem pra isso entre outras coisas, além daquele maldito telegrama em que alerta sobre o prazo preste a se esgotar para a entrega do texto.


Aprendi que bons textos devem ter períodos de 4 a 5 linhas, cada. Nem sempre consigo seguir a regra. Na verdade, quase nunca.


Sou o tipo do sujeito que pego fácil as coisas. Veja bem, refiro-me à escrita. Nunca estudei pra isso. Saí escrevendo da barriga da minha mãe. Fui alfabetizado antes mesmo de botar a bunda no banco de uma escola. E pasmem os senhores e as senhoras, eclesiásticos e jurisconsultos, donzelas e mancebos, padeiros e balconistas, barbeiros e costureiras, guardas ociosos e médicos desocupados, enfim, todos que me dão o prazer redentor e inexeqüível de suas leituras – e pra dizer que não sou machista, na verdade sou – mas odeio livros. É um ódio descoberto e cultuado desde os 9 anos. Sabe-se lá o motivo. Na verdade eu sei. Eles, os livros jamais me quiseram. Engraçado que perder o amor da Srta. J. aos 19 anos foi mais fácil de assimilar. Mulheres são como vento, vai e vem. E nós somos como aves sempre com a cara para o vento. E geralmente, sempre se quebra a cara. Haja esparadrapo!


Esta crônica não é das melhores. Não deveria mesmo ser. É preciso que haja um motivo convincente pra não seguir adiante. E motivo melhor que falta de capacidade física não existe. Vamos imaginar que seja. Afinal, é preciso que haja um motivo. Alguma outra sugestão?


Na imprensa há um termo que se usa quando o assunto foi posto de lado para dar prioridade a outro. Eis o termo: a pauta caiu.


Aqui, não se trata disso. Trata-se apenas de colocar o ponto final nessa conversa. É o que se faz agora. Antes que a cabeça exploda. As nossas. E não seria bom, sabe, leitor, haveria muita sujeira por toda parte.


Passarinhos, a cuja espécie pertencemos, param pra beber água. E voltam a voar porque não conseguem viver sem a brisa no rosto chamada: liberdade".

Dias depois, o incauto cronista foi encontrado com as calças arriadas sentado no trono do seu lar: um quartinho na pensão da Dona Cremilda, situada nos arrabaldes do Buraco Quente, digo Redenção dos Prazeres. Com os olhos arregalados. E o corpo, frio.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

UM COPO DE ILUSÕES

Pesquisa realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) entre estudantes da 9ª. Série do Ensino Fundamental, com média de idade entre 13 e 15 anos revelou que 71% já experimentaram bebida alcoólica, sendo que 22% afirmaram que já beberam até se embriagar. O resultado da pesquisa é alarmante e gera preocupação.

Há quem considere ainda que o ato de beber seja sinônimo de status. Grande tolice. Como toda droga legalizada a bebida alcoólica é geralmente a porta mais ao alcance daqueles que, desesperados, não conseguem superar ou conviver com determinado problema. Porta que não leva a lugar nenhum.

Confesso bastante envergonhado que meu primeiro gole foi aos 14 anos, na festa de formatura da 8ª. Série. Foram os primeiros goles. E me lembro que ao tentar me levantar da cadeira, faltou chão sob os meus pés.

Protagonizar fatos como esse são idiotices que cometemos nessa fase da vida, quando geralmente reivindicamos todos os direitos possíveis e imagináveis e repudiamos todos os deveres.

F. Scott Fitzgerald tem uma frase lapidar para definir a situação: “No início você toma uma bebida, depois a bebida toma uma bebida, depois a bebida toma-o a si”.

Nasci, fui criado, moro e trabalho em uma cidade que, grosso modo, tem um bar em cada esquina e parece se orgulhar disso. Embora não admita.

Como se explica que neste país beber e dirigir sejam proibidos, mas vender bebida em postos de combustíveis não?

A seleção nacional de futebol, o produto brasileiro mais conhecido, admirado e respeitado mundo a fora, se orgulha de ter como seu patrocinador uma marca de cerveja e serve ao ridículo de uma campanha publicitária que tenta transformar atletas em guerreiros de uma causa de somenos importância.

Retrato da nossa cultura? Da pífia educação pública? Do desinteresse de um povo que não lê e não se instrui e não se interessa em adquirir conhecimento? Sim.

Então, é por isso que escrevo eis a pergunta inevitável. Não, eis a resposta. Já menti algumas vezes, ao afirmar que minhas melhores páginas foram escritas no auge do meu desempenho etílico. Menti. Afinal, sou escritor. Jamais. Jamais fui capaz de escrever uma linha depois de uns copos. Ou sequer depois de um.

Cheguei a deixar um salário no caixa de um bar numa noite de sábado quando tinha 20 anos e qualquer coisa. Faz tempo.

Conforme a pesquisa aqui mencionada estima-se que indivíduos que iniciam o consumo de álcool antes dos 16 anos de idade possuem risco 1,3 a 1,6 vezes maior de desenvolver dependência alcoólica. Portanto, não comece errado a vida. Não beba. Porque “pode se enganar a vida por muito tempo, mas ela acaba sempre por fazer de nós aquilo para o que fomos feitos”. Essa é do André. Era francês. Foi ministro da Cultura daquele país. E ao que consta não tomou o seu primeiro gole aos 14 anos, embora também fosse escritor. Porque, ao que parece estava mais interessado nos valores da Condição Humana.

Parece haver uma sina que empurra os escritores para o gargalo de uma garrafa ou às bordas de um copo. A lista é generosa senão deprimente: Raymond Chandler, Charles Bukowski, Jack Kerouac, Jack London, Edgar Allan Poe, William Faulkner, Ernest Hemingway, além do aqui já citado e campeoníssimo na modalidade levantamento de copo: Francis Scott Fitzgerald. Citei os americanos. Brasileiros? O caso mais conhecido, o genial Lima Barreto. Ao qual a Literatura Brasileira deve todos os minutos de silêncio.

Nessa trágica história, anime-se, caro leitor, você leva vantagem sobre todos esses e sobre mim. Você não escreve. Eles escreveram. E eu tento. Geralmente consigo. E bem. Quando estou lúcido. Como agora.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

SAINDO DE CENA

"Todos vocês são poetas, só eu estou do lado da morte" - Jacques Rigaut (1899-1929).

Eu costumava dormir no quarto ao lado. Não era exatamente um quarto, era uma sala. Havia três sofás, todos bem simples e já bastante usados, com marcas de pés e mãos engorduradas, alguns rasgos e muitos e muitos ácaros, que, se não podiam ser vistos, dificultavam bastante a respiração, à noite, principalmente na época do frio. Você deve estar se perguntando qual a razão para deixar a cama desocupada para deitar-se num sofá nessas condições deploráveis e, ainda por cima, bastante desconfortável. Eu não sei. Até já me surpreendi pensando sobre isso, mas ocorre que não encontrei resposta.

Pareço o menino que procura por respostas fuçando caixas e mais caixas de papelão da antiga biblioteca de seu pai. Certamente nada encontrará senão sujeira e outras dúvidas sobre as quais debruçará até que se convença finalmente de que na vida tudo passa, e todos se sucedem, e que exatamente por essa razão nada importa. Porque nada é para sempre.

Às vezes eu estou na primeira tela do site em que escrevo. Texto e fotografia. Perco-me entre outros 7 mil aspirantes a alguma coisa. Sou gota no oceano. Há momentos em que me transformo em onda gigante invado terras alheias e faço estrago em tudo onde possa alcançar. Amado e odiado. Aceito com muito esforço por alguns. Jamais compreendido por todos. E somos todos Autores. De quê, não sei.

Talvez termine logo. Talvez termine logo, Boris. Quem sabe? Será bom. Talvez não atinjamos a 100 páginas. Mas talvez passe um pouco. Ou talvez faltem algumas linhas. Alguns caracteres. Com espaço. Ou sem?

Você realmente crê que se precipta indefinidamente no espaço. É como se estivesse deitado num colchão de nuvens. E para qualquer direção que olhe a paisagem é a mesma. E tudo acontece ao embalo e ao sabor da música que se repete em sua mente indefinidamente como a queda que feito redundância, lugar-comum, parece não ter fim. Então o ódio que você sente é como o sangue quente que sobe por suas veias entupidas até a sua cabeça, esperando encontrar qualquer outra menos resistente para explodi-la porque ódio é alguma coisa que, feito bílis precisa ser posto pra fora, ainda que seja como insignificante gota de orvalho da noite maldita, fria, cheia de luzes e vapores que parece não ter fim. Com suas ruas que parece não ter fim. Ruas molhadas pelas lágrimas da noite que rejeita a solidão.

Os gatos estão no telhado.

Ah, nos meus melhores dias eu já teria arrebentado tudo isso aqui. Teria preservado como sempre as folhas e os lápis e quem sabe a máquina de escrever, dependendo, é claro, o olhar com o qual ela miraria o meu espírito saindo de meu corpo para que outro entrasse e causasse a destruição. Eu já teria arrebentado tudo. Todo o quarto, o estúdio, a biblioteca, o escritório, onde quer que eu encontre um vestígio dessa insanidade chamada escrita. Sim. Todo o apartamento eu teria arrebentado já. Fosse meu.

Sometimes, Mr. Boy. Smalltown. Pague o preço por ser diferente. Enquanto os bons enchem suas burras, você esconde a sua dor debaixo do travesseiro onde se esconde todas as noites como esta. Não seja tolo mais ainda. Pegue uma graninha e embarque no trem. Suma. Desapareça dos olhos dessas pessoas que não lhe compreendem porque não aprenderam a suportá-lo.

Trecho extraído do romance "Bem-Vindo ao Clube" - A última jornada, de autoria de J. Costa Jr.. É proibida a reprodução. Todos os direitos reservados ao autor.

Foto ilustrativa: img.olhares.com/data/big/40/404311.jpg

sábado, 15 de maio de 2010

Era uma vez...

Qualquer semelhança com a vida não é mera coincidência.

POVO QUE NÃO LÊ

A gente se esforça em não querer acreditar mas parece inesgotável a capacidade da pré-candidata Dilma de dizer besteiras. A sua mais nova pérola, destacada na edição de hoje do Jornal Cidade de Rio Claro, é sobre o aborto: "Não acho que ninguém quer arrancar um dente e ninguém tampouco quer tirar a vida dentro de si". Ou seja, à parte o hermestismo redundante do "tirar a vida de dentro de si" tem aquela do colocar a importância de um dente arrancado no mesmo patamar de uma vida interrompida sem o legítimo direito de defesa.
Já temos um presidente que se orgulha de não possuir o hábito da leitura. E agora, parece que caminhámos a passos céleres para os braços de uma presidenta que se revela desprovida da prudência de pensar antes de dizer.
O que, eventualmente, pode se constituir uma preocupação, haja vista que basta que alguém espirre no longíquo e insignificante Brogodó do Norte para que as bolsas de valores do mundo todo comece a dar os seus chiliques.
Acalme-se leitor. O time da Várzea já foi para o brejo na Libertadores. E 2012 vem aí.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

THIS IS THE QUESTION

"Há aqueles que querem e há aqueles que não querem que você seja feliz, e eles estão na Terra e na Espiritualidade. Respirando o mesmo ar que você respira e observando tudo o que você faz. Com quais você deseja caminhar? A sua escolha é o seu destino." - J. Costa Jr.

PENSAMENTO DO DIA:

"Em Literatura o sentido se sobrepõe a regra. Até porque, elas mudam de tempos em tempos" - J. Costa Jr.

LAZER COM ARTE

Neste sábado (15), a partir das 17 horas, no SEST/SENAT de Rio Claro, acontece o evento LAZER COM ARTE. Expectativa de grande público. Motivos para isso não faltam. A entrada é franca e são muitas opções de entretenimento. Na feira de artesanato está confirmada a presença de 14 expositores. Também estará se apresentando a Banda Sinfônica União dos Artistas Ferroviários. E ainda, 7 artistas plásticos da nova geração estarão expondo seus trabalhos. O Grupo Auê de Cultura e Artes participa com a exibição do filme ISTA de Lourenço Favari. A atriz Michelle Dayane, a boa revelação do teatro rio-clarense marca presença na peça "Mulheres em Cena" ao lado de Anelisa Ferraz, Thábata Carvalho e Natália Codo.
O SEST/SENAT (Serviço Nacional do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte) tem ótimas e novas instalações e está localizado na Rodovia Washington Luiz, Km 176, Jardim Rio Claro. Outras informações pelo fone: (19) 3522-1710 ou 3523-8181.
Foto ilustrativa: Banda Sinfônica União dos Artistas Ferroviários de Rio Claro.

terça-feira, 11 de maio de 2010

TÁ ERRADO O NOME DO CARA

Explico: Não deveria ser Dunga mas Zangado. Porque, mêu, não é possível! O cara deixa fora de uma lista de 23, eu disse 23 atletas (porque jogadores não são) craques como Neymar, Ronaldinho Gaúcho, Paulo Henrique Ganso e Adriano Matador. Péra lá. Dunga deve ter exagerado na dose de Novalgina com esse frio que anda fazendo lá no Sul. Quê treinador em sã consciência no mundo teria essa capacidade? Os Mourinhos, Capellos e Scolaris e Ridnik's da vida estão dando risada. Acabamos de perder a Copa. Não precisa nem tomar o avião. Vai jogar amistosos caça-níqueis, que é a especialidade da CBF.
Vivemos mesmo a Era dos Anões, aquela em que os medíocres ocupam lugares de destaque e decisão. É o último expurgo, só pode ser, dessa fase de transição pela qual passa a humanidade. Era dos anões, sim senhor, e temos um Dunga no comando da nossa seleção. Brincadeira!
Isso tem cara de tudo. Menos de seleção. Sem craques, sem inspiração, um bando de guerreiros como insinua o comercial. Deve ser por isso que ainda hoje, em dia de jogos da seleção perco o meu sono ou tenho aquele maldito pesadelo: Falcão não foi campeão do mundo como atleta. Falcão não teve sorte, foi espinafrado pelo Galvão Bueno como treinador da seleção. E Dunga (perdoa-me o palavrão) foi campeão do mundo como atleta. E corre o risco, tal a mediocridade do futebol atual, de ser campeão do mundo como técnico. Ambos são gaúchos, ambos foram revelados pelo Internacional de Porto Alegre.
Pô, Bolinha, meu velho colorado, não precisava judiar tanto. Tô passando aí pra tomar uma gelada. Ou algo mais... Pra esquecer um pouco do Dunga.

Ilustração: Charge do site do Uol.

sábado, 8 de maio de 2010

PERFEIÇÃO. OU QUASE ISSO.

Este texto foi publicado no Jornal Cidade Livre, edição No.20, disponível em: http://www.redecidadelivre.com/net/jornal.html

“...O que será de caras como eu, que apreciam a boa música, o verdadeiro sentimento contido nelas, cresci sonhando em fazer música, cresci estudando todas as complexidades, e quando, estou preparado, percebo que não existe mais lugar pra mim, somente pra aqueles que se vendem a uma mediocridade, a uma superficialidade material, sou um fracassado por pensar diferente da grande massa” – este é o desabafo de um sujeito que assina como Spantoflocus. Está publicado no youtube (http://www.youtube.com/watch?v=sNQuN6xgBNo ), onde ele faz um comentário sobre um vídeo em que Raul Seixas na companhia de Marcelo Nova é entrevistado por Jô Soares, em 1989. É a última entrevista concedida por Raul à tevê brasileira.

Por falar em rock nacional, muita gente se pergunta porque demora tanto a surgir um novo movimento capaz de conquistar a simpatia dos adeptos e o merecido espaço na mídia, como ocorre, por exemplo com o sertanejo, cujo reinado parece não ter fim e em um passado não muito distante ocorreu com o pagode.

Uma série de fatores foram determinantes para que o rock nacional perdesse o seu espaço. O mais substancial é que não houve renovação à altura das melhores bandas dos anos 1980. Nem no que diz respeito ao som e muito menos à atitude. O rock, por sua essência rebelde e determinada a transgredir necessita de uma causa. Nos anos 1980 a causa era a redemocratização do país, a conquista da liberdade, esforço ao qual se dedicavam todos os setores realmente produtivos da sociedade brasaileira. Havia a esperança de que um presidente eleito pelo povo resolveria tudo. O tempo mostrou uma outra dura realidade. Escancarou-se a prática mais comum neste país, antes devidamente escondida debaixo do tapete da hipocrisia das elites: a corrupção. O rock dava voz à insatisfação reinante com palavras de ordem contidas nas letras das músicas como: Que país é este? Procuramos independência, tanta riqueza por aí, onde é que está a sua fração, nos quatro cantos da terra, a morte, a discórdia, a ganância e a guerra. Mas, nada define melhor a indignação que corroía o sangue dos roqueiros daquele tempo como: Vamos celebrar a estupidez humana (...) o meu país com sua corja de assassinos, covardes, estrupadores e ladrões.

Pois bem. Havia o que dizer, porque dizer e para quem dizer. Hoje, não há. E o rock ainda não descobriu qual o seu novo horizonte. Se é que existe. Parece até haver uma maldição sobre esse gênero musical que quando tudo vai bem nada soa bem para o rock.

Assim, proliferam as duplas sertanejas e os grupos de pagode. Nada contra. Eles tem seus motivos para obter tanta penetração junto à mídia e aceitação junto à sociedade. Eles se vestem bem. Falam o que todos entendem. São politicamente corretos até o ponto de serem extremamente chatos.

Ah, e não destroem camarins, palcos, não cancelam shows em cima da hora. Respondem com simpatia e sorriso às perguntas de sempre dos repórteres. E vendem cd’s pra burro. Porque afinal, há quem celebre o horror de tudo isso. E a estupidez de quem escreveu este texto.

Mas, chega de maldade. O amor tem sempre a porta aberta. E eu poderia enumerar dezenas de outras razões. Mas colocarei apenas mais uma: São Paulo, Brasília, Porto Alegre e Rio de Janeiro não existe a cada esquina. Cidades de interiô, sim. Deu pra entender, né? Ou não? Se não deu, opa, já começamos bem. Quem sabe mais alguns desentendimentos e montamos uma banda de rock. Vamos celebrar!

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PERFEIÇÃO. OU QUASE ISSO...
Qui, 06 de Maio de 2010
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quinta-feira, 6 de maio de 2010

CORRE A BOCA PEQUENA...

CRIMES CONTRA A NATUREZA


Comentários dão conta de que o IBAMA estaria investigando uma onda de crimes ambientais que tem se verificado no estado de São Paulo.

Recentemente a genuína e rara espécie dos galos azuis andaram se afogando em aguinhas rasas devido a precariedade de suas condições.

Agora, um ataque de urubus rubro-negros dizimou os gambás que habitavam a várzea paulistana.

Dizem as más línguas que a próxima vítima será o peixe, que anda muito engraçadinho e cheio de pose.



DIA DAS MÃES

Além de todas as virtudes já conhecidas, o Corinthians revelou mais uma: a generosidade. Não esperou o domingo de dia das mães para presentear a presidente rubro-negra Patricia Amorim. Aliás, bons modos são de fato a maior virtude de Mano Menezes.



TEORIA DA CONSPIRAÇÃO

Finalmente confirmado pelos agentes da Interpol. Um ardiloso plano culminou com a eliminação do Corinthians da Copa Libertadores da América. A máfia italiana assumiu a autoria do plano. Na verdade, uma Vendetta levada a cabo desde que o Palestra Itália perdeu o campeonato brasileiro e a classificação para a Libertadores. Dirigentes palestrinos, tifosis e o atacante Vagner Love teriam forjado sério desentendimento para permitir a ida de Love Matador para o Flamengo que por nada do mundo gostaria de ver o Curíntia campeoni da Libertadori. Love, criado e revelado no alviverde de Parque Antarctica teria a missão de impedir sonho corinthiano. Conseguiu. Será recompensado.

domingo, 2 de maio de 2010

EDITORES, SABICHÕES, NÃO LÊEM ORIGINAIS

"Rio Claro, domingo à noite. Eis o que se escreve depois de uma voltinha pelo centro da cidade..."

Gertrude Stein, escritora e poeta norte-americana radicada na França, amiga de Picasso, Fitzgerald, Hemingway, Ezra Pound e James Joyce. Amante de Alice Toklas, e exímia provocadora escrevera certa ocasião: “Uma rosa é uma rosa é uma rosa”. Não satisfeita, dissera mais: “Ser gênio exige um tempo medonho, ir de um lugar a outro sem fazer nada”.

Recorro a madame Stein para novamente expor-me à excitante e não menos dolorosa situação de vidraça, para a qual, voltar-se-ão todas as pedras ao final desse texto.

A editora Sextante informa que está preste a lançar Aleph, o novo livro do mago, digo, escritor Paulo Coelho. O lançamento deve ocorrer em agosto deste ano.

Recentemente Coelho defendeu a pirataria de livros. Pra ele é fácil, já está com o bolsão cheio faz tempo. Talvez, por essa razão, num gesto de extrema generosidade para com seus milhares de leitores espalhados pelo mundo disponibilizou gratuitamente os seus livros pela Internet.

Simpatia é uma estratégia para conquistar e manter clientes. Ou melhor, compradores de livros. Perceba, eu disse compradores, não leitores. Porque esta é uma pergunta que muito me incomoda: quem é leitor de livros neste país? Compradores é possível identificá-los sem maiores dificuldades. Uns, são ávidos por se demonstrarem cultos. Não apenas na aparência. Por isso adquirem livros que jamais irão ler, assistem a espetáculos teatrais e de dança sem entenderem bolhufas. São os mesmos que lotam os cines-clube para assistir ao Godard e saem de uma sessão de Lars Von Trier com aquela cara espantada de Óh!!! ... Vamos tomar um vinho. Mas isso não os impede de comentar e dar entrevistas para esses programinhas de televisão cuja pauta principal se ocupa da propalada Cultura Inútil tão bem vendida pelos gênios da publicidade num país de analfabetos funcionais e presidentes iletrados.

Não interessa se Paulo Coelho escreve bem ou não. Interessa é se as pessoas realmente lêem os seus livros.

Para alguns pseudoleitores ter um Paulo Coelho na estante da sala de estar ou na mesa de centro da sala de visitas, significa qualquer coisa como ostentar um Juan Gris pendurado na parede... Do banheiro.

Comprar livros é uma coisa. Lê-los, é outra e bem diferente. Não é possível, jamais será auferir quantas pessoas, quais, por que, quando e como lêem, tendo como parâmetro a lista dos mais vendidos publicadas com orgulho pelos jornalões aos finais de semana.

Esse é um dos motivos porque a Literatura publicada em papel impresso no Brasil é esse saco de gato, onde cabem todos e não sobrevive nenhum. Exceto Paulo Coelho.

Os editores brasileiros parecem um bando de comerciantes falidos tentando vender um cachorro sarnento num mercado de pulgas. Não acreditam naquilo que publicam e por isso mesmo não sabem o que publicam. Daí suspeitam que o cachorro sarnento do vizinho talvez seja menos feio e menos mal cheiroso, quando muito, bonitinho. Finalmente convencidos pela cigana, o pastor ou santo Expedito, despendem dos poucos recursos e parcas reservas para trazer o cachorro do vizinho para o seu espaço e ali vendê-lo. E acreditam ter feito grande negócio.

Curar o seu cachorro, torná-lo bonito e forte e fazê-lo cruzar com uma cadela de respeito que procrie, dá trabalho. Muito.

Como se vê este é um país onde editores de livros de ficção não lêem originais. Contrata quem os faça. É mais cômodo. Não lhes importa descobrir talentos. Importa é vender livros. E para isso, não é preciso ser bom escritor.

Se os escritores postos à margem do sistema cujo rei se chama Paulo Coelho, fossem menos tímidos e tivessem menos ilusões e menos pudor publicariam os seus próprios livros em papel de pão, xerocado, que fosse. Com capa e ilustrações de artistas postos também à marginalidade pelo sistema. E os vendiam a R$1,99, nas bancas de jornais, nas portas de escola e de fábricas. Jamais ficariam sem o dinheiro pro conhaque, o marmitex e o cigarro.

Mas preferem se sujeitar à corrida suicida de tentar convencer a editores que não lêem originais a publicar os seus. Esperam por oportunidades e incentivos de governos nem um pouco interessados em governar um povo culto, esclarecido, instruído e capaz de reinventar a roda. E o tempo passa... E nada acontece, E não vivemos em Paris, não somos amigos de Gertrude Stein, e nem estamos numa guerra mundial pra nos consolarmos um pouco com a desgraça e tristeza alheia que, por acaso, também é a nossa.

Nada fazemos. E não somos nada. Sequer escritores, porque não temos nossos livros publicados. Não é, intelectualidade? Alguém me diga que não.

sábado, 1 de maio de 2010

O OLHAR DO LOBO

Nunca serei um Fausto Wolff. Mas as palavras dele me consolam como ser humano, tanto quanto as palavras de outro Mestre me consolam como espírito que sou.

O DIA EM QUE A COBRA FUMOU...

 ...Para os alemães. Vinte e nove de abril marca a data em que os alemães se renderam à Força Expedicionária Brasileira durante a Segunda Guerra Mundial. O fato merece registro. O jornalista e escritor Joel Silveira, que cobriu o evento, fala um pouco sobre o episódio no vídeo a seguir: