quarta-feira, 22 de setembro de 2010

VERÃO SE DESPEDE

Será que um dia eu vou poder tocar o meu rosto no teu?

Será que um dia eu vou poder enfim, conhecer o perfume dos teus cabelos?

Será que um dia eu vou poder abraçá-la com todo o amor do mundo que tenho por ti?

Será que antes que a noite se desfaça eu poderei encontrá-la em meus sonhos?

Será que depois de amanhecer e o sol cegar os meus olhos eu haverei de sentir a tua presença diante de mim?

Será que no momento em que isso acontecer eu ainda terei palavras guardadas na mente pra lhe ofertar junto uma rosa em forma de amor plasmada no meu coração?

Com o mesmo imenso amor que eu lhe oferto a minha vida inútil?

Ainda que eu saiba o quanto pequeno e doente, frágil e incapaz de suportar as coisas deste mundo, e a tua ausência, ele o torna

Será que diante dos meus olhos os teus iriam abrigar a felicidade?

Seriam reluzentes como o brilho desta manhã, e o orvalho da noite que se aproxima?

Mas verdadeiro, sim, porque disto é feita a felicidade, porque, de outra coisa, e não seria.

Será que minhas mãos trêmulas, um dia, enfim, haverão de tocá-la, como o mesmo olhar e alegria que o beija-flor busca a seiva que lhe dá vida e o faz feliz.

Será?

Será que Albinoni, Mahler e Barber se farão presentes ao festim,

Quando você surgir vestida de branco, flores nos cabelos, descendo as escadas e vier me buscar.

Será que hei de suportar os dias da tua ausência, como o passageiro que, à plataforma, espera a chegada de um trem jamais visto?

Será que as lágrimas de sangue que sinto neste instante machucar o meu coração um dia brotarão em meus olhos com sorrisos e olhares de alegria?

Momento em que finalmente serei completo, uno, jubiloso

E não mais, nunca mais, desmanchado em dor, revolta e medo.

Porque você estará enfim ao meu lado.

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