quarta-feira, 30 de junho de 2010

ELES E NÓS: A INFLUÊNCIA DOS ESPÍRITOS.

Para efeito de ilustração ao que se pretende aqui expor, na tele-novela “Escrito nas Estrelas”, atualmente em exibição, o personagem Daniel, mesmo após seu desencarne, se esforça em fazer com que a personagem Vitória/Viviane, que ele amava, enquanto encarnado, tenha um filho seu, através do método da Inseminação. Em 1975 a escritora Ivani Ribeiro escreveu o folhetim “A Viagem” (reproduzida em 1994), em que ela retrata através do personagem Alexandre http://www.youtube.com/watch?v=yR12srioqBc, os sentimentos de revolta, de desejo de vingança e finalmente do arrependimento obtido através do esclarecimento por conta das atitudes equivocadas e infelizes que, muitas vezes se toma enquanto vive-se no plano físico. Numa clara demonstração de que não raramente os espíritos desencarnados agem muito mais em razão da necessidade de manter vivo os seus sonhos humanos do que por maldade. A autora baseou-se em dois livros de André Luiz, psicografado por Chico Xavier, que são “Nosso Lar”, cuja versão cinematográfica tem lançamento nacional previsto para Setembro próximo http://www.youtube.com/watch?v=MLTqdyecdHQ  e “E a vida continua...”.

Em O Livro dos Espíritos, na questão 459, Allan Kardec pergunta: “Os Espíritos influem sobre os nossos pensamentos e as nossas ações?”. E a resposta: “Nesse sentido a influência dos espíritos é maior do que supondes, porque muito frequentemente são eles que vos dirigem”. Na sequência, Kardec, vai mais adiante: “Temos pensamentos próprios e outros que nos são sugeridos?” Os espíritos respondem. “Vossa alma é um espírito que pensa. Não ignorais que muitos pensamentos vos corroem, a um só tempo, sobre o mesmo assunto, e frequentemente bastante contraditórios. Pois bem: nesse conjunto há sempre os vossos e os nossos pensamentos. E é isso o que vos deixa na incerteza, porque há em vós duas ideias que se combatem”. O questionamento prossegue: “Como distinguir – pergunta Kardec – os nossos próprios pensamentos dos que nos são sugeridos?” – E a resposta elucidativa se faz de pronto: “Quando um pensamento vos é sugerido, é como uma voz que vos fala. Os pensamentos próprios são, em geral, os que vos ocorrem no primeiro impulso. De resto, não há grande interesse para vós nessa distinção e é frequentemente útil não o saberdes. O homem age mais livremente. E se decidir pelo bem, o fará de boa vontade. Se tomar o mau caminho sua responsabilidade será maior”.

Daí percebe-se a importância de se cultivar bons pensamentos para estar bem acompanhado espiritualmente. A mente humana, que concebe o pensamento, um dos atributos do espírito, ao lado da ação e da vontade, está sujeita à lei de sintonia onde os afins se atraem e os diferentes se repelem. Vê-se assim a importância fundamental do ensinamento de Jesus: “Orai e vigiai”. Sempre.

Fontes pesquisadas: O Livro dos Espíritos e O Evangelho Segundo o Espiritismo, ambos de Allan Kardec.






terça-feira, 22 de junho de 2010

PENSANDO BEM...

"Deus inventou o sim e o não e viu que era bom. O homem inventou o mas, o porém, o todavia, o entretanto, e até hoje não se deu por satisfeito". – J. Costa Jr.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

PRESENTE DE GREGO NA SEMANA DO ANIVERSÁRIO DE RIO CLARO

Um incêndio de grandes proporções destruiu na madruga da segunda-feira (21) o prédio centenário onde funcionava o Museu Histórico e Pedagógico Amador Bueno da Veiga, localizado na Avenida 2 com rua 7, região central. Para as autoridades, isto se constituiu um problema. Mais um. Que, provavelmente, como tantos outros, de mais ou menos importância ficarão sem solução. Para a cultura e a história de Rio Claro, preste completar 183 anos, o estrago está feito. E é irreversível.

O Museu, como era carinhosamente chamado pelos rio-clarenses, sempre foi um daqueles filhos de Rio Claro, amado por seus irmãos, os munícipes, e encarado como filho problemático pelas autoridades que se não eram os seus pais, eram os seus tutores. Ao menos deveriam.

Fechado há vários anos para visitação pública, o Museu teve a primeira etapa de sua reforma concluída em 2005. E a segunda... Nem precisará.

O local tinha sua história intimamente ligada à da Cidade Azul assim como o Teatro Phoenix, o Casarão dos Azulejos Portugueses, ambos igualmente destruídos, não por um incêndio, mas pela especulação imobiliária que devastou, sob os olhos morosos das autoridades, a rica história e cultura, então existentes na região central de Rio Claro. Ali, onde funcionava o Museu Amador Bueno da Veiga, fora o Solar da Baronesa de Dourados, cujo mobiliário, preservado, em recinto exclusivo no pavimento superior do prédio sempre excitara a imaginação dos visitantes. Fora também sede do Tiro de Guerra. Ali, a saga dos rio-clarenses que participaram da Revolução de 32, contada através de objetos e documentos que narravam o envolvimento dos rio-clarenses com a causa pela qual se lutava. Também importante e significativo material sobre o Movimento Integralista, levado adiante por Plínio Salgado e com forte penetração em Rio Claro, objeto de estudo e pesquisa da parte de historiadores e pessoas de todo o Brasil interessadas no assunto.

Devido sua importância, o prédio onde funcionava o Museu Amador Bueno da Veiga deveria ser mais bem cuidado, melhor protegido, e talvez isso evitasse o seu triste destino.

O lamentável episódio chama a atenção e desperta para a necessidade do cuidado e do zelo que não teve o Museu, passem a ter o Centenário Gabinete de Leitura e o próprio Arquivo Histórico de Rio Claro. Afinal, até onde se sabe a cidade possui, uma Guarda Municipal e uma Vigilância Patrimonial e uma Secretaria de Segurança, à qual, ambas estão subordinadas.

É bem verdade que aos menos avisados, aqueles que em cujas mentes e corações ainda não despertaram a importância para um povo da preservação de sua cultura e sua história, o fato pode ser encarado até como irrelevante. Mas, nossos filhos e netos, certamente pensarão o contrário, quando procurarem em vão por informações a respeito de suas origens e seus antepassados.
Fotos ilustrativas: Repórter fotográfico Jaburu (www.canalrioclaro.com.br)

Artigo publicado no Jornal Diário do Rio Claro, edição de 02/07/2010 (Sexta-feira).

40 ANOS DO TRI - E O DESTINO DO FUTEBOL

No dia em que o Brasil comemora 40 anos da maior conquista da seleção brasileira, o futebol merece uma reflexão.
O maior jogador do mundo de todos os tempos era o que mais treinava. Não tinha alcunha de fenômeno, mago, peixe, ou coisa que o valha. Seu nome de guerra, ou melhor, apelido já era uma definição. E continua sendo: Pelé.

Fica difícil se empolgar com o futebol que hoje se assiste. Era de se esperar que ao menos em uma Copa do Mundo fosse possível desfrutar do prazer do futebol bem jogado. A imprensa se esforça, em manter o interesse do cidadão. Mas está difícil. As imagens falam por si mesmas. A pífia técnica da maioria dos pseudocraques fabricados pela mídia resulta jogos modorrentos de dar sono. Há pouca e não raro nenhuma emoção. Compreensível. Vê-se em campo jogadores-atletas robotizados por invencionices saídas das pranchetas e dos computadores de treinadores que procuram pelo em ovo. Ou seja, a lógica no futebol.

Atualmente, no Brasil, e em vários países há mais torcedores de sofás e cadeiras de bar do que torcedores de arquibancada. Não é o que se vê em Copa do Mundo, certo. Mas esse é um evento atípico que se realize a cada quatro anos.

Como fazer o futebol se tornar de novo um espetáculo atraente para as multidões?

Uma alternativa poderia ser a limitação do número de faltas que cada equipe pudesse cometer. Por exemplo. Cinco faltas em cada tempo. Na sexta falta, penalidade máxima contra o infrator. Assim, em tese, pelo menos, a habilidade do bom jogador voltaria a ser prioridade, as concepções táticas teriam de ser necessariamente modificadas. E talvez, até haveria mais espaço para os craques de boa técnica desempenhar o seu futebol. Os brucutus, os atletas que mais correm do que jogam teriam de aprender o que preconizava o Mestre Telê Santana: “Tome a bola do adversário sem fazer falta”. É possível? Sim. Ocorre, atualmente? Não. Porque não há estímulo para tanto.

Outra alternativa para melhorar o futebol que se joga atualmente, fundamental, a bem verdade, seria separar o joio do trigo. Explico. Futebol é uma coisa. Educação Física é outra. São dois lados da mesma moeda. Mas são diferentes. Futebol é jogo. Para treinar e orientar um jogador, enfim, um time, é preciso treinador. De preferência, ex-jogadores que aprenderam na prática a essência do futebol. O presidente do Sindicato dos Treinadores Profissionais do Estado de São Paulo, o ex-técnico Mario Travaglini, há muito tempo está empenhado numa mesopotâmica batalha para que sejam respeitados e defendidos os interesses da classe.

Uma das razões para que o futebol tenha decaído tanto tecnicamente pode ser o método de treinamento empregado pelos técnicos de categorias de base, a maioria deles, completamente descomprometidos com a causa sagrada do futebol que é a de se descobrir e formar jogadores. Fácil de entender. A maioria deles está mais interessada em mostrar serviço para o diretor de futebol, o patrocinador, o presidente do clube, montando times competitivos que conquistem torneios e campeonatos inexpressivos ao invés de descobrir e formar talentos. Sujeitam-se à lei do senso comum que determina: vencer a qualquer custo. Assim, treinadores como Joubert (Flamengo), Cilinho (São Paulo) e Pupo Gimenes (Guarani) são cada vez mais raros, quase inexistentes. Quem perde? O futebol, claro. Pelo que representa para a cultura e a sociedade brasileira o futebol merecia até um ministério. E escolas técnicas e até universidades que formasse exclusivamente profissionais técnicos e treinadores destinados a descobrir e formar talentos, treinar equipes, tática e tecnicamente, tendo sua profissão devidamente regulamentada

Pode parecer em princípio utopia. Mas é um caminho. E talvez o único.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

A ÚLTIMA FLOR DO LÁCIO

Foi através de uma sugestão do meu fraterno amigo Favari Filho que conheci o mundo de Saramago. A leitura de Ensaio sobre a cegueira me fez cair a ficha e perceber duas coisas fundamentais: 1) o que eu escrevo não é exatamente Literatura; 2) jamais serei um escritor. À parte a surpresa que isso possa causar devo a seguinte explicação. A Literatura como representante da nobre Arte, é aquilo que fez José Saramago ao longo de sua trajetória que se finda no dia de hoje. Vejo um hiato entre o que pretendemos ser e o que ele era. Nós fazemos das ideias e dos sentimentos uma forma de se expressar com palavras. Ele fazia da palavra escrita uma maneira de se expressar através das possibilidades que a Literatura permite. A palavra escrita era para ele barro, fundação, alvenaria, arquitetura. Não sei se me expresso muito bem. Não importa. Recorro-me ao poder de síntese próprio da minha geração: Saramago era a Literatura.

Não acreditava em Deus, talvez porque a palavra escrita era Deus para ele, que a usava de todas as formas e esgotava todas as possibilidades.

Diante de uma obra de Saramago não se lê um livro, se lê um texto na sua melhor forma e conteúdo. Penso, já o disse outras vezes, que a Língua Portuguesa foi feita para a poesia. Mas como toda regra tem exceção, esta atende pelo nome de Saramago. Não pretendo aqui escrever uma tese, um ensaio, o espaço não recomenda. Mas quero que saibam que ao reconhecer a importância da obra desse escritor e compreender que jamais iria alcançá-los eu me resignei com o que sou e com o que posso realizar através da Literatura. Encontrei meu caminho. Talvez daqui a dez ou cem gerações eu esteja entre o seleto grupo ao qual é permitido limpar as botas de José Saramago. Pode ser.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

IMAGEM É TUDO

A gente costuma imaginar que no passado não havia colorido. Mas havia. Inclusive no futebol..

terça-feira, 15 de junho de 2010

MAIS QUE UM HEXA!

Hoje a pátria calça chuteiras. É inevitável. Não se trata de ufanismo. Mas constatação da realidade. Queiram ou não, hoje, eu, você e os outros 179 milhões 998 mil brasileiros, durante 90 minutos estarão envolvidos numa atmosfera de patriotismo que se repete a cada 4 anos.

Alguns roerão as unhas, outros amassarão bolinhas de papel e, num frio como este que vem fazendo haverá aqueles que ao menos hoje irão fumar um cigarrinho. Ao menos hoje.

A partir das 15 horas, todos esqueceremos da mãe do Dunga e nos lembraremos de Deus. Ah, Deus, faz essa bola entrar! Pobre Deus, aposto como se pudesse, ele tiraria férias hoje.

Não vai mudar as nossas vidas, nós torcedores, o resultado do jogo de logo mais. No máximo vivenciaremos um êxtase momentâneo de felicidade, e lembraremos que sim, temos valor, somos brasileiros, bons de futebol que, em momentos como o de uma Copa do Mundo, mais do que uma competição esportiva, ganha contornos de selo cultural de uma nação que, literalmente se pinta de verde e amarelo.

Há quem afirme que se o futebol fosse levado a sério no Brasil, este seria imbatível na modalidade. Mas justamente por nunca ter sido foi possível que houvesse Garrincha, Pelé, Romário, Ronaldo que, na história das Copas fizeram a diferença em nosso favor.

No Brasil, diferentemente da maioria dos países, o futebol pode, entretanto, adquirir outra dimensão. Porque é um fator agregador da sociedade. E pode transformá-la. Como? É preciso que a intelectualidade, os formadores de opinião, governantes, pais e educadores, identifiquem essa possibilidade e a estimulem.

Onde mais na sociedade seria possível encontrar algo conhecido e aceito pela maioria esmagadora dos cidadãos e fazer dele um instrumento de transformação positiva do indivíduo. Porque poderia ensiná-lo a respeitar as regras da sociedade, a ganhar e perder, a conviver harmonicamente em grupo, seja em família ou no trabalho, ou no meio social do qual participa. E a aprimorar-se, sempre, em busca de um nível de excelência tanto no aspecto moral, quanto no intelectual.

Quando essa visão prevalecer, o futebol terá conquistado uma importante e decisiva vitória além das quatro linhas. Porque terá se tornado um meio imbatível para educar o cidadão. O adolescente e o jovem principalmente.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

ADORMEÇA SOB A FIGUEIRA ÉDI (Conto de Édi Miller)

Assim eram todas as tardes, enquanto na cozinha, a mesa farta de pães e doces, e massas regadas a vinho, eles elaboravam as suas histórias, os seus golpes, e crimes.

Aldo não queria que eu participasse dos negócios da família. Não fica bem pra você – ele dizia – Não deve sujar-se tão cedo.

Ele não queria que eu perdesse a ingenuidade da infância. Não se lembrava talvez que isso não faria diferença com o tempo.

Você ainda não tem pelos no rosto, Édi – ele me dizia. – Portanto, não deve borrar as mãos com o vermelho do sangue imundo, muito menos atormentar o espírito com o aroma fedorento que traz um pedaço de papel cobiçado por todos desde sempre.

Todos naquele bairro diziam que Aldo era bom sujeito. Ele vestia-se bem. Com ternos impecáveis, sapatos brilhantes e gravatas das mais caras. Tinha o cabelo sempre bem cortado, embora para a frustração do seu prestimoso barbeiro, o bom e velho Tom, Édi preferia manter o penteado escondido por modesto chapéu panamá, que destoava e muito da sua esmerada aparência.

Ele sempre me dava roupas, porque dizia que um homem bem vestido é mais respeitado que seu próprio caráter e conhecimento. As pessoas julgam pela aparência, Édi – ele me dizia – E é assim desde que o mundo é mundo, e Deus cometeu o desatino de colocar o ser humano sobre esse chão abençoado.

Aldo amava a natureza. Em tempo: Preferia os animais aos seres humanos. Uma árvore era capaz de comovê-lo com seu tronco forte e sua copa glamourosa, muito mais que o choro de uma criança, o olhar de uma mulher desesperada e sedenta por um instante de atenção.

Eu me questionava se sempre fora assim. Sempre que passava minhas tardes sob a figueira, eu me questionava sobre estas e muitas outras coisas a respeito do padrinho.

Era ao menos trinta anos mais velho que eu. Mas não sei por que quando olhava para Aldo, eu me sentia como se olhasse para o meu irmão. Irmão de sangue – devo explicar – para que não paire dúvidas a respeito.
Lembro-me daquela manhã em que os rapazes chegaram ao amanhecer. Havia grande agitação. Eles discutiam entre si. E, ao invés da cozinha, ocupavam a sala, onde geralmente se reuniam para dividir os lucros e festejar com as garotas o êxito de mais um trabalho. Mas naquela manhã não havia garotas e nem sussurros. Nem copos caindo no chão, nem garrafas estourando contra a parede. Porém, havia muita discussão. Ofensas e alguns disparos de armas de fogo em intervalos de tempo mais ou menos iguais. O primeiro deles contra o lustre que se espatifou espalhando sujeira por toda sala inclusive sobre o sofá. Porque foi o cenário que encontrei, quando finalmente tive coragem de sair do quarto para ver o que estava acontecendo.

Mas antes, enregelei-me todo, quando um dos rapazes disse lá da sala: “E o garoto? Que vamos fazer com ele?”.

Pensei esconder-me no guarda-roupa, debaixo da cama, ou pular a janela. Foi o que pensei. Até me lembrar do que Aldo sempre me dizia: Quando você crescer, e enfrentar uma situação difícil, não pense o que Deus faria em seu lugar. Pense o que eu faria.

Foi por isso que deixei o quarto, naquela manhã, e caminhei até a sala, de encontro ao meu destino.

Alguns rapazes estavam caídos no chão, outros sobre o sofá e as poltronas. Alguns já entregues ao silêncio da morte, outros gemendo. E pela primeira vez na minha vida eu seria incapaz de dizer o nome de cada um deles. Não porque não lembrasse.

Sangue havia por toda a parte. Sangue e destruição. Medo e morte. E estas  coisas adquirem outra dimensão, assustadora e por demais insuportável quando se têm apenas 11 anos.

Ocorreu-me falar com o padre Albino. Mas a linha do telefone estava cortada, e eu realmente não tinha nenhuma certeza de que conseguiria deixar aquela casa. Olhei pelo grande janelão da sala, e percebi alguma movimentação no jardim. Era o silêncio envolvendo aos poucos todo aquele ambiente. Os cachorros não responderam ao meu assovio. Os criados não transitavam pelo gramado, não conversavam entre si porque lá não estavam para reclamar das atitudes de Aldo e sua falta de generosidade.

Pela primeira vez desde que Aldo me arrancara dos braços do meu pai e me levara consigo, naquela noite, tão dominada pelo cheiro de pólvora quanto aquela manhã, eu me vi só. Completamente só. E sem destino.

Faz hoje10 anos que a cada 17 de julho eu visito esse túmulo de mármore carrara onde não há nenhuma foto. Apenas um chapéu panamá e um charuto, ambos de bronze, no lugar do que seria uma inscrição.

Pensei que passado tanto tempo eu me lembraria de Aldo, seu olhar e seu sorriso, seu cumprimento forte e a força descomunal do seu braço direito que lhe permitia me levantar pela bunda com a palma da mão. Nem o seu olhar, nem o seu sorriso, nem a sua força e a sua generosidade, sua sinceridade, às vezes mal compreendida e jamais aceita. Mas o seu silêncio, a escuridão que tomou conta de si e de tudo à sua volta, no instante em que fui o último a dirigir-lhe um adeus, momentos antes do agente funerário fechar o caixão. Hoje, sua poltrona me pertence. E sua caixa de charutos, guardo na mesma gaveta, fechada a chave, como ele fazia.



sábado, 12 de junho de 2010

INSTANTÂNEOS DA VIDA

Ele ficou olhando o retrato pintado na parede de sua casa. Era seu pai, cuja imagem ali ficaria eternizada.

Saiu para fora e olhou para o céu. E assim ficou por um bom tempo até que o sol vencesse as nuvens e ofuscasse o brilho dos seus olhos.

Não sabia precisar que tempo era aquele, que lugar era aquele. Não sabia quanto tempo ainda iria viver. Porque agora estava só e tudo seria mais difícil.

Não tinha sequer a desconfiança que um dia, no futuro alguém pudesse imaginar a sua estória, enquanto feito ele, olhasse para a parede de sua casa, na verdade, para os olhos do futuro que ele desconhecia, nada mais que uma caverna.

O fato remete a outro. Uma criança afasta-se de seus familiares durante uma festa, tranca-se no quarto, porque finalmente encontra a oportunidade de realizar algo desejado há muito tempo. Abrir a caixa de camisa e conhecer as fotografias que lá sabia estar. Logo encontrou a de sua mãe, quando pequena, no colo dos pais dela, dos seus avós. A mãe sorria, a foto era colorida, e conservada e boa. Sim, era mesmo parecida com a sua mãe como todos diziam. Quase não havia diferença entre ambas senão as dezenas de anos que as separavam.

O velho fotógrafo fechou a porta do seu estabelecimento deixou na sala escura do seu ambiente de trabalho a última foto revelada, ainda secando, pendurada no varal. Não voltaria na manhã seguinte como fizera durante mais de 40 anos. Não havia motivo para tanto. Talvez fosse pescar com os amigos. Talvez ficasse sentado na cadeira de vime, onde passaria as suas tardes, olhando o movimento da rua, da varanda de sua casa.

O homem das cavernas, a menina e o velho, eles tiveram uma vida, um passado do qual se lembrar. Um passado em preto e branco, um passado feito de imagens coloridas, um passado virtual, intocável, impenetrável.

Todos eles passaram pelo mundo sem conhecer o mundo onde tudo é rápido e repetitivo. Onde todas as formas são possíveis e nenhuma se fixa a ponto de ser compreendida e admirada. Onde toda verdade se torna mentira em fração de segundo. Onde as caras e as cores são iguais, os modelos gigantescos, os objetivos imensuráveis. Onde a natureza, sufocada pela cobiça humana clama em silêncio por espaço e direito à vida.

Quem me sopra agora essas linhas já passou por aqui e amou esse mundo. E dizia entre outras coisas: Se a natureza é tão bela, porque encerra tanto sofrimento? Dizia que o homem pode ser destruído, mas não vencido. E talvez por isso agora retorna pra continuar fazendo das palavras um sopro de esperança no coração de cada ser humano.

Bem-Vindo ao Clube, escritor.

EM TEMPOS DE COPA

Tão engraçado quanto o original.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

ANTES QUE A BOLA ROLE

Essa é do Édi Miller

Tenho doze minutos para entregar esse texto ao editor quando toca o maldito. Demora um pouco até que eu me convença a atendê-lo. Notícia de morte? Provavelmente, não. Você acaba de ser pai? Menos ainda. Já sei, ganhou na loteria! Xiii, piorou! Pronto. Não levo mesmo jeito pra bidu. Era minha filha perguntando se comprei a calça que ela me pediu. Que calça!

Não houve cientista, profeta ou iluminado até o momento que conseguisse responder: diminuiu o tempo ou nós é que temos coisas demais a fazer? E destas, quantas realmente tem importância?

Quando digo que sou escritor já me torno mira de um olhar desconfiado de como quem diz: esse não faz nada na vida. Ledo engano. Se eu fosse seguir as orientações do professor Raymundo Carneiro e sua impraticável oficina literária certamente eu criaria um acervo, um museu da palavra, enfim, um arquivo com milhares de pastas com anotações, fotos, recortes de jornais e revistas sobre diversos assuntos e atravessaria minha nefanda existência e não escreveria absolutamente nada. E quando digo nada estou dizendo: romance, novela, conto, peça, roteiro, artigo, crônica, poema, poesia – não necessariamente pela ordem.

Mas sou um autor intuitivo tipo senta e escreve. Giro a antena no alto da cabeça mais conhecida entre os indianos e esotéricos como chacra coronário e sintonizo com alguma aspiração do campo metafísico que pretende se transformar em palavras, o que acabo fazendo, às vezes contra a minha vontade, através da glândula pineal, que um dia a medicina pensara que estava relacionada apenas à sexualidade. Sei não. Ainda me descubro intermediário entre dois mundos ou coisa que o valha.

A coisa funciona melhor pela manhã, quando tudo é esperança e os neurônios estão descansados. Escrever à noite, nem pensar. Tanta coisa melhor pra se fazer à noite aos 20 anos, como sexo e beber ou vice-versa. Aos 40, descobri dia desses, ler e dormir. E às vezes, ouvir música. Que preste, é claro.

Comecei a cuidar de plantas, a me interessar por elas. Mau sinal. Entretanto, me fazem esquecer que há telefone no mundo. Oh, maldito!

Meu amigo Moita disse que Thomas Edison, Graham Bell e outro sujeitinho do qual não me lembro o nome, acham-se nesse momento, em algum canto do mundo metafísico desenvolvendo um aparelho que viabilizará de vez por todas a chamada TCI – Transcomunicação Instrumental, técnica que permite contatar através de sinais de rádio ou tevê os tido como mortos. Já pensou? Você liga a tevê de madrugada e dá de cara com a sogra.

Estou realmente quase convencido a cometer suicídio e ir antes do tempo determinado para o mundo metafísico e impedir que Edison e Bell levem a cabo o desatino.

Quem é que vai ter sossego na vida se isso acontece? Ninguém mais poderá fugir do credor, da sogra como já disse, e da ex-mulher, do filho mala que sempre pede dinheiro na frente dos outros quando você não tem um puto no bolso. Enfim, Deus me livre! O mundo vai ficar mais sem graça do que já está.

Pior de tudo, é que o Lula sai ao final do ano. E quem nos fará rir a partir de então? O Dunga? Não, até lá já teremos rido muito com ele. Ou da nossa alegria. Ou da nossa desgraça. Façam suas apostas.

Por isso é que abandonei os clássicos. Agora só leio gibi. E, vez em quando, a Mad.

Pra quem ganha o que eu ganho, acho que escrevi demais por hoje. Bye.

* Texto publicado no Jornal Cidade Livre. Acesse: http://www.redecidadelivre.com/jornal/

sexta-feira, 4 de junho de 2010

QUE PAÍS É ESSE?

A educação pública, diz respeito a todos nós. Porque as deformidades e equívocos que ela apresenta são portas que se abrem para a violência, os vícios de toda sorte que, de alguma forma, nos atinge a todos. Quando nós cidadãos, por absoluta falta de capacidade e desinteresse de exercermos a cidadania nos omitimos em reivindicar o que é de direito nosso como uma educação pública de qualidade exemplar, em todos os níveis, nos tornamos cúmplices dessa aberração. Incapazes, porque não nos instruímos, pouco lemos e esse pouco geralmente é frivolidade. Desinteressados porque tudo nós esperamos de governos e do Sujeito Lá em Cima. Não fossem os imigrantes (italianos, alemães, suíços, principalmente) talvez fôssemos hoje quando muito um daqueles povos miseráveis e sofridos da África.

Mas temos quem resolva tudo por nós. Gostamos de acreditar nisso. Eles também muito apreciam que nós acreditemos nisso. Que dependemos da bondade deles, e não do nosso esforço para modificarmos essa deprimente situação.

O que se imagina, o que se aspira é uma nova sociedade, feita de pessoas de pensamentos livre, moralmente aperfeiçoadas a tal ponto de saber e exercer que o direito de cada um termina onde começa o do outro.

Mas isso é utopia, já dizia Raul, que também sonhou com outra sociedade, bem diferente desta.

Enquanto houver os baba-ovos, feito certos indivíduos, que feitos chacais na escuridão ficam a espreitar e patrulhar as ações e iniciativas de pessoas corajosas, dispostas a dar a cara a bater e comprometidas apenas com a verdade e que não devem favores porque não tem rabo preso com ninguém, haverá pedras no caminho, mas nada que a natureza e a força do progresso inerente à vontade humana não vençam.

É verdade que desde 1982, a educação pública no estado de São Paulo está nas mãos de PMDB e PSDB (as duas faces do mesmo monstro) e sofre um processo de destruição desestimulando e descrendo alunos e professores. Porque imagine se o povo paulista realmente fosse preparado para pensar e agir de modo a transformar a sociedade brasileira não restaria pedra sobre pedra desse sistema arcaico que prima pelo assistencialismo, paternalismo, pelo voto de cabresto, instigado pelo medo de não haver outra alternativa, outro caminho, porque talvez não saibam ou não compreenderam ainda que o mundo é redondo. Mas lá se vão quase trinta anos, meu caro, e eles ganharam uma eleição estadual atrás da outra. E porque ganharam? Porque nosso desinteresse e omissão os elegeram.

O mesmo triste e deprimente cenário se dá com relação à segurança pública.

O que em nosso entendimento já passou das medidas é o fato de todos, do lado de cá ou do lado de lá do muro do Poder sustentarem, uníssonos, as mesmas mentiras de sempre.

Sou apolítico. Não visto camisa de siglas nem de homens. Sou cidadão de pensamento livre.

Gostaria que nas eleições próximas ninguém votasse. Todos nos sentássemos nas ruas, nas calçadas, braços cruzados e olhos vendados em forma de protesto. Pra dizer a classe política que não concordamos com essa situação. Que o jogo já não entusiasma e o drama em cartaz já não comove. Que eles mudem ou mudaremos nós. Mas para isso, antes seria preciso que todos nós fossemos cidadãos razoavelmente cultos. E necessariamente educados. E como podemos ser tais coisas se ainda sequer somos uma nação, se caminhamos feito manada sem saber pra onde, enquanto nos empanturramos de churrasco e cerveja aos finais de semana. Que alegria! O Brasil é o melhor país do mundo pra se viver.

Alguém deve estar pensando. Esse cara ficou doido. Abrir mão do voto? Simplesmente? Sim. Porque o voto não é o único instrumento democrático de os insatisfeitos expressarem os seus sentimentos e os seus anseios. A atitude cívica de protesto também é uma possibilidade.

Impossível, porém, em um país, onde se acredita que um bando de cara-pintadas tirou Collor do Poder. O que o tirou do poder foi sua arrogância em não querer abrir os cofres feito certo presidente, em cujo governo aconteceram coisas infinitamente piores e mais indecentes. E, também, a ingenuidade de acreditar que vox populi vox dei. Em se tratando de Brasil? Tiradentes, Olga Benário que o digam.

Recuso-me a aceitar que homens como Rui Barbosa, Tancredo Neves, Miguel Arraes, pra citar alguns corroborariam essa política de proporcionar pão e circo ao povo sob o pretexto de poder dizer que tudo vai às mil maravilhas, quando não vai não senhor.

Dá tristeza pensar que a política (com o perdão da palavra) brasileira nivelou-se rés do chão, onde roto fala do rasgado, onde todos são pedras e vidraças ao mesmo tempo, porque o último bastião da moralidade política deste país chamado PT revelou-se em 08 anos de governo federal tão ruim ou pior do que todos os demais nesse quesito.

Triste é ver Cristovam Buarque e Pedro Simon, no Senado Federal pregando no deserto. Triste é ver a senadora e ambientalista Marina Silva ser tragada pelas feras do poder econômico, posta de lado pela imprensa comprometida apenas com seus próprios interesses e os interesses de seus patrocinadores.

Não se constrói uma nação com cartões de crédito, automóveis, motocicletas e celulares. Mas com educação e saúde pública que justifiquem os trilhões de reais de impostos que pagamos aos municípios, estados e União todos os anos. Pergunta: Onde está esse dinheiro? Nas mãos de quem? Nas nossas não estão.

Certamente derrotaremos os coreanos na Copa do Mundo, apesar do Dunga, e nos acreditaremos melhores do que eles. Afinal, gostamos de fantasia.

Rio Claro, minha cidade, só é um retrato mal acabado e em tamanho reduzido do que acontece neste país. Infelizmente.

Publicado no Jornal Diário do Rio Claro em 20/06/2010 (Domingo).

Leia comentários e repercurssão deste texto em:   
QUE PAÍS É ESSE?
Seg, 21 de Junho de 2010
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GERALDÃO IMORTAL

Como já dissemos o recifense Geraldo Holanda Cavalcanti é o novo membro da Academia Brasileira de Letras. Ele ocupa a vaga do bibliófilo José Mindlin, recentemente falecido.


Cavalcanti é poeta, tradutor, ensaísta e memorialista. Foi diplomata por mais de 40 anos, embaixador no México, na Unesco e na União Européia.

Na poesia, estreou em 1964, com "O Mandiocal de Verdes Mãos", recomendado ao editor Eduardo Portella da “Tempo Brasileiro” por ninguém menos que Guimarães Rosa, João Cabral de Melo Neto e José Guilherme Merquior.

Conquistou em 1998, o prêmio Fernando Pessoa, da União Brasileira de Escritores com o livro "Poesia Reunida.

Encontro em Ouro Preto (contos, 2007) e As Desventuras da Graça (memórias, 2010), ambos editados pela Record são suas obras mais recentes.

Cavalcanti é especialista na obra e na tradução de poetas italianos dentre eles Giuseppe Ungaretti, Salvatore Quasimodo, Eugenio Montale e Umberto Saba.

Em 1998, recebeu na Itália o prêmio Eugenio Montale, pela tradução da obra do poeta homônimo.

Fonte: Folha Ilustrada

A TRISTE REALIDADE - Depoimento de Patricia, 17 anos.

Meu nome é Patrícia, tenho 17 anos, e encontro-me no momento quase sem forças, mas pedi para a enfermeira Dane minha amiga escrever esta carta que será endereçada aos jovens de todo o Brasil, antes que seja tarde demais: Eu era uma jovem 'sarada', criada em uma excelente família de classe média alta Florianópolis. Meu pai é Engenheiro Eletrônico de uma grande estatal e procurou sempre para mim e para meus dois irmãos dar tudo de bom e o que tem e melhor,inclusive liberdade que eu nunca soube aproveitar. Aos 13 anos participei e ganhei um concurso para modelo e manequim para a Agência Kasting e fui até o final do concurso que selecionou as novas Paquitas do programa da Xuxa. Fui também selecionada para fazer um Book na Agência Elite em São Paulo. Sempre me destaquei pela minha beleza física, chamava a atenção por onde passava. Estudava no melhor colégio de 'Floripa', Coração de Jesus. Tinha todos os garotos do colégio aos meus pés. Nos finais de semana freqüentava shopping, praias, cinema, curtia com minhas amigas tudo o que a vida tinha de melhor a oferecer às pessoas saradas, física e mentalmente. Porém, como a vida nos prega algumas peças, o meu destino começou a mudar em outubro de 2004. Fui com uma turma de amigos para a OKTOBERFEST em Blumenau. Os meus pais confiavam em mim e me liberaram sem mais apego. Em Blumenau, achei tudo legal, fizemos um esquenta no 'Bude', famoso barzinho na Rua XV. À noite fomos ao 'PROEB' e no 'Pavilhão Galego' tinha um show maneiro da Banda Cavalinho Branco. Aquela movimentação de gente era trimaneira''. Eu já tinha experimentado algumas bebidas, tomava escondido da minha mãe o Licor Amarula, mas nunca tinha ficado bêbada. Na quinta feira, primeiro dia e OKTOBER, tomei o meu primeiro porre de CHOPP. Que sensação legal curti a noite inteira 'doidona', beijei uns 10 carinhas, inclusive minhas amigas colocavam o CHOPP numa mamadeira misturado com guaraná para enganar os 'meganha', porque menor não podia beber; mas a gente bebeu a noite inteira e os otários' não percebiam. Lá pelas 4h da manhã, fui levada ao Posto Médico, quase em coma alcoólico, numa maca dos Bombeiros.. Deram-me umas injeções de glicose para melhorar. Quando fui ao apartamento quase 'vomitei as tripas', mas o meu grito de liberdade estava dado. No dia seguinte aquela dor de cabeça horrível, um mal estar daqueles como tensão pré-menstrual. No sábado conhecemos uma galera de S. Paulo, que alugaram um ap' no mesmo prédio. Nem imaginava que naquele dia eu estava sendo apresentada ao meu futuro assassino. Bebi um pouco no sábado, a festa não estava legal, mas lá pelas 5:30 h da manhã fomos ao 'ap' dos garotos para curtir o restante da noite. Rolou de tudo e fui apresentada ao famoso baseado 'Cigarro de Maconha', que me ofereceram. No começo resisti, mas chamaram a gente de 'Catarina careta', mexeram com nossos brios e acabamos experimentando. Fiquei com uma sensação esquisita, de baixo astral, mas no dia seguinte antes de ir embora experimentei novamente. O garoto mais velho da turma o 'Marcos', fazia carreirinho e cheirava um pó branco que descobri ser cocaína. Ofereceram-me, mas não tive coragem naquele dia. Retornamos a 'Floripa' mas percebi que alguma coisa tinha mudado, eu sentia a necessidade de buscar novas experiências, e não demorou muito para eu novamente deparar-me com meu assassino 'DRUGS'. Aos poucos, meus melhores amigos foram se afastando quando comecei a me envolver com uma galera da pesada, e sem perceber, eu já era uma dependente química, a partir do momento que a droga começou a fazer parte do meu cotidiano. Fiz viagens alucinantes, fumei maconha misturada com esterco de cavalo, experimentei cocaína misturada com um monte de porcaria. Eu e a galera descobrimos que misturando cocaína com sangue o efeito dela ficava mais forte, e aos poucos não compartilhávamos a seringa e sim, o sangue que cada um cedia para diluir o pó. No início a minha mesada cobria os meus custos com as malditas, porque a galera repartia e o preço era acessível. Comecei a comprar a 'branca' a R$ 10,00 o grama, mas não demorou muito para conseguir somente a R$ 20,00 a boa, e eu precisava no mínimo 5 doses diárias. Saía na sexta-feira e retornava aos domingos com meus 'novos amigos'. Às vezes a gente conseguia o 'extasy', dançávamos nos 'Points' a noite inteira e depois... farra! O meu comportamento tinha mudado em casa, meus pais perceberam, mas no início eu disfarçava e dizia que eles não tinham nada a ver com a minha vida... Comecei a roubar em casa pequenas coisas para vender ou trocar por drogas....Aos poucos o dinheiro foi faltando e para conseguir grana fazia programas com uns velhos que pagavam bem. Sentia nojo de vender o meu corpo, mas era necessário para conseguir dinheiro. Aos poucos toda a minha família foi se desestruturando. Fui internada diversas vezes em Clínicas de Recuperação. Meus pais, sempre com muito amor, gastavam fortunas para tentar reverter o quadro. Quando eu saía da Clínica agüentava alguns dias, mas logo estava me picando novamente. Abandonei tudo: escola, bons amigos e família. Em dezembro de 2007 a minha sentença de morte foi decretada; descobri que havia contraído o vírus da AIDS, não sei se me picando, ou através de relações sexuais muitas vezes sem camisinha. Devo ter passado o vírus a um montão de gente, porque os homens pagavam mais para transar sem camisinha. Aos poucos os meus valores, que só agora reconheço, foram acabando, família,amigos,pais, religião, Deus, até Deus, tudo me parecia ridículo. Meu pai e minha mãe fizeram tudo, por isso nunca vou deixar de amá-los. Eles me deram o bem mais precioso que é a vida e eu a joguei pelo ralo. Estou internada, com 24 kg, horrível, não quero receber visitas porque não podem me ver assim, não sei até quando sobrevivo, mas do fundo do coração peço aos jovens que não entrem nessa viagem maluca... Você com certeza vai se arrepender assim como eu, mas percebo que é tarde demais pra mim.
OBS.: Patrícia encontrava-se internada no Hospital Universitário de Florianópolis e a enfermeira Danelise, que cuidava de Patrícia, veio a comunicar que Patrícia veio a falecer 14 horas mais tarde depois que escreveram essa carta, de parada cardíaca respiratória em conseqüência da AIDS. Que esta sua mensagem percorresse o mundo foi o seu último desejo.







quinta-feira, 3 de junho de 2010

SIMPLE MINDS

Conforme Kid Vinill, colunista do portal Yahoo, a banda escocesa Simple Minds, de sucessos como Mandela Day (Free Nelson Mandela Concert, Wembley 1988), Alive and Kicking, Don’t you forget about me, entre outros, desembarca no Brasil em agosto. Na agenda de shows, São Paulo e Porto Alegre. Veja a programação:


São Paulo

Quando: 17 de agosto, às 22h

Local: Via Funchal – Rua Funchal, 65 – Vila Olímpia / São Paulo

Ingressos: R$ 300 (pista premium); R$ 180 (pista); R$ 220 (mezanino); R$ 300 (camarote)

Informações: www.viafunchal.com.br

Porto Alegre

Quando: 22 de agosto, às 20h

Local: Teatro do Bourbon Country

Av Túlio de Rose, nº 80 – SUC 301 A / Porto Alegre

Informações: www.teatrodobourboncountry.com.br


Pra quem vai aos shows aqueça as turbinas. Pra quem não vai, curta um pouco, da banda que, nos anos 80 chegou a rivalizar, no melhor sentido com a mítica U2.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

ÚLTIMA DO DIA

Com 20 votos (tudo isso?!) o recifense Geraldo Holanda Cavalcanti é o novo membro da magnânima (perdoe-me o termo) Academia Brasileira de Letras. Ex-diplomota, a produção literária de Cavalcanti envolve a poesia, o ensaio e a tradução. Ele substitui o bibliófilo José Mindlin, recentemente falecido. Amanhã, mais sobre o assunto aqui no Passa a Régua que não descansa nem no feriado. Boa noite a todos. E bom descanso pra quem termina. E boa diversão pra quem começa! Fui...

MEIAS-VERDADES

Só improvisa quem domina a técnica. E quem domina a técnica são os verdadeiramente inteligentes e capazes. Percebe por que a arte, sua realização e compreensão, não pode estar ao alcance de todos? - J.C.Jr.

ESPERANÇA

Buraco surgido do nada na Guatemala. Será mais um indício de que a varredura já começou? O planeta é bonito demais, é bom demais pra suportar a humanidade.
Gente demais no mundo, veículos demais no mundo, poluindo o mundo, diminuindo os espaços, sufocando o ambiente. Propaganda demais, portanto, mentira demais. Sonho demais, aspirações demais, objetivos demais e, como conseqüência realizações que realmente sejam importantes e valham a pena, de menos.
Todo mundo escreve. Todo mundo poetiza, todo mundo pensa e se julga dono da verdade, inclusive nós.
Pra quê e por quê tudo isso?
Nesse mesmo instante, alguém, do nada vira cantor, compositor, ator e atriz. Todo mundo tem direito a ser feliz. Que tolice! A vida não comporta isso. Pra que haja equilíbrio é preciso que haja uma coisa e outra. Corpo e espírito, o bem e o mal, a treva e a luz, a saúde e a doença. Aceite seu destino, se hoje você passa sob a ponte. E se passa por cima dela, aproveite, mas saiba que mesmo a ponte, ela tem começo, meio e fim.
Enquanto isso, a gente ouve Bizarre Love Triangle:

MAMA MIA!!!

Hoje comemora-se o Dia da Comunidade Italiana. É bela! Rio Claro já teve quase 70% de sua população formada por oriundis. Aliás, este país, redundância à parte, deve muito àqueles que atravessaram o Atlântico para, inicialmente, fugidos da fome e da miséria, substituir a mão de obra escrava nas lavouras brasilianas - é vero! - Depois, a maioria, estudou os seus filhos com muito esforço e sacrifício e estes, hoje, são pessoas vitoriosas que atuam com destaque nos mais diversos setores da atividade humana.
Em homenagem, vamos de Pavarotti, o saudosíssimo, no melhor de sua performance interpretando "Nessun Dorma" do magnífico Giácomo Puccini. Um pouco de cultura que realmente importa, sempre va bene:

ENTÃO, QUEM FOI?

Em julgamento realizado ontem no Fórum de Rio Claro, a Justiça absolveu o ex-vereador Fernando Godoy da acusação de mandante do crime que atentou contra a vida dos radialistas Sergio Carnevalle e Dalton Paciullo em 2006. Como fica agora Carnevalle que embarcou na acusação conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público convencido da autoria de Godoy disse em recente entrevista à um jornal local que faltara Deus a Godoy?
Caiu por terra a motivação política (Godoy era suplente de Carnevalle na legislatura 2004/2008) e, ao que parece prevaleceu a que sugere que Carnevalle teria dito o que não deveria.
Para alguns, Carnevalle, Paciullo e seus familiares ficará a impressão de impunidade, para outros, Godoy e os seus, a certeza de que se fez justiça.
Incompetência da acusação, eficiência da defesa. Um julgamento não é uma partida de futebol. Nessa história, reabrem-se velhas questões: 1) Quem então mandou matar? 2) Se é que houve mandante? 3) E se de fato houve, por qual motivo? E finalmente, quem disparou a arma de fogo naquelas circunstâncias, por que o fez?
Causa preocupação porque recentemente houve o caso "Marangoni", quando a polícia apresentou um suspeito e depois revelou-se que o mesmo era inocente.
Talvez, a pressa, a necessidade de dar respostas à sociedade, estejam fazendo com que os setores de investigação da polícia apresse indevidamente os seus trabalhos, tornando-o ineficiente.
Qual será o próximo capítulo?

terça-feira, 1 de junho de 2010

A MORTE DA ESCULTURA

FALHA DELES!!!
Nós, pobres mortais, que não puxamos e não vivemos dependurados no saco de ninguém e, portanto, dependemos dessas ferramentinhas para expressarmos nossas ideias e imaginação, consolemo-nos:
Vejam a chamada publicada nesta tarde por volta de 16h20:


Escultura Louise Bourgeois morre aos 98 anos, diz jornal

O Globo
LONDRES (Reuters) - A escultora norte-americana nascida na França Louise Bourgeois, uma das artistas mais influentes do mundo contemporâneo, morreu na segunda-feira em Manhattan, onde vivia, informou o jornal New York Times. Ela tinha 98 anos. ...

Nosso pesâmes à família da escultora e ao equivocado redator que foi capaz de matar uma escultura. Provavelmente de gesso. Mais fácil.

O LEITÃO TÁ CERTO

A muito oportuna crônica do colunista Jaime Leitão, publicada na imprensa escrita de Rio Claro em 25/5, provocou chiliques na administração municipal, que logo tratou de contestá-la.


Cidadão rio-clarense, Leitão constata o que todos sabemos ou deveríamos. Rio Claro investe mal os seus recursos.

Em relação àquilo que realmente importa: saúde, educação, segurança, é sempre aquela conversa mole de que não se trata de atribuição do município (a educação, em parte sim). Então, que tarefas sobram ao governo municipal? O transporte coletivo, a preservação do patrimônio público, a manutenção de ruas e avenidas, o tratamento de água e esgoto, a coleta de lixo, a urbanização das praças e logradouros públicos. A merenda escolar. A preservação e o estímulo à cultura. Mais algum?

Depois do publicitário Duda Mendonça, todo governo é eficiente e todo governante é a solução para todos os problemas.

Pior, acreditamos nisso. Sobretudo, porque não se dá devida importância que o assunto merece. Apenas a cada 4 anos, em época de eleição.

Se pudermos comprar e pagar, ótimo, a vida é bela, eu sou feliz, você é feliz e todos somos felizes.

Acontece que não é assim. Além de nossos portões e janelas, existe um mundo onde se encontra a violência, as ruas esburacadas, a destruição do patrimônio público, a degradação do meio-ambiente, o ensino público da pior qualidade, e a falta de medicamentos nos postos de saúde, e de médicos nos prontos-atendimentos e uma série de outros problemas que dizem ou, em algum momento dirão, respeito a todos nós.

É nesse cenário triste que se confirma a tese do professor e escritor Jaime Leitão.

Para os governos, sejam municipais, estaduais ou federais é muito fácil justificar suas ações ou inoperância através das estatísticas. E mais ainda é convencer a população de que tudo vai bem, através de uma propaganda hollywoodiana, de primorosos efeitos especiais e discurso tão comovente quanto o final de “E O Vento Levou”.

O Brasil é uma democracia consolidada. Mas ainda não aprendeu a conviver com ela. E isto só se dará no momento em que nossos filhos que estudam em escola pública concluírem o primeiro grau sabendo ao menos ler e interpretar um texto, escrever e realizar as quatro operações fundamentais. Ou seja, estamos ainda muito aquém disso. Por ora, continuamos sendo apenas massa de manobra dos manipuladores da opinião pública, criadores de verdades e de mitos, dentre eles governantes e governos. A administração municipal melhor faria se ao invés de contestar o Leitão tomasse sua tese como importante e oportuna contribuição.

Foto ilustrativa: Floresta Navarro de Andrade - Rio Claro/SP