segunda-feira, 21 de junho de 2010

40 ANOS DO TRI - E O DESTINO DO FUTEBOL

No dia em que o Brasil comemora 40 anos da maior conquista da seleção brasileira, o futebol merece uma reflexão.
O maior jogador do mundo de todos os tempos era o que mais treinava. Não tinha alcunha de fenômeno, mago, peixe, ou coisa que o valha. Seu nome de guerra, ou melhor, apelido já era uma definição. E continua sendo: Pelé.

Fica difícil se empolgar com o futebol que hoje se assiste. Era de se esperar que ao menos em uma Copa do Mundo fosse possível desfrutar do prazer do futebol bem jogado. A imprensa se esforça, em manter o interesse do cidadão. Mas está difícil. As imagens falam por si mesmas. A pífia técnica da maioria dos pseudocraques fabricados pela mídia resulta jogos modorrentos de dar sono. Há pouca e não raro nenhuma emoção. Compreensível. Vê-se em campo jogadores-atletas robotizados por invencionices saídas das pranchetas e dos computadores de treinadores que procuram pelo em ovo. Ou seja, a lógica no futebol.

Atualmente, no Brasil, e em vários países há mais torcedores de sofás e cadeiras de bar do que torcedores de arquibancada. Não é o que se vê em Copa do Mundo, certo. Mas esse é um evento atípico que se realize a cada quatro anos.

Como fazer o futebol se tornar de novo um espetáculo atraente para as multidões?

Uma alternativa poderia ser a limitação do número de faltas que cada equipe pudesse cometer. Por exemplo. Cinco faltas em cada tempo. Na sexta falta, penalidade máxima contra o infrator. Assim, em tese, pelo menos, a habilidade do bom jogador voltaria a ser prioridade, as concepções táticas teriam de ser necessariamente modificadas. E talvez, até haveria mais espaço para os craques de boa técnica desempenhar o seu futebol. Os brucutus, os atletas que mais correm do que jogam teriam de aprender o que preconizava o Mestre Telê Santana: “Tome a bola do adversário sem fazer falta”. É possível? Sim. Ocorre, atualmente? Não. Porque não há estímulo para tanto.

Outra alternativa para melhorar o futebol que se joga atualmente, fundamental, a bem verdade, seria separar o joio do trigo. Explico. Futebol é uma coisa. Educação Física é outra. São dois lados da mesma moeda. Mas são diferentes. Futebol é jogo. Para treinar e orientar um jogador, enfim, um time, é preciso treinador. De preferência, ex-jogadores que aprenderam na prática a essência do futebol. O presidente do Sindicato dos Treinadores Profissionais do Estado de São Paulo, o ex-técnico Mario Travaglini, há muito tempo está empenhado numa mesopotâmica batalha para que sejam respeitados e defendidos os interesses da classe.

Uma das razões para que o futebol tenha decaído tanto tecnicamente pode ser o método de treinamento empregado pelos técnicos de categorias de base, a maioria deles, completamente descomprometidos com a causa sagrada do futebol que é a de se descobrir e formar jogadores. Fácil de entender. A maioria deles está mais interessada em mostrar serviço para o diretor de futebol, o patrocinador, o presidente do clube, montando times competitivos que conquistem torneios e campeonatos inexpressivos ao invés de descobrir e formar talentos. Sujeitam-se à lei do senso comum que determina: vencer a qualquer custo. Assim, treinadores como Joubert (Flamengo), Cilinho (São Paulo) e Pupo Gimenes (Guarani) são cada vez mais raros, quase inexistentes. Quem perde? O futebol, claro. Pelo que representa para a cultura e a sociedade brasileira o futebol merecia até um ministério. E escolas técnicas e até universidades que formasse exclusivamente profissionais técnicos e treinadores destinados a descobrir e formar talentos, treinar equipes, tática e tecnicamente, tendo sua profissão devidamente regulamentada

Pode parecer em princípio utopia. Mas é um caminho. E talvez o único.

Nenhum comentário:

Postar um comentário