terça-feira, 2 de novembro de 2010

FINADOS

Não lamente os mortos. Nem hoje, nem amanhã. Não chore por eles. E se pensar neles, o faça com alegria, e esperança. Eles se sentem mortos, se nós realmente acreditarmos que eles estejam. Não dificulte as coisas, nem pra você e nem pra eles. Deixe-os seguir o caminho. Deixe-os em paz. Aos deprimidos, uma saída é escrever. E sei do que estou falando. Continue a escrever. Dialogar com o nada, também é uma forma de comunicar-se. Afinal o que é o nada senão alguma coisa que apenas não pode ser vista ou tocada. Mas pode ser sentida. E se pode, é por que existe. Na pior das hipóteses, o nada são 4 letras.



PÈRE LÈCHAISE


Quem deseja as minhas cinzas?


Quem apaga o fogo que agora queima minh’alma?


Quem pode olhar para mim com ternura?


Haverá alguém que possa me entender?


E aceitar as coisas que fiz?


Quando cai o pano


O sonho terminado


Resta apenas esperar


As ofensas que virão


Nada disso importa


Ainda há poesia no meu coração


É nela que me refugio


Um manto com o qual


Eu esconda a vergonha


Que outros me impõem


Esta presença agora me assusta


Esta luz ofusca o meu olhar


Esta voz que soa como as águas do rio


Como o vento que passa


E as aves no céu que não posso ver


Em torno de mim um imenso gramado, um canteiro de flores


Não desejo a escuridão, apenas quis falar sobre ela


Sob meus pés o orvalho da noite


Adiante o silêncio


E dentro, o nada: Quatro letras.

Poema de J. Costa Jr.




















Um comentário:

  1. Palavras muito inteligentes que refletem a verdade, um dia todos entenderão isso.

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