terça-feira, 13 de julho de 2010

A MORTE DAS CAPIVARAS

Da história mal contada de Rio Claro, sabe-se que um dos seus fundadores, o padre Delfim, possuía, conforme levantado em seu inventário, uma espingarda avaliada em 8 mil réis.
Qual motivo para tamanho zelo? Sabe-se lá.
À parte o inusitado, o fato revelaria uma tendência infeliz, por sinal, da sociedade rio-clarense que seria confirmada ao longo de sua história.
As origens da cidade (ai meus ouvidos!) não causam suspiros. Bem diferente das pessoas ordeiras e tementes a Deus, como retrata o quadro da primeira missa, exposto no salão nobre no 2º andar do Palácio de Mármore, os primeiros rio-clarenses, à parte seus fundadores, eram aventureiros em busca de ouro nas terras de Mato Grosso, mercenários e arruaceiros, que fizeram das terras além Morro Azul, pousada temporária de alguns e moradia de outros.
Imagina-se, portanto, sem nenhum esforço, que a violência sempre fez parte do cotidiano rio-clarense.
Conta-se casos rumorosos que abalaram a opinião pública, dentre eles, o assassinato ocorrido na Avenida 1 com rua 5, na região central da cidade, envolvendo membros de famílias ilustres, nas primeiras décadas do século passado.
Nos anos 1980, outro homicídio que mobilizou autoridades policiais e ganhou as páginas da imprensa escrita da época, foi o que vitimou o agiota Francesco Bartiromo, a mando do advogado Aldo Schio, crime praticado por um tal Mosquito.
Por desgraça ou alguma razão, por assim dizer, oculta, Rio Claro tem a triste sina de acolher entre os seus, aqueles que se revelariam infames assassinos de crianças. Casos que já quase caíram no esquecimento como o que vitimou o menino Arlindo Biotto. E as vítimas do Chico Vidraceiro, nos anos 80, e de Laerte Orpinelli, nos anos 90. O rumoroso caso Orpinelli, conhecido como O Monstro de Rio Claro virou livro nas mãos do jornalista ituano Reginaldo Carlota, cujo título é “O Matador de Crianças”. Veja: http://omatadordecriancas.blogspot.com/
Mais recentemente, a brutalidade contra a menina Gabriela também abalou a opinião pública mobilizando a sociedade em atos de protesto e manifestações pela paz, onde não faltaram os políticos oportunistas da desgraça alheia. E, não bastasse, aos atentados até agora sem solução contra o radialista e vereador Sergio Carnevalle, o que sugere mais uma vez que, em Rio Claro, a bem de uma causa maior, não convém dizer a verdade, muito menos tomar posição.
Em 2009, Rio Claro viveu um banho de sangue jamais visto, com assassinatos se sucedendo quase toda semana durante determinado período daquele ano.
As polícias, civil e militar e a Guarda Civil apressam-se em divulgar através da imprensa suas vitórias sobre a criminalidade. Palmas para a Polícia e a Guarda. Entretanto, a Justiça parece duvidar desses êxitos, haja vista a quantidade de solturas que pratica, originando a máxima recorrente entre a população que: Em Rio Claro, a Polícia prende e a Justiça solta. Por que isso ocorre? Não se está longe de saber os motivos. Basta ter um olho. Mas falta coragem e interesse em denunciar os fatos. Ou mesmo capacidade para se enfrentar as conseqüências.
Agora, parece que o alvo passou a ser outro tipo de espécie animal: os mamíferos silvestres. Duas capivaras fêmeas foram encontradas mortas no último dia 02, na estrada velha que liga Rio Claro ao distrito de Assistência, conforme noticia o Jornal Diário do Rio Claro, em uma das edições da semana passada.
Nem vou mencionar os gatos, pobres coitadinhos, vítimas dos venenos de mentes inescrupulosas e espíritos egoístas, incapazes de tolerar e conviver com as diferenças.
Fecho este comentário, solicitando ao leitor a presteza de um minuto de silêncio pelos pássaros presos às gaiolas, que jamais tiveram o direito de saber o que é voar.
E aos cães, abandonados nas ruas e avenidas da Cidade Azul por seus donos, que, até ontem os chamavam de: filhinhos da mamãe.
Um minuto de silêncio a todos nós, rio-clarenses, aqui nascidos, que ainda não sabemos o que de fato significa viver em paz e livre do medo.
Se o céu é mais acima e mais adiante, o inferno é aqui. Quem afirma isto é o mesmo que há poucos dias teve uma armada apontada para sua cabeça por dois garotos infelizes. Que Deus os ilumine e que encontrem outro rumo em suas vidas, outro destino melhor que o que se imagina. Porque o meu é morrer escrevendo. Também coisas como essas que as pessoas lêem e fingem não ler. Porque insistem em acreditar que não lhes dizem respeito.

Um comentário:

  1. Infelizmente nossa cidade carrega o fardo de sua origem.
    E a violência contra os animais é a mais covarde de suas formas, vitimando seres completamente indefesos sob vários aspectos, com o pretexto de que "são somente animais". Será mesmo ? Eles matam somente para a defesa ou para a sobrevivência, já os homens...

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