domingo, 24 de outubro de 2010

E O VELÃO, O MAIS QUERIDO, VOLTOU!

Os 14 anos de sofrimento na Segunda Divisão do futebol paulista chegaram ao fim para a Associação Esportiva Velo Clube Rio-clarense.


Deus sabe quantas vezes escrevi este parágrafo e tive que mandá-lo à lixeira do computador. Dessa vez não. O sofrimento, o desgosto, a humilhação acabou.

Era injusto demais para um time centenário, tão querido e tradicional permanecer tanto tempo no Umbral do futebol de São Paulo.

A instituição Velo Clube se redimiu neste ano de sucessivos dissabores, pelas mãos de um presidente que, mais do que tudo, é velista de coração. Homem íntegro, cuja vida é um exemplo de superação e esforço, de crença inabalável no trabalho e na maneira de se conduzir, seja na área esportiva, profissional, social ou religiosa, com lisura, com ética, decência, com respeito ao semelhante, mas, igualmente, com competência. José Pedro de Paula Caraça, o filho do seu Paulo, o nosso tio Álvaro e da dona Suzana teve a ousadia de acreditar em um sonho que muitos davam por impossível. Expôs sua meta, agregou seus pares, pessoas possuidoras das mesmas virtudes que ele. Como João Marcondelli, Danilo Dezan, Braminha, Pimentel, Cerri, Ivo, Bertinho e outros. E antes de formar um time vencedor dentro de campo, outro fora formado fora dele: a Diretoria que hoje conduz os destinos do Velo Clube e seus colaboradores.

Depois, o tiro certeiro, na mosca, na contratação de uma comissão técnica, comandada pelo campeoníssimo técnico João Valim, o preparador físico Juliano, e os demais que trabalham em harmonia, de modo sério, determinado, e competente, sem os estrelismos tão próprios de alguns ilusionistas que ostentam imagem de profissionais, tão consistentes quanto uma porcelana. Uma comissão técnica que treina, orienta, comanda com respeito ao ser humano e ao profissional.

Um trabalho assim, tão bem planejado e conduzido só poderia mesmo resultar na formação de um bom elenco, uma ótima equipe, que, dentro de campo, foi dissipando desconfianças, dúvidas, e vencendo, e convencendo, atingindo objetivos, até triunfar como há muito tempo não se via o time da Rua 3, o time do Seu Benito, do Seu Álvaro Pinto Lopes.

Pudesse o leitor ver ou imaginar quantas vezes esse texto foi interrompido porque na medida em que vai sendo escrito, as mãos tremem e os olhos embaçam, saberia o amor que vai aqui dentro por esse time que é o mais querido, sim, da cidade de São João Batista.

Merece todo o aplauso também a imprensa de Rio Claro, que vestiu a camisa rubro-verde porque soube compreender a importância da instituição Velo Clube para a Cidade Azul que tem alma e sangue vermelha e verde.

Aqui, nestas linhas, não está um escritor de 39 anos, jornalista free-lance. Está um menino que nas tardes de domingo ia com seu pai, seu irmão, seus amigos e vizinhos pra ver o Velo jogar e vencer. Está o jovem de 22 anos, que dependurado no alambrado atrás do gol da Santa Casa, com seus amigos, vibrava a cada gol do Pirulito, acreditando que o sonho interrompido em 1979, pudesse ser revivido.

Talvez agora, tanto tempo depois, o sonho esteja recomeçando.

O primeiro passo foi dado. O grito de guerra não pode parar: Vamo subi Velo! Vamos sim. Até a Série A-1. O Gigante acordou.

Fotos: Time de 2010 que conquistou o Acesso à Série A-3; Torcedores na Geral do Velão;  Técnico João Vallim; Time de 1978, que conquistou o Acesso à Divisão Especial (A-1).

* Artigo publicado na edição No. 69 do Jornal Cidade Livre.

Um comentário:

  1. Parabéns,pela matéria Costa Jr.,como escrevi outro dia estamos "remoçados no delirio da Vitória".
    Grande abraço,

    Cesar

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