terça-feira, 3 de agosto de 2010

XÔ, DEPRESSÃO!

No campo das artes a lista vai desde o bailarino Nijinsky, passando pelo inspirado Lorde Byron, o esquizofrênico Van Gogh, e a bonitona Marilyn Monroe. Pouco? A lista continua, é extensa, dela também fazem parte o pintor espanhol Goya; o homem do charuto, mais conhecido como Sir Winston Churchill, o poeta Charles Baudelaire, e muitos outros. Como, por exemplo, Ian Curtis, líder da banda inglesa, Joy Division, morto aos 23 anos, no auge da fama; e Kurt Cobain, que dispensa as apresentações, e ainda, o sensível Renato Russo que, embora não tenha pendurado uma corda no pescoço como Curtis, quis o perigo e preferiu sangrar sozinho até o fim.
Uma das características do que se convencionou denominar “Mal do Século”, a depressão serviu de mote para romances como Os Sofrimentos do Jovem Werther (1774) de Goethe que, à parte o extraordinário valor literário, produziu um sem número de suicídios entre seus leitores.
Mas a depressão não é privilégio dos mais cultos. Ela ataca a todos indistintamente. Basta que encontre portas abertas na mente e no coração de pessoas insatisfeitas com a vida, ou que se acreditam incapazes de conviver com problemas aparentemente insolúveis.
O ritmo de vida o qual todos estamos submetidos gera frustrações de toda sorte que se torna campo fértil para germinar e propagar a depressão.
Do desinteresse contínuo e progressivo pelas coisas em seu redor e por si próprio, passando pelo isolamento, podendo chegar ao ato extremo de abdicar da própria vida, a depressão induz quem dela padece a percorrer um longo e destrutivo caminho.
Inconscientemente ou não o homem moderno busca resultado imediato para projetos pessoais, esquecendo-se, muitas vezes, que, da concepção de uma idéia ao seu pleno êxito, é preciso tempo e muito trabalho, além de capacidade de superação, persistência e esforço constante.
A vida humana é altamente competitiva nos dias atuais estabelecendo ganhadores e perdedores, sujeitos a verdades efêmeras e mentiras intoleráveis Os primeiros, tendem a nunca se acharem satisfeitos, contrariando o que sugeria Demócrito, filósofo grego. E os últimos, que jamais serão capazes de alcançar o topo da montanha. São, portanto, depressivos em potencial.
Dados da Organização Mundial de Saúde apontam que a depressão é mais comum no sexo feminino, atingindo, segundo estimativas, 3,92% das mulheres e 1,9% dos homens. Sendo que a depressão contínua afeta de 15% a 20% das mulheres e de 5% a 10% dos homens.
Constitui-se problema fundamental a ser enfrentado, o fato que 2/3 das pessoas depressivas não recorrem a tratamento médico.
Segundo especialistas, a maioria dos pacientes acometidos de depressão e não tratados tentará o suicídio pelo menos uma vez, sendo que destes, cerca de 17% chegarão a óbito.
Se tratado corretamente, por profissionais qualificados, a depressão pode ser curada em 70% a 90% dos casos.
Oficialmente a depressão é classificada como distúrbio bipolar, cujas características variam desde fases de euforia até extrema irritabilidade. Sua causa não é totalmente conhecida. Especula-se que aconteça devido desequilíbrio bioquímico dos neurônios responsáveis pelo controle do estado de humor. A possibilidade de causa genética para a ocorrência da depressão não está descartada.
Mas nem tudo são espinhos. Em Rio Claro, por exemplo, importante trabalho social realiza o Posto Samaritano, através do Centro de Valorização da Vida (CVV) onde, voluntários preparados ouvem atentamente, por telefone (3534-4111), os problemas das pessoas acometidas pela depressão. Às vezes, um desabafo é o suficiente para que pessoas depressivas se sintam melhor.
Para evitar a depressão ou mesmo superá-la, alguns terapeutas indicam a meditação que, se bem orientada e feita corretamente pode proporcionar resultados satisfatórios.
O contato com a natureza e, a ocupação com atividades lúdicas como o artesanato, o desenho e a pintura podem produzir efeito preventivo e amenizador.
Já a doutrina espírita, na sua vasta literatura disponível, sugere que a prática da caridade pode ser bastante útil, por se tratar de um caminho de mão dupla: faz bem àquele que a recebe e, sobretudo, àquele que a pratica. Não custa experimentar.

Um comentário:

  1. Aplausos para você!
    Um tema recorrente, pouco abordado, mas tão presente e tão devastador.
    Você o abordou de forma clara, objetiva, explicativa e muito agradável de ler.
    Parabéns!

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