segunda-feira, 26 de julho de 2010

BANDEIRA PRETA

Em 1987, Nelson Piquet tornou-se tri-campeão mundial de Fórmula 1, pilotando para uma equipe inglesa, patrão inglês e tendo como companheiro de equipe um inglês mais conhecido como Leão.
Tá certo que o Leão, digo, Nigel Mansell, a exemplo de Clay Regazzoni e restrita Cia. Bela tinha mais coragem que habilidade. Entretanto, como o próprio Piquet admitiu, ele fez das suas pra conquistar o título quando percebeu que só no pedal e no volante da sua Williams seria impossível.
Fazer das suas significa ir um pouco além do que recomendam as regras do jogo. Ou seja, ser esperto, pra tirar proveito de uma situação que o concorrente talvez não perceba ou não seja capaz. No caso de Mansell, receio, se enquadram bem as duas hipóteses.
Não custa lembrar: Fórmula 1 não é jogo, mas é competição. Ocorre, que, como todo esporte de alto rendimento, de uns anos para cá, tornou-se apenas bussines. Mesmo no futebol, em se tratando de Copa do Mundo, desde 1990, tem-se visto com bastante freqüência episódios deprimentes como aqueles protagonizados pelo Brasil em 1998 e 2006, e, agora em 2010. Ou alguém sugere que perdemos, por assim dizer, na bola?
Outra historinha interessante: Airton Senna, diferentemente de Piquet, chegou à McLaren em 1988, ainda virgem. Ora, por favor, não me interpretem mal, refiro-me a títulos mundiais. Seu companheiro de equipe, entretanto, o francês baixinho, antipático e narigudo Alain Prost, já era bi-campeão mundial da categoria. E o que fez Senna? Foi pedir benção ao titio? Não. Foi mostrar na pista que era tão bom quanto aquele. E mostrou.
Aí está toda a diferença entre campeões e aqueles que jamais chegaram ou chegarão a tanto. Os primeiros desbravam seu próprio caminho. Os derradeiros se limitam a seguir o caminho traçado por outros. Em nome de quê? Em nome apenas da oportunidade de participar do circo.
Felipe Massa, ao que tudo indica, a exemplo de Rubens Barrichello, se enquadra na segunda categoria. Rede Globo, patrocinadores, profissionais da mídia esportiva e, a própria torcida, sequiosa por ver um brasileiro ostentar, quase 20 anos depois um título mundial de Fórmula 1 sabem disso. Mas não admitem. As três primeiras classes porque não interessa admitir o fracasso de um produto que bancaram vender. E a classe derradeira, porque, afinal de contas, é muito bom sonhar. Ainda mais quando o sonho já dura 20 anos.
A pergunta que fica, é se vale a pena continuar sonhando depois do que se viu na 47ª. volta do GP da Alemanha, no último domingo, 25. A patética, asquerosa cena protagonizada pela Ferrari, seus mentores e pilotos.
Fato grotesco. Foi, sem dúvida, a certidão de óbito da dita Fórmula 1 como esporte, que, há muito tempo deixou de ser. Se algum dia foi.

Fotos ilustrativas: Allonso e Massa, atuais pilotos da Ferrari; Senna, Prost, Mansell e Piquet em 1986.

Nota: Na Fórmula 1 a bandeira preta significa a exclusão do piloto da prova em disputa.

3 comentários:

  1. OI Primo,
    Compartilho com vc a indignação desse circo de horrores ocorrido domingo. Ainda mais depois daquela bela largada do Massa, segurando com habilidade os ataques de Fernando Alonso,liderando a maior parte da corrida da Alemanha.
    Nada justificaria, ainda se fosse no final do campeonato.
    Lamentável...

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