quarta-feira, 7 de julho de 2010

CAZUZA E O "SEU AGENOR"

Para muitos causa espanto que já no século XXI a sociedade ainda cultue ídolos que levam vida promíscua e irresponsável, conseqüência quase sempre de suas revoltas, frustrações sentimentais, sua necessidade de solidão para criar e para suportar a vida.
Face o exposto, percebe-se a consistência do ensinamento Espírita Kardecista: A evolução moral do espírito nem sempre acompanha a sua evolução intelectual.
Nós, espíritos encarnados, somos em essência coração e mente. Quem não ama a si próprio, não mede as possíveis conseqüências dos seus atos para a vida dos outros. Pior, sequer tem consciência delas.
Pessoas públicas, os artistas, por exemplo, são referências nos quais se espelham os adolescentes e os jovens, indivíduos cujo caráter ainda está em formação.
Alguns consideram que ao artista tudo se permite. Eu mesmo já acreditei nessa teoria que percebi depois insustentável senão ridícula.
Uma pessoa pública é alguém que se destaca na multidão. Portanto, é alguém que possui uma missão a cumprir, que concorra de alguma forma para o progresso da humanidade.
A todo aquele que são concedidos direitos também são cobrados deveres.
Não fosse assim cairia por terra uma consoladora idéia da justiça divina, frente à qual somos todos iguais, preceito comum de todas as religiões cristãs.
Cazuza, morto nesta data em 1990 aos 32 anos e um dos maiores poetas do rock nacional pode ser compreendido de duas maneiras: Um artista brilhante; um ser humano falho, como todos nós, com dois agravantes: alguns de seus hábitos eram deploráveis; e, portanto, repercutiram e ainda repercutem na sociedade, muito mais do que os meus ou os seus erros, estimado leitor, porque Cazuza era pessoa pública, era referência.
Assim, as responsabilidades dele foram maiores do que as nossas, uma vez que os direitos dele, os privilégios de que dispunha foram igualmente maiores.
Essa personalidade dúbia pode ser vista como uma contradição. Cazuza, o Filme da cineasta Sandra Werneck poderia ter evidenciado tal contradição se a proposta fosse esta. O que parece não ter sido. Se fosse, seria uma vez mais reconhecido e afirmado o talento indiscutível do artista Cazuza, e demonstrado como exemplo a ser evitado o cidadão Agenor de Miranda Araújo Neto, o verdadeiro nome de Cazuza.
Nem um nem outro, entretanto, devem ser acusados ou culpados porque isso não nos compete. Mas, analisados e compreendidos. Ambos, como cada um de nós, são aprendizes e donos de uma história que conforme nos ensina o eminente espírito Emannuel, não se conhece desde o início.
Glauber Rocha dizia: “A função do artista é violentar a arte”. E nós, ousamos adicionar à máxima do inesquecível e igualmente brilhante cineasta baiano: A arte. Não o ser humano.

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CAZUZA E O SEU AGENOR
Ter, 09 de Março de 2010
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