sábado, 11 de setembro de 2010

A FAUNA MENTAL

Dizia o finado Barão de Itararé: “Este mundo é redondo, mas está ficando muito chato”.

É de se perguntar: Onde estão os loucos? Que falta fazem! Por seu desapego à vida, seu destemor, sua invejável e exuberante tendência ao sacrifício.
Falando nisso, Senhor Gerúndio, alguns respeitáveis escritores já passaram pelo hospício, dentre eles, Lima Barreto. Não é o caso, certamente dos roteiristas que escrevem esses seriados da Rede Globo, tipo “Separação” ou coisa que o valha.
A receita é simples: rir da desgraça. Mas, de tão simples, já está batida por demais e, portanto, desinteressante.
Em verdade, os escritores geralmente se saem melhor em sua relação demoníaca com o lápis, o papel e a mente, quando se atém ou se vêem presos, ou envolvidos com a tragédia, a miséria, a desgraça, sua, de preferência, ou de terceiros.
Quando tudo vai bem, a exemplo do que acontece com o rock’n roll, parece que nada vai bem para a Literatura, e para a Dramaturgia.
Trocando em miúdos, quando não se tem pelo quê lutar, parece que a vida perde todo o seu encanto e sentido. Não nos esqueçamos que o homem é também um animal e por esse motivo, dispensando-se todos os outros, precisa do sangue alheio, da conquista de territórios, da satisfação de sentir-se vencedor, diante de um oponente derrotado.
Filosofia de butequim à parte, e voltando à Dramaturgia, Samuel nos fez esperar Godot, Shakespeare nos deixou uma pergunta até hoje sem resposta, e na tevê brasileira, nos anos 70 e 80, houve vida inteligente, quando autores e diretores, retrataram as causas pelas quais lutavam a sociedade da época, como a redemocratização do país (Anos Rebeldes), a igualdade de direitos (Malu Mulher) e até a tosca realidade, infelizmente, ainda atual da classe política (O Bem Amado).
A doença endêmica que contaminou o teatro brasileiro na década de 90 para cá, que é a de discutir a relação de um casal e as neuras inerentes ao mesmo parece ter chegado e dominado a teledramaturgia. Infelizmente.
É bem verdade que os gênios descem à Terra, quando tudo está uma grande merda. Porque é verdade também que Deus não desampara ninguém, e lança brisa refrescante ao rosto dos desvalidos e atormentados que enfrentam períodos de grandes dificuldades. Quando a coisa vai vento em popa – ao menos é isso o que os governos e seus diabólicos marqueteiros insistem nos fazer acreditar – os gênios, com toda a razão nos abandonam.
Talvez, porque em tempos em que a imagem é tudo e a estatísticas determinam rumos a seguir, não dando margem de ação ao improviso, à originalidade, à tentativa de ser e fazer diferente, arcando com os custos e os riscos que isso pode representar, e finalmente ao sonho, do qual o ser humano se vê cada vez mais distante e, portanto mais próximo da racionalidade, da frieza e do individualismo, conclui-se facilmente que as artes só servem mesmo para entreter espíritos acomodados e ociosos. Não serve mais para instigar espíritos rebeldes a dar vazão às suas aspirações humanas e metafísicas, e muito menos um passo adiante em direção ao incerto, com a intenção de rasgar o véu de Ísis e ultrapassar os limites da simplicidade, da mesmice, sob o qual se esconde a mediocridade humana sedenta de progresso.
Este escritor ainda não passou pelo hospício. Não dessa vez. E não passará, enquanto tiver uma garrafa do bom Ballantine’s sob sua cama às 3 da manhã, e um espaço democrático como esse para publicar sua ideias que, se não representam a verdade senão para ele, estimula o leitor a encontrar a sua. Deus queira que sim.

Utopia

Será mesmo Democracia quando todos os candidatos a Presidente da República tiverem o mesmo espaço disponível em rádios, jornais e tevês, os mesmos recursos financeiros e apresentarem programas de governo, feitos por eles, seus partidos ou coligações, mas que sejam discutidos nas salas de aulas, fóruns, mesas-redondas, seminários, sindicatos, entidades de classe, e religiosas. Enfim, quando a sociedade realmente puder escolher o que considera melhor. Por ora, só nos cabe escolhermos as armas com as quais desejamos cometer o ato profano do suicídio coletivo de nossas consciências. Ou melhor, delito doloso do atentado aos nossos sonhos. Nossos melhores sonhos.

Pra pensar antes de dormir:

Voto deve ser rigorosamente secreto. Só assim, afinal, o eleitor não terá vergonha de votar no seu candidato”.

Quer mais?

“A televisão é a maior maravilha da ciência a serviço da imbecilidade humana”.

Por hoje chega de Barão de Itararé. Boa semana a todos.

2 comentários:

  1. e ai jota!!!!
    hehe
    adorei o blog!!!
    estava precisando achar algo interessante pra ler!
    hehe
    valeu!!!
    Renan

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  2. E a escrita é uma das maiores provas de que o ser humano adora apontar as próprias imbecilidades nos outros (ele por si mesmo não suporta a própria imbecilidade, arrogando a si uma genialidade que não tem_

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