domingo, 28 de novembro de 2010

Perdendo a vida diante das luzes

Se você ficar esperando que o tempo passe


Se os teus olhos não apontarem um caminho

Se você achar que a vida faz acontecer

Se lhe faltar a coragem

E o destemor

Pra pagar o preço

Que a felicidade exige

Então logo você perceberá

Que o seu mundo se tornou pequeno

Que as paredes em volta lhe sufocam

Que se olhar para cima não verá o céu



Se você perceber uma inquietação

A fazer um estrago dentro de si

E lhe revelar sentimentos

E lhe mostrar uma tua face

Que você jamais acreditou pudesse existir

Se chegar um momento em sua vida

Que você deve escolher entre ficar ou partir

E se lhe falta a coragem pra tomar a decisão

Que a felicidade exige

Então você terá a certeza

Que o tempo passou do mesmo modo

E que seu mundo se tornou pequeno

Que os olhares em volta lhe sufocam

Que se olhar adiante não...

Encontrará o caminho.

sábado, 27 de novembro de 2010

Losing in the life

Chega. Eu não preciso disso. Eu escrevo. Se não com esse maldito aparelho, com qualquer outro de qualquer outro idiota que se sujeite a tanto. Enfim, eu escrevo. É minha desgraça e minha sina. Paciência. Há de ser sempre assim. Paciência. Eu escrevo. Eu existo. E foda-se a vida. E foda-se a humanidade. E foda-se o mundo. Quem quiser atravessar o rio até a outra margem, atingir o céu... precisa fechar os olhos...atirar-se de encontro ao nada que é a vida... sem ilusões de sobrevivência. sem concessões.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

ETAPAS

Hoje acordei abraçado a uma convicção: pretendo dedicar-me mais àquilo que a Literatura pode de melhor oferecer: a leitura.

É que não tive tempo para isso durante todos esses anos, o que, aliás, considero uma grande injustiça, porque nada mais prazeroso do que viajar nas páginas de um bom livro. Desculpe mas o adjetivo se faz indispensável mesmo àquele que, como este reles escrevinhador despreza a categoria.

Engraçado que, para alguns especialistas, pretensos doutores em Literatura, ler muito contribui para se tornar um bom escritor. Ousei desmenti-los. Adoro fazer isso. O tempo, implacável Juiz decidirá se atingi ao meu objetivo.

Busquei obstinadamente a rara habilidade de conduzir a pena desde os meus 17 anos, desde que os miseráveis de Hugo e os crimes e castigos de Dostoievski fez estragos irremediáveis no pouco que restava de minha responsabilidade perante a vida.

Não há de se embrenhar pelo deserto ou pela floresta negra sem ao menos uma bússola. Quem disse isso? Eu. Claro, se ninguém já o dissera antes. Esta máxima é válida ao menos para aqueles que tenham vocação para o suicídio involuntário. E o norte que tal bússola oferece eu encontrei na técnica da qual o jornalismo se utiliza.

Saber, portanto, fazer a mira, apertar o gatilho e acertar o alvo me permitiu matar algumas codorninhas e estas me serviram de repasto durante minha juventude. Mas tudo, e mesmo a ousadia, a coragem e a vontade irresponsavelmente maravilhosa de provocar também. Então, aos 20 anos, eu percebi que precisava me afastar do jornalismo se quisesse mesmo ser um bom escritor que é alguma coisa completamente diferente de ser capaz de escrever bem. Às vezes me arrependo pela escolha que fiz. Podia hoje ganhar uns trocos bem mais generosos do que os que ganho atualmente.

Bem, devo admitir. Vou precisar de pelo menos mais uma dúzia de encarnações como esta para enfim conseguir ser um bom escritor. Daqueles que realmente fazem diferença entre os tantos que há por aí, por toda parte, e pra não exagerar, a cada centímetro quadrado de existência humana.

Tentei sim aceitar que as coisas podem ter o mesmo valor a partir de determinada época da vida. Mas, em verdade, isso não acontece. O tempo passa para todos. Para quem está na platéia o tempo até pode nunca passar. Mas o artista sabe quando a personagem e a mentira da qual vive passa a pesar sobre seus ombros.

Quando se senta à frente da tela de um computador e ao invés de se sair escrevendo o que vem à mente se pergunta: Por quê? É sinal de que a coisa toda não funciona mais como deveria.

Mas, por ora ainda funciona. Não a pleno vapor. Lentamente. Com a décima parte da sua potencialidade.

A Literatura é uma dama mundana parida pela mentira. E descobre-se com o tempo que ela é capaz de operar dois milagres em nossas vidas: a alegria por conhecê-la e a satisfação por abandoná-la. Fui agraciado com a primeira. Acabo ainda me convencendo da segunda.

O engraçado é que para ser admitido ao clube eu precisei consumir milhares de horas, dias e páginas, das quais restaram 97 e é onde está tudo aquilo que eu pretendia dizer. Acabo de receber o telegrama que traz a notícia há muito esperada por mim: Bem-Vindo ao Clube.


“A única coisa que justifica a existência humana é a capacidade que todos têm, ainda que adormecida, de transformar ódio em amor”. – J. Costa Jr.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

AS ALMAS NUAS DE MODIGLIANI

Há dois tipos de artistas: Os que são artistas e os que são geniais artistas. Há dois tipos de injustiça que se comete contra os geniais artistas, uma vez que são eles que permanecem na história. Cobrar-lhes coerência quanto às suas convicções, seu trabalho e sua opção política, religiosa ou mesmo a ausência destas. E, ainda, buscar em sua condição humana a perfeição encontrada na arte que produzem.

Não por acaso, é raríssimo encontrar felicidade nas pessoas inteligentes. A frase é atribuída ao escritor Ernest Hemingway, ele também, inteligente, incompreendido e infeliz. Sabia do que estava falando.

Por sua vez, Amedeo Modigliani (Livorno/ITA 1884 – Paris/FRA 1920) também sabia ao afirmar que “quando conhecer sua alma pintarei seus olhos”.

De fato, a forma, a condição, a aparência humana apenas exprime, traduz, reflete, como queiram, a alma, do que ela é feita, como é, como se sente, se chora ou se ri, em que acredita ou desacredita. Porque a alma tem vida. E a vida é de fato a alma. O corpo é apenas expressão desta vida.

Note-se que Modigliani compreendia bem isso. E era um amante inveterado, viciado em haxixe, alcoólatra, e gênio da pintura.

Um iluminado depravado. Tal contradição é insuportável para os que não entendem nada da arte da vida. Porque viver é também uma arte. É a Arte Real, em sua pura essência, de modo que pintar um quadro, escrever um romance, elaborar um poema, ou muitos, não é senão pincelar e rabiscar um instante que se eterniza da arte de viver. Que será admirado por muitos e odiado por outros, e passará indiferente aos olhos e ao coração da maioria.

Intolerável também para alguns é a certeza de que nem todos podem ser artistas e outros muito menos podem ser geniais. Porque se todos o fossem não haveria a platéia, a crítica e o artista e a arte perderia o sentido. Os sinos dobram para todos, sim, mas quem os coloca em movimento são apenas os que sabem chegar até ele.

Se não amasse como amou, se não vivesse como viveu, Modigliani não teria sido o artista que foi. Porque só se é capaz de mudar a vida quando se aceita a pagar o preço que isso exige.

Talvez por esse motivo, o Maior dentre todos morreu pendurado em uma cruz sob o olhar indiferente daqueles que deveriam amá-lo e agradecê-lo. Morreu assim, talvez, para demonstrar que nesta vida e neste mundo não há vitória possível sem dor e sofrimento. A vida exige esforço, dedicação e respeito para consigo e para com o semelhante. A genialidade exige sacrifício e renúncia. E justamente essa disposição, essa aceitação é que faz diferença entre uns e outros.

Modigliani já nasceu humilhado devido à perseguição sofrida por sua família de origem judia e arruinada em dívidas. E, enquanto criança viveu sérios problemas de saúde, dentre eles, tifo, pleurisia e tuberculose que o acompanharia a vida toda, e essa foi uma das razões para que a família se mudasse para Paris, onde o filho poderia ser mais bem tratado. O menino Amedeo já fazia desenhos e pinturas desde muito cedo, o que demonstraria o seu talento nato adquirido em existências anteriores. Ou alguém ainda acredita na história do aqui começa aqui termina?
Todavia, o menino cresceu, e a necessidade de pintar era maior que a de ganhar dinheiro com a pintura. Uma tela de Modigliani custava a vender,  apesar de todos os esforços de seu marchand, o poeta polonês Leopold Zborowski. Recentemente, “A Bela Romana” óleo sobre tela de 1917 de sua autoria, foi arrematada em Nova York por US$68 milhões, superando uma anterior, cujo preço alcançou as cifras de US$43 milhões. Mais uma demonstração de que os artistas de gênio estão sempre à frente do seu tempo. Oportuno lembrar que por ocasião da 1ª. Guerra mundial (1914-1918), a cidade de Paris, na França reuniu no bairro de Montparnasse, o que havia de melhor e mais interessante na cena cultural e artística do mundo no século XX. Ali estavam Modigliani, Picasso, Utrillo, Kisling, Miró, dentre outros da pintura, assim como, da Literatura, nomes como Joyce, Cocteau, Pound, Breton, Hemingway, o casal Zelda e Scott Fitzgerald e um tal Valentin Louis, mais conhecido como Marcel Proust.

Esperar que pessoas assim tivessem uma vida normal é perda de tempo. Porque elas amam mais do que podem e vivem para a arte mais do que devem. Modigliani não foi diferente. Amou Jeanne Hébuterne, sua musa inspiradora que, ao se dar conta de que ele jamais seria como ela sonhava e como exigia a sociedade da época, o aceitou como de fato ele era. E mais do que ninguém desejou que ele fosse feliz ao seu lado; fosse um vitorioso como, por exemplo, Picasso. Mas o espanhol não ia além do que seus olhos podiam ver. Modigliani, sim. Por isso, pintava almas. Nuas.

*Publicado no Jornal Cidade Livre, edição 77, no Jornal Diário do Rio Claro, edição de 28/11/2010 e no site http://www.autores.com.br/

domingo, 14 de novembro de 2010

CONFESSIONÁRIO

Não há colorido em minhas lembranças. Há o cinza, o opaco, o sépia, o transparente. Há o que não se vê embora se sinta, e por essa razão, atormenta. É como a dor contida da qual se busca fugir, em desespero, pelas ruas molhadas de chuva e de sangue, entre mortalhas, escombros e esperança destruída. Minha vida é uma aspiração interrompida no engano de que são feitos os sonhos. É um adágio de Albinoni ao cair da noite.

Do apartamento onde morrera Verlaine eu vi os alemães desfilarem. Seus rostos pintados de palidez, seu destemor e arrogância saltando dos olhos. Minha mente está cansada e meu espírito anseia por liberdade. Não me pergunte meu nome. Que importam os nomes? Os nomes se perdem na comunhão de indiferenças de que é feito a última morada o merecido descanso, seja ele Père Lachaise ou o Batistinha.

Já não perco mais as minhas noites de sono a me perguntar se não conheci nada nesta vida que não seja as letras e os livros. Desisti da ideia que durante muito tempo me convenceu de que de fato não existo porque não sou único, todavia, muitos, espalhados na dor, na revolta, no inconformismo e na súplica sufocada das muitas vidas com as quais me deparei, e de tantas outras que vieram me visitar e acabaram ficando. Dê-se a elas o nome que quiserem. Eu as chamo de personagens. Sou aquele que viveu da arte e nela se perdeu. O italiano, o francês, o judeu, o americano e o português... o búlgaro. Sou todos eles, cada um a seu tempo. Hoje, neste país do Cruzeiro não sou nada. Desci da montanha que muitos chamam de orgulho. Vim buscar o que nunca tive dentro de mim: o amor à vida e o devido valor das coisas que realmente importam porque são verdadeiras e eternas, as únicas, as virtudes morais. Sou como um afresco de Michelangelo descolado do teto. Caído no chão e pisado pela indiferença daqueles que outrora o admiravam. E o amavam. Sou Jean que veio a procura do seu dia de liberdade. Alma miserável, que um dia se acreditou bonita e perfumada. Ainda que, de fato, por alguns momentos, alguns, tenha sido.

*Trecho de Bem-Vindo ao Clube, romance deste autor em fase de revisão. (Todos os direitos reservados ao autor).

domingo, 7 de novembro de 2010

SETE DIAS SEM VER A CONCHETTA

Os jornais anunciam: País perde 56 bilhões de reais por ano com má gestão dos recursos da educação. Outra: MEC aplica Enem com erros no cartão de resposta e perguntas repetidas. Pois é, não temos o que comemorar embora as estatísticas, as planilhas, os números, ah os números, nos desminta. Nada pode haver de pior que esse terrível diagnóstico. Não pode? Pode sim: “A livre expressão está sob ataque”, palavras de Alejandro Aguirre, presidente da Sociedade Interamericana de Imprensa. Em entrevista, ele comenta sobre a morte de 123 jornalistas ocorridas este ano em países que não estão em guerra. Sobre a tentativa de controlar o trabalho da imprensa no Brasil, ele repudia a ideia e sugere que para corrigir os erros da imprensa é preciso mais liberdade e não mais controle do governo.

Como se vê, não demora e daqui algum tempo o que restará para os Costa e os Mariones da vida é escrever coisas assim: batatinha quando nasce se esparrama pelo chão, o Juninho quando dorme põe a mão no coração. Ou melhor: eu te amo, a vida é bela, o mundo é lindo.

Bares e boates, botecos e afins, lá vamos nós. Feito Álvaro de Campos, passaremos nossas tardes, à sombra de uma parede, ao pé de uma porta que dá vista para o infinito. Olhar fito no horizonte poético, sentados à mesa e, acompanhados de um bom trago e um ótimo gole, a companhia agradável e insubstituível da solidão e do vento na cara, iremos buscar o inconformismo, a indignação e a revolta que nos move a vontade insana e doentia de escrever. A mesma que os patrulheiros ideológicos querem doutrinar e, quando se admitem incapazes (custa muito a eles fazê-los) querem reprimir e converter.

Aqui, banana pra vocês. Não me dobro. Tenho cara, RG. CPF, carteirinha do Círculo Operário, do Sinam, do Sudão (opa, SUS), que mais eu tenho? Ah, lembrei, algumas notas rotas de dois e de cinco, e parcas moedinhas escondidas nos bolsos furados das calças. Moedinhas de 5 e 10 cent’s que escorrem pelas pernas, feito aquela coisa nojenta e repugnante que acaba escapando no meio da noite quando fico mais de 7 dias sem ver a Conchetta.

Mais? Queres mais? Sim. Tenho uma usina de textos na mente pronto para serem gozados no papel, digo na tela, com o estilo jocoso, indigno, pejorativo e repudiado desse cronista maldito, aprendiz de poeta e fazedor de novelas jamais publicadas.

Devo, para a desgraça imaculada de Madeleusa aproveitar o tempo, porque tempo, jóia preciosa, é o que de menos tenho. Mônica sugere que vou até os 44, vencido finalmente pela hepatite e agora pelo diabetes. Má notícia, eu achava que iria até os 46. Mas talvez isso seja muito tempo considerando os presságios, as dores da carne, as decepções da alma. E o resultado do exame da próstata, leia-se e entenda-se: PSA, um tipo de exame de sangue que sai daqui alguns dias. Nada a temer. Tudo já estava no roteiro das encarnações compulsórias programada pelos insensíveis desafetos lá de cima, quando descemos, eu e a rempa que me acompanha a este inferno há 39 anos.

Acho que passarei a régua de vez na vida e nos sonhos, antes que alguém o faça por mim. A amiga Rosana informa em seu atencioso e-mail que os patrulheiros estrelados não satisfeitos com a Lei da Mordaça que apenas adormece nas gavetas palacianas do Planalto preparam para breve o despertar do monstro com sua cara bisonha, horrenda, seu fedor, e seus tentáculos. E, não satisfeitos, preparam mais uma: querem restringir o uso dos Blogs. Oh, cambada, como se isto fosse possível. Passem o ferrolho nessa porta, seus idiotas fantasiados de intelligentsia e, outras portas serão abertas porque não sei se já lhes disseram, mas, com o advento da Internet já não há mais como reprimir a liberdade de expressão como querem vossas sabedorias.

Este país tá ficando muito chato e se as partes não fumarem logo o cachimbo da paz caminhamos para nos tornamos um Irã mais cedo do que nosso profeta que se despede do poder gostaria ou imagina. Ao invés de nos unirmos estamos nos dividindo. Criando um abismo que separa: de um lado, os que acreditam em valores universais como o pensamento livre, a liberdade de ideias e opiniões que, admitamos, são expressadas, mas jamais consideradas. E de outro lado, a turma do Poder, cada vez maior e mais desprovida de humildade e lucidez, para o qual, fora da cartilha pregada por eles não há salvação. Fundamentalismo religioso, ainda não se vê. Mas, fundamentalismo político, é para onde se caminha. E isso é repugnante e temerário.

Vamos ver em que vai dar a coisa. Mas, adianto, se eu for obrigado desenterrar do porão o velho mimeógrafo não hesitarei em fazê-lo. Ou vou lá tirar os meus xérox com a Claudinha. Sem minhas ideias que na verdade não são minhas, mas de muitos que não tem coragem nem estímulo para aproveitar um espaço como este, a meia dúzia de fiéis leitores que me prestigiam não ficarão sem tais delícias gozopopéias. Prometo. Ainda tô muito novo pra ler Ubaldo. Vou continuar escrevendo. Mais um pouco. Um pouco menos. Mas, sempre escrevendo.

Pra encerrar o papo porque já são 5 da manhã, os galos cantam e os olhos ardem, lembro-lhes que há duas maneiras de se fazer Literatura: Uma é escrever para os leitores de sua geração, para os críticos da próxima e para os historiadores de todo sempre, como dizia o finado Scott. A outra é escrever para o patrão. Exatamente por isso, há duas maneiras de se fazer jornal: uma, é fazendo jornalismo. A outra é redigir, fotografar, noticiar, informar e opinar. Para quem? Sabes a resposta.



* Texto publicado na edição No. 73 do Jornal Cidade Livre

A TORCIDA QUE TEM UM TIME

Alguém conhece uma torcida que vê seu time perder uma final de campeonato por 4x0 e mesmo assim o consagra?

Alguém conhece uma torcida que, ainda na derrota, reconhece e aplaude o trabalho honesto, honrado, decente de jogadores, comissão técnica, diretoria?

Alguém já ouviu falar em uma torcida que, se desloca em grande número para outra cidade para apoiar o seu time, mesmo sabendo que o jogo já tem as cartas marcadas e é bem recebida pelo povo hospitaleiro daquela cidade, pelo clube amigo, irmão daquela cidade e por seus torcedores simpáticos e acolhedores.

Alguém já viu uma torcida que, fazendo uso dos seus direitos garantidos pela abençoada democracia não tem medo e nem vergonha de expor os seus mais legítimos e verdadeiros sentimentos, suas sinceras convicções seja ao poder público que a decepciona, seja às autoridades que a prejudicam, seja à temida entidade máxima do futebol de São Paulo?

O dia 07 de novembro entrará para a história do futebol como o dia em que a torcida sofrida e injustiçada do interior paulista se vestiu de vermelho e verde, se fez representar por cerca de 2000 pessoas presentes ao aconchegante estádio Barão de Serra Negra em Piracicaba; ganhou vida, forma, cheiro e cor e palavra na voz e no coração de 2000 velistas.

É chegado o momento das autoridades, da classe política de Rio Claro tomarem vergonha na cara e passarem a vestir a camisa, tomar as dores e cerrar fileiras com as coisas e a gente de Rio Claro, a cidade que os elege, que os acolhe e que lhes atribui cargos e funções para os quais deveriam se sentir honrados e agradecidos.

É chegado o momento da Federação que se diz paulista e não apenas paulistana de Futebol realmente voltar a olhar com bons olhos, com carinho pelos clubes do interior deste estado pujante, celeiro de craques, rico em história e tradição futebolística, e torcida, porque atrás de um são-paulino, um palmeirense, um santista, um corinthiano, há um velista, um quinzista, um são-joanino, um americanense, um galista de limeira, um ponte-pretano...

07 de novembro de 2010. Ano da libertação, ano dos 100 anos, ano do título outorgado por uma coletividade destemida, gigante, no tamanho e no coração e que realmente veste a camisa do clube que ama. Ano do Velo Clube. O time glorioso e centenário que merece mais respeito e consideração. Todo time pode dizer que tem uma torcida. Mas nem toda torcida pode dizer que tem um time. A do Velo Clube pode.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

FINADOS

Não lamente os mortos. Nem hoje, nem amanhã. Não chore por eles. E se pensar neles, o faça com alegria, e esperança. Eles se sentem mortos, se nós realmente acreditarmos que eles estejam. Não dificulte as coisas, nem pra você e nem pra eles. Deixe-os seguir o caminho. Deixe-os em paz. Aos deprimidos, uma saída é escrever. E sei do que estou falando. Continue a escrever. Dialogar com o nada, também é uma forma de comunicar-se. Afinal o que é o nada senão alguma coisa que apenas não pode ser vista ou tocada. Mas pode ser sentida. E se pode, é por que existe. Na pior das hipóteses, o nada são 4 letras.



PÈRE LÈCHAISE


Quem deseja as minhas cinzas?


Quem apaga o fogo que agora queima minh’alma?


Quem pode olhar para mim com ternura?


Haverá alguém que possa me entender?


E aceitar as coisas que fiz?


Quando cai o pano


O sonho terminado


Resta apenas esperar


As ofensas que virão


Nada disso importa


Ainda há poesia no meu coração


É nela que me refugio


Um manto com o qual


Eu esconda a vergonha


Que outros me impõem


Esta presença agora me assusta


Esta luz ofusca o meu olhar


Esta voz que soa como as águas do rio


Como o vento que passa


E as aves no céu que não posso ver


Em torno de mim um imenso gramado, um canteiro de flores


Não desejo a escuridão, apenas quis falar sobre ela


Sob meus pés o orvalho da noite


Adiante o silêncio


E dentro, o nada: Quatro letras.

Poema de J. Costa Jr.




















segunda-feira, 1 de novembro de 2010

HABEMUS DILMA!

Consta nos anais da História que, por volta de 1 mil e bolinhas aC, o Conde de Bostaebastenberg, dirigiu-se à recém empossada Rainha Madeleusa da seguinte maneira: Minha cara, como devo chamá-la? E ela, do alto da pose que o cargo lhe impunha respondeu com os olhos fitos no horizonte: Sua dona. Então o nobre arruinado riu amareladamente, ao que a realeza emendou: sua irmã... sua esposa – e de repente o sorriso foi desaparecendo do semblante do conde – sua mãe. Dependerá evidentemente – ela continuou – do momento e da ocasião.

O 40º. Presidente da história da República brasileira é uma mulher. E promete ser a presidenta de todos. Difícil acreditar quando tais palavras saem da boca de um petista. A menos que ele se chame Luis Inácio Lula da Silva. O legado do presidente poderá ser compreendido na medida em que seus 8 anos de governo se distanciarem no tempo. A fórmula mágica de Lula foi aumentar a ração dos galos donos do terreiro e dar pirulitos aos pintinhos. Reformas, nenhuma. Solução nos graves problemas de saúde e ensino público, nada. E se estes problemas são sentidos no sudeste, piora nas regiões norte e nordeste do país. Então a pergunta que fica é: E daí? – Realmente, porque nestas regiões, a candidata de Lula nadou como diria o caipira, de braçada. Ora, cara pálida, quer dizer que aquela gente sofrida do mundão do país, pouco se importa se não há médicos e remédios nos postos de saúde, se um simples exame laboratorial leva meses para ser feito. Se, em casos de extrema urgência é preciso botar o doente nas costas e bater de porta em porta nos hospitais públicos, geralmente distantes naquelas plagas, centenas de quilômetros um do outro. Ou simplesmente entregar o doente às preces do Seu Pedro de Alexina. Porque, já dizia Pimpão de Trás os Montes: terra deu terra come

A latente aspiração de poder da região sul do Brasil, novamente não pôde contar com o apoio dos mineiros, como fora prometido por seu senador. Nenhuma surpresa. Afinal, os mineiros sempre viraram as costas para as causas mais importantes da nação. Os Inconfidentes que o digam. O que não os impede, todavia, de serem bajulados pelos historiadores e cientistas políticos como os artífices da liberdade e da democracia no Brasil. Ah, me conta outra vai!

Até São Paulo, exceto a capital, e algumas cidades cuja maioria do eleitorado não se submete às imposições dos governantes, como Rio Claro, traiu a esperança daqueles que acreditam que governar é mais do que proporcionar pão e circo ao povo, agradar aos coleguinhas e perseguir os inimigos.

Em seu primeiro pronunciamento, após o pleito eleitoral, a presidenta, disse estender a mão à oposição. Bom seria fosse verdade, porque se sabe que isso não se dará.

O Brasil precisa de conciliação, união? Sim. Muito mais agora quando a diferença de apenas 12% do eleitorado em favor da candidata eleita demonstra que considerável parcela da sociedade brasileira, quase a metade, está insatisfeita com alguma coisa senão muitas e deseja mudanças.

À parte a maioria esmagadora que terá no Parlamento, ao menos de início, o novo governo precisará lançar mão do diálogo. E então haverá oportunidade de saber se a declarada discípula aprendeu de fato com o Mestre.

Tem-se a nítida impressão que os 56% de eleitores que optaram pela presidenta eleita, o fizeram porque não puderam por força de lei optar novamente pelo presidente que se retira de cena.

Um dos benefícios mais salutares da democracia é a alternância de poder que ela permite. A maioria do povo eleitor, e não o povo, como insiste em declarar os vencedores, optou, entretanto, pela continuidade assumindo todos os riscos que tal opção implica.

Resta torcer para que o novo governo tenha a mesma força e credibilidade que o anterior para enfrentar os desafios que terá pela frente, o mais significativo, de início, a guerra cambial deflagrada no mundo. E, na seqüência, a dívida interna que atinge números estratosféricos e se constitui em mais uma conta que alguém um dia haverá de pagar. Advinhe quem? Resta rezar finalmente para que o novo governo tenha a coragem que faltou ao anterior para de fato promover as reformas de que o país necessita para se ver livre das amarras que impedem o seu melhor e maior desenvolvimento.

Será preciso mesmo muita torcida. E muita reza.