sexta-feira, 9 de julho de 2010

NUM DIA COMO ONTEM

"CORPOS"
(À todos aqueles que, por um sonho de liberade, derramam suas vidas num campo de batalha)

Amontoados


Sem cabeça, mutilados

Corpos,

Onde seus espíritos?

Quais montanhas sobem?

Quais caminhos percorrem?

Quais florestas se refugiam?

Onde a sua dor se esconde?

E buscam beber o sangue

Que os fará viver



Abandonados

Molhados, por chuvas torrenciais

Alcançarão aqueles corpos, as nuvens

D'onde a chuva?

Terão asas para tanto?

Em que pedras deitarão suas cabeças?

Em que folhas derramarão o barro que os cobre?

Já não andam aqueles corpos

Não respiram, não vêem

Estão mortos, esquecidos

Serão como pó



Mitificados

Fardados, de panos perfurados

Corpos doídos, feridos

Em que braços encontrarão amparo?

Em que olhares encontrarão piedade?

Aqueles corpos, eles fedem, eles clamam

Por um minuto de atenção

Um instante de carinho

Antes que sejam cobertos pela poeira do tempo

Sejam lembrados pelos vermes

Porque pelos homens, já foram esquecidos



Inspirado na obra "Guerra de 1942" de Lasar Segall.
Foto ilustrativa de Robert Capa

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