sábado, 31 de julho de 2010

O BOLSO DO PALETÓ

A vida nos abandona aos poucos, da mesma maneira como Tadzio caminha para o mar para ser livre. Submetê-la ao controle de nossa vontade e ao poder de nossas mãos é trazer a morte mais rapidamente ao nosso encontro.
Não há de se passar impunemente por este mundo. É preciso viver. Mesmo que isso represente errar. Porque o erro é a célula-máter do eterno. E eterno é tudo aquilo que já evoluiu o suficiente para sê-lo. É preciso conhecer a dor, a lágrima e o medo. E não evitá-los. É preciso atravessar a escuridão, o pântano. Viver na caverna, nas entranhas do mundo. E ver o próprio corpo apodrecer. É preciso beber o sangue. E saber o gosto da ferida. Celebrar as vísceras. E exaltar os ossos. Atirá-los para o alto. Forte. Bem alto. Para que se misture em meio às nuvens. E os anjos saibam que mais um se fez vitorioso.
Não se pode vestir alva túnica, sem que se conheça o manto das cinzas. Não. Não se pode. Por isso, esqueçam tudo o que está escrito, inclusive isto. Queimem os livros. Desprezem as ideias que não lhes pertençam e tentam convencer-lhes. Rasguem o seu peito, e ponham para fora, tudo o que outras mentes, outros corações, e outros sonhos e pesadelos puseram ali dentro. E deixem o sol entrar. Porque o sol é que traz a vida. Não são as palavras, nem as ideias.
Hoje, este que vos fala, é apenas um velho senil, maltrapilho, doente, às portas do Batistinha. A trocar duas palavrinhas pela manhã e duas à tarde com o aleijado vendedor de velas. A narrar histórias de duas frases para os pivetes guardadores de carro, na esperança de que abandonem essa vida e não se tornem outros Moacir e Marcinhas. Um velho. Um velho senil; de barba jamais cuidada, olhar triste, fundo, cansado; vendido pela vida à deusa-mãe Frustração; usurpado, sugado até a última gota de sangue por seu filho mais ilustre: o Arrependimento. Um velho. Porque assim me vejo. E se assim me vejo, é assim que sou. Porque esta é minha vontade deste minuto. No próximo, serei bela dama a exalar aroma jovial pela Avenida da Saudade, envolta pela penumbra da noite. E ao amanhecer, o jovem mancebo, que, embriagado de licores, perfumes e ideias tenta encontrar o rumo de casa. 19 de julho de 1937, e enquanto, a carrocinha de pães Zoéga percorre o entorno do jardim público coberto pela neblina, o dono do jornal atravessa a Rua Um pra tomar café no Bar Avenida à espera que seu único redator chegue lúcido antes das 9.
Hoje é sábado. Mas quem é que perguntou isso?
Moro ao final do corredor. Uma porta com janela basculante e quebrada me separa e me protege do que mais temo. Porque o prazer da vida é um cálice de amargura. Percebe por que aparecemos sempre lado a lado na foto? Às vezes me canso, poeta. Há uma revolta “Mishima” contida dentro de mim. Vulcão inativo. Preste a explodir. Por que será que o vento pra ser notado, precisa ser forte e fazer destruição à sua volta? Você tem alguma ideia sobre isso?
Olá. Tenho novo texto aqui no site. Se quiser dar uma passada por lá depois pra conferir... Grato pela atenção. Boa semana pra você.
Foi o último recado. O celular, o último, eu o atirei no vaso sanitário e dei a descarga. Lá se foram muitas vidas inúteis que perturbavam a minha vida e sua eterna busca pela paz. E nesse jogo de xadrez entre vidas inúteis eu sou o pião. Eu escrevo, eu determino, eu faço. Melhor, ninguém. Nem o Sujeito Lá em Cima. Ele, por sinal, desistiu do seu projeto. Seu ambicioso projeto de me transformar em um ser que lhe pede a benção.
(Trecho do romance "Bem-Vindo ao Clube", deste escritor, em fase de redação)
Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

EU MORO COM MEUS PAIS

“Vossos filhos não são vossos filhos, mas os filhos da ânsia da vida por si mesmo”. Está escrito no livro “O Profeta” do escritor e pintor libanês Kalil Gibran, tradução de Mansur Chalita.
Pois bem. A bola da vez, que tem levado educadores, escritores, filósofos e religiosos à frente do computador para dar o seu pitaco nesse tão polêmico tema é o projeto de lei do presidente Lula que proíbe castigos físicos em crianças. Não é, portanto, simplesmente, a palmada como querem crer e interpretar os apressados de mente preguiçosa.
Por falar em mente preguiçosa, ela seria a meu ver uma das razões para que pais recorram a esse expediente nada educativo por sinal que são as palmadas. Mas um irmão da preguiça que se chama cansaço, poderia ser também um motivo para os papais preferirem a imposição violenta das mãos que o diálogo. É preciso que os pais se lembrem que uma criança não é um indivíduo formado, mas em formação, que, receptivo tende a assimilar todas as informações e impressões que lhe são passadas e que terão importância no desenvolvimento de seu caráter. Se assimilar que violência é solução, é a melhor alternativa para se obter o que se queira certamente, no futuro, poderá esta criança causar a si e aos outros problemas de toda sorte.
Em hipótese alguma a violência se justifica. E uma palmada, duas ou três são um ato de violência e jamais será uma medida educativa. Pode ser isto sim a certidão de nascimento de um hábito pernicioso que, com o passar do tempo pode se tornar mais corriqueiro e mais intenso.
Esse método de persuasão e convencimento teve ênfase na Idade Média, onde sob pena de tortura arrancavam-se confissões, impunha-se o medo. Porque se vivia tanto quanto hoje a época do medo, mas em outras circunstâncias que aqui não cabe relatar.
O Iluminismo separou a razão da fé. O Direito introduziu o rigor da lei no sentido de punir educando. Ao menos deveria ser assim. E punir deveria ser tão somente excluir o indivíduo do convívio social privando-o de liberdade. Ao menos deveria ser assim em países civilizados ou que se pretendam como tais.
Há pais que consideram que punir os filhos é privá-los por tempo determinado de seus gostos e hábitos. Menos mal que uma palmada. Mas também não é o ideal. Embora possa ser o que mais se aproxime disto.
Então o que é o ideal? Ora, é a capacidade que os pais deveriam ter em mostrar ao filho o erro, convencê-lo do erro e indicar o certo e convencê-lo que o certo é possível e é a melhor escolha.
Mas aí os pais precisariam voltar ao banco da escola. Quê escola? Eis a pergunta. Porque se a família não forma o indivíduo a escola menos ainda forma o cidadão.
Como ser pai e mãe com este perfil em um mundo onde se tem cada vez mais tempo de menos. Este cenário de alienação transforma os filhos nas maiores vítimas em um primeiro momento e os pais a seu turno porque são eles que sofrem as conseqüências nefastas que destroem lares e famílias e concorrem para o aumento da violência na sociedade.
Inútil também é exigir a perfeição no convívio social, neste caso específico, familiar, entre pais e filhos. Ambos são aprendizes da vida. Ambos têm sua própria personalidade, suas preferências, seu caminho a seguir, seu livre arbítrio. Portanto, filhos não são propriedade e pais não são proprietários. O que se discute não é relação de posse, mas convivência humana. Mas, para tanto é necessário que ambos, pais e filhos, tenham uma virtude fundamental que é a tolerância porque só ela traz o respeito e a compreensão. Tolerância, respeito e compreensão abrem portas para a vontade de se ajudarem a si mesmos. Pais e filhos, filhos e pais devem ser, portanto, parceiros e amigos, mais que tudo.
Palmada não educa. Diálogo sim. O problema é que nem todos aceitam e nem todos estão preparados para o diálogo. E essa se constitui uma das maiores deficiências da sociedade humana.

Ilustração: web

segunda-feira, 26 de julho de 2010

BANDEIRA PRETA

Em 1987, Nelson Piquet tornou-se tri-campeão mundial de Fórmula 1, pilotando para uma equipe inglesa, patrão inglês e tendo como companheiro de equipe um inglês mais conhecido como Leão.
Tá certo que o Leão, digo, Nigel Mansell, a exemplo de Clay Regazzoni e restrita Cia. Bela tinha mais coragem que habilidade. Entretanto, como o próprio Piquet admitiu, ele fez das suas pra conquistar o título quando percebeu que só no pedal e no volante da sua Williams seria impossível.
Fazer das suas significa ir um pouco além do que recomendam as regras do jogo. Ou seja, ser esperto, pra tirar proveito de uma situação que o concorrente talvez não perceba ou não seja capaz. No caso de Mansell, receio, se enquadram bem as duas hipóteses.
Não custa lembrar: Fórmula 1 não é jogo, mas é competição. Ocorre, que, como todo esporte de alto rendimento, de uns anos para cá, tornou-se apenas bussines. Mesmo no futebol, em se tratando de Copa do Mundo, desde 1990, tem-se visto com bastante freqüência episódios deprimentes como aqueles protagonizados pelo Brasil em 1998 e 2006, e, agora em 2010. Ou alguém sugere que perdemos, por assim dizer, na bola?
Outra historinha interessante: Airton Senna, diferentemente de Piquet, chegou à McLaren em 1988, ainda virgem. Ora, por favor, não me interpretem mal, refiro-me a títulos mundiais. Seu companheiro de equipe, entretanto, o francês baixinho, antipático e narigudo Alain Prost, já era bi-campeão mundial da categoria. E o que fez Senna? Foi pedir benção ao titio? Não. Foi mostrar na pista que era tão bom quanto aquele. E mostrou.
Aí está toda a diferença entre campeões e aqueles que jamais chegaram ou chegarão a tanto. Os primeiros desbravam seu próprio caminho. Os derradeiros se limitam a seguir o caminho traçado por outros. Em nome de quê? Em nome apenas da oportunidade de participar do circo.
Felipe Massa, ao que tudo indica, a exemplo de Rubens Barrichello, se enquadra na segunda categoria. Rede Globo, patrocinadores, profissionais da mídia esportiva e, a própria torcida, sequiosa por ver um brasileiro ostentar, quase 20 anos depois um título mundial de Fórmula 1 sabem disso. Mas não admitem. As três primeiras classes porque não interessa admitir o fracasso de um produto que bancaram vender. E a classe derradeira, porque, afinal de contas, é muito bom sonhar. Ainda mais quando o sonho já dura 20 anos.
A pergunta que fica, é se vale a pena continuar sonhando depois do que se viu na 47ª. volta do GP da Alemanha, no último domingo, 25. A patética, asquerosa cena protagonizada pela Ferrari, seus mentores e pilotos.
Fato grotesco. Foi, sem dúvida, a certidão de óbito da dita Fórmula 1 como esporte, que, há muito tempo deixou de ser. Se algum dia foi.

Fotos ilustrativas: Allonso e Massa, atuais pilotos da Ferrari; Senna, Prost, Mansell e Piquet em 1986.

Nota: Na Fórmula 1 a bandeira preta significa a exclusão do piloto da prova em disputa.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

NIETZSCHE EM QUADRINHOS

Tire o bigode de Nietzsche, e o que sobra?

Para o filósofo Michael Onfray, Nietzsche foi o primeiro a propor um pensamento vivo e concreto para viver e agir em um mundo sem Deus.
Onfray adora uma polêmica. Ele já arrumou uma das bem grandes com a historiadora Elizabeth Roudinesco ao tecer duras críticas à psicanálise por ela praticada. Antes, em 2002, bateu de frente com a elite acadêmica da França ao criar a Universidade Popular de Caën, com aulas grátis e abertas ao público sem distinção. Pouco? Com a obra “Contra-História da Filosofia”, Onfray resgatou nada menos que Epícuro, filósofo grego do período helenista que, entre outras preciosidades disse: “O desejo é a causa de todos os males”. Por essa ousadia, Onfray comprou briga também com o pensamento ocidental dominante. Doido esse sujeito.
A nova empreitada do Dr. Onfray, agora também cartunista é popularizar a filosofia através dos quadrinhos. Para isso fez parceria com Maximiliam Le Roy (http://maxleroy.blogspot.com/)  e o resultado foi o HQ “Nietzsche”, biografia do filósofo alemão Friedrich Wilhelm Nietzsche, autor de, entre outros, Ecce Homo, Além do Bem e do Mal e O Anti-Cristo.
Para Onfray, Nietzsche foi o inventor do pós-cristianismo. Se chegou a tanto, é preciso ler ao menos “Assim Falava Zaratustra”, obra repleta de aforismos, onde fica explícita a teoria nietzschiana do “super-homem” a qual sugere que o bom uso de suas próprias forças torna o ser humano um ser superior.
Talvez por isso que as ideias de Nietzsche, principalmente a da “vontade de poder” conseguiram tanta penetração nos leitores do seu tempo, principalmente no período que antecede a Primeira Guerra Mundial.
Morto em 1900, Nietzsche teve suas ideias, dentre elas, a eliminação de formas de vidas inferiores, assimiladas pelo nazismo por obra e graça de sua irmã, Elizabeth, que teria empregado todos os esforços nesse sentido, conforme relata o Rüdiger Safranski, autor de uma biografia sobre o filósofo alemão.
Nietzsche não fazia concessões, daí talvez, ter optado pela solidão. Em “Assim Falava Zaratustra”, capítulo 5, ele escreve: “Não sou a boca que convém a esses ouvidos”. E, mais adiante: “Há uma coisa de que se sentem orgulhosos. Como a chamam? Chamam-na de cultura. É o que os distingue dos pastores de cabras”. Não para por aí: “Aproxima-se o tempo do mais desprezível dos homens, daquele que já não pode desprezar a si mesmo”.
Palavras de Zaratustra. Ou melhor, de Nietzsche. Mas bem poderiam ser encontradas facilmente nos dias de hoje em cada um de nós, bastando para tanto, um exame de consciência. Porque, afinal, ainda somos seres individualistas que sonhamos e trabalhamos por nossas aspirações e objetivos. Não temos ainda a postura altruísta desejável para que ao menos o espaço onde nos encontremos já se torne um pouco melhor para se viver.
As ideias e teorias de Nietzsche são um capítulo interessante da história da humanidade, na medida em que concorre para o seu progresso intelectual, mas não devem ser seguidas. Entretanto, devem ser estudadas, porque a melhor maneira de se evitar o veneno é conhecê-lo.
Se esta é a intenção do filósofo Michael Onfray, receio que não, seu esforço em popularizar a filosofia para que ela se torne ume efetivo instrumento de mudança para melhor do comportamento humano já terá valido a pena. E começar por Nietzsche, foi uma feliz escolha. Porque talvez seja possível compreender que o inimigo não mora ao lado, mas dentro de nós.

Ilustrações: Caricaturas de Nietzsche (à dir.) e M. Onfray (à esq.) - Fonte: Web.



terça-feira, 20 de julho de 2010

AQUELE ABRAÇO!

É o tipo da ofensa à nossa inteligência que a gente consegue perdoar, em face, digamos, à boa intenção da causa. Todo esse pomposo parágrafo inicial para tratar sobre a data que hoje, terça-feira, 20 de julho de 2010 do ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo – como diria o notário do cartório por volta de um mil oitocentos e bolinhas – se comemora.

Não quero importunar a vossa paciência estimado leitor e trato de ir direto aos fatos: A data que hoje se comemora no mundo todo é a da Amizade. Portanto, receba meu abraço.
Deve ter sido mais uma daquelas invencionices saídas da esperteza inigualável dos homens de negócios para atender aos seus interesses. Não sei. Também não irei tirar a bunda da cadeira pra consultar algum almanaque. O que também não recomendo a você leitor. Faz o seguinte: Leia toda a edição de hoje do jornal Cidade Livre, que você, logo mais, estará recebendo na comodidade do seu lar, do seu trabalho, enfim, sem tirar a bunda da cadeira e que, por sinal, está muito boa.
Mas eu ia falando de amizade. Não me lembro do meu primeiro amigo. Acho que foi o Pato Donald. Mas tenho dúvidas. Pode ter sido o Recruta Zero ou, até mesmo, o tio Patinhas. A Margarida, eu garanto, não foi. É que naquele tempo de garoto indolente e recluso, eu não saía às ruas para brincar, então, o barato era contentar-me com os gibis e a Sessão da Tarde. Desenhos animados eram um ou outro. Eu nunca fui amigo, por exemplo, do Fred Flintstone. Embora tivesse alguma simpatia pelo George, o Rei da Selva. Os livros? Ah, eu os odiava, embora Nick Adams permanecesse ao alcance de minhas mãos, mais exatamente, na escrivaninha que ficava no meu quarto. Tinha ouvido falar também num tal de Huckleberry Finn e, depois, em outro sujeitinho tão atrevido quanto e que atendia pelo nome de Tom Sawyer. Por falar nisso o pai desses pirralhos, um sujeito grisalho e bigodudo, segundo soube, chamado Mark Twain comemora este ano cem anos de morte.
No cinema o par de abóboras, digo, amigos, que mais me chamou atenção foi o protagonizado por Dustin Hoffman e John Voight, no filme de 1969, do diretor John Schlesinger, cujo título Midnight Cowboy, foi traduzido no Brasil por algum infeliz, que a mãe o tenha em bom lugar, como Perdidos na Noite. Conta a história de dois perdidões, um garoto de programas (Voight) e seu amigo doente (Hoffman) perambulando pelas noites de Nova York, em busca de algo que os faça suportar a vida porque esperança já não encontram mesmo.
Na Literatura, temos a sólida amizade entre Paul Verlaine e Artur Rimbaud. O mestre e o menino prodigioso, vivendo uma relação para além de afetuosa que quase termina de maneira trágica.
Passeando pelo mundo das artes, vamos encontrar na música uma relação de amizade muito próxima a nós, digo, à minha geração, aquela que foi sem nunca ter sido, a geração mais perdida do século XX, porque viveu o apogeu de sua adolescência e juventude em um país falido, desacreditado, incapaz de lhes oferecer sequer esperança. Talvez exatamente por isso sobrasse inspiração para Renato Russo e seus amigos, Dado e Marcelo. Mas a coisa ia mais além do que uma Legião Urbana passava por uma Plebe Rude, um Capital Inicial e garanto ao leitor que ele saberá muito mais sobre o assunto se ler o ótimo “O Diário da Turma 1976-1986 – A História do Rock de Brasília – do jornalista e escritor Paulo Marchetti.
Enfim, pra não ser tão chinfrim, lembremos oh diletos amigos leitores algum fato relevante envolvendo a amizade de que trata a História. Agora, assim, no ato, sem tirar os dedos do teclado, lembro-me de dois: O primeiro, oh Brutus, até tu? – como diria Julius Cesar Romanus. O segundo, o que relata o beijo mais famoso e repugnante da humanidade, dado por um ambicioso político travestido de discípulo religioso do Messias. Judas foi perdoado pelo próprio Jesus. Afinal, amigos de verdade perdoam porque sabem compreender as fraquezas e os limites do outro.
Aos meus amigos, de ontem, de hoje e de sempre – não são muitos – eu dedico esta crônica. Recebam o meu abraço. Beijinho não.

Fotos ilustrativas:
1) Web
2) Cena do filme "Midnight Cowboy" citado no artigo.
3) Favari Filho, editor do Jornal Cidade Livre; Lourenço Favari, jornalista do Jornal Regional; Jaime Leitão,  poeta, colunista do Jornal Cidade; este escritor, em seu momento repórter, e o professor e escritor Ricardo Leão, autor de Os Dentes Alvos de Radamés, Simetria do Parto e Primeira Lição de Física, em entrevista concedida por J. Leitão, em sua residência, para o mensário O Beta, em 2008.
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AQUELE ABRAÇO
Qui, 22 de Julho de 2010
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sábado, 17 de julho de 2010

JUVENTUDE EM DESENCANTO


Algum filósofo, sociólogo, psicólogo ou poeta, já deve ter dito que o medo é o freio da ignorância humana.
Sob esse aspecto, o medo seria mais virtude que defeito.
Para os jovens, oriundos de uma sociedade como a nossa, cujos valores se baseiam em conceitos frágeis que não resistem ao rigor do bom senso, como o consumismo desenfreado e a busca por emoções efêmeras, o medo parece não existir.
A possibilidade de tudo questionar e reivindicar sem assumir responsabilidades também parece ser um fator que concorre para a ausência do medo entre os jovens.
Uma parcela considerável da atual geração de jovens bebe até se afogar nas águas que foram limpas a custo de muito suor e sacrifício pelos jovens de ontem. Assemelha-se aos filhos que apenas usufruem o patrimônio conquistado pelos pais sem a preocupação de mantê-lo ou aumentá-lo.
Não há medo que freie o ímpeto destes jovens. Nem os pais, nem os professores, nem as autoridades, nem orientadores religiosos. E não é difícil compreender as razões porque isto ocorre. Os pais, em maioria, têm como única preocupação projetar nos filhos as conquistas não obtidas e proporcionar-lhes os bens materiais que não tiveram. Os professores, por motivos justos e compreensíveis, se sentem desmotivados e despreparados para conviver e orientar os jovens alunos. As autoridades, com suas atitudes falhas não se constituem bom exemplo. E os orientadores religiosos, independentemente do credo que professam tem se revelado os guardiões de incoerências e contradições que o bom senso e a ciência vêm apontando sistematicamente nos últimos tempos. Não há parâmetros a serem respeitados, não há referências a serem seguidas. Para estes jovens, tudo se perde no todo do nada, proporcionando-lhes uma sensação de vazio e abandono. E, muitas vezes, sem rumo, se deixam levar facilmente pelas ilusões imediatas e intensas que o álcool e as drogas lhes possibilitam.
O maior equívoco que, enquanto jovens cometemos, é acreditar que seremos sempre jovens, que jamais teremos de assumir responsabilidades como aquelas que nos exigem o trabalho e a família.
Divertir-se com sabedoria parece ser o calcanhar de Aquiles da juventude atual.

FINISH MIND: “Aos 15 anos você acredita em tudo, aos 20, tem a esperança. Aos 30, acha que ainda é possível, embora desconfie. Aos 40, enfim você admite que esteja irremediavelmente nos braços da realidade. E ela o levará dali por diante, até o fim dos seus dias. Nada mal, se a realidade, algumas vezes, não fosse tão desprovida de beleza e simpatia” – Trecho do romance “Bem-Vindo ao Clube”, deste autor, em fase de redação.

Artigo publicado no Jornal Cidade Livre - edição 39 de 13/07/2010. Acesse: http://www2.redecidadelivre.com:8888/net/jornal.html e leia todas as 40 edições (até o momento).

sexta-feira, 16 de julho de 2010

ANIMAL'S

"Quando se olha para o mar, as montanhas, as vastas planícies, o céu, os rios, as florestas, os animais em seu habitat natural, percebe-se facilmente que o homem é apenas um detalhe neste mundo. E, muitas vezes, insignificante" - J. Costa Jr.

E POR FALAR EM SAUDADE...

A partir do ano que vêm Rio Claro terá de acrescentar mais três datas marcantes em seu calendário cívico:
21/6 - data do incêndio do Museu Amador Bueno da Veiga.
08/7 - furo de reportagem do jornal Diário do Rio Claro revela liberação de verba para restauração do Museu.
16/7 - Prefeitura de Rio Claro anuncia início da restauração do Museu destruído.

2010 - Ano leitoral.

Feliz coincidência? Obra do acaso? Faz isso não! Assim eu acabo acreditando em Papai Noel!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

DROGA NÃO É POESIA

No último dia 26, foi comemorado o Dia Internacional Contra o Abuso e o Tráfico de Drogas Ilícitas, data instituída pela ONU para alertar sobre os riscos do consumo dessas substâncias. Há livros bastante interessantes que trazem luz para o entendimento da questão ao analisar suas causas conhecidas e efeitos devastadores.

Um deles é o clássico “Eu, Christiane F., 13 anos, drogada e prostituída” que foi adaptado para o cinema em meados dos 1980. Conta a história real de Christiane Vera Felscherinow, uma jovem alemã viciada em heroína e seu envolvimento no submundo das drogas. Aos 12 anos de idade, Christiane começou a fumar cannabis e consumir medicamentos normalmente ministrados para insônia e depressão como Valium e Mandrix, além do ácido lisérgico (LSD). Em 2005, em uma entrevista para o semanário holandês De Limburger, admitiu que chegou a um estado que alguns médicos consideravam irreversível. Ela então sofria de hepatite C e de graves problemas circulatórios. Passara, sem sucesso, por inúmeros tratamentos de desintoxicação às custas do serviço de saúde pública alemão, porque não conseguia ter emprego fixo para poder sustentar-se. Chegou a cursar contabilidade, e até arrumou emprego, mas acabou presa por posse de droga, em 1983. A derrocada moral e humana de Christiane começou quando seus pais se separaram, quando ela tinha 13 anos. Chris conheceu um sujeitinho na discoteca que ambos frequentavam e foi ele o responsável por apresentá-la ao deprimente mundo das drogas. Foram os jornalistas alemães Kai Herman e Horst Rieck, da revista Stern quem a descobriram durante uma série de reportagens que elaboravam sobre o assunto. Detlef, o namorado de Chris, vivia em 2005 com a mulher e filhos e afirmava-se livre das drogas. Christiane, apesar da fama e do dinheiro ganho com o livro e o filme, não.
Mas no cinema, talvez a melhor contribuição para a exposição dessa triste realidade, que exige atuação decisiva em várias frentes por parte dos governos e da sociedade, é “Trainspotting” (1996) de Danny Boyle, baseado na obra literária homônima de Irvine Welsh, que narra à vida de um grupo de jovens escoceses, moradores do subúrbio de Edimburgo, que, sem nenhuma perspectiva de vida encontram na heroína um caminho para a autodestruição. Trainspoting foi acusado por autoridades britânicas de fazer apologia às drogas, mas na verdade, é um retrato bastante realista dos acontecimentos. O filme concorreu ao Oscar em 1997 na categoria de melhor roteiro adaptado. E deixa uma porta aberta à esperança, no personagem Renton vivido por Ewan McGregor.
Entretanto, como tratar desse assunto e deixar a música de lado, não é mesmo? Missão para Sid Vicious. O membro mais talentoso e mais louco da banda mais chapada da história do rock, que atendia pelo nome de Sex Pistols. Para alguns, Sid teria “descansado” por conta e risco de sua própria mãe, também viciada, mas que já não aguentava mais ver o filho andar todos os dias de braços dados com a morte. Embora a versão que prevaleça até hoje é a do suicídio. Ao menos é o que sugere o filme Sid and Nancy (1986) de Alex Cox com Gary Oldman no papel principal, que conta o envolvimento do baixista, ícone da cena punk com a chapadona Nancy Spungen que além de tirar a virgindade de Sid lhe revelou o mentiroso e destruidor prazer das drogas. Ele foi obrigado a deixar a banda, e tentou se recuperar. Mas em vão. Morreu aos 21 anos, e teve suas cinzas espalhadas sobre o túmulo de Nancy, seu grande amor. Prova incontestáel de que droga não é poesia.
Espera. Tá faltando alguma coisa? Como? Um escritor tratar do assunto e não falar de seus pares ilustres? Vá bene, como diria Pirandello. Então vamos lá leitor e responda a questão: Jack Kerouac teria escrito “On the Road” em menos de três semanas, não fosse, conforme a lenda, assíduo usuário de anfetaminas?
Nada como um bom cafézinho. Balzác que o diga. Porque segundo consta, ele teria consumido mais de 50 mil xícaras ao longo dos seus 51 anos.
FINISH MIND. E até semana que vêm. Se tiver café na redação. Bem entendido.

Fotos ilustrativas: Eu, Christiane F. (Cartaz do filme); Trainspotting (cena do filme); Sid e Nancy (web).

Este artigo foi publicado no Jornal Cidade Livre, edição 35; Jornal Aquarius, edição 82, de julho/2010; Jornal Diário do Rio Claro, edição de 14/07/2010, e no site: http://www.autores.com.br/2010071237587/Cronicas/Cronicas/droga-nao-e-poesia.html
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DROGA NÃO É POESIA
Seg, 12 de Julho de 2010
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terça-feira, 13 de julho de 2010

CONCURSO DE CONTOS TV CIDADE LIVRE

Com objetivo de incentivar a escrita e a leitura com ênfase na publicação de autores inéditos a Rede Cidade Livre www.tvcidadelivre.com/  , TV Pública não estatal, com sintonia no canal 10 digital e canal 99 analógico, está promovendo o 1º. Concurso de Contos em nível nacional. Tema livre. E os trabalhos não precisam ser inéditos. Ótimos prêmios. E oportunidade de reconhecimento e publicação para novos autores. Inscrições até 30 de julho de 2010. Confira regulamento completo acessando: ttp://www2.redecidadelivre.com:8888/net/index.html
No embalo da ótima notícia aproveito para convidar o leitor do Passa a Régua para conferir a coluna Papo Cabeça que publicamos as terças-feiras no Jornal Cidade Livre  http://www2.redecidadelivre.com:8888/net/jornal.html
Leia também no mesmo endereço, às sextas-feiras, a coluna escrita pelo rio-clarense Mario “Garrafa Vazia” Mariones.
E escuta aqui uma coisa: Veja se ao menos vocês nossos fiéis seguidores falem bem de nós para que o nosso editor, o Favari, aumente nosso espaço pra escrever, e o nosso salário, coloque uma foto nossa jovial e sorridente pra todo mundo saber quem somos nós; e providencie o café da redação, uma cadeira pra gente sentar, um pacote de bolacha, um maço de cigarros, uma loira gelada ao final do expediente, umas férias vez em quando – remuneradas, é claro – um carro com motorista, uma câmera fotográfica, um notebook, um charuto cubano, a morena de Moçambique do Sechi, uma caneta Mont Blanc, um caderninho de notas, um aspirador de pó, um ventilador, um sanduíche, um café, uma coca, um celular, uma pizza...
E PARTICIPEM DO CONCURSO! E NÃO DIGAM POR FAVOR: ESSE COSTA NÃO PRESTA!

A MORTE DAS CAPIVARAS

Da história mal contada de Rio Claro, sabe-se que um dos seus fundadores, o padre Delfim, possuía, conforme levantado em seu inventário, uma espingarda avaliada em 8 mil réis.
Qual motivo para tamanho zelo? Sabe-se lá.
À parte o inusitado, o fato revelaria uma tendência infeliz, por sinal, da sociedade rio-clarense que seria confirmada ao longo de sua história.
As origens da cidade (ai meus ouvidos!) não causam suspiros. Bem diferente das pessoas ordeiras e tementes a Deus, como retrata o quadro da primeira missa, exposto no salão nobre no 2º andar do Palácio de Mármore, os primeiros rio-clarenses, à parte seus fundadores, eram aventureiros em busca de ouro nas terras de Mato Grosso, mercenários e arruaceiros, que fizeram das terras além Morro Azul, pousada temporária de alguns e moradia de outros.
Imagina-se, portanto, sem nenhum esforço, que a violência sempre fez parte do cotidiano rio-clarense.
Conta-se casos rumorosos que abalaram a opinião pública, dentre eles, o assassinato ocorrido na Avenida 1 com rua 5, na região central da cidade, envolvendo membros de famílias ilustres, nas primeiras décadas do século passado.
Nos anos 1980, outro homicídio que mobilizou autoridades policiais e ganhou as páginas da imprensa escrita da época, foi o que vitimou o agiota Francesco Bartiromo, a mando do advogado Aldo Schio, crime praticado por um tal Mosquito.
Por desgraça ou alguma razão, por assim dizer, oculta, Rio Claro tem a triste sina de acolher entre os seus, aqueles que se revelariam infames assassinos de crianças. Casos que já quase caíram no esquecimento como o que vitimou o menino Arlindo Biotto. E as vítimas do Chico Vidraceiro, nos anos 80, e de Laerte Orpinelli, nos anos 90. O rumoroso caso Orpinelli, conhecido como O Monstro de Rio Claro virou livro nas mãos do jornalista ituano Reginaldo Carlota, cujo título é “O Matador de Crianças”. Veja: http://omatadordecriancas.blogspot.com/
Mais recentemente, a brutalidade contra a menina Gabriela também abalou a opinião pública mobilizando a sociedade em atos de protesto e manifestações pela paz, onde não faltaram os políticos oportunistas da desgraça alheia. E, não bastasse, aos atentados até agora sem solução contra o radialista e vereador Sergio Carnevalle, o que sugere mais uma vez que, em Rio Claro, a bem de uma causa maior, não convém dizer a verdade, muito menos tomar posição.
Em 2009, Rio Claro viveu um banho de sangue jamais visto, com assassinatos se sucedendo quase toda semana durante determinado período daquele ano.
As polícias, civil e militar e a Guarda Civil apressam-se em divulgar através da imprensa suas vitórias sobre a criminalidade. Palmas para a Polícia e a Guarda. Entretanto, a Justiça parece duvidar desses êxitos, haja vista a quantidade de solturas que pratica, originando a máxima recorrente entre a população que: Em Rio Claro, a Polícia prende e a Justiça solta. Por que isso ocorre? Não se está longe de saber os motivos. Basta ter um olho. Mas falta coragem e interesse em denunciar os fatos. Ou mesmo capacidade para se enfrentar as conseqüências.
Agora, parece que o alvo passou a ser outro tipo de espécie animal: os mamíferos silvestres. Duas capivaras fêmeas foram encontradas mortas no último dia 02, na estrada velha que liga Rio Claro ao distrito de Assistência, conforme noticia o Jornal Diário do Rio Claro, em uma das edições da semana passada.
Nem vou mencionar os gatos, pobres coitadinhos, vítimas dos venenos de mentes inescrupulosas e espíritos egoístas, incapazes de tolerar e conviver com as diferenças.
Fecho este comentário, solicitando ao leitor a presteza de um minuto de silêncio pelos pássaros presos às gaiolas, que jamais tiveram o direito de saber o que é voar.
E aos cães, abandonados nas ruas e avenidas da Cidade Azul por seus donos, que, até ontem os chamavam de: filhinhos da mamãe.
Um minuto de silêncio a todos nós, rio-clarenses, aqui nascidos, que ainda não sabemos o que de fato significa viver em paz e livre do medo.
Se o céu é mais acima e mais adiante, o inferno é aqui. Quem afirma isto é o mesmo que há poucos dias teve uma armada apontada para sua cabeça por dois garotos infelizes. Que Deus os ilumine e que encontrem outro rumo em suas vidas, outro destino melhor que o que se imagina. Porque o meu é morrer escrevendo. Também coisas como essas que as pessoas lêem e fingem não ler. Porque insistem em acreditar que não lhes dizem respeito.

domingo, 11 de julho de 2010

ANO BISSEXTO

Morre-se por um ideal, morre-se por uma causa... morre-se porque mandaram, porque quiseram que fosse assim.

Mas morre-se também por amar demais a vida, a ponto de não deixá-la dar um passo adiante, muito menos abrir uma porta, descerrar a cortina ou simplesmente atravessar um caminho, coberto de neblina, sem saber se o destino será o pico da montanha, o leito da nuvem ou apenas o frio da pedra que nos fará lembrar que em algum momento tudo termina.
Trecho do romance "Bem-Vindo ao Clube" deste autor, em fase de redação.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

NUM DIA COMO ONTEM

"CORPOS"
(À todos aqueles que, por um sonho de liberade, derramam suas vidas num campo de batalha)

Amontoados


Sem cabeça, mutilados

Corpos,

Onde seus espíritos?

Quais montanhas sobem?

Quais caminhos percorrem?

Quais florestas se refugiam?

Onde a sua dor se esconde?

E buscam beber o sangue

Que os fará viver



Abandonados

Molhados, por chuvas torrenciais

Alcançarão aqueles corpos, as nuvens

D'onde a chuva?

Terão asas para tanto?

Em que pedras deitarão suas cabeças?

Em que folhas derramarão o barro que os cobre?

Já não andam aqueles corpos

Não respiram, não vêem

Estão mortos, esquecidos

Serão como pó



Mitificados

Fardados, de panos perfurados

Corpos doídos, feridos

Em que braços encontrarão amparo?

Em que olhares encontrarão piedade?

Aqueles corpos, eles fedem, eles clamam

Por um minuto de atenção

Um instante de carinho

Antes que sejam cobertos pela poeira do tempo

Sejam lembrados pelos vermes

Porque pelos homens, já foram esquecidos



Inspirado na obra "Guerra de 1942" de Lasar Segall.
Foto ilustrativa de Robert Capa

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quinta-feira, 8 de julho de 2010

RIO CLARO DE ONTEM. DE HOJE, E DE SEMPRE...

Eu realmente sonho com o dia em que minha geração e a que veio imediatamente depois, seus professores, jornalistas, pesquisadores, artistas, intelectuais, em geral, pensadores, ativistas e formadores de opinião, desçam do muro de vez por todas, organizem-se, mobilizem-se e tomem posição na defesa dos interesses mais sagrados de uma cidade que lhes pertence e que em um futuro próximo será herdada por nossos filhos e netos.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

CAZUZA E O "SEU AGENOR"

Para muitos causa espanto que já no século XXI a sociedade ainda cultue ídolos que levam vida promíscua e irresponsável, conseqüência quase sempre de suas revoltas, frustrações sentimentais, sua necessidade de solidão para criar e para suportar a vida.
Face o exposto, percebe-se a consistência do ensinamento Espírita Kardecista: A evolução moral do espírito nem sempre acompanha a sua evolução intelectual.
Nós, espíritos encarnados, somos em essência coração e mente. Quem não ama a si próprio, não mede as possíveis conseqüências dos seus atos para a vida dos outros. Pior, sequer tem consciência delas.
Pessoas públicas, os artistas, por exemplo, são referências nos quais se espelham os adolescentes e os jovens, indivíduos cujo caráter ainda está em formação.
Alguns consideram que ao artista tudo se permite. Eu mesmo já acreditei nessa teoria que percebi depois insustentável senão ridícula.
Uma pessoa pública é alguém que se destaca na multidão. Portanto, é alguém que possui uma missão a cumprir, que concorra de alguma forma para o progresso da humanidade.
A todo aquele que são concedidos direitos também são cobrados deveres.
Não fosse assim cairia por terra uma consoladora idéia da justiça divina, frente à qual somos todos iguais, preceito comum de todas as religiões cristãs.
Cazuza, morto nesta data em 1990 aos 32 anos e um dos maiores poetas do rock nacional pode ser compreendido de duas maneiras: Um artista brilhante; um ser humano falho, como todos nós, com dois agravantes: alguns de seus hábitos eram deploráveis; e, portanto, repercutiram e ainda repercutem na sociedade, muito mais do que os meus ou os seus erros, estimado leitor, porque Cazuza era pessoa pública, era referência.
Assim, as responsabilidades dele foram maiores do que as nossas, uma vez que os direitos dele, os privilégios de que dispunha foram igualmente maiores.
Essa personalidade dúbia pode ser vista como uma contradição. Cazuza, o Filme da cineasta Sandra Werneck poderia ter evidenciado tal contradição se a proposta fosse esta. O que parece não ter sido. Se fosse, seria uma vez mais reconhecido e afirmado o talento indiscutível do artista Cazuza, e demonstrado como exemplo a ser evitado o cidadão Agenor de Miranda Araújo Neto, o verdadeiro nome de Cazuza.
Nem um nem outro, entretanto, devem ser acusados ou culpados porque isso não nos compete. Mas, analisados e compreendidos. Ambos, como cada um de nós, são aprendizes e donos de uma história que conforme nos ensina o eminente espírito Emannuel, não se conhece desde o início.
Glauber Rocha dizia: “A função do artista é violentar a arte”. E nós, ousamos adicionar à máxima do inesquecível e igualmente brilhante cineasta baiano: A arte. Não o ser humano.

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CAZUZA E O SEU AGENOR
Ter, 09 de Março de 2010
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segunda-feira, 5 de julho de 2010

EU, TU, ELES, E MAIS ALGUÉM...

Dunga teria se tornando técnico da seleção porque vivia pendurado em Ricardo Teixeira. Mais exatamente naquela região delicada e sensível do homem que as mulheres poderosas costumam tornar fatal quando insatisfeitas. O discurso fisiológico inicial se deve para rememorar que nem sempre a meritocracia, na verdade quase nunca, foi o caminho natural percorrido pelas pessoas que se destacam em suas áreas de atuação profissional, principalmente, na política, nos esportes e nas artes. Conta-se que a sisuda Hanna Arendt, o lambusento Polock foram, a seu tempo, apadrinhados por seleto grupo de espertos que determinam o que será lido, visto e ouvido pelas pessoas, feito você e eu que investimos alguns trocadinhos todos os meses para comprar livros, CDs e irmos ao cinema, imaginando que ao fazermos isso estamos adquirindo cultura, conhecimento e preciosas informações artísticas e culturais para serem expostas geralmente naquelas reuniõezinhas de lançamentos de livros do amigo da vizinha que num universo hostil imaginam alcançar espaço na mídia pelo fato, também, da publicação de uma materiazinha com foto aos finais de semana por jornais igualmente inhos que ninguém lê porque são feitos para ver haja vista a infinidade de cadernos recheados de cultura inútil e fotos.
Depois desta meia dúzia de linhas iniciais o leitor, atento que é já deve estar se perguntando quando é que este cronista deixará as minúcias de lado para tratar do que interessa.
E o que interessa é a Meritocracia. Nome e definição tão utópica, opulenta e difícil de ser digerida como a Democracia.
A Meritocracia, tão rejeitada e esquecida é a causa natural do sucesso das pessoas. Ao menos deveria.
Não se iluda leitor, porque se você está lendo esta crônica não é pelo fato deste cronista ter olhos azuis e geralmente acertar nas concordâncias verbais e nominais. É porque para publicar o texto, alguém, geralmente chamado de editor para uns e diretor de redação para outros, consultou a sua vasta lista das coisas que convém e não convém cujos subtítulos são pela ordem: pode e não pode, deve e não deve ser publicado. Tudo certo, tudo ajustado, devidamente correto, não vai incomodar a ninguém, e se vai, acredito seja o caso, a mira está correta e o alvo definido, e vamos à La prensa.
Ninguém que entenda um mínimo de Literatura – estou dizendo Literatura – o que em nada se assemelha a essa coisa que eu e outros tantos aspirantes imaginam fazer, contesta, ainda mais agora depois que o gajo és muerto, que Saramago merecesse o Nobel. Mas, por alguma razão, editores, livreiros, intelectuais a serviço da democracia, dos governos e coisa e tal, profissionais da mídia impressa, decidiram nas últimas décadas que o Zé Saramago e não o Philip Roth, por exemplo, merecesse um Nobel. Nem direi Jorge Amado, porque aí seria apedrejado pelos entendidos de Literatura deste país.
Em Rio Claro, conheci um caso do gênero, guardadas as devidas proporções. Era 1989 e recém concluído o serviço militar, certa vez, encontrei um anúncio no jornal que assim dizia: Procuram-se pessoas para trabalhar em redação de jornal. Achei estranho. Entretanto, lá fui. E acabei muito bem recebido por um sujeito baixinho, de óculos feitos Woody Allen, que atendia pela alcunha de CZ que, viria eu, a saber, depois, significava Claudio Zerbo. Conversamos e na manhã seguinte, lá estava este cronista, então apenas um foca aprendiz marretando a velha Olivetti 98, das quais, contavam-se duas ou três na redação. A lauda – chamava-se lauda, sabe leitor, aquele papel onde na era primitiva do jornalismo se escrevia – geralmente acabava rasgada ao meio, uma parte em minha mão, porque na tentativa de tirá-la do carro da máquina, a minha  falta de delicadeza causava essa insonsa situação da qual os colegas de trabalho: Alba Soares, Ivan Lopes, João Pimentel, Elaine Knothe e Mara Jodate – morriam de rir. E dentre tais colegas havia um chamado Maurício Beraldo, que um dia heroicamente impediu que o título de uma matéria minha iniciasse com caixa baixa, pelo simples fato do rapaz do past up ter fugido da escola em algum momento de sua vida.
E é sobre o Beraldo que pretendo dedicar esse parágrafo. Os leitores da cidade que procuram educar sua inteligência ao menos uma vez por mês com boa leitura sabem do que estou falando. Ele é produtor, editor, relações públicas, vendedor de anúncios, um dos redatores, geralmente fotógrafo, ombudsman nas horas vagas do mensário Aquarius; sua criação e propriedade. Atenção, espertinhos. A coisa tem dono! O que pouca gente sabe, além de mim, que desfruto da sua amizade é que Beraldo desde criança demonstrou dom para a Literatura, ganhando concurso do gênero, que assim como tantos outros, o permitiram durante muito tempo acreditar que poderia, ainda que nascido e vivendo num país chamado Brasil, se tornar um escritor e viver disso. Mas Beraldo não era oriundo de família de posses, influente na cidade, o pai não era bode, a mãe era dona de casa, enfim, ele não pertencia à elite, e vivia em Rio Claro. Meu Deus! Que pecado teria ele cometido em outra existência?
Beraldo viveu. E sobreviveu. Mas não de Literatura. Embora tivesse todos os méritos para fazê-lo. Outros menos talentosos assinam colunas em jornais, posam de jornalistas, comem sardinha e arrotam caviar todos os dias. Ficam à espreita, até que aconteça alguma desgraça, algum fato relevante na cidade, para que, em nome da causa, possam expressar e divulgar sua arte. Oportunistas.
Enfim, aos talentosos que por falta de iniciativa ou de oportunidade, feito eu e umas dez torcidas do Curíntia, ou àqueles que por falta de capacidade mesmo para praticar o enunciado no primeiro parágrafo deste texto, jamais tiveram seu valor reconhecido além da mamãe (o papai geralmente não), da namorada, e da professorinha da classe, é que neste momento solene declino respeitosamente os meus pêsames. E aviso: O velório é logo ali, na esquina, e geralmente atende pelo nome de balcão do bar. Se for o do Bolinha, já vou avisando, a mesa de canto com vista para a Avenida 8 é minha.

sábado, 3 de julho de 2010

PLAGIANDO PIZZA

Porque não derramo lágrimas:
"O céu está cheio de anjos, mas a bola é do demônio" - filósofo Vampeta, 2010 d.c., comentando eliminação da seleção brasileira na Copa do Mundo.

AINDA O MUSEU

Um grupo de intelectuais de Rio Claro que prefere não se identificar faz circular pela Internet um abaixo-assinado em que se pretende cobrar das autoridades locais agilidade e empenho nas investigações e nas providências a serem tomadas a fim de elucidar o sinistro e preservar o que restou do prédio centenário onde funcionava o Museu Histórico e Pedagógico Amador Bueno da Veiga destruído no último dia 21, por um incêndio que, suspeita-se, criminoso.
A iniciativa merece elogios e a participação de todos. Porque o triste destino do Museu nos remete àquela passagem do ente, do amigo querido do qual nos esquecemos sempre e o colocamos em segundo plano, deixando para depois a carta, o e-mail, o telefonema, com os quais poderíamos manter contato com ele. Afinal, sabe-se que ele existe, onde está, mas de tão perto, tão íntimo que se parece acaba por nós esquecido. Sempre.
Reconstruir? Não se reconstrói a História. Quando muito se a encena ou se a retrata.
Preservar? O quê? O quê preservar? Paredes? Fachadas? Nem a estas demos a devida importância. Quanto menos o que havia no seu interior. As construções que contavam a história de Rio Claro, a mal contada história de Rio Claro, a evitada por razões obscuras, mas compreensíveis embora não aceitáveis, jamais aceitáveis, história de Rio Claro, caíram por terra, uma a uma, ao longo dos anos e sob a omissão dos governos e o desinteresse da sociedade.
Alguém, em algum momento, de alguma maneira, irá se beneficiar do infortúnio do Museu que também é nosso. Não tenham dúvidas. Esse assunto, ao contrário do que muitos querem crer, tem tudo para daqui algum tempo cair no esquecimento. Como tantos outros tão ou mais importantes.
É louvável a iniciativa dessas pessoas em mobilizar a sociedade ao elaborar um abaixo-assinado com tal objetivo. É admirável a discrição que procuram manter para que o assunto não perca o foco. Mas a realidade é que a reivindicação será muito bem recebida, como sempre, pelas autoridades, que, no momento oportuno, e em doses homeopáticas tratará de convencer os requerentes que o esforço e a boa intenção não valem a pena.
A verdade nua, crua e dolorida para aqueles que sabem mensurar o valor social, cultural e histórico dessa perda é que: O Museu está morto. Enterremo-lo. E olhemos adiante. E cuidemos. Para que a história não se repita. Perante nossas consciências somos culpados. Eis o veredicto.
Obriga-me a razão pela qual me pauto a afirmar que não duvido um milímetro que Paulo Rodrigues, se pudesse, derramaria uma chuva de lágrimas do céu para evitar que o incêndio destruísse o Museu. Ninguém na história de Rio Claro, até onde se sabe, defendeu tanto o patrimônio histórico da cidade como o pesquisador que nos deixou há quase dois anos. Seu importante legado, que vai muito além de um ipê amarelo plantado próximo ao marco zero da cidade na Praça da Liberdade, e uma entrevista memorável ao mensário O Beta, pouco antes de sua morte, e os vídeos produzidos por ele disponíveis no Youtube no “perfil” Grupo Banzo é algo que nossa geração, mais preocupada em conquistar e consumir, foi até o momento incapaz de compreender. Tomara seja reconhecido e valorizado devidamente pelas gerações futuras. Um legado em que se revela a incômoda verdade, através da qual se compreende facilmente que, para que alguns pudessem hoje posar de vitoriosos, todos nós, cidadãos comuns de Rio Claro, que passamos ao largo da História (a verdadeira) tivemos que perder. Mas se o infortúnio é a certidão de nascimento do êxito – já dizia o poeta – então jamais devemos perder a esperança. Jamais. Jamais outro incêndio.

Artigo publicado no Jornal Diário do Rio Claro, edição de 04/07/2010 (Domingo). E no Jornal Cidade Livre Edição 037 de 06/07/2010: http://www2.redecidadelivre.com:8888/net/jornal.html

sexta-feira, 2 de julho de 2010

HEXA ADIADO

Acabou o sonho e a era Dunga na seleção brasileira. Talvez agora o futebol brasileiro volte às suas origens. Quando foi preciso habilidade e categoria para reverter uma situação adversa elas faltaram. Porque esta seleção que hoje se despede do Mundial da África não foi preparada ao longo de três anos e meio para jogar um bom futebol. Mas para obter resultados. Assim, feito máquina. E máquinas, uma hora emperram.
No primeiro tempo, até que o Brasil jogou muito bem. Teve mais posse de bola, com as jogadas de meio-campo acontecendo com naturalidade. A Holanda, com seus melhores jogadores, Van Percie, Robeen e Sjneider bem marcados pela defesa brasileira, em nenhum momento levou perigo ao gol defendido por Júlio César. O golaço de Robinho, após ótimo lançamento de Felipe Melo, mais do que estabelecer vantagem parcial no marcador e colocar em festa a torcida brasileira nos quatro cantos do mundo , era sinal evidente de que as coisas não iriam mesmo funcionar da maneira esperada.
O Brasil voltou para o segundo tempo sonolento. A Holanda partiu para o ataque sem desguarnecer o sistema defensivo o que impedia os contra-ataques da seleção brasileira que terminavam sempre nas tentativas frustradas de Kaká, mais uma vez figura apagada em campo. O empate holandês aconteceu numa falha justamente do goleiro Júlio César, até então impecável em suas atuações durante o Mundial. Num cruzamento de Sjneider, ele saiu mal do gol, perdeu o tempo da bola, que acabou sendo desviada por Felipe Melo para os fundos das redes.
O empate inesperado desequilibrou emocionalmente o time brasileiro que não mais se acertou em campo. E para piorar as coisas, Felipe Melo acabou expulso após falta desnecessária cometida contra Robin na intermediária do campo de jogo. Aos 27 minutos do segundo tempo veio o golpe fatal. Escanteio da direita e novamente Sjneider, agora desviando de cabeça virou o placar.
Em desvantagem no marcador, o Brasil partiu para o tudo ou nada, com Lúcio se aventurando ao ataque, mas sem sucesso. Com um jogador a menos, Dunga colocou Nilmar no lugar de Luis Fabiano, mas não deu resultado. O Brasil volta pra casa com a sensação de que poderia ter ido mais longe. E só não foi porque deixou de ser Brasil.
Agora, resta enrolar a bandeira e iniciar a contagem regressiva para o Mundial de 2014 que acontecerá no Brasil, quando, quem sabe, a seleção volte a fazer o brasileiro sorrir. Porque as lágrimas dos torcedores nas arquibancadas e por todos os cantos deste país imenso demonstram que ninguém mais do que o brasileiro valoriza uma Copa do Mundo e ama o futebol.
É preciso rever conceitos. Iniciar uma nova fase. E isso fatalmente acontecerá com a escolha do novo técnico. Boa sorte a ele, à seleção e a todos nós brasileiros. Nos vemos daqui a 4 anos. E quem sabe, volte a rolar a festa.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

UM PASSO ATRÁS, DOIS À FRENTE.

Nevoeiro Jr., três vezes prefeito de Rio Claro, homem culto, empresário bem sucedido, humanista, e com os olhos voltados ao futuro, também é baixinho e possui o olhar dos ingênuos, mas de bobo não tem nada. Reuniu a imprensa local na última terça-feira (30), para comunicar que não disputará um mandato a deputado nas próximas eleições, como era previsto. O motivo, segundo suas próprias palavras: não possui vocação para o parlamento. O que, aliás, todos já sabiam. Disse que apoiará Aldo Demarchi à reeleição à Assembléia Legislativa de São Paulo. E, na próxima semana, declarará seu apoio a um candidato à Câmara dos Deputados em Brasília, que, necessariamente, deva ser de Rio Claro.

Assim, conquista a simpatia do eleitorado rio-clarense, que finalmente, parece ter compreendido a necessidade de ter um representante na esfera política federal. E mais, sai por cima e com ares de vencedor, porque o eventual candidato apoiado por ele, terá, se eleito, no mínimo, um compromisso moral com Nevoeiro, na próxima eleição municipal, da qual, o ex-prefeito já se anuncia como pré-candidato.

É inegável a vocação e habilidade política de Nevoeiro Jr., que, sem dúvida, merecerá um capítulo à parte nos anais da história política de Rio Claro.

Prefeito pela primeira vez em 1977, já havia sido vereador em 1969, aos 23 anos. O fato de ter sido prefeito em três épocas distintas (1977-1982, 1992-1995 e 2005-2008) indica a sua influência e aceitação por parte do munícipe rio-clarense que o vê como um prefeito realizador. Sua permanência no cenário político local há mais de 40 anos se deve também à incapacidade dos seus opositores (que, por sinal, são muitos) em justificar a confiança do eleitorado rio-clarense, quando, no exercício do poder, numa clara demonstração de que, em Rio Claro, a esquerda aprendeu nas últimas décadas a se organizar para conquistar o Palácio de Mármore da Rua 3, mas não sabe se suportar e se manter unida quando tem o poder em suas mãos. Deixa-se levar pelos acordos e compromissos assumidos em detrimento de uma eficiência que torne a administração pública ao feitio dos anseios da população.

A derrota faz o homem rever seus conceitos e suas posições. O que diferencia a atual estratégia de Nevoeiro Jr. das anteriores, é se manter em evidência na mídia local. É não se omitir aos assuntos de importância em questão, é responder à altura os ataques de seus oponentes. E, inteligente que é, tem escolhido o mais importante veículo de comunicação de Rio Claro para fazê-lo. O que sugere, em princípio, que o candidato que irá apoiar para deputado federal seria o empresário e também ex-prefeito, Lincoln Magalhães. Se for, terá sido muito boa a escolha.

Pra terminar, da maneira como, infelizmente, vai o atual governo municipal, alguém dúvida que em 2012, os olhos do eleitor rio-clarense, ficarão novamente tentados a passar o bastão do poder a quem já o exerceu por três vezes, e que, no inconsciente coletivo do eleitorado melhor representa a classe política local?
Foto ilustrativa: Jornal Cidade de Rio Claro.