sexta-feira, 3 de setembro de 2010

CONSIDERANDO...

Dois anos sem o Lobo. Dois anos que a maldita vida deu um tiro bem dado e certeiro nos fundilhos do Velho e Maldito Lobo. Estou falando do jornalista e escritor Fausto Wolff. Há dois anos em uma hora como esta, nós estávamos na casa dos Favari preparando uma edição especial de O BETA para falar do finado. Saiu a edição. Aquela saiu. Era questão de honra. Todo mundo da redação escreveu qualquer coisa sobre o pai do Natanael Jebão. E voltamos para casa todos contentes e satisfeitos. Mesmo eu que, até então, jamais havia lido uma linha sequer do finado Lobo. É sempre assim. Eu teimo em chegar à festa quando ela já terminou. Se alguém duvida, leia Diário de Bordo. O meu. Todo escritor metido à besta (sou um deles) tem o seu Diário de Bordo.


Eu pretendia publicar essa ”conversa de botequim às 4 da manhã” (de saída e de leve) no Autores.com.br. Mas acho, sei não, desconfio, que a exemplo do finado Fausto eu também levei um pontapé nos fundilhos do pessoal lá. Porque há dias que tento acessar meu perfil e aparece uma mensagem que diz: O perfil não existe ou não está disponível. O quê?! Eu não existo? Quanta honra! Alguém se deu conta disso!

Ando escrevendo ultimamente com muita má vontade. Pedi emprego em um jornal dia desses e a chefe me disse educadamente que no momento “não estamos precisando”. E era o único jornal na espelunca dessa cidade onde eu, quiçá a boa vontade dos anjos, poderia arrumar emprego. Na verdade, tenho mesmo que arrumar urgentemente é um médico que desentorte minha coluna. E outro que dê jeito nas minhas vistas que, aos poucos vão se apagando. Disseram-me que natação é santo remédio pra desentortar coluna. Pode ser. Ao menos não corro risco de morrer afogado. Não porque eu saiba nadar. Até que sei alguma coisa. Mas o motivo é bem outro. Certas substâncias não afundam.

Vou tirar meu MTB. Pra sacanear os caras mesmo. Vou mudar de cidade (Por favor, verdugos, os rojões) e tocar a vidinha bem longe daqui. Esquecer de tudo, de todos e até de mim. Aceitar finalmente que de fato me chamo Geraldo. Faz 40 anos. E ganhar a vida com a escrita. Ora, tanta gente atualmente faz isso. Neguinho que nunca escreveu ficção, quando muito uns jinglezinhos medíocres pra político encalhado, agora deu pra ser jurado de concurso literário. E vêm dissertar em reunião solene sobre a coerência na Literatura. O Beckett é que adora isso. O Inominável idem. Nauro também adora isso. E Leão, o Ricardo devora isso enquanto leciona a Primeira Lição de Física. Coerência na Literatura. Puta que pariu demônio me tire daqui! Que merda isso! Eu tento resignar-me viver entre os metódicos medíocres, tento. Mas cheguei ao meu limite.

Feliz era o Lobo Fausto que bebia todas sem sentimento de culpa. Feliz é o ateu porque ele vive em paz. Feliz é o Iludido que acredita que basta abrir o coração pra conhecer o amor que sai de dentro dele. Do coração. Por mais enfermiço que ele esteja. Por mais revoltado que seja.

Enquanto isso, eu continuo acertando o rádio relógio pra despertar toda 6 da manhã. Eu não ganho pra escrever. E por essa razão vou pro céu quando morrer. Fausto Lobo, me aguarde.


PS: Onze e 54. Pensei não daria tempo. Senta e escreve. Para meia dúzia de parágrafos: 2 minutos. Ainda funciona.

"Conto histórias para mudar o mundo, pois vivo num mundo cujos senhores desprezam a educação e cultura, conseqüentemente os livros". - Fausto Wolff.

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