terça-feira, 28 de setembro de 2010

A IMPORTÂNCIA DO SEGUNDO TURNO

Para o bem da nação brasileira e para que prossiga a discussão sobre temas atuais e importantes como a corrupção que envergonha as pessoas honestas e põe ralo, ou melhor, bolso abaixo, os bilhões de reais que se paga de impostos todos os anos neste país – é bom que haja segundo turno para as eleições que se aproximam. Por que há muitas coisas ainda a serem explicadas, como por exemplo: como é que a candidata X tornou-se, por assim dizer, bonita e jovial, da noite para o dia? Como é que tudo pode ir tão bem como diz a propaganda, se a educação e a saúde públicas vão mal, se o transporte público é um caos, se o déficit habitacional continua apontando índices preocupantes, se a divida interna aumenta dia-a-dia, se o país continua a servir como chocadeira para o dinheiro alheio que não lhe pertence, enfim, ia me esquecendo, do caso Erenice, ah, deixa pra lá.
Talvez não seja racional e razoável, mas talvez seja ingenuidade, dar mais um “cheque em branco” para aqueles, que, feito todos os seus antecessores continuaram atacando o bolso dos realmente trabalhadores deste país, por meio de impostos, tributos, taxas de juros exorbitantes e nada, rigorosamente nada devolveram em troca. Porque uma coisa é ter crédito para comprar e fazer dívida. Outra coisa é ter salário justo para comprar sem dever sequer obrigação. Esse direito e essa dignidade, nem eles, nem seus antecessores proporcionaram. Então, como é que pode ter melhorado a vida, se pra se possuir alguma coisa é preciso passar anos endividado e cheio de preocupação?
Na verdade não melhorou como poderia e deveria. E percebe-se isso facilmente quando se é obrigado a chegar às 09 da noite de sábado em um pronto atendimento de hospital público e sair de lá por volta de 4 ou 5 da manhã, com uma receita aviada por um clínico geral, cujos remedinhos vão fazer a dor passar por alguns dias senão algumas horas, até que se precise voltar lá, puto de raiva e de dor, porque o exame demora entre 90 e 180 dias, em sendo otimista, e sem o bendito, não se consegue se tratar da doença e se ver livre das dores, que faz perder dia de serviço, de aula, e que tanto incomoda porque torna horrível a vida. Enquanto isso, eles discutem de quem é a culpa, se da União, se do Estado, ou se do Município. Eu mandei a verba, eu não recebi. Então onde está a grana? Ninguém responde. A dor? Deixa-a por aí mesmo, porque há de trazer muitos votos das pessoas de boa fé e cheias de esperança.
Nem mesmo no governo colorido (cala-te boca) se verificou tantos escândalos e tanta prática de corrupção a se considerar as denúncias feitas quase diariamente por setores da imprensa. É algo que enoja qualquer pessoa que se pauta pela conduta moral e ética. A pedra virou vidraça. O cordeiro, uma vez no poder, se mostrou tão feroz quanto o lobo. Mas avisa: cuidado com o que se escreve e se diz, porque de repente, pode-se ser atingido (geralmente pelas costas) pela ira, e pela vingança daqueles que se incomodam com estas e outras verdades. E vivem os seus dias a “patrulhar” e, feitos agentes da KGB, a espionar a vida alheia.
Logo, e não se ensinará nas escolas o hino nacional, e sim o mantra: “Eu nego. Eu nego. Tudo mentira. Mentira. Mentira”, apregoado pelos quatro cantos por quem hoje se considera dono do país e da verdade e se esquece ou não admite que a alternância de poder é um dos maiores e mais salutares bens da democracia.
Vê-se, não sem espanto, que todos aqueles que cerraram fileiras até pouco tempo com os que se acham na situação, hoje se colocam na condição de opositores, ainda que mantenham o mesmo discurso agressivo, acusatório e difamante tão bem utilizado para se conquistar o poder: ninguém presta, não é assim que se faz, fulano é ladrão, vamos botar todo mundo na cadeia depois das eleições... – porque sabem que esse discurso de denegrir a imagem e a pessoa do adversário ainda encontra, por incrível que pareça, respaldo em uma sociedade cuja significativa fatia do eleitorado, é formada, infelizmente, por analfabetos funcionais que sequer se lembram em quem votaram nas últimas eleições, mas que se deliciam e se inebriam quando favorecidos pelas práticas assistencialistas que ao invés de levantá-los moralmente e resgatá-los para o importante segmento produtivo da sociedade, os mantém submissos, eternos devedores de favores, que mais se assemelham às esmolas.
Vê-se com tristeza que o mais alto mandatário da nação se declara com orgulho presidente de alguns e não de todos numa absoluta e repugnante demonstração de que, para ele, chegou a hora da revanche. Claro, a política, segundo ele deixa demonstrar nos seus inúmeros e infelizes pronunciamentos é sem dúvida uma partida de futebol.
Nada disso. Nada disso. É tudo mentira. E o que supostamente seja verdade, é culpa da imprensa. Haverá de ser, sempre, para aqueles que vêem seus interesses contrariados pelo sagrado dever de informar e o legítimo direito de opinar dos quais a imprensa por obrigação moral jamais deve abster-se.
Merece ao menos uma reflexão mais profunda a possibilidade de eleger presidente da república alguém que teria uma extensa e deplorável ficha criminal.
Qual a diferença entre situação e oposição? Somos nós. Será que sabemos e compreendemos a importância disso? A resposta? Só no dia 3.

*Artigo publicado no Editorial do Jornal Diário do Rio Claro, em 02/10/2010, pág.02.



2 comentários:

  1. Todos os meus amigos sabem do meu nojo em respeito a classe politica, eu nunca acreditei em nenhum deles, no entanto, sempre estou tentando escolher o "menos mau carater", sempre votei em alguem, mas entra e ano sai ano a coisa se complica cada vez mais, isso me entristece.

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  2. Caro amigo,
    O fato de haver segundo turno me alivia em termos...mas o que me preocupa, é o povo enfeitiçado e que não enxerga o que está por baixo das estatísticas e números, que não enxerga o lobo vestido de cordeiro e se deixa levar pela ilusão que aí está.
    A falta de critérios conduz a cegueira.
    Abraços

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