segunda-feira, 21 de junho de 2010

PRESENTE DE GREGO NA SEMANA DO ANIVERSÁRIO DE RIO CLARO

Um incêndio de grandes proporções destruiu na madruga da segunda-feira (21) o prédio centenário onde funcionava o Museu Histórico e Pedagógico Amador Bueno da Veiga, localizado na Avenida 2 com rua 7, região central. Para as autoridades, isto se constituiu um problema. Mais um. Que, provavelmente, como tantos outros, de mais ou menos importância ficarão sem solução. Para a cultura e a história de Rio Claro, preste completar 183 anos, o estrago está feito. E é irreversível.

O Museu, como era carinhosamente chamado pelos rio-clarenses, sempre foi um daqueles filhos de Rio Claro, amado por seus irmãos, os munícipes, e encarado como filho problemático pelas autoridades que se não eram os seus pais, eram os seus tutores. Ao menos deveriam.

Fechado há vários anos para visitação pública, o Museu teve a primeira etapa de sua reforma concluída em 2005. E a segunda... Nem precisará.

O local tinha sua história intimamente ligada à da Cidade Azul assim como o Teatro Phoenix, o Casarão dos Azulejos Portugueses, ambos igualmente destruídos, não por um incêndio, mas pela especulação imobiliária que devastou, sob os olhos morosos das autoridades, a rica história e cultura, então existentes na região central de Rio Claro. Ali, onde funcionava o Museu Amador Bueno da Veiga, fora o Solar da Baronesa de Dourados, cujo mobiliário, preservado, em recinto exclusivo no pavimento superior do prédio sempre excitara a imaginação dos visitantes. Fora também sede do Tiro de Guerra. Ali, a saga dos rio-clarenses que participaram da Revolução de 32, contada através de objetos e documentos que narravam o envolvimento dos rio-clarenses com a causa pela qual se lutava. Também importante e significativo material sobre o Movimento Integralista, levado adiante por Plínio Salgado e com forte penetração em Rio Claro, objeto de estudo e pesquisa da parte de historiadores e pessoas de todo o Brasil interessadas no assunto.

Devido sua importância, o prédio onde funcionava o Museu Amador Bueno da Veiga deveria ser mais bem cuidado, melhor protegido, e talvez isso evitasse o seu triste destino.

O lamentável episódio chama a atenção e desperta para a necessidade do cuidado e do zelo que não teve o Museu, passem a ter o Centenário Gabinete de Leitura e o próprio Arquivo Histórico de Rio Claro. Afinal, até onde se sabe a cidade possui, uma Guarda Municipal e uma Vigilância Patrimonial e uma Secretaria de Segurança, à qual, ambas estão subordinadas.

É bem verdade que aos menos avisados, aqueles que em cujas mentes e corações ainda não despertaram a importância para um povo da preservação de sua cultura e sua história, o fato pode ser encarado até como irrelevante. Mas, nossos filhos e netos, certamente pensarão o contrário, quando procurarem em vão por informações a respeito de suas origens e seus antepassados.
Fotos ilustrativas: Repórter fotográfico Jaburu (www.canalrioclaro.com.br)

Artigo publicado no Jornal Diário do Rio Claro, edição de 02/07/2010 (Sexta-feira).

4 comentários:

  1. É com imensa tristeza que recebo esta notícia.
    A perda das obras e memórias alí perdidas são inconcebíveis na mente de quem preza a cultura de Rio Claro. Profundamente lamentável !

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  2. Texto impecável como sempre são seus textos, mas infelizmente trazendo uma triste notícia para a cultura.Eu queria agradecer o comentário e as palavras no meu poema MAR DE ROSAS, na verdade busco melhorar minha poesia, e ler pessoas como você é o que faz eu seguir nessa tentativa de melhorar sempre, admiro muito seu trabalho e o tenho como um dos melhores escritores que conheço, e sem dúvida seus trabalhos só fazem bem a quem escreve e gosta de ler, pois lendo seus textos temos a certeza que estamos aprendendo cultura, verdades e além disso, aprendendo a melhorar ainda mais nosso próprio trabalho.Parabéns.
    Se puder visite o blog do grupo cultural po-de-poesia, que faço aqui em minha cidade, lutamos pela cultura, nos apresentamos em centro culturais juntos com outros grupos daqui, mas infelizmente com nossos próprios meios, sem apoio. Somos na maioria poetas, artistas plásticos e músicos daqui e algumas pessoas de fora do Rio que escrevem em nosso blog.Espero que goste e siga nosso blog.
    po-de-poesia.blogspot.com

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  3. Que pena Primo !!!
    Triste cenário esse da destruição.
    E o pior é que isso só acontece por causa do descaso das autoridades sobre a importância de tesouros históricos.
    O ideal seria a manutenção preditiva. Eu sei bem como é, pois vivo um drama para a conservação dos meus arquivos (dctos trabalhistas). Temos que viver sem histórico de nossas ações e fatos...
    Não serve de consolo, mas como disse o seu amigo, seu texto está impecável.
    Bjus

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  4. Amigo, não conheci o Museu de Rio Claro. Apenas tinha algumas informações sobre ele, mas, sabia de
    sua importância histórica, política, pedagógica,etc.
    Lamento profundamente a perda desse momumento.
    Abs.

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