sábado, 17 de julho de 2010

JUVENTUDE EM DESENCANTO


Algum filósofo, sociólogo, psicólogo ou poeta, já deve ter dito que o medo é o freio da ignorância humana.
Sob esse aspecto, o medo seria mais virtude que defeito.
Para os jovens, oriundos de uma sociedade como a nossa, cujos valores se baseiam em conceitos frágeis que não resistem ao rigor do bom senso, como o consumismo desenfreado e a busca por emoções efêmeras, o medo parece não existir.
A possibilidade de tudo questionar e reivindicar sem assumir responsabilidades também parece ser um fator que concorre para a ausência do medo entre os jovens.
Uma parcela considerável da atual geração de jovens bebe até se afogar nas águas que foram limpas a custo de muito suor e sacrifício pelos jovens de ontem. Assemelha-se aos filhos que apenas usufruem o patrimônio conquistado pelos pais sem a preocupação de mantê-lo ou aumentá-lo.
Não há medo que freie o ímpeto destes jovens. Nem os pais, nem os professores, nem as autoridades, nem orientadores religiosos. E não é difícil compreender as razões porque isto ocorre. Os pais, em maioria, têm como única preocupação projetar nos filhos as conquistas não obtidas e proporcionar-lhes os bens materiais que não tiveram. Os professores, por motivos justos e compreensíveis, se sentem desmotivados e despreparados para conviver e orientar os jovens alunos. As autoridades, com suas atitudes falhas não se constituem bom exemplo. E os orientadores religiosos, independentemente do credo que professam tem se revelado os guardiões de incoerências e contradições que o bom senso e a ciência vêm apontando sistematicamente nos últimos tempos. Não há parâmetros a serem respeitados, não há referências a serem seguidas. Para estes jovens, tudo se perde no todo do nada, proporcionando-lhes uma sensação de vazio e abandono. E, muitas vezes, sem rumo, se deixam levar facilmente pelas ilusões imediatas e intensas que o álcool e as drogas lhes possibilitam.
O maior equívoco que, enquanto jovens cometemos, é acreditar que seremos sempre jovens, que jamais teremos de assumir responsabilidades como aquelas que nos exigem o trabalho e a família.
Divertir-se com sabedoria parece ser o calcanhar de Aquiles da juventude atual.

FINISH MIND: “Aos 15 anos você acredita em tudo, aos 20, tem a esperança. Aos 30, acha que ainda é possível, embora desconfie. Aos 40, enfim você admite que esteja irremediavelmente nos braços da realidade. E ela o levará dali por diante, até o fim dos seus dias. Nada mal, se a realidade, algumas vezes, não fosse tão desprovida de beleza e simpatia” – Trecho do romance “Bem-Vindo ao Clube”, deste autor, em fase de redação.

Artigo publicado no Jornal Cidade Livre - edição 39 de 13/07/2010. Acesse: http://www2.redecidadelivre.com:8888/net/jornal.html e leia todas as 40 edições (até o momento).

3 comentários:

  1. Parece cocaína
    Mas é só tristeza
    Talvez tua cidade
    Muitos temores nascem
    Do cansaço e da solidão
    Descompasso, desperdício
    Herdeiros são agora
    Da virtude que perdemos...

    Há tempos os jovens esqueceram de serem suas próprias pessoas, não conhecem si quer a si mesmo, e acabam tornando-se mais uma cópia de um modelo pré-estabelecido pela CIDADE.

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  2. O comodismo é a droga atual.
    É o vício que suga as mentes vazias desta geração deformada pela máquina do tempo.Os adolescentes não querem ter sonhos, opiniões, novas idéias, apenas os bens apalpáveis do consumismo de massa.Sem perceberem executam o masoquismo e deliram de prazer, estrangulam um futuro em troca da degeneração do pensamento, este que, que eleva o espírito e a alma para o conhecimento e consequentemente a sabedoria, que são as portas para novos mundos que muitos jovens insistem em renegar.

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  3. E eu que pensava que a nossa geração (da qual somos parte eu e o autor), fosse alienada na juventude...
    As mentes vazias de hoje refletem a falta de valores que deixaram de ser transmitidas por pais, professores, autoridades e sociedade em geral. A juventude de hoje preocupa-se somente em "ter" não importando o quanto seus pais tiveram que trabalhar para lhes satisfazer. Pai, muitas vezes, é visto como caixa eletrônico. Falta diálogo no lugar da TV, falta amigo real no lugar do video game e da internet, falta amor no lugar do dinheiro, falta o "nós" no lugar do "eu", falta...

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